26/05/2009 - 12:50h A gestão da indústria petrolífera e a Petrobras são mostradas como exemplo pelo Financial Times

A reportagem afirma que até agora o Brasil tem gerido bem sua indústria, permitindo que a Petrobras se transforme em “uma das mais avançadas companhias internacionais de petróleo.”

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Brasil é o futuro do petróleo latino-americano, diz “Financial Times”

da BBC Brasil – Folha Online

O Brasil representa o futuro do petróleo latino-americano, em contraste com os problemas enfrentados pelos dois maiores e mais tradicionais produtores da região, Venezuela e México, segundo afirma reportagem publicada nesta terça-feira pelo diário britânico “Financial Times”.

“Nos últimos dois anos, a Petrobras, a sofisticada empresa brasileira estatal de capital aberto, descobriu reservas tão promissoras em águas profundas na costa sudeste que os executivos estão comparando esta nova fronteira com o mar do Norte, que salvou o mundo da crise energética criada pelo Oriente Médio nos anos 1970″, diz o jornal.

A reportagem afirma que até agora o Brasil tem gerido bem sua indústria, permitindo que a Petrobras se transforme em “uma das mais avançadas companhias internacionais de petróleo.”

O jornal adverte, porém, que a empresa ainda tem grandes desafios técnicos e financeiros para explorar as novas reservas de petróleo e comenta que os políticos do país ainda discutem uma nova legislação para regular o desenvolvimento dessas novas reservas.

“Enquanto as discussões em Brasília prosseguem, as histórias da Venezuela e do México deveriam servir como advertência”, afirma a reportagem.

Galinha dos ovos dourados

O texto comenta os efeitos negativos da má gestão das empresas públicas de petróleo nos dois países, comparando-as à fábula da galinha dos ovos dourados.

“A indústria venezuelana de petróleo pode não estar morta, como foi o destino da galinha na fábula, mas a última onda de nacionalizações no setor pode se mostrar um golpe quase fatal, advertem executivos do setor”, diz o texto.

O jornal afirma que, em seus dez anos no poder, o presidente Hugo Chávez “dizimou a PDVSA, a estatal venezuelana do petróleo, que nos anos 1990 aparecia como uma das mais bem gerenciadas do mundo.”

A produção venezuelana caiu de 3,4 milhões de barris em 1999, antes de Chávez chegar ao poder, a 2 milhões atualmente.

Cofrinho

Segundo o jornal, a Venezuela não está sozinha na “má gestão de seu mais precioso recurso”.

“Por mais de 50 anos, o México rivalizou com a Venezuela como o mais importante produtor de petróleo da América Latina. Mas o país também usou demais sua empresa estatal de petróleo como cofrinho para tirar dinheiro”, diz o texto.

A reportagem comenta que decisões políticas deixaram a estatal Pemex endividada e com dificuldades para investir na produção e no desenvolvimento das reservas de petróleo do país.

Além disso, as leis mexicanas dificultam a participação de empresas estrangeiras, que poderiam ocupar o espaço deixado pela Pemex em relação aos investimentos.

“Apesar de recentes reformas políticas, o México agora enfrenta a assombrosa perspectiva de se tornar importador líquido de petróleo em uma década”, afirma o jornal.

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Charge contra a privatização da Pemex (Petroleo México). Fonte New one

Latin America: Revolution that killed the fabled golden goose

By Carola Hoyos – Financial Times

Published: May 26 2009 05:25 | Last updated: May 26 2009 05:25

As Venezuelan troops this month seized the assets of oil service contractors, the fable of the goose that laid the golden eggs again made the rounds of conversations among oil executives.

Venezuela’s oil industry may not be dead, as was the fate of the goose in the fable, but the latest round of nationalisations could prove a near-fatal blow, oil executives warn.

Analysts believe the move could reduce the country’s production to lows not seen for 20 years and prompt a significant shift in power that will redefine the relative importance of Latin America’s oil producers.

In fact, the oil service contractors were not the first to suffer under the drive of Hugo Chavez, Venezuela’s populist president, to use the country’s oil wealth for social programmes and to increase his influence among neighbouring countries.

During his decade in power, Mr Chavez has decimated PDVSA, Venezuela’s national oil company, which in the 1990s ranked as one of the world’s best-run. And as oil prices rose from about $20 to $147 a barrel in the past decade, he wrested control of Venezuela’s oil fields back from international oil companies before turning his sights to the oil service sector.

All this has had a profound effect on the country’s ability to produce oil. Output has dropped from 3.4m just before Mr Chavez came to power in 1999 to barely more than 2m barrels a day today.

Until the second half of last year, the drop in production had been masked by the extra income from rising oil prices. But prices have collapsed since hitting their peak last July, falling to as low as $32 before recovering to trade at about $60 today.

This has meant PDVSA, burdened by financing Mr Chavez’s social programmes, has had to slash costs and Venezuela has run up billions of dollars in debt to oil service contractors it can no longer afford to pay. Nationalising them has only dug Caracas into a deeper hole, analysts warn.

“It is clear that, even though in 2009 PDVSA will probably see an important decline in oil income and expenditures will keep increasing, it will still have the capacity to pay its [debt] obligations,” analysts at Barclays wrote in a note to institutional investors.

Observers say this means Mr Chavez’s reign is far from over and his actions, though disastrous for Venezuela’s oil industry and the country’s long-term prosperity, have not yet caused enough trouble to destabilise his government.

But Venezuela is not alone in having mismanaged its most precious resource. For more than 50 years Mexico has rivalled Venezuela as Latin America’s most important oil producer. But it too has relied too heavily on its national oil company as a piggy bank.

For decades Mexico’s congress has dipped into the coffers of Pemex, the national oil company, plunging it deep into debt and forcing it to borrow money to keep investing in producing and developing the country’s oil fields.

Meanwhile, Mexican politicians have denied Pemex the opportunity to use foreign oil companies to fill the resulting gap in investment by maintaining strict laws that make investing in the country unattractive.

All this has had severe consequences. Pemex has been unable to halt the steep natural decline of Cantarell, the giant, ageing field that at its peak produced more than 2m barrels of oil a day, but now no longer manages even half that.

Nor has Pemex succeeded in compensating for Cantarell’s losses by finding and developing new fields.

Despite recent political reforms, Mexico now faces the daunting prospect of becoming a net oil importer within a decade.

The fates of Mexico and Venezuela stand in stark contrast to that of Brazil, the country that represents the future of Latin American oil.

In the past two years, Petrobras, Brazil’s sophisticated, partially traded national oil company, has discovered such promising reserves in the deep waters off the south-west coast, that executives are comparing this new frontier with the North Sea, which saved the world from the energy crises created in the Middle East in the 1970s.

So far, Brazil has managed its industry well, allowing Petrobras to grow into one of the world’s most advanced oil companies, using foreign investment and expertise to its advantage.

It is an enviable position, but Petrobras has huge technical and financial hurdles to overcome. It took a dozen big oil and gas companies more than a decade to tap the North Sea.

Far fewer are active in Brazil and the country’s politicians have yet to thrash out a new energy law that will govern the development of the potentially huge reserves that are still to be discovered.

As discussions in Brasilia continue, the story of Venezuela and Mexico should serve as a cautionary tale similar to the one about the goose and the golden eggs.

21/03/2009 - 15:44h Venezuela legalizará las uniones homosexuales

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El Parlamento sigue la senda marcada por España o México y las reconocerá como “asociaciones de convivencia”

EFE – Caracas – El País

El Parlamento venezolano legalizará próximamente las uniones homosexuales y las reconocerá como “asociaciones de convivencia”, según ha informado este viernes la diputada Romelia Matute.

“Está casi listo el informe para la segunda [y definitiva] discusión del Proyecto de Ley Orgánica para la Equidad e Igualdad de Género”, que incluirá un artículo que permitirá “la unión entre dos personas del mismo sexo y que se decidió llamar asociaciones de convivencia”, ha declarado la legisladora.

Los diputados de la unicameral Asamblea Nacional, de mayoría afín al Gobierno del presidente Hugo Chávez, se han reunido en diversas oportunidades con representantes de organizaciones de homosexuales, quienes solicitaron tal inclusión como “asociaciones de convivencia”, ha explicado Matute.

El respeto de los derechos humanos, “sin importar su orientación sexual”, ha agregado, permitirá que dos personas del mismo sexo “puedan unirse legalmente y que esto tenga efectos jurídicos y patrimoniales, como ha ocurrido en muchos países como México o España, entre otros”.

La Constitución venezolana establece, ha recordado, que toda persona tiene el derecho a ejercer la orientación e identidad sexual de su preferencia, de forma libre y sin discriminación alguna.

13/03/2009 - 11:21h O Brasil que incomoda

Ruy Baron / Valor
O presidente Lula, que se encontra com Barack Obama neste fim de semana em Washington, reflete a imagem de um país que já não é confundido com republiquetas

Por Marta Barcellos, para o Valor, do Rio

É pouco provável que Barack Obama cometa gafes ao referir-se ao Brasil no encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Washington, neste sábado. Os tempos em que um presidente americano podia confundir o país com a Bolívia, como fez Ronald Regan em 1982, parecem fazer parte de um passado distante, especialmente quando um líder de reconhecido porte intelectual chega à Casa Branca. No entanto, pode-se afirmar que o mérito de distinguir o Brasil, agora, não é apenas de Obama. Ao ganhar relevância econômica e política, nos últimos anos, o país deixou para trás a difusa imagem de mais uma “república das bananas” para ganhar contornos nítidos no noticiário internacional. Nas últimas semanas, por exemplo, os correspondentes estrangeiros não tiveram muito tempo para reportagens pitorescas sobre verão ou carnaval: precisavam também analisar o impacto da crise financeira internacional no país e explicar a estratégia adotada pelo governo para enfrentá-la.

Mas a ideia de que bastaria nos livrarmos dos olhares preconceituosos, folclóricos ou desinformados para cairmos nas graças da opinião pública internacional revelou-se uma falácia. Estar em evidência pode significar também contrariar interesses e dar munição para que apontem, com embasamento, nossas mazelas. É o que mostra uma pesquisa do instituto GlobeScan, de Londres, realizada em 21 países. Mesmo bem cotado em relação aos demais, o Brasil viu aumentar a percepção negativa sobre sua influência no mundo justamente em quatro países ricos: Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e França.

Segundo o levantamento, a visão predominantemente negativa dos americanos em relação ao Brasil aumentou de 19% para 23% no último ano. No caso da França, essa percepção subiu de 23% para 33% dos entrevistados, e no Reino Unido, de 31% para 35%. O resultado negativo mais surpreendente veio da Alemanha, onde 40% das pessoas disseram que o Brasil exerce má influência no mundo, proporção que estava em 28% na pesquisa anterior. Na perspectiva alemã, ao contrário dos outros três países, a visão negativa passou a superar a positiva, de apenas 30%. O quadro é bem diferente, por exemplo, do radiografado nos Estados Unidos, onde, embora maior, a visão negativa do Brasil corresponde à metade das opiniões favoráveis, de 47%.

O Brasil segue o padrão verificado na avaliação da China, Rússia e Índia, seus companheiros no grupo de principais economias emergentes (o chamado Bric) – com o detalhe de que os dois primeiros foram destacados na pesquisa divulgada globalmente pelo instituto, pois a visão negativa sobre ambos passou de uma média de 33% para 40%, e de 34% para 42%, respectivamente. Na avaliação feita pelos alemães, China, Rússia e Índia registraram pioras na imagem mais expressivas do que no caso brasileiro.

Para Sam Mountford, diretor de pesquisas da GlobeScan, os efeitos da crise econômica na pesquisa são difíceis de mensurar, já que a maior parte das entrevistas aconteceu no final do ano passado, quando a dimensão real da turbulência ainda não fora percebida pelo público. Mesmo assim, ele acredita que a avaliação mais negativa recebida pelo Brasil nos Estados Unidos, Alemanha, França e Reino Unido deve estar relacionada ao desenvolvimento econômico do país. “O Brasil é cada vez mais notícia”, diz Mountford. “Há muita discussão sobre o crescimento do Brasil, China, Rússia e Índia na mídia desses países e é bastante provável que essas pessoas estejam começando a se sentir ameaçadas – do ponto de vista econômico, não político”, ressalta.

“Existe um preço para a maior exposição internacional”, concorda o cientista político Amaury de Souza, consultor da MCM Associados. “Na América do Sul, por exemplo, já somos vistos como os novos yankees.”

O publicitário Nizan Guanaes, presidente do Grupo ABC, acredita que a imagem do Brasil não poderia estar melhor no exterior, por consequência das conquistas econômicas e institucionais dos últimos anos, e atribui qualquer variação nessa percepção ao incômodo causado pela competição internacional. “Talvez fosse mais fácil gostar do Brasil do mulato faceiro do que do gigante”, diz. “Não dá para querer ser sempre o queridinho, ainda mais quando se está travando embates de mercado, em um mundo cada vez mais protecionista.”

A maior visibilidade do país aconteceu principalmente em função de a sigla Bric ter caído no gosto popular, lembra Amaury de Souza. Ao surfar na promissora onda das nações que seriam os “tijolos” (”bricks”, em inglês) a sustentar o crescimento global, o Brasil conseguiu projeção e distinção, mas também passou a ser visto como parte de um bloco. É justamente a imagem desse conjunto de países que pode estar em questão, diz Matias Spektor, doutor em relações internacionais pela Universidade de Oxford e coordenador do MBA de relações internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Segundo ele, os países do Bric tendem a perder espaço com a crise econômica, enquanto os Estados Unidos veem aumentar sua própria importância – o que estaria implícito na pesquisa da GlobeScan. Na média, a visão negativa sobre os Estados Unidos caiu de 47% para 43%, enquanto a positiva aumentou de 35% para 40%, refletindo também a eleição de Barack Obama. “A opinião pública espera que a solução da crise venha por meio da liderança americana, e não que passe pelo Bric, cuja imagem agora está mais próxima da de tijolos desmoronando”, compara Spektor. Ele destaca que a situação da economia internacional hoje é mais hostil, e o clima de tormenta aumenta a tensão entre os países.

Mas a imagem do Brasil vai além de sua identificação como integrante do Bric, o que é evidenciado pela sexta posição ocupada na média de avaliações feitas sobre 15 países, atrás apenas de Alemanha, Canadá, Grã-Bretanha, Japão e França. Essa é a boa notícia do levantamento, diz o professor da FGV. Spektor observa que, nesse ranking geral, o Brasil está acompanhado justamente por países que também pleiteiam uma cadeira no Conselho de Segurança das Nações Unidas: Alemanha, Japão, Índia e África do Sul. A pretensão brasileira, ressalta, não pode ser vista apenas como uma forma de aumentar o status ou a visibilidade do país. “Ganhar influência e poder nas relações internacionais sempre vem junto com um custo.”

Um exemplo de responsabilidade que aparece com a conquista de status internacional é a questão ambiental, apontada como uma das fragilidades da imagem brasileira por uma pesquisa qualitativa paralela ao estudo, na qual os entrevistados explicaram sua opinião sobre o país. Nessa pequena amostra, conta Mountford, foi detectada uma forte preocupação com as perdas da floresta amazônica e a percepção de que o governo brasileiro, apesar do desenvolvimento econômico, não combate o problema como deveria. Nesse grupo de pessoas, entrevistadas pela BBC, também foram mencionados problemas como a corrupção e a desigualdade na distribuição da riqueza no país. A democracia e o desenvolvimento econômico foram os destaques positivos.

Os comentários mostram um conhecimento da realidade brasileira impensável algumas décadas atrás, quando os correspondentes estrangeiros tentavam explicar planos econômicos estapafúrdios, nas reportagens, enquanto seus leitores imaginavam índios andando pelas ruas das cidades. “Isso mudou radicalmente”, diz Mery Galanternick, que começou a trabalhar na sucursal brasileira do “New York Times” na década de 1960. “O Brasil agora chama a atenção pelo que está fazendo de relevante. Passou a ser considerado um ‘player’ global.”

Jens Glüsing, correspondente da “Der Spiegel”, acredita que a redução do Brasil a um país de mulheres bonitas e futebol ocorre na mesma proporção em que muitos brasileiros veem os alemães apenas como bebedores de cerveja. “As pessoas com mais formação são bem informadas sobre o Brasil, conhecem detalhes da economia e da política. A imagem do presidente Lula, entre os formadores de opinião, é melhor lá fora do que aqui, até porque há uma comparação com o [presidente da Venezuela] Hugo Chaves.”

O calcanhar de Aquiles brasileiro, que poderia explicar a virada na visão alemã do país na pesquisa GlobeScan, é a política ambiental. “Nesse aspecto, e acredito que somente nele, a imagem do país deve estar realmente piorando na Alemanha”, diz Glüsing. O jornalista foi a Brasília no ano passado para cobrir a visita da primeira-ministra Angela Merkel, e recorda-se da “saia justa” que representou a coincidência entre a chegada da governante alemã e a renúncia da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Para o cientista político Amaury de Souza, a sensibilidade ao tema ambiental extrapola os limites da Alemanha, berço do primeiro partido verde do planeta. “Não nos damos conta da reação que as notícias negativas sobre ambiente geram no exterior”, afirma Souza. “O que para nós é tolerável, para eles é execrável.”

Preocupado com a imagem externa, o governo brasileiro contratou no fim do ano passado a Companhia da Notícia (CDN) para trabalhar de forma integrada à Secretaria de Comunicação Social (Secom) em ações voltadas principalmente aos Estados Unidos, Europa e Ásia. “Faremos um trabalho de divulgação dos esforços do governo para combater o desmatamento”, diz Rodrigo Baena, diretor internacional da Secom. Em um primeiro momento, o trabalho na área ambiental será direcionado para o monitoramento do que é publicado pela imprensa internacional, explica Andrew Greenlees, vice-presidente da CDN. “Percebemos que existem muitos equívocos em relação a dados, que são divulgados ou interpretados de forma incorreta.”

Na licitação para a contratação da agência, em abril do ano passado, o governo demonstrou preocupação com duas áreas, que deveriam ser alvo de propostas detalhadas por parte das candidatas: etanol e tecnologia da informação (TI). Vencedora da concorrência, a CDN constatou em seus estudos um alto grau de conhecimento do etanol brasileiro, ao contrário do setor de TI. A crise internacional, porém, acabou por mudar o foco e a agenda econômica do país, tornando o assunto menos relevante. “Estamos discutindo agora quais temas serão prioridade”, diz Greenlees. “Mas já percebemos algumas oportunidades de divulgação, como na área de energia, na qual há muito interesse e veículos especializados.”

O alcance de ações de divulgação, no entanto, tornou-se motivo de controvérsia desde que o governo anunciou o gasto anual de R$ 15 milhões no projeto. “O Brasil não vai conseguir controlar o que é publicado sobre a Amazônia, onde estão muitos pesquisadores estrangeiros”, diz Glüsing, da “Der Spiegel”, lembrando do impacto das reportagens sobre a região feitas pela “Nature”, uma das revistas científicas mais conceituadas do mundo. “Mais importante do que melhorar a imagem, é melhorar a realidade”, diz ele. Nesse sentido, a próxima reunião das Nações Unidas sobre mudança climática, marcada para o fim do ano em Copenhagen, poderia ser uma oportunidade efetiva para o Brasil, diz Matias Spektor. “Mas somente se houver uma mudança de atitude”, ressalta. “Para ser um ‘player’ importante, é preciso assumir um custo, fazer coisas que não são necessárias quando se é um jogador secundário.”

No caso do ambiente, o Brasil não tem como fugir do papel de líder, acredita o professor Celso Lafer, presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e ministro das Relações Exteriores durante o governo Fernando Henrique Cardoso. A floresta, a matriz energética limpa, a biodiversidade e o etanol tornam as decisões do país fundamentais para o resto do planeta, independentemente do desejo de assumir essa liderança. “É um caso em que se mistura o ’soft power’ e o ‘hard power’ “, afirma, referindo-se aos conceitos celebrizados pelo cientista político americano Joseph Nye, e que também servem para classificar as formas de inserção internacional de um país.

Quando ministro, Lafer teve uma conversa com o jornalista americano Larry Rohter transcrita no livro “Deu no New York Times”, no qual o correspondente conta histórias de sua experiência no Brasil. Nela, ambos concordavam com vocação do Brasil para exercer atração e influência por meio do “soft power”, mais relacionado à cultura, ao esporte e aos valores. O outro caminho, o “hard power”, seria o do poder militar ou econômico – impensável naqueles anos, em que a estabilidade da moeda ainda não se traduzira em crescimento. Para Lafer, as duas formas de poder são cada vez mais complementares. “A eleição de Obama representou a recapitalização do ’soft power’ para os Estados Unidos”, exemplifica.

Da mesma forma, governantes que deveriam discutir questões bilaterais de impacto acabam pautados por casos que mobilizam a opinião pública de seus países, como o da brasileira Paula Oliveira, que afirmou ter sido agredida por neonazistas na Suíça, ou do menino Sean Goldman, cuja guarda é disputada pelo pai americano e avós brasileiros.

Casos assim são importantes na construção da imagem de um país? Para Matias Spektor, assuntos dessa natureza são passageiros, e não dominam de fato as agendas dos países. Já Lafer acha que essas questões são relevantes, e os governos não têm como fugir delas. “É a velha história: todo presidente quer pautar a imprensa, e toda imprensa quer pautar o presidente.”

12/03/2009 - 11:08h Lula pedirá a Obama menos protecionismo durante a crise global

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Presidentes do Brasil e dos EUA se encontrarão no sábado; brasileiro insistirá no fim de restrições à importação de etanol

Pauta do encontro incluirá o estreitamento de laços com países da América Latina; Planalto espera que ocorra “boa química” entre os dois

KENNEDY ALENCAR E LETÍCIA SANDER DA SUCURSAL DE BRASÍLIA – FOLHA SP

No primeiro encontro pessoal com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende propor que o americano se empenhe para concluir a Rodada Doha, evite medidas protecionistas da maior economia do mundo no momento de crise e tenha ação mais efetiva sobre os bancos- sem descartar eventual estatização temporária.
No Palácio do Planalto, há preocupação em que ocorra uma “boa química” no encontro deste sábado em Washington, no qual Lula pretende insistir no fim das restrições americanas à importação do etanol brasileiro e sugerir a Obama que faça gestos de boa vontade para a América Latina, sobretudo para países com forte sentimento anti-EUA.
Ontem, o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) demonstrou otimismo quanto a este aspecto, porque há, segundo ele, uma “afinidade indiscutível de pensamento” entre Lula e Obama. “Nós identificamos até semelhanças, às vezes, nas frases usadas em relação à esperança, à mudança. Há uma afinidade, eu diria, intelectual, que vai permitir que esta relação [entre EUA e Brasil], que já é boa, possa ser muito mais aprofundada”, afirmou.
Ministros e assessores de Lula disseram à Folha que o brasileiro tem na carreira aspectos simbólicos como Obama. Lula é um retirante que conheceu a pobreza, fez carreira sindical e chegou à Presidência. O americano é o primeiro negro a presidir os Estados Unidos.

Pauta

Na pauta de Lula e Obama, segundo Amorim, deve entrar um debate sobre “os remédios para a crise financeira”, o que inclui a necessidade de aumentar e facilitar o crédito para o comércio entre países em desenvolvimento. Segundo Marco Aurélio Garcia, assessor da Presidência para assuntos internacionais, “será uma agenda de poucos pontos”.
Lula pretende pedir a Obama que se empenhe e não faça exigências excessivas para viabilizar a conclusão da Rodada Doha, as negociações para liberalização do comércio internacional que estão paradas no âmbito da OMC (Organização Mundial do Comércio).
O brasileiro também aconselhará Obama a tomar uma atitude mais definitiva em relação aos bancos americanos que estão em dificuldade. A intenção é sugerir que ele não descarte a estatização.
No campo energético, Lula priorizará o álcool. O Brasil levará mais uma vez aos EUA o pleito sobre a necessidade de eliminar, ainda que gradualmente, as tarifas de importação sobre o álcool combustível.
Por ora, o governo manterá o discurso de que não tem como substituir a Venezuela como fornecedor de óleo cru aos EUA, já que não tem excedente para exportar. O petróleo do pré-sal ainda vai demorar a ser explorado em larga escala, e a prioridade do país é agregar valor -refinar aqui e criar uma indústria do petróleo.
O terceiro ponto da agenda desejada pelo Itamaraty será a América Latina. Hugo Chávez, presidente da Venezuela, pediu a Lula que o ajude a melhorar relação com EUA e o aproxime de Obama. Lula pretende fazer isso, mas num contexto de maior “conciliação” com a América Latina, no sentido de ajudar Obama a olhar para cá “com a lógica certa”, nas palavras de Amorim.
Sobre Cuba, o presidente deve sinalizar que são positivas as medidas para suavizar ou encerrar o bloqueio americano.
A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) integrará a comitiva de Lula nos EUA. A Casa Branca reservou pouco mais de uma hora para o encontro, segundo o chanceler Amorim.

11/03/2009 - 09:53h “Brasil está talhando um papel poderoso no comércio internacional”, escreve o Wall Street Journal

Lula diz que pedirá a Obama combate ao protecionismo

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John Lyons, The Wall Street Journal, de Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou ontem que uma crescente onda de protecionismo por parte dos países ricos ameaça as economias do mundo emergente, e prometeu fazer lobby para que os Estados Unidos adotem um acordo de livre comércio com a Colômbia, ainda que isso possa prejudicar parte das exportações de seu próprio país aos EUA.

Numa entrevista ao Wall Street Journal que antecede uma visita de Estado aos EUA no fim de semana, Lula foi bastante crítico quanto a uma recente onda de medidas protecionistas em países que normalmente promovem o livre comércio. Um exemplo: a cláusula para compra de produtos americanos incluída no mais recente pacote de estímulo aprovado pelo Congresso dos EUA, ainda que ela tenha sido modificada para assegurar que o país cumpra regras de comércio internacional.

Lula advertiu que a crise financeira global ameaça prejudicar o desenvolvimento e reivindicou ajuda financeira e outras medidas para prevenir a maior disseminação da crise.

“Não podemos aceitar a ideia de que por conta da irresponsabilidade de banqueiros, e por conta da irresponsabilidade de uns governantes, que não fiscalizaram e não regulamentaram, o mundo pague a conta, sobretudo o povo mais pobre”, disse.

O Brasil é um defensor inusitado do comércio mais aberto. Altas tarifas de importação tornam muitas mercadorias caras demais para boa parte dos brasileiros. O país se opôs aos esforços americanos para unir o continente num enorme acordo de livre comércio, argumentando que as condições propostas pelos EUA eram duras demais para os parceiros comerciais latino-americanos.

O Brasil está pressionando agressivamente pela retomada das negociações no âmbito da Organização Mundial do Comércio por um acordo comercial global. Mas os argumentos de Lula ressaltam a profundidade com que a crise financeira está mudando o panorama até de países que pareciam estar sobrevivendo à crise melhor que outros. Lula disse acreditar que o Brasil evitará a recessão este ano, ainda que EUA, Europa e Japão se contraiam. Mas novos dados divulgados ontem mostraram a economia brasileira desacelerando rapidamente – com crescimento de apenas 1,3% no quarto trimestre de 2008, ante igual período do ano anterior.

Lula disse que conter o protecionismo é sua grande prioridade numa reunião que tem programada com Obama, no sábado. “Qualquer protecionismo poderá, no curto prazo, parecer favorável, mas no longo prazo será uma lástima para os países, e sobretudo na economia global, levando em conta necessidades que os países mais pobres têm de vender produtos para os países mais ricos.”

O ex-líder trabalhista tem se posicionando cada vez mais como um defensor global de países emergentes como África do Sul, Índia e outros em fórums como a reunião dos líderes do Grupo das 20 maiores economias em Londres, no mês que vem.

Na reunião com Obama, disse Lula, ele também planeja discutir propostas que podem ser debatidas na reunião do G-20. Entre essas medidas, disse Lula, estão a revitalização das negociações na Organização Mundial do Comércio, maior compromisso em evitar políticas comerciais protecionistas, diretrizes mais rígidas para a regulamentação de instituições financeiras, incluindo limites à alavancagem, e compromissos por parte dos países ricos de aumentar o crédito para exportações e outras atividades nas nações em desenvolvimento.

Não muito tempo atrás, a tentativa do Brasil de influenciar questões globais poderia ser ignorada. Mas o país, maior exportador mundial de açúcar, café, minério de ferro, carne e frango, está lentamente talhando um papel poderoso em áreas como comércio internacional.

As relações com o Brasil estão se tornando uma prioridade para os EUA. Enormes descobertas de petróleo no litoral podem fazer do país um importante fornecedor do combustível para os EUA num momento em que a produção do México e da Venezuela declina. O Brasil também pode exercer um papel importante na melhora das relações dos EUA com a América Latina, que atingiu novos pontos baixos no ano passado quando a Venezuela e a Bolívia expulsaram embaixadores americanos e o Equador declarou que acabaria com o uso pelos EUA de uma base militar no país.

Lula, por exemplo, disse que está exortando o presidente venezuelano, Hugo Chávez, a reduzir a intensidade de sua retórica anti-EUA e ver a mudança na Casa Branca como uma oportunidade de reformar as relações. Em contraparte, ele está reivindicando que os EUA também desmanchem o embargo comercial contra Cuba, uma mancha há bastante tempo nas relações regionais.

“Não existe mais nenhuma razão humana, sociológica ou política (para manter o embargo a Cuba). Precisa ter um olhar pelo futuro, e não pelo passado. Não podemos ficar fazendo política no século XXI sobre os fatos que (aconteceram) no século 20.”

Os EUA já declararam que esperam reduzir as restrições a viagens e transferências de dinheiro para Cuba.

Operário que não concluiu os estudos e perdeu um dedo num acidente de trabalho, a inusitada ascensão de Lula ao poder lhe dá uma enorme reserva de boa vontade numa região com uma profunda divisão entre ricos e pobres.

Embora boas, as relações entre os EUA e o Brasil são relativamente subdesenvolvidas. A pedra angular é um acordo para desenvolver tecnologia para biocombustíveis – uma área na qual o Brasil é forte.

O passado pobre de Lula aumentou as expectativas de que ele será capaz de estabelecer um relacionamento especialmente produtivo com Obama, cujo próprio passado não pressagiava o poder. O brasileiro foi efusivo em seus elogios ao presidente americano.

“Rezo por Obama mais do que por mim mesmo”, disse Lula. “As políticas de Bush para o Brasil eram dignas. Mas acho que podem ser infinitamente melhores com Obama.”

O desdém de Lula por bancos de investimento remonta ao período imediatamente posterior a sua eleição, em 2002, quando firmas dos EUA e da Europa puxaram uma forte baixa dos títulos da dívida externa brasileira, prevendo que Lula arruinaria a economia. A economia brasileira permaneceu sobre bases sólidas, e seu sistema financeiro está intacto.

De fato, Lula disse que a crise ofereceu uma oportunidade para se criar uma economia na qual os financistas de Wall Street tenham um papel menor.

“O mundo será menos falso”, disse. “A economia que vai contar é a que produz milho, arroz, um parafuso, um carro, um terno, um relógio.”

10/03/2009 - 10:52h Obama quer petróleo brasileiro, diz ”El País”

Lula, con las manos manchadas de crudo

Obama quiere el petróleo de Lula, manchete do jornal da Espanha, El País

Segundo jornal, EUA tentam reduzir dependência do petróleo venezuelano

Gerusa Marques e Nicola Pamplona – O Estado SP

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou ontem que o Brasil tem interesse em ampliar as exportações de petróleo para os Estados Unidos e admitiu que o tema pode ser tratado na viagem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia esta semana àquele país.

Com a perspectiva de descobertas gigantes no pré-sal, o Brasil atraiu o interesse de grandes consumidores do combustível, como a China, que acena com financiamento à Petrobrás em troca de garantia de fornecimento de petróleo.

O tema vem provocando especulações na imprensa internacional. Ontem, o jornal espanhol El País publicou reportagem afirmando que já há conversas informais sobre um acordo comercial bilateral que aumente o fluxo de petróleo entre Brasil e EUA. Segundo o texto, o interesse pela compra de petróleo brasileiro já foi anunciado pela administração Barack Obama que, assim, reduziria sua dependência da Venezuela, de Hugo Chávez.

Petrobrás e Itamaraty dizem desconhecer tratativas sobre o tema, mas Lobão diz que há um interesse mútuo que poderia se transformar em acordo comercial. “O mundo inteiro quer comprar nosso petróleo. Há uma fila para comprar nosso petróleo”, disse o ministro, explicando que o Brasil tem excesso de petróleo pesado e os países precisam fazer “um mix” dos óleos pesados e leves. Ele lembra que, com a exploração da camada do pré-sal, o Brasil também terá elevada produção de óleo leve.

“Eventualmente, pode ocorrer uma negociação na viagem (de Lula aos EUA), comentou Lobão. A agenda, porém, não prevê o fechamento de nenhum acordo durante o primeiro encontro entre Lula e Obama. No mês passado, a Petrobrás firmou um acordo de cooperação com empresas chinesas, segundo o qual garantiu um financiamento de US$ 10 bilhões em troca do fornecimento de petróleo. Os detalhes sobre volume ou preços de exportação do óleo brasileiro ainda não foram definidos.

Lobão disse que um eventual acordo com os Estados Unidos não deve provocar atritos com Hugo Chávez. “Ele é quem mais vende petróleo. Vende 2 milhões de barris por dia, mais do que consumimos no Brasil”, afirmou. “O Chávez é amigo do Brasil”, contemporizou, dizendo que os EUA não deixarão de comprar da Venezuela.

A Petrobrás exportou, em 2008, a média de 439 mil barris de petróleo por dia, e a tendência é que o número cresça à medida que novos campos entrem em operação. Segundo os planos da empresa, o pré-sal estará produzindo, em 2020, 1,8 milhão de barris, o equivalente a todo o consumo atual do País.

Para o consultor político Thiago de Aragão, da Arko Advice, porém, as possibilidades de um acordo com os EUA no curto prazo para venda de petróleo são remotas. Ele acredita que a agenda americana com o Brasil está hoje mais voltada para o etanol. O tema, no entanto, foi retirado da pauta do encontro presidencial, informou Lobão. “O Palácio achou melhor deixar o tema para outro momento”, disse o ministro, sem dar mais detalhes. “O que não impede Lula de falar sobre o assunto”, acrescentou.

NÚMEROS

US% 10 bi é quanto a Petrobrás vai obter em financiamento do governo chinës em troca de
fornecimento de petróleo

439 mil barris de petróleo por dia foi quanto o Brasil exportou no ano passado

2 milhões de barris de petróleo por dia é quanto a Venezuela exporta

1,8 milhão de barris de petróleo por dia será quanto o País vai produzir em 2020 no pré-sal, o equivalente a todo o consumo atual do País

09/03/2009 - 10:29h Obama quiere el petróleo de Lula

Washington pretende poner fin a su dependencia energética de Venezuela

Lula, con las manos manchadas de crudo

FRANCHO BARÓN – Río de Janeiro – El País

Brasil y EE UU mantienen contactos informales con el objetivo de cerrar un futuro acuerdo comercial que aumente el flujo de petróleo y derivados desde el gigante suramericano hacia su vecino del norte. La recién estrenada Administración de Barack Obama ya ha dejado clara su voluntad de incrementar considerablemente las importaciones de crudo brasileño. De concretarse el pacto comercial, algo que hoy por hoy parece muy probable y que depende únicamente de Brasil, la consecuencia más directa sería el desplazamiento de Venezuela del mercado energético estadounidense, donde actualmente consigue colocar entre el 40% y el 70% de su producción petrolífera.

Varias fuentes diplomáticas y gubernamentales de Brasilia han confirmado a EL PAÍS el interés del Gobierno de Luiz Inácio Lula da Silva en aumentar la presencia brasileña en el mercado norteamericano de hidrocarburos, aunque ello implique una colisión frontal con los intereses venezolanos. Todo ello dependerá de la cantidad de crudo que la compañía estatal brasileña Petrobras consiga bombear en los próximos años de los pozos perforados frente a los litorales de los Estados de Río de Janeiro y São Paulo, así como del marco jurídico que Washington y Brasilia suscriban.

Desde Brasilia se insiste en que el primer objetivo del Gobierno es abastecer totalmente su mercado interno y dejar de depender de las importaciones de crudo. Una vez que alcance esta meta, Petrobras entrará en la pelea a cara de perro por los mercados mundiales de hidrocarburos y sus derivados. Por su cercanía geográfica y la fluidez del diálogo político que ya se ha establecido con su nuevo presidente, EE UU se convierte en el gran comprador natural del oro negro brasileño.

Del total de las importaciones norteamericanas de hidrocarburos, el 11% proviene de Venezuela. La empresa estatal venezolana PDVSA no sólo vende a EE UU petróleo pesado y extra pesado, sino que también mantiene sus propias refinerías en suelo estadounidense y una amplia red de estaciones de servicio que distribuye sus derivados. Para Washington, una relación comercial estable con Venezuela en el terreno energético es importante. Sin embargo, y pese a sus frecuentes amenazas de cerrar el grifo del crudo, para el régimen de Chávez la venta de petróleo a su enemigo número uno se ha convertido en una cuestión de vida o muerte ya que le supone una caja diaria de unos 80 millones de dólares (64 millones de euros).

Es este contexto el Gobierno de Washington tiene el ojo puesto desde hace meses en las recién descubiertas megabolsas brasileñas de crudo. Según los estudios preliminares realizados por Petrobras, se encuentran frente a las costas de Brasil, en la capa denominada presal, es decir, bajo una gruesa capa de sal que puede alcanzar los dos kilómetros de espesor. Es de una calidad excelente. Se trata de petróleo ligero, que en comparación con el pesado y el extrapesado (los extraídos en Venezuela), requiere menos trabajo e inversión para ser refinado y transformado en derivados.

Fuentes diplomáticas brasileñas recuerdan que el Departamento de Defensa norteamericano decidió reactivar el pasado julio su Cuarta Flota para el Caribe y América del Sur, compuesta inicialmente por 11 buques, entre ellos un portaviones y un submarino nuclear. “Esta decisión no es casual. Ahora más que nunca estamos en el radar de los estadounidenses, ya que existe una cierta preocupación en algunos sectores de ese Gobierno por lo que suceda en esta zona de producción petrolífera”, apunta una fuente cercana al presidente brasileño.

Las mismas fuentes señalan que, para EE UU, Venezuela es un motivo de preocupación más que de sosiego o estabilidad regional. Obama mira al Gobierno de Brasilia como su aliado natural en Suramérica. Brasil es un país políticamente estable, de gran potencial económico, con una inmensa riqueza natural y humana. “Si Brasil continúa en su línea de fortalecimiento institucional, respeto a los principios de la democracia y al medio ambiente, seguridad jurídica y disminución de la desigualdad social, seremos un país productor de petróleo único en el mundo. Y esto es muy atractivo para EE UU”, asegura una fuente gubernamental brasileña experta en política energética.

Aunque aún se desconocen las reservas exactas, sí se sabe que el petróleo hallado en el litoral brasileño es abundante: si se cumplen las previsiones, Brasil pasará a ser el octavo o noveno productor del planeta. Además, su transporte hasta EE UU es casi tan sencillo como desde las costas venezolanas. “Washington entiende que las reservas del presal son la salvación de su dependencia de Venezuela”, se insiste en Brasilia.

Para Petrobras, la viabilidad del pacto comercial dependerá de las cantidades de crudo que se logren extraer. La previsión es que haya petróleo para exportar no sólo a EE UU, sino a otros países del mundo que ya han mostrado interés, como China y Japón.

Brasil insiste en que está más interesado en la venta de derivados, como gasolina, ya que le resultará mucho más rentable que la venta de barriles de crudo. Esto explica que Lula haya decidido apostar por una gran inyección de capital en Petrobras para la construcción de cuatro nuevas refinerías y la ampliación de otras tantas que ya existen. Brasil aumentó sus exportaciones de petróleo y derivados en casi un 10% en 2008, y el 40% de esas ventas fueron a parar a EE UU. El negocio está en marcha.

17/01/2009 - 10:19h “Insanidade” pede reforma na ONU, diz Lula

Foto: AFP

FABIANO MAISONNAVE – FOLHA SP

ENVIADO ESPECIAL A EL DILÚVIO (VENEZUELA)

Em visita à Venezuela, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva qualificou o conflito israelo-palestino de “insanidade” e defendeu a reforma da ONU como um dos passos para resolver a violência na região.
“O Brasil é um exemplo de convivência pacífica entre árabes e judeus. Nós temos aproximadamente 10 milhões de árabes no Brasil e temos algumas centenas de milhares de judeus, que não têm nenhuma culpa da insanidade daqueles que tomam decisões de atirar em gente inocente”, disse, durante discurso ao lado do presidente Hugo Chávez.
Ao defender a reforma do Conselho de Segurança -o Brasil postula um assento permanente-, Lula disse que a ONU está “enfraquecida e debilitada” por não ter tido força para impedir a Guerra do Iraque nem a ofensiva em Gaza.
Lula mencionou a recente visita do chanceler Celso Amorim ao Oriente Médio e disse ser necessário “mudar os interlocutores”. “Não pode ser apenas os EUA ou um outro país. E a primeira coisa que temos que fazer é que sejam resolvidos os conflitos internos. A Autoridade Nacional Palestina não pode negociar a paz se o Hamas não concorda com a paz.”
Depois que Chávez se queixou de que o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, repete a retórica de George W. Bush ao vinculá-lo às Farc colombianas, Lula disse esperar que ocorra logo um encontro entre o venezuelano e Obama. “Espero que Obama não veja aqui a região dos anos 60, mas uma região que aprendeu a viver em democracia”, disse.

03/12/2008 - 08:46h Latin America Grows in Popularity as Trade Partner as Opportunities in Traditional Markets Shrink

Toda Mídia de Nelson de Sá destaca hoje a pesquisa publicada por Market Watch. A pesquisa, da consultoria Economist Intelligente Unit, ligada à “Economist”, mostra como “a América Latina continua atraente às empresas” multinacionais. A razão, responde a maioria, é a desaceleração nos mercados tradicionais. E para 69% o Brasil é “chave na sua expansão a médio prazo”.

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AMSTERDAM, Netherlands, Dec 01, 2008 /PRNewswire via COMTEX/ — According to a 2008 survey by the Economist Intelligence Unit, undertaken on behalf of Atradius, the leading global credit insurer, the countries of Latin America continue to be attractive markets for businesses looking for opportunities to expand their sales, as their traditional markets are becoming increasingly crowded. Key findings include:

More than half of those surveyed (53%) said that their decision to seek out opportunities in the region was influenced mainly by a slowdown in their traditional markets.

50% of respondents identified competitive pressures in their home market as a deciding factor.

69% of those surveyed identified Brazil as a market that will be key to their expansion in the medium term, with Mexico running a creditable second at 48%.

61% percent of respondents estimate that their annual revenue from trade with the region would increase by more than 6% over the next three years, and 59% expect their annual profit growth from the region over that same period to reach 6%.

The report, A complex picture – investing and trading in Latin America, is the outcome of the survey of more than 300 companies from around the world who currently trade or plan to trade in Latin America. This is the latest in a series of reports commissioned by Atradius, designed to inform businesses of the opportunities and risks of trade with emerging markets.

The picture that emerges from the report is not wholly optimistic — crime, corruption and political instability are all cited as obstacles to successful trade — but within the region several countries stood out as strong prospects for successful international trade. Both Brazil and Mexico operate sound market-friendly economic policies, while others in the region — notably Venezuela and Argentina — have yet to come to grips with their soaring inflation and perceived political instability.

Peru and Chile both fared well in Atradius’ survey when it came to the overall ease of operation for overseas companies, scoring well for economic and political stability, good corporate governance, legal system and customs, and lack of contract disputes.

While those surveyed recognized that in the short term, Latin America isn’t immune to the global downturn, the medium-term outlook was still upbeat.

Commenting on the report’s findings, Atradius CEO Isidoro Unda observed: “Latin America clearly has much to offer businesses that are looking for new markets for expansion. It has a young and growing population, eager for imported consumer goods, and the reforms of recent years continue to improve the economic and political stability in much of the region.”

A copy of A complex picture – investing and trading in Latin America can be downloaded from the Publications section of the atradius.com website.

About Atradius:
Atradius provides trade credit insurance, surety and collections services worldwide, and has a presence in 40 countries. Its products and services aim to reduce its customers’ exposure to buyers who cannot pay for the products and services customers purchase. With total revenues of approximately EUR 1.8 billion and a 31% share of the global trade credit insurance market, its products contribute to the growth of companies throughout the world by protecting them from payment risks associated with selling products and services on credit. With 160 offices, it has access to credit information on 52 million companies worldwide and makes more than 22,000 trade credit limit decisions daily.
     Further information:     Atradius Corporate Communications and MarketingKathy FarleyTel.: +1 410-246-5584E-mail: kathy.farley@atradius.com

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SOURCE Atradius
 http://www.atradius.com

26/11/2008 - 18:33h Malos índices para Latinoamérica

Un informe advierte de que se empieza a vislumbrar la recesión en la región

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La presidenta de Argentina, Cristina Fernández, ayer lunes, durante la reunión con su homólogo mexicano, Felipe Calderón, en Buenos Aires.- AFP

SOLEDAD GALLEGO-DÍAZ – Buenos Aires – El País

Las esperanzas de un aterrizaje suave de las economías latinoamericanas en medio de la crisis mundial empiezan a desvanecerse. Lo que hasta hace unos meses se suponía que podría ser una desaceleración o un deterioro de las condiciones económicas se empieza a vislumbrar como un verdadero clima de recesión. Los últimos datos publicados por la fundación brasileña Getulio Vargas, en colaboración con el instituto alemán IFO, no dejan lugar a muchas especulaciones: el llamado Índice de Clima Económico (ICE), elaborado trimestralmente desde octubre de 1997, se ha colocado cerca del valor más bajo obtenido en diez años: 3,4 puntos.

El ICE estaba experimentando un declive continuado desde octubre de 2007, pero se combinaba con un Índice de Situación Actual todavía positivo y un Índice de Expectativas bajo, pero sostenido. En este nuevo estudio, todos los índices están por debajo de los promedios históricos en 10 años. El bajón en tres meses ha sido enorme: El ICE ha pasado de 4,6 a 3,4, pero la valoración de expectativas ha tocado fondo, pasando de 3,4 a sólo 2,5. La valoración de la situación actual, que se había mantenido invariablemente por encima de los 5 puntos, baja por primera vez a poco más de 4.

La percepción del clima económico de América Latina, asegura la encuesta, ha dejado de estar por encima de la media mundial. “El escenario se puede describir ya como tendencia recesiva mundial”.

Realidades diferentes

El informe de la Fundación Getulio Vargas (creada en 1944 con el objetivo de incentivar la mejora de la administración pública y privada y el análisis y prospectiva económica y convertida en uno de los principales centros de investigación del país) refleja, sin embargo, realidades diferentes, según los países. En Argentina -explica- la situación sigue caracterizada por un muy desfavorable clima económico. Es cierto que el ICE aumentó de 2,7 a 3,2 en el último trimestre, pero partía de niveles muy bajos y además las expectativas siguen siendo “sumamente pesimistas” (1,7 puntos).

Los mejor situados parecen ser Uruguay, Perú y Brasil, que siguen teniendo un índice de clima económico ligeramente por encima del 5. Llama la atención el descenso de la valoración del ICE en México, donde ha pasado de 4 a 2,3 puntos, seguramente como resultado del empeoramiento de la crisis en Estados Unidos.

El problema de la inflación

La encuesta incluye un cuestionario sobre los problemas económicos que enfrentan los distintos países. Los analistas de la fundación señalan que predomina la preocupación por la inflación. Argentina, Bolivia, Ecuador y Venezuela la consideran el primer factor, junto a la falta de confianza en las políticas gubernamentales. “La inflación también se menciona en Chile, Colombia, México, Perú y Uruguay. Solamente en Brasil y Paraguay no se señala entre los dos temas principales”.

Lo más significativo de la encuesta es su comparación con los datos del pasado mes de julio. El mundo estaba ya en fase recesiva, pero América Latina en general y Brasil en particular estaban solamente en una fase declinante de ciclo. En la encuesta hecha pública ahora, América Latina entra también en la fase recesiva y Brasil es el único que continua en la fase de descenso del ciclo, todavía no recesiva.

En el ranking por países del Índice de Clima Económico, las primeras posiciones son para Uruguay, Perú y Brasil, que lideran el ICE promedio de los cuatro últimos trimestres. Argentina y Ecuador siguen en las últimas posiciones. “El único cambio es el intercambio de posiciones entre Venezuela y México, en la octava y novena posición”.

Perspectivas

Los datos de la Fundación Getulio Vargas han coincidido con nuevos análisis hechos públicos ayer martes por la Organización para la Cooperación y el Desarrollo Económico (OCDE) y también relacionados con la economía latinoamericana. Según la OCDE, nuevas caídas en los precios de las materias primas y las presiones inflacionistas por la depreciación de las monedas, son los dos riesgos principales que afronta América Latina.

Para los expertos de la OCDE, Brasil crecerá sólo un 3% en 2009, pero empezará repuntar en 2010 (4,5%). México tiene perspectivas más difíciles: un crecimiento del PIB de únicamente un 0,4% el año próximo y de un 1,8% en 2010. Para Chile, el crecimiento oscilará entre un 2,6% en 2009 y un 3,1% en 2010.

La OCDE coincide en que la presión inflacionista seguirá siendo importante, porque aunque la actividad económica decae, la depreciación de las monedas aumenta la presión sobre los precios. “El Banco Central de Brasil probablemente tenga que reanudar su campaña de ajuste monetario”. El real brasileño ha perdido ya un 24% de su valor frente al dólar en este año. El peso mexicano ha caído un 19% y el chileno, más del 26%. En Argentina, la industria local lucha por lograr una devaluación, pero el Gobierno de Fernández Kirchner intenta mantener el nivel de cambio entre 3,30 y 3,40 pesos por dólar.

24/11/2008 - 09:33h The Economist olha para 2009 com previsões e desejos

The World in 2009

The Americas

Latin drift

Nov 19th 2008
From The World in 2009 print edition
By Michael Reid

Sorting Latin America’s pragmatists from its populists

Alamy 

After five years in which Latin America’s economies have averaged 5% annual growth with generally low inflation, they face a severe test of their new-found resilience in 2009. Subdued consumption in the rich world will squeeze exports and commodity prices, and finance will be harder to find. Countries with diversified exports and sound policies will be better placed to ride out the storm than those, such as Venezuela and Argentina, that have squandered their commodity windfalls and spurned private enterprise. Politically, tougher times will coincide with, and contribute to, the start of a tentative shift away from the left.

Of the region’s two big economies, Brazil will continue to do better than Mexico, but neither will do well. Softening commodity prices will erode Brazil’s trade surplus (and cause further depreciation of the real), but the diversity of its export markets and the vigour of domestic consumption will keep growth below 3% (down by more than two percentage points from 2008). With a presidential election due in 2010, Brazilian politics will be dominated by preliminary jockeying over candidacies, with President Luiz Inácio Lula da Silva, the social-democratic president, seeking to transfer his own popularity to his chosen successor, probably Dilma Rousseff, his chief of staff.

The intertwining of Mexico’s economy with United States’ manufacturing will cut growth to under 1%. That will bring an increase in social tension: tighter border controls mean it has become harder to cross into the United States, and jobs are harder to find there, so the traditional safety valve of emigration will become blocked. The slowdown comes at an awkward moment for Felipe Calderón, Mexico’s president. In a mid-term congressional election in July, Mr Calderón’s conservative National Action Party is unlikely to win the majority it desperately needs to sweep away the vestiges of corporatism that still hobble the country’s economy. The centrist Institutional Revolutionary Party, which ruled Mexico for seven decades until 2000, will make gains at the expense of the divided left. Whatever happens in the election, Mr Calderón will hope to make headway against powerful drug gangs.

Argentina’s vigorous recovery from its financial collapse of 2001-02 will peter out in 2009, as commodity prices soften. Cristina Fernández de Kirchner, the populist president, will pay a political price for her failure—and that of her husband and predecessor, Néstor Kirchner—to persuade investors that Argentina is a safe place to do business. Despite the government’s manipulation of the inflation index, Argentines know they are getting poorer. The Kirchners’ hold over the Congress and the ruling Peronist party will vanish in a legislative election in October. Rather than the divided opposition parties, Peronist barons of the centre-right may be the big winners. Ms Fernández will govern at their pleasure for the rest of her term until 2012—if she lasts that long.

In Venezuela the cost of Hugo Chávez’s rule will become clearer. Hitherto, a high and rising oil price has paid for ballooning imports and public spending, concealing the growing inefficiencies of the state-dominated economy. Unless oil, improbably, rises above $100 per barrel again, economic growth will slow to a crawl. Mr Chávez still has some room for manoeuvre: he has stashed away perhaps $15 billion in various development funds, and the central bank’s reserves stand at some $30 billion. But as oil dollars become less abundant, the government will tighten import controls and a devaluation may be unavoidable. That will mean a downward spiral of inflation, stagnation and poverty.

Facing the unravelling of his regime, Mr Chávez may become more radical: expect him to unearth more fictitious coup plots and to curtail political freedoms.

Divided they fall

The most closely watched Latin American election in 2009 will be in Chile, where the Concertación, the moderate centre-left coalition that has governed the country since the end of General Augusto Pinochet’s dictatorship in 1990, may lose power. For the first time, the Concertación will probably run two candidates. One would be from the Socialist Party—either Ricardo Lagos, a successful former president, or José Miguel Insulza, the secretary-general of the Organisation of American States. The Christian Democrats may run their own candidate, probably Eduardo Frei, another former president. That division would help Sebastián Piñera, a moderate conservative and successful businessman. He is likely to win the presidency narrowly in a run-off ballot.

Four smaller countries will also choose a new president in 2009. In Uruguay, the ruling centre-left Broad Front will win a second term, provided it unites around the candidacy of Danilo Astori, a moderate former finance minister. Similarly, in Panama the ruling centre-left Party of the Democratic Revolution should retain power. In El Salvador, the left-wing FMLN’s attempts to dislodge the conservative Arena party may founder. In both El Salvador and Honduras the elections may be dominated by attempts by Venezuela’s Mr Chávez to influence the result with money and offers of aid.

In Bolivia Evo Morales, the left-wing president, is likely to win a referendum to ratify a new constitution that “refounds” the country as an Amerindian socialist republic. But he will face continuing unrest in the more capitalist eastern provinces. Another of Latin America’s radical socialists, Ecuador’s Rafael Correa, will organise and win a fresh presidential election under a new constitution. In Colombia, the era of Álvaro Uribe will draw towards a close—assuming that he opts not to change the constitution to allow him to stand for a third consecutive term in 2010. The fastest growing of the larger economies in Latin America will once again be Peru, not least because its government will keep faith in free trade, rather than the socialism fashionable elsewhere.

Michael Reid: Americas editor, The Economist; author of “Forgotten Continent: The Battle for Latin America’s Soul” (Yale)

07/09/2008 - 11:03h Lula, en exclusiva con Clarín: “No existe ninguna hipótesis de que Brasil se juegue solo”

El análisis de Marcelo Cantelmi e imágenes de la entrevista exclusiva de Clarín.


“Brasil deberá ayudar a la Argentina a recuperar su industrializacion para integrarla como socia”. (En Portugués)

El presidente brasileño, montado en su voz grave y áspera, habla con tal pasión que sus respuestas parecen arengas. Hace ademanes, ríe, se levanta para sostener sus puntos. Y enciende un cigarrito de hoja divirtiéndose con el desafío a su ministro de Salud que quiere tabaco cero en los edificios públicos: “Aquí se fuma”, dice y acerca ceniceros a los periodistas. Un reportaje a este político tan peculiar es una experiencia única. Un equipo de Clarín lo entrevistó en Brasil durante bastante más de una hora con una agenda en la que no eludió ningún tema. El encuentro, el primero in extenso que da a un medio argentino desde que es jefe de Estado, tuvo una primera, inevitable, dosis de fútbol. “No hay nadie de Boca aquí, Presidente, así que podemos hablar tranquilos”, le dijimos. Lula tomó el desafío y lanzó un elogio a Argentina por los Juegos Olímpicos pero remató con un sonoro: “Yo sinceramente siento vergüenza”. Ayer siguió por la misma línea con una reivindicación encendida de Messi. Y el arquero de la selección, Julio Cesar le devolvió con pocos cuidados: “Por qué no se va a vivir a Argentina, renuncie a la presidencia”.

Hay mucho más que fútbol en estas pasiones. Pero para Lula, quien pocas horas después recibía a la presidenta argentina Cristina Kirchner, la rivalidad binacional sólo tiene que estar ahí, en el deporte. En el resto “todo lo que deseo en la vida es que Brasil y Argentina crezcan cada vez más”, dirá. Defenderá luego la posición de su país en Doha, lanzará críticas y desconfianzas a EE.UU. y aconsejará que no sirve confrontar todo el tiempo. “Cuanto menos conflictos, mejor”.

La impresión que hay en Argentina es que Brasil juega en otra liga y que sobre todo, como lo demostraría la ronda de Doha, decidió tomar decisiones autónomas.

No existe esta posibilidad. Primero porque personalmente creo, trabajo y apuesto a la integración de América del Sur y con más empeño todavía en el fortalecimiento del Mercosur. Segundo, como dije en el seminario que se hizo en Buenos Aires, es muy importante que Brasil y Argentina no se miren como competidores, sino como socios. Argentina tiene que mirar a Brasil como un mercado de 190 millones de habitantes, que tiene frontera con Argentina. No son precisos barcos y vuelos de 14 horas para exportar. Basta atravesar un puente. Lo importante es que los dos países alcanzarán este año un flujo comercial de más de 30.000 millones de dólares. Y es más: el lunes (mañana) firmaremos con la presidenta Cristina Kirchner el acuerdo que lanza oficialmente el empleo de reales y pesos en nuestro intercambio comercial. Vamos a abolir el dólar como moneda en nuestro comercio. Es importante recordar que más del 70% de lo que Argentina exporta para Brasil son productos manufacturados. Eso significa más valor agregado, más producción, más empleo. Y eso es un potencial extraordinario, porque Argentina está en un proceso de reindustrialización. En función de esa realidad argentina, Brasil tiene conciencia del papel que juega en la Ronda de Doha y de cómo combinar eso con la cooperación con Argentina para su recuperación industrial. Por eso, no existe ninguna hipótesis ni posibilidad de que Brasil se juegue sólo. Brasil tiene claridad que su relación con Argentina cuanto más armónica y más productiva sea, más contribuiremos para fortalecer el Mercosur y la integración sudamericana.

¿Por qué entonces hubo diferencias conceptuales explícitas cuando se negociaba la mayor apertura del mercado para bienes industriales en la Ronda de Doha?

No hubo diferencia de conceptos. Vea, por más que usted trabaje en un proceso de integración, sea de la Unión Europea o de América del Sur, o del mundo asiático, en algunos momentos usted tiene que tomar en cuenta la situación de su Estado nacional. No debemos ver, en nuestras divergencias, situaciones de conflicto sino situaciones de diferencias; diferencias económicas y de potencial industrial. Vea, cuando Brasil estuvo dispuesto en la Ronda de Doha a realizar un acuerdo con los términos negociados para agricultura y productos industriales, es porque el país estaba dispuesto a realizar, en el ámbito del Mercosur, las compensaciones que exigiera Argentina para no tener problemas. Esto lo conversamos con la presidenta Cristina. Muchas veces me he quedado en mi gabinete viendo las noticias de Doha (por TV) y me he sentido muy inquieto porque lo que aparece no es lo que sucedió allí. En un ambiente de negociación llega una hora en que usted acepta o rechaza, no tiene términos intermedios. Ocurre que Brasil trabajó todo el tiempo teniendo en cuenta que Doha debería tener un instrumento: favorecer a los más pobres del mundo, que dependen casi exclusivamente de la agricultura y con un mercado europeo prácticamente cerrado
para ellos. Lo que nosotros queríamos es que ese mercado se abriese un poco.

Pero la realidad es que Doha no parecía traer una gran ventaja para Argentina y Brasil

En la realidad, ni Brasil ni Argentina le deben algo a Europa desde el punto de vista de la capacidad productiva, de los avances tecnológicos en agricultura. Nosotros disputamos con ellos en cualquier situación. Pero otros países no. Lo que queríamos entonces, por un lado, un poco más de oportunidad para esos países y, por el otro, exigir que EE.UU. disminuya los subsidios. Nuestra contrapartida era flexibilizar los productos industriales en un acuerdo a 10 años y que daba el tiempo suficiente para que pudiéramos en el ámbito de la relación Brasil-Argentina hacer las compensaciones que fueran necesarias para no poner obstáculos a nuestra industrialización. Ellos son países industrializados, nosotros somos países más o menos industrializados. Brasil, en cierto modo, está mejor todavía que Argentina porque no hemos sufrido la devastación que sufrió Argentina. Nosotros entendemos que cuanto más crezca la industria argentina, más exportará Argentina para Brasil y más vamos a poder equilibrar la balanza comercial bilateral. Nosotros trabajamos siempre con la idea de que la balanza comercial debe ser una vía de dos manos: tiene que haber cierto equilibrio; uno puede tener una diferencia pequeña, un año tener déficit comercial y al siguiente superávit. Al gobierno brasileño no le interesa que haya una consumación de un superávit comercial grande a favor de Brasil. Es preciso el equilibrio y es por eso que estamos trabajando. Por eso, muchas empresas brasileñas compran empresas argentinas, incluso para exportar a Brasil lo que fuera un excedente, que Argentina no precise usar en su política de industrialización.

Hubo una versión en la Argentina respecto de la eventual renuncia de la presidenta Cristina tras la crisis por las retenciones. Se rumoreó muy fuerte en ese momento que usted intervino para que ella no renunciara ¿Es verdad?

No. No es verdad. Mire, el sentido común no me permitiría tal osadía; semejante interferencia en la política argentina. No es verdad que Cristina Kirchner me llamó y no es verdad que yo la llamé. Conversé con Cristina para prestarle mi solidaridad pero nunca tuve la imprudencia de dar ninguna impresión personal sobre la política argentina.

En febrero, usted y la Presidenta argentina firmaron un plan de acción de 17 puntos. Ahora se lanza el intercambio pesos por reales, pero todo lo demás está pendiente: obras energéticas, el acuerdo con Embraer y el Banco del Sur. Tampoco avanzó la sociedad entre el BNDES, el Banco Nación y el BICE.

Está claro y nadie puede negar que tenemos un problema energético en la región. Sobre todo, un problema que perjudica más a unos países y menos a otros. Por eso, analizamos con Argentina la posibilidad de construir la hidroeléctrica binacional Garabí que dará 3.000 megavatios de energía para repartir entre ambos. Y si llegara a hacer frío en la Argentina, podría ir la totalidad para allí.

¿Y qué pasa con el gas? ¿Hay algún proyecto conjunto?

No podemos depender del gas porque no hay suficiente para explotar. La última vez que estuve con la presidenta Kirchner y con Evo Morales (de Bolivia) fue claro que Bolivia, en este momento, no tiene cómo cumplir los contratos con Argentina. Por otro lado, Argentina no puede construir un gasoducto (para aumentar la capacidad de transporte) sin la certeza de que tendrá ese gas. Bolivia debe proveer a Brasil 30 millones de metros cúbicos diarios; a Argentina debe entregarle 7 millones y a su vez Bolivia usa 6 millones. La suma da 43 millones; pero Bolivia produce sólo 40 millones.

Y por eso nunca llega a entregarle a la Argentina lo acordado por contrato…

Vea, hay inversiones de Petrobras para intentar aumentar la capacidad de Bolivia de producir más gas. El presidente Evo debe estar atrás de otras empresas para conseguir nuevas inversiones. Ahora, para que esas inversiones vayan a Bolivia es preciso que haya contratos con respaldo internacional. Porque ningún país hará inversiones si quedara sujeto a las eventualidades cotidianas de un país. Y en cuanto a la Argentina, lo que hicimos fue establecer una política de compensación porque el gobierno de la presidenta Cristina se quejó de que cuando compró energía de Brasil pagó precios más caros que cuando se la vende. Entonces decidimos eliminar el dinero de la negociación: se entrega megavatio y se devuelve megavatio. Gracias a Dios, este año no tuvimos problemas. Argentina devolvió la energía que le mandamos antes de lo acordado porque el invierno no fue tan violento.

¿El ex presidente Néstor Kirchner le pidió que Brasil cediera gas a la Argentina?

El año pasado, o el antepasado (no recuerdo bien), el presidente Kirchner me reclamó que tenía una urgencia de energía. En aquel momento que él me reclamaba algunos millones más de metros cúbicos de gas, Brasil por cuenta de los juegos Panamericanos (que se realizaron en julio de 2007) precisaba la totalidad de los 30 millones y por lo tanto no podía ceder gas. ¿Qué hice? Cuando volví a Brasilia, un viernes a las 8 de la noche, hice una reunión a las 22 y el sábado, Marco Aurelio García encabezó una delegación de nueve ingenieros del sistema eléctrico brasileño y en la semana siguiente le ofrecimos a la Argentina los megavatios que necesitaba para resolver el problema.

¿Esa estrategia se repite?

Es con esa visión que precisamos trabajar la cuestión energética: o sea, relevar el potencial de los cuatro socios del Mercosur y tratar de explotarlo al máximo. Es urgente porque cada año que pasa tenemos más necesidad de energía y, cada año que pasa, tenemos menos energía para consumir. Es un problema que resolveremos sólo si tenemos la firme convicción de que vamos a hacer sociedades. Y ahí entra la cuestión de la integración sudamericana. La verdad es que durante medio siglo la Argentina y Brasil se miraban preocupados. Nuestros hombres de defensa se veían como enemigos o como eventuales invasores. Sólo hay una forma de recuperar el tiempo perdido: es mirarnos como amigos, como socios, como economías complementarias. Esa cultura está cambiando en Brasil, dentro de Itamaraty, dentro del gobierno y dentro del Congreso. Y tengo certeza que en Argentina también está cambiando en la visión del gobierno, de la diplomacia y de sus políticos. Tenemos que construir los puentes que faltan, las rutas, los trenes, los vínculos en comunicación. Cuanto más trabajemos juntos más fuertes seremos en el escenario internacional.

El gobierno de Cristina Kirchner quisiera ver a Embraer en Argentina ¿Es posible?

La cuestión es que Embraer, aunque esta sea una empresa privada, tiene una relación muy productiva con el gobierno brasileño. Y nosotros tenemos interés que Embraer monte un brazo en Argentina para producir algunas partes. Sé que hubo una reunión del ministro Julio De Vido y de la ministra Dilma Roussef y con la dirección de Embraer. En la conversación posterior que tuve con De Vido él se mostró muy optimista. Pido a Dios que eso resulte y podamos tener a Argentina produciendo algunas cosas de los aviones que se fabrican en Brasil.

¿El Banco Nacional de Desarrollo Económico y Social podría financiar empresas argentinas y extranjeras fuera de Brasil?

Hoy el BNDES no puede invertir en una empresa extranjera porque los recursos que financian sus inversiones provienen del Fondo de Amparo al Trabajador. Nosotros enviamos un proyecto al Congreso Nacional para crear un área internacional del BNDES y ya colocamos una agencia en Uruguay. Segundo, estamos creando un “fondo soberano”, un proyecto que está dentro del Congreso Nacional. Con este fondo podremos tener una parte de ese dinero direccionado hacia el BNDES para que él pueda realizar préstamos inclusive a empresas extranjeras. Financiar esas empresas, financiar nuevas plantas y financiar sociedades entre empresas. El Congreso brasileño puede aprobar antes de fin de año ese proyecto que mandamos con “urgencia urgentísima”, o sea urgencia constitucional. Espero que el Parlamento lo vote y así podremos consolidar el BNDES como una agencia de financiación más allá de Brasil.

¿Y qué ocurre con el Banco del Sur?

Este ya es una realidad. Ya está configurado como institución financiera y se está en la etapa de discutir cuánto va a aportar cada país. Al mismo tiempo se realiza el proceso para la elección de la dirección de ese banco. Esas cosas tienen que ser hechas con mucha seriedad. No vale sólo la pasión. Tiene que tener un sistema estructural para que pueda ganar credibilidad en su funcionamiento y establecer relaciones con otros bancos con finalidades iguales. Entonces tendremos el dinero para financiar la infraestructura en América del Sur. Yo soy optimista con relación al banco.

¿Venezuela entiende al Banco del Sur igual que Brasil? ¿O subsisten diferencias?

Venezuela lo entiende así. Tenemos que comprender que muchas veces mi amigo Chávez, con quien hablo mucho, es impetuoso. Es muy audaz. Desde que lo conocí hasta ahora hubo una evolución extraordinaria. Chávez comprende que dentro de Venezuela los tiempos no son los de Brasil ni los de Argentina. Cada país debe lidiar con su propia realidad económica, política, con la realidad de su Congreso. Todos percibimos hoy que es posible construir sin supremacía de un país sobre otro, sino con un consenso de finalidades. Por eso soy optimista con el Banco del Sur. Hoy tengo claridad, al igual que Chávez y Cristina, de que debemos hacer las cosas muy seriamente para que el resultado sea exitoso.

¿Brasil tiene deudas con Paraguay, por ejemplo con Itaipú?

Es importante comprender la relación entre Brasil y Paraguay. Tenemos un Tratado de 1973 y que establece que mitad de la energía es brasileña y mitad es de Paraguay. Y fija que toda la energía excedente que Paraguay no use, debe vendérsela a Brasil; no puede venderla para otro país. Y esto porque fue Brasil quien financió prácticamente Itaipú. La cuestión del precio que le pagamos a Paraguay por el excedente que nos vende es siempre relativo: hoy Brasil paga más la energía que compra a Paraguay que lo que se paga aquí dentro. Estoy aguardando al presidente Fernando Lugo que vendrá a Brasilia el 17 y debemos comenzar conversaciones. Brasil tiene que hacer todo el esfuerzo necesario para facilitar la vida de Paraguay, un país pequeño. No encuentro justificación que Paraguay, con una hidroeléctrica que genera 12.000 megavatios, todos los días tengan apagones en Asunción. Entonces, Brasil asumió el compromiso de hacer una línea de transmisión, financiada por la parte brasileña de Itaipú, hasta Asunción. Voy a esperar que Lugo presente las demandas paraguayas para empezar a conversar lo que puede ser hecho. Ya dije a Lugo lo mismo que le decía a (ex presidente Duarte Frutos) Nicanor: cambiar el tratado significa hacerlo pasar por el Congreso Nacional y no pasa. En el Parlamento brasileño no aceptará discutir esa cuestión. Hay otras formas en que Brasil puede ayudar a Paraguay. Los brasileños tenemos que asumir que tenemos responsabilidades con Paraguay.

Hay una propuesta del presidente Rafael Correa de que el ex presidente Néstor Kirchner presida el Unasur ¿Brasil apoya?

Estamos de acuerdo.

Usted dijo que para que Brasil y Argentina inviertan en Bolivia se necesitan seguridades jurídicas internacionales ¿Qué significa eso en el contexto actual de problemas internos bolivianos?

Cualquier inversión que podemos hacer en Bolivia no tiene ninguna implicación en la disputa política interna de ese país. Estoy convencido que cualquier país tiene más chances de progresar y de crecer económicamente si estuviera tranquilo y en paz. Si uno gasta la mitad de las energías para los conflictos internos, tendremos menos capacidad productiva para pensar un futuro para nuestro país.

Hubo dificultades con Bolivia…

Cuando Evo asumió, tuvimos problemas con él. Pero no hubo ninguna reacción de nuestra parte a no ser las concesiones que Evo quería. Porque los conservadores brasileños querían un Brasil duro con Evo Morales. Entre tanto, él quería la refinería y se la vendimos. Quería aumentar los impuestos y nosotros aceptamos. No olviden que yo nací en la política creyendo que las riquezas del suelo y del subsuelo son de soberanía del país. En aquel momento sugerí a Evo: “Mira compañero, no es suficiente con hacerse cargo de los lugares, es preciso tener tecnología para explorar porque si se queda sentado encima del gas, él no produce riqueza para nadie”. Fue entonces que fui a La Paz e hicimos un acuerdo de inversiones y lo vamos a cumplir. Es obvio que cualquier empresario argentino que fuera invitado a invertir en Brasil, en Bolivia, en Venezuela y en Ecuador, va a realizar la pregunta de rigor: ¿cuál es la garantía?. Un empresario que va a invertir quiere un retorno de su inversión. Creo que Evo Morales tiene todas las posibilidades de conducir Bolivia para una política que no existió en todo el siglo pasado: de más justicia social, de ayudar a la parte más pobre de la población. Ahora, es preciso combinar esa voluntad y esa determinación con la política de desarrollo del país porque si no, usted no tiene qué distribuir.

Brasil, que tiene un desarrollo tan pujante ¿podría jugar un papel al estilo de Alemania en la Unión Europea, con Bolivia o ahora Paraguay donde resuena la inestabilidad y denuncias de golpismo?

Déjeme decirle una cosa. Ustedes siguieron la crisis brasileña de 2005 y nunca me oyeron hablar de golpe. Nunca. Yo tenía claridad de lo que querían los conservadores de este país. Sabía que una pequeña parcela de la elite brasileña no se conformaba con que yo hubiera llegado al poder. Tenía claridad sobre lo que querían los partidos de oposición y en vez de quedarme diciendo que era un golpe fui completamente político con ellos. El resultado es que nosotros estamos aquí y Brasil vive el mejor momento histórico. Es casi un momento mágico, donde se combina crecimiento económico con distribución de renta, donde mejoró la calidad de vida de los pobres y muchos se elevaron a la condición de clase media. Por otro lado tenemos reservas en el Banco Central de más de 200.000 millones de dólares y no le debemos nada más al FMI. O sea, yo diría que estamos viviendo un momento glorioso. A las inversiones contratadas de obras planificadas. habrá que sumar inversiones por causa de la Copa del Mundo de 2014. En marzo de 2009 hacemos la licitación del tren bala que vincule Río, San Pablo y la ciudad de Campinas. Brasil había pasado 22 años sin construir un nuevo polo siderúrgico; ahora vamos a construir 5. Brasil no tenía desde hace 18 años una nueva fábrica de cemento; ahora tenemos 10 grandes y varias pequeñas en construcción.

Y alguna en Argentina….

También alguna en Argentina para que Brasil pueda adquirir el excedente y Argentina exportar para Brasil. Todo lo que deseo en la vida es que Brasil y Argentina crezcan cada vez más y uno pueda vender para el otro.

El Mercosur está buscando una asociación con Africa, ¿por qué el objetivo en ese continente?

Miren, Africa tendrá en 30 años 1.300 millones de habitantes. Y si el continente continúa pobre como hasta hoy, no habrá océano Atlántico que evite la inmigración. No tenemos que aceptar que nos pase en el futuro lo que ocurre hoy en Europa, que no deja entrar a nadie que no tenga ojos verdes. Porque si sigue así, dentro de poco argentinos y brasileños no querremos que negros africanos visiten nuestros países. Pero además, fíjense que Angola crece a 20% anual, todos los países africanos están creciendo. Y nuestros empresarios precisan descubrir los nichos de oportunidades. Mientras miramos a Europa y Estados Unidos, los chinos ocupan Asia. No hay un único país en el mundo donde usted va donde no encuentre chinos en los hoteles, en las calles, en los bares y restaurantes. No hay lugar que tenga materia prima donde el presidente de China no haya estado. Y nosotros estamos parados.

¿Qué se debería hacer?

Precisamos hacer lo mismo que hicieron nuestros descubridores: buscar nuevos socios de nuestros mercados y vender lo que producimos a quienes nos puedan comprar. No vamos a vender máquinas en Alemania porque este país tiene más tecnología que Brasil. Argentina tampoco puede vender sus máquinas en Francia. Pero sí podemos vender en Angola, Africa del Sur, Mozambique, Ghana, en el Congo, en Argelia, en Nigeria. Lo que nosotros precisamos es hacer el papel del turco que va casa por casa vendiendo sus productos hasta que la dueña de casa decide comprar. Argentina también tiene que hacer eso. Yo le dije a la presidenta Cristina: tenemos que hacer dos grandes ferias por año, una en Buenos Aires y otra en San Pablo, con música, comida, teatro. Nosotros estamos muy distantes.

¿Cómo se logra eso en el poco tiempo que tienen los presidentes para ejercer mandatos?

Un mandato de presidente es muy corto. Parece largo para la oposición, pero para el oficialismo cuatro años pasan muy rápido. Por eso, no hay tiempo que perder. Es preciso trabajar con mucho ahínco. Por eso, tenemos que trabajar para que haya acuerdos entre los bloques asiáticos, africanos y el Mercosur. Tenemos que tener mucha urgencia, porque las cosas demoran en ser aprobadas por los Congresos. Yo no me conformo con llegar a un país pobre de Africa, que está más cerca nuestro que de EE.UU. o de Japón, y sin embargo ellos compran autos norteamericanos. Eso es porque no les vamos a vender, no insistimos. El desafío no es quedarnos esperando que nos vengan a comprar.

29/04/2008 - 09:07h FT Interview: Celso Amorim, Brazil’s foreign minister

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By Jonathan Wheatley and Richard Lapper, FT.com site

Published: Feb 21, 2007

Jonathan Wheatley and Richard Lapper, speak to Brazil’s foreign minister Celso Amorim who insists Brazil is not about to adopt 21st century socialism.

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27/04/2008 - 09:38h Avanços para os gays na AL


Países da região começam a adotar leis que garantem direitos a casais homossexuais

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Janaína Figueiredo – O Globo

Correspondente • BUENOS AIRES

Por recente decisão da Corte Suprema do Chile, adotada após um pedido da Igreja Católica, a professora Sandra Pavez foi proibida de continuar dando aulas de religião, trabalho que exerce há mais de 20 anos, por ser homossexual.
O caso contrasta drasticamente com a realidade que vivem outros países latino-americanos, como o Uruguai, o primeiro a aprovar em seu Congresso uma lei nacional que prevê a união civil entre pessoas do mesmo sexo. A medida, que começou a vigorar este ano, é inédita na região.

Paralelamente, cidades como Buenos Aires, Bogotá e o Distrito Federal mexicano permitem a união civil entre homossexuais e a Constituição venezuelana de 1999 inclui uma lei que prevê o respeito à diversidade sexual, iniciativa que também poderia ser incorporada pelas futuras constituições da Bolívia e Equador, ainda em discussão.

Do lado dos países mais fechados e menos avançados na defesa dos direitos homossexuais estão, além do Chile, Costa Rica, Peru e Paraguai.

Embora tenham eleito uma mulher, Michelle Bachelet, como presidente, em 2006, os chilenos ainda conservam um perfil profundamente conservador.

O Movimento de Integração e Liberação Homossexual (Movilh), em parceria com o deputado socialista Marco Enríquez Ominani, apresentou um projeto para aprovar uma lei de casamento e reconhecimento da união civil entre homossexuais, mas a iniciativa tem poucas chances de prosperar.

Pioneirismo no Uruguai

Já os uruguaios demonstraram ser um dos mais revolucionários em matéria de diversidade sexual. Atualmente, o Congresso do país está debatendo um projeto para dar sinal verde à adoção de crianças por parte de casais homossexuais. O fato de ser um país laico ajuda o Uruguai a avançar mais rapidamente.

Na Argentina, as cidades de Buenos Aires, Villa Maria (província de Rio Negro) e Santa Fe permitem a união civil entre pessoas do mesmo sexo. ONGs locais estão lutando para aprovar um projeto de lei nacional sobre o casamento de homossexuais, já que a união civil não prevê os mesmos direitos que o casamento. Os ativistas argentinos também defendem o direito dos transexuais modificarem sua identidade e a adoção de crianças por parte de casais homossexuais. Ambas propostas ainda não foram tratadas pelo congresso.

Carta da Venezuela cita discriminação

Um dos casos mais interessantes do continente é o venezuelano. A Constituição do país, elaborada pelo governo do presidente Hugo Chávez, afirma que “não serão permitidas discriminações fundamentadas em raça, sexo, religião ou condição social”. Bolívia e Equador, países que passam neste momento por processos de reforma constitucional, poderiam incluir direitos semelhantes em seus novos textos constitucionais.

Os países do Mercosul estão avançando de forma expressiva. No ano passado, os governos de Brasil, Argentina e Uruguai solicitaram à ONU a realização de uma convenção mundial para discutir os direitos homossexuais.

Dentro do bloco, o trabalho é realizado pela Rede de Altas Autoridades em matéria de Direitos Humanos, integrada por todos os secretários de direitos humanos do Mercosul, mais países associados e órgãos estatais de combate à discriminação.

Em 2007, foi criado o Grupo Técnico de Diversidade Sexual, que este ano organizou um seminário no Uruguai com a participação da sociedade civil. Durante o encontro, foi elaborado um Plano de Trabalho que prevê, por exemplo, a aprovação de leis contra a discriminação e a realização de campanhas nacionais a favor dos direitos dos homossexuais

Longa espera no Congresso no Brasil

Demétrio Weber – O Globo

BRASÍLIA. O Brasil convive com altas doses de preconceito contra o homossexualismo.

O projeto de lei que regula a união civil entre pessoas do mesmo sexo, apresentado pela então deputada Marta Suplicy, hoje ministra do Turismo, está na Câmara, à espera de votação, há 13 anos. O Congresso discute ainda propostas para criminalizar a homofobia, autorizar a troca do primeiro nome de transexuais, obrigar planos de saúde a atender dependentes gays, assim como permitir que casais gays adotem crianças.

— Até hoje tem gente que fala que homossexualismo é questão de saúde pública, como se fosse doença — resume o assessor especial da Secretaria Especial de Direitos Humanos, da Presidência, José G u e rr a .

No Congresso, segundo Guerra, as atenções estão voltadas para a votação do projeto de lei 122/2006, que criminaliza qualquer discriminação com base na orientação sexual, desde a recusa em alugar um apartamento, contratar um empregado ou hostilizar e agredir verbalmente alguém por causa de sua opção sexual.

A proposta está na Comissão de Assuntos Sociais e recebeu parecer favorável da relator Fátima Cleide (PTRO).

Em 1987, os constituintes brasileiros rejeitaram a proposta de incluir, na nova Constituição, a proibição expressa de discriminação ligada à orientação sexual. O Código Penal Militar ainda classifica como crime o ato sexual entre militares do mesmo sexo. Quem vive em união estável com pessoa do mesmo sexo não tem direito assegurado a herança ou p e n s ã o .

— Não há uma legislação geral, só atitudes esparsas que aceitam a união civil. Você fica à mercê de entrar na Justiça para garantir esses direitos — diz Guerra.

03/04/2008 - 06:05h ‘Cesar é irresponsável em tudo o que faz‘

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Assessor de Lula manda prefeito cuidar dos mosquitos

Karla Correia – JB

Brasília

cap_jb.jpgO prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia, atiçou a ira do assessor especial da Presidência Marco Aurélio Garcia ao afirmar, em seu ex-blog, a existência de fotos do assessor no computador do guerrilheiro Raul Reyes, o segundo homem na hierarquia das Farc, morto no mês passado em ação do exército colombiano em território da Bolívia. Marco Aurélio reagiu com irritação. Negou ter visitado qualquer acampamento ou escritório das Farc e criticou as declarações do prefeito, chamando-o de “irresponsável”. Citando matéria do Jornal do Brasil sobre a ausência de Cesar Maia em meio à crise gerada pela epidemia de dengue, o assessor falou para o prefeito “voltar a governar o Rio”.

O avanço da dengue na capital carioca foi o ponto escolhido pelo assessor para atacar o prefeito.

– César Maia que cuide dos mosquitos dele e não me obrigue a falar dele como meu aluno na Faculdade de Economia no Chile – disparou Marco Aurélio Garcia, logo depois de participar de almoço oferecido ao presidente da Eslovênia, Danilo Türk. Questionado se o prefeito carioca teria sido irresponsável em sua declaração, Marco Aurélio aproveitou para subir o tom.

‘Olhem a manchete do JB’

– Ele é irresponsável em tudo o que faz. Olhem a manchete do JB hoje: o prefeito sumiu. O que ele tem de fazer é governar o Rio.

Em seu ex-blog, boletim que envia por correio eletrônico, o prefeito Cesar Maia faz referência a suposta declaração feita pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, durante sua visita ao Brasil, no mês passado. Na cidade de Recife, Chávez teria chamado atenção para a existência de fotos de Marco Aurélio no computador do guerrilheiro Raul Reyes, o que, de acordo com o assessor da Presidência, não teria passado de uma “piada” do presidente venezuelano.

– Não estive em nenhum acampamento das Farc e, se estivesse, não haveria nenhum problema em dizer porque estaria em missão oficial. Eu não tenho missões extra-oficiais, nem vida clandestina – retrucou.

O assessor especial da Presidência disse, ontem, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deve comparecer à abertura dos Jogos Olímpicos em Pequim, mas que isso não significa a adesão do governo brasileiro a um movimento de boicote por conta do conflito entre China e Tibet, país considerado pelo governo chinês como parte do território da China. A violência crescente nos confrontos entre tibetanos e o exército chinês em Lhasa, capital do Tibet, já levou o Parlamento Europeu a admitir medidas de boicote contra a China.

Marco Aurélio disse desconhecer a posição do presidente Lula sobre o assunto e se esquivou de falar sobre um possível boicote do Brasil às Olimpíadas de Pequim. O assessor responsabilizou o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) por qualquer decisão sobre a ida de atletas brasileiros aos Jogos Olímpicos e criticou movimentos de boicote.

– Acho sempre complicada essa mistura de política com esportes – disse Marco Aurélio.

04/03/2008 - 13:44h Todo cuidado é pouco para preservar o diálogo

Members of the Ecuadoran Army mobilise to the Colombian border in Neuva Loja, Ecuador, 03 March 2008, after Raul Reyes, the second-in-command of the Revolutionary Armed Forces of Colombia (FARC), had been killed 01 March 2008, along with 16 other rebels in an air raid into Ecuador.  EPA/JOSE JACOME
Soldados equatorianos enviados para a fronteira com Colômbia. foto Epa/José Jacome

A realpolitik de Uribe, golpe certeiro

Sergio Leo* – Ralações Internacional

Tente imaginar guerrilheiros anti-Chávez escondidos na floresta amazônica, para lá da serra do Caparaó, em algum lugar de Roraima. Imagine se, por isso, o presidente venezuelano ordenasse uma incursão de tropas da Venezuela através da fronteira, usando seus recém-comprados jatos Sukhoi para dizimar a oposição armada, em pleno Brasil. Que grita não haveria por aqui, hein? E com razão.

Como a estridente agressividade de Chávez o transformou em vilão da vez na imprensa estabelecida, não vão faltar comentaristas que defendam como aceitável a invasão do território equatoriano por tropas da Colômbia, para um sensacional ataque aos guerrilheiros das Farc. É inaceitável. O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, está errado nesse episódio, e cabe ao Brasil condenar o desrespeito das Forças Armadas colombianas aos limites territoriais com o Equador.

Ah, o Equador e a Venezuela abrigam guerrilheiros em seu território, usado como refúgio seguro de onde partem agressões à Colômbia? O direito internacional prevê isso, e há instituições na América do Sul e na comunidade internacional para denunciar esse tipo de ação. Uribe poderia denunciar a conivência das autoridades vizinhas,e teria justo direito de cobrar apoio do Brasil nisso. Errado seria o Brasil não apoiá-lo caso agisse assim.

Não acredito em guerra nos Andes. Acuado pela tremenda crise econômica que seu modelo voluntarista criou, Chávez, claro, aproveitará a oportunidade para apontar mais um inimigo comum da sociedade venezuelana, o Uribe lacaio do Império, que invade os vizinhos na repressão aos opositores guerrilheiros. Se o discurso colar, a beligerância na retórica chavista vai ser ensurdecedora. E inócua, como costuma ser. Não há fato concreto que apóie algum tipo de conflito armado entre os dois países, e nem Uribe nem Chávez ~estão dispostos a serem o primeiro a jogar a pedra do outro lado.

Rafael Correa, do Equador, fez o que devia fazer, retirou seu embaixador de Bogotá, chamou o embaixador colombiano para exigir explicações, acusou Uribe de agressão. Tem um problem,a constrangedor a resolver, se forem verdadeiros os documentos capturados pelas forças de segurança colombiana, que mostram um estreitamento de relações entre as Farc e o governo equatoriano. Conversas com Raul Reyes, o vice-comandante e porta-voz das Farc morto na invasão, não são suficientes para dizer que Correa era conivente com a guerrilha. Reyes era o “embaixador” das Farc, e todos os países da região buscam contatos, sigilosos ou não, com as Farc para tentar um acordo de paz e desmobilização da guerrilha. Mas podem surgir outtros documentos comprometedores, e a posição do Equador tornar-se, no mínimo, incômoda. Continua, clique em leia mais.

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04/03/2008 - 11:53h O risco Uribe

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Thomas Traumann – O Filtro – portal Globo

O estilo histriônico de Hugo Chávez chama mais a atenção, mas hoje o maior risco para a estabilidade do continente é o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe. Ele é o antípoda da imagem que o coronel Chávez fez de si mesmo na última década. Advogado com temporadas em Harvard e Oxford, Uribe é um homem formal, reservado, de frases cuidadosas e raciocínio linear. Foi eleito e reeleito com a bandeira do combate incessante às Farc, depois do fracasso da “solução negociada” com a guerrilha de seu antecessor, Andrés Pastrana. Essa postura lhe garantiu a maior popularidade da história recente da Colômbia e a possibilidade real de mudar a Constituição e tentar um terceiro mandato em 2010. Mas essa ambição entrou em risco quando, a partir do fim do ano passado, o venezuelano Chávez se tornou o principal negociador entre as Farc e o mundo civilizado. Foi essa circunstância que fez com que Uribe autorizasse seu Exército a invadir o Equador no sábado para destruir um acampamento das Farc, matando 21 guerrilheiros, entre eles o comandante Raúl Reyes. Pesquisas divulgadas ontem pelas TVs de Bogotá mostram que 83% dos colombianos aplaudiram a ação. É natural. Qualquer um que já tenha tido o prazer de visitar a Colômbia enxerga nas ruas a rejeição aos guerrilheiros. Mas os colombianos não querem transformar o episódio numa guerra. Embora 61% dos colombianos acreditem na possibilidade de um conflito com o Equador e a Venezuela, as mesmas pesquisas mostram que mais de dois terços querem manter relações diplomáticas com os dois vizinhos. Ou seja, existe uma boa possibilidade de o caso render apenas um longo bate-boca diplomático e dar mais um palanque para Hugo Chávez vociferar contra o “subimperialismo colombiano” (não esqueça que Caracas já foi governada a partir de Bogotá em boa parte do período colonial, no vice-reinado de Granada, e logo depois da independência, na República de Grã-Colômbia).

Mas, como revela hoje o diário El Tiempo, de Bogotá, o governo Uribe segue um caminho perigoso. A defesa que a Colômbia fará nos fóruns internacionais para a invasão de sábado se baseará no mesmo argumento que os Estados Unidos usaram para entrar no Afeganistão, ou seja, que o território de outro país servia de base para inimigos do país. É um embuste: a invasão americana ao Afeganistão foi autorizada pela ONU, ao contrário da atual operação no Iraque ou da movimentação militar colombiana no Equador. O site da revista especializada em diplomacia Foreign Affairs observa que tais “ações de guerra assimétrica se tornaram comuns depois do 11 de Setembro”. Dá como exemplos a invasão do Iraque pela Turquia para combater nacionalistas curdos e o lançamento de mísseis americanos contra bases do Al Qaeda no Paquistão e na Somália. Ao usar esse argumento, o governo Uribe deixa na entrelinha a possibilidade de realizar novas incursões pelos países vizinhos, inclusive o Brasil. Por esse raciocínio, nada impede que, na semana que vem, os colombianos invadam Tabatinga. Essa preocupação com o futuro deve ser a diretriz da tentativa do Brasil e da Argentina em mediar o confronto. Ao contrário do que parece fazer crer as análises dos jornais de hoje, o início dessa ofensiva diplomática foi correto. O presidente Lula não tem atendido os telefonemas de Hugo Chávez e tenta circunscrever a crise ao que ela é, uma querela entre Equador e Colômbia. Se o governo Uribe colaborar, pode dar certo.

Por Thomas Traumann

10/12/2007 - 12:15h "La creación del Banco del Sur es la continuación de la batalla por la independencia"

En diálogo con Clarín.com, Hugo Chávez elogió este “instrumento financiero para la independencia”. En este sentido pidió conciencia y celeridad para construir el gasoducto del sur y dijo que la derrota en el referendo fue una lección pero que “el camino sigue siendo el socialismo del siglo XXI”.

Por: Horacio Bilbao. De la Redacción de Clarín.com

Demorado por sendas reuniones con los presidentes Evo Morales y Rafael Correa, el venezolano Hugo Chávez bajó raudamente de su suite presidencial en un hotel de Retiro. Apenas se abrió la puerta del ascensor su fans se le avalanzaron llenándolo de regalos y pedidos de fotografías. “No me queda tiempo de hablar de nada, es tardísimo”, asumió el bolivariano. Amagó un paso rápido hacia los autos y entre elogios al matrimonio Kirchner finalmente aceptó un par de preguntas frente a las cámaras de Clarín.com.

La creación del Banco del Sur es la continuación de la batalla de Ayacucho, desde allí quedó pendiente la independencia de este continente” dijo, todavía caminando. Y siguió: “Arrancó del sur este instrumento para la independencia, es el comienzo de la construcción de una nueva arquitectura financiera para Sudamérica“. Auscultado por una periodista extranjera fustigó la actuación de su par Alvaro Uribe en el cuestionado proceso de intercambio de rehenes con las FARC, quien el 21 de noviembre dio por terminada la mediación de Chávez en el conflicto.

El Gobierno colombiano no tiene la más mínima voluntad para que se lleve a cabo el intercambio de personas, pero nosotros seguiremos ayudando, se trata de una cuestión humanitaria”, insistió Chávez. Y mientras seguía su camino hacia la reunión por el Banco del Sur, Clarín.com le preguntó por las trabas que últimamente le surgieron al otro proyecto que Venezuela viene empujando con fuerza, el gasoducto del sur. “Conciencia, conciencia es lo que hace falta. La conciencia decía Víctor Hugo es la suma del conocimiento. Cuando los gobiernos de América latina tengan conciencia del problema energético que se nos viene encima entonces será posible el gasoducto“, arriesgó Chávez, que enfrenta una oposición muy fuerte de los industriales brasileños en este proyecto y en el ingreso de Venezuela al Mercosur.

“Todavía no hay el nivel de conciencia, ojalá que cuando llegue no sea demasiado tarde. Todo el gas que requiere nuestra América para 100 años está en Venezuela y en Bolivia. Es imprescindible que comencemos lo más pronto posible la construcción de un sistema de gasoductos” dijo, objetando la visión del canciller brasileño Celso Amorín, que en una entrevista con Clarín defendió la importancia del gasoducto, pero alejó el horizonte de su construcción hacia “un largo plazo“.

Con Chávez cada vez más cerca de la comitiva que partía rumbo a Casa de Gobierno, quedó lugar para una sola pregunta. En el camino hacia el socialismo del siglo XXI, ¿qué significó el NO a la reforma que ustedes planteaban?, preguntó este cronista. “El resultado del referéndum es bien bueno para aprender lecciones, pero el camino es el socialismo del siglo XXI. Todavía hace falta luchar mucho, es una batalla de ideas. ¿Cuál es el camino de la salvación de los pueblos? Socialismo o barbarie decía Rosa Luxemburgo. Hay que decirlo hoy de nuevo”, respondió Chávez.

10/12/2007 - 12:08h Seis presidentes criam o Banco do Sul


La entidad, cuyo objetivo es financiar el desarrollo económico y social de los países de la región, es respaldada por Argentina, Brasil, Venezuela, Bolivia, Paraguay y Ecuador. Uruguay lo suscribirá mañana. El acto de lanzamiento se realiza en Casa de Gobierno. Lula dijo que era “un paso decisivo en la integración de América del Sur.

Fonte Clarín

05/12/2007 - 21:42h Comunicado de la Confederación de Asociaciones Israelitas de Venezuela

“La Confederación de Asociaciones Israelitas de Venezuela, institución que representa a la comunidad judía, cumple con informar al país que el domingo 2 de diciembre fue allanado el Centro Social Cultural y Deportivo Hebraica, que también alberga nuestro colegio comunitario.
Efectivos de la DISIP se presentaron a las 12:40 a.m., cumpliendo una orden del Tribunal Tercero de Primera Instancia en Función de Control del Circuito Judicial Penal del Área Metropolitana de Caracas y del fiscal 41 del Ministerio Público del Área Metropolitana de Caracas. El allanamiento fue efectuado sin la presencia del fiscal del Ministerio Público.
Después de una exhaustiva revisión de las diferentes áreas de nuestra institución, los funcionarios se retiraron dejando constancia en acta de que no se encontró ninguna situación irregular.
La comunidad judía de Venezuela con más de doscientos años de presencia nacional, aporta y coopera pacífica, democrática y de manera entusiasta al desarrollo del país, siendo sus actuaciones apegadas al marco de la ley.
Denunciamos este nuevo e injustificable hecho contra la comunidad judía venezolana, al tiempo que expresamos nuestro rechazo y profunda indignación.
Es por ello que exigimos a las autoridades competentes una exhaustiva investigación sobre lo ocurrido, que a todas luces, intenta crear tensiones innecesarias entre la comunidad de venezolanos judíos y el gobierno nacional.
De acuerdo a nuestros principios, reiteramos el llamado a la paz, fraternidad y concordia entre todos los venezolanos sin distinciones de ninguna índole.”

25/11/2007 - 16:20h Brasil toma las riendas en Latinoamérica

Lula da Silva y Hugo Chávez

AmpliarLula da Silva y Hugo Chávez- REUTERS

Nuevas reservas de gas y crudo reafirman su papel de potencia regional y le permiten desmarcarse de Chávez y Morales

J.M. – EL PAÍS

Ni el petróleo de Venezuela ni el gas de Bolivia. Con dos anuncios casi simultáneos el Gobierno de Luiz Inácio Lula da Silva ha colocado a Brasil como la principal potencia energética de Latinoamérica a medio plazo tanto en la mirada de sus vecinos como de la inversión internacional. Brasilia ha revelado el descubrimiento de una reserva gigante de gas y petróleo frente a la costa del Estado de São Paulo y al tiempo ha decidido descolgarse del proyecto del venezolano Hugo Chávez de construir un gasoducto desde el Caribe hasta el Río de la Plata, el pilar sobre el que descansaba el proyecto energético -y político- del presidente de Venezuela para la región.

Brasil nunca ha ocultado que considera a Suramérica su área de influencia estratégica, y los acontecimientos sucedidos en los dos últimos años en torno a los proyectos populistas en países de la zona como Venezuela y Bolivia habían despertado las alarmas en el Ejecutivo y la diplomacia brasileños. Y no tanto por el carácter político de los Gobiernos de Caracas y La Paz, que ha sido bien manejado por Lula, como por la dependencia energética en la que se estaba sumergiendo el gigante suramericano, que importa el 50% del gas que a diario consume su industria de Bolivia y se había comprometido en el supergasoducto propuesto por Chávez que de construir colocaría a Venezuela en una posición de preeminencia en la política energética del subcontinente.

“Dios es brasileño”

Por eso no es de extrañar que esta semana Lula declarara eufórico “está comprobado que Dios es brasileño” al comentar el hallazgo de unas reservas de crudo ante la costa brasileña que no sólo consagran la ya lograda en 2006 autosuficiencia petrolífera del país carioca sino que lo convierten en un exportador potencial. Itamaraty, el nombre de la sede de la potente diplomacia brasileña, evalúa incluso pedir una solicitud de ingreso en la Organización de Países Exportadores de Petróleo (OPEP).

El descubrimiento del yacimiento de Tupí, situado frente a la ciudad costera de Santos, supone que Brasil ha encontrado en una sola zona el 50% de todo el crudo que ha tenido disponible en los últimos 50 años. Las prospecciones señalan que en Tupí hay entre 5.000 y 8.000 millones de barriles de petróleo. A día de hoy Brasil extrae 1.800.000 barriles diarios, con unas reservas calculadas -y en las que no entra el nuevo yacimiento- de 12.500 millones. “Ahora me llaman magnate del petróleo”, bromeaba Lula con la presidenta electa argentina Cristina Kirchner, durante la visita que ésta hizo a Brasilia esta semana.

El fin de la dependencia energética ha sido una política de Estado brasileña y una prioridad llevaba con un bajo perfil político por la Administración de Lula. No hay que perder de vista que Brasil se halla a la cabeza de la producción y explotación de biocombustibles. En el país no se vende ni un litro de gasolina que al menos no lleve biocombustible en un porcentaje en torno al 20%, y el mismo mandatario brasileño trata de exportar este modelo al resto del continente. Un proyecto en el que tiene por socio a EE UU. Desde hace décadas se está multiplicando la superficie destinada al cultivo de caña de azúcar, de la que se obtiene el etanol, y sólo en los próximos tres años Brasilia invertirá 15.791 millones de euros en ciencia y tecnología, donde la producción energética tiene un papel clave.

El Gobierno no ha relativizado en lo más mínimo lo que supone el hallazgo del petróleo para su política nacional, y el ministro de Defensa, Nelson Jobim, ya ha pedido que la capacidad militar de Brasil sea incrementada. “En el momento en el que se tiene una gran riqueza nacional en el área del Atlántico, tenemos que estar en condiciones de defenderla”. Jobim anuncia que el país tendrá submarinos de propulsión nuclear. La defensa de la riqueza natural es la misma línea de argumentación empleada para justificar la construcción de bases militares en la frontera amazónica, decisión que despierta recelos en Bolivia.

En paralelo, y tratando de no dar trascendencia al anuncio, la petrolera estatal Petrobras se ha descolgado del proyecto de construir un complejo gasístico denominado Mariscal Sucre, pieza indispensable en el megaoleoducto que apadrina Chávez. “No es atractivo para nosotros”, reconoció su presidente, Sergio Gabrielli.

A nadie se le escapa que, como el mismo Lula ha declarado, “Petrobras es Brasil y Brasil es Petrobas”, y que su Gobierno ha hallado una manera no traumática de descolgarse de un proyecto faraónico con un presupuesto de 23.000 millones de dólares, un desembolso inicial de 8.000 millones, grandes complicaciones técnicas, y una ventaja relativa para el país que debía albergar la mayor parte de los 7.000 kilómetros de tubería.

Brasilia pretende que la desactivación práctica del proyecto de Chávez le produzca los mínimos roces con Caracas, y así el martes el ministro de Exteriores, Celso Amorim, salió en defensa de la integración de Venezuela en el Mercosur ante las críticas de la oposición brasileña. Hace dos meses el presidente venezolano protagonizó uno de sus habituales duelos de declaraciones, esta vez con el Senado brasileño, a quien acusó de “repetir como un loro” las críticas de Washington hacia su régimen.

Por el contrario, el Gobierno de Lula es amistoso en las formas con su homólogo venezolano, pero a nadie se le escapa que ambos persiguen el objetivo de convertirse en referente energético regional y están en un rumbo de colisión que tarde o temprano se producirá. Lula y Chávez tienen previsto reunirse en diciembre, en una cumbre trimestral ordinaria, para tratar sobre energética. Lula acudirá al encuentro en una posición muy diferente y de mucha más fuerza que en el pasado.

Redes tendidas en la vecina Argentina

Apenas horas después del anuncio de la gran reserva de petróleo en la costa atlántica, Brasil ya ha comenzado a cortejar a algunos de sus vecinos para atraerles a la esfera de influencia de su proyecto energético. Así Marco Aurelio García, el influyente consejero en política internacional del presidente Lula da Silva, ha revelado que los técnicos brasileños estiman que en aguas argentinas también hay unas reservas semejantes a las encontradas y ha pedido la colaboración en el proyecto de la brasileña Petrobras con la empresa argentina pública Enarsa. En otro detalle no menor que indica el interés brasileño en la alianza con Argentina, fue Lula en persona quien adelantó personalmente la noticia del hallazgo del yacimiento brasileño al presidente Néstor Kirchner durante la pasada Cumbre Iberoamericana de Santiago de Chile.

Como parte de la misma política, Petrobras va a anunciar esta semana importantes inversiones en una central térmica cercana a Buenos Aires que aumentará para 2010 en más de un 30% su capacidad de producción. Esta inversión supone un fuerte gesto hacia la Administración argentina -y en particular hacia Cristina Kirchner, quien se ha reunido con Lula antes de jurar como presidenta, el próximo 10 de diciembre-, enfrentada a una crisis energética casi crónica debido al fuerte aumento de la demanda y a la deficiencia de las infraestructuras.

El próximo paso de la alianza energética entre Brasilia y Buenos Aires se dará previsiblemente en la cooperación nuclear, una tecnología que ambos países se han declarado dispuestos a desarrollar y un campo en el que Argentina tiene ya experiencia de exportación de reactores nucleares, como el inaugurado este mismo año en Australia. El Gobierno de Kirchner reactivó el Plan Nuclear Argentino en agosto de 2006. Venezuela se ha mostrado interesada en adquirir un reactor argentino, sin que se haya producido respuesta concreta por parte de Buenos Aires.

24/11/2007 - 09:38h Não vi na mídia brasileira: PETRODOLARES, INVERSIONES Y UNA FUERZA DE TAREAS

Las diferencias de peso, más Chávez, en el eje entre Argentina y Brasil

Por: Alcadio Oña
Clarín

ALIANZA. LULA Y CRISTINA FERNANDEZ, EL LUNES, EN BRASILIA.

Dentre varias interpretaciones más, una es ver al eje Brasil-Argentina, que parecen haber alumbrado Cristina Kirchner y Lula da Silva, como la intención de articular una estrategia común en América del Sur. Otra, para nada contradictoria, que sea una fórmula para acotar las ambiciones de Hugo Chávez en la región, tal cual también se deduce de arranque.

Hay un detalle nada insustancial, que le pone marco a cualquier especulación apresurada. El lunes, simultáneamente con la cumbre entre Cristina y Lula en Brasilia, la Argentina cerraba con Venezuela la colocación de un bono por 500 millones de dólares. La plata entró al Tesoro Nacional el martes, en efectivo, y ayudará a dejarle aliviadas las cuentas externas a la Presidenta electa, durante el primer semestre de 2008.

Fue una movida calculada al milímetro, hecha en secreto, para evitar cualquier interferencia de los bonistas -sus abogados, en realidad- que en Nueva York pleitean contra el país. Más que seguro, Cristina estuvo al tanto de toda la movida.

Con el mercado internacional cerrado, Venezuela se ha convertido en una fuente de financiamiento crucial para la Argentina: incluida la operación de esta semana, Chávez ya ha contribuido con más de 5.000 millones de dólares. Gesto fuerte, igual que el gasoil y el fuel oil que bombea hacia acá para amortiguar los sofocones del sistema energético. Eso sí, todo a precios de mercado.

Una cosa es, entonces, acotar las ambiciones de Chávez y otra enfrentarse a Chávez. Está claro que cualquier estrategia regional, la que fuese, pierde sentido con Venezuela afuera: aun con fricciones recurrentes -antes, ahora y más adelante-, es algo que bien saben Lula y el Gobierno argentino.

Está fuera de discusión, acá, la utilidad que puede acarrear un eje con Brasil. Pero también resulta inevitable computar unas cuantas y notorias diferencias de estatura, en la relación bilateral. Entre ellas, las macroeconómicas:

  • El PBI brasileño es cuatro veces mayor al argentino.
  • Las reservas del Banco Central de Brasil ascienden a 176.000 millones de dólares, contra 43.400 millones del BCRA local.
  • Entre enero y octubre, las exportaciones brasileñas totales montaron a US$ 156.000 millones y el superávit comercial, a 42.700 millones. Para nueve meses, las estadísticas del INDEC le dan a la Argentina: US$ 39.400 millones y US$ 7.190 millones, respectivamente.Si se quiere más micro, un trabajo de la consultora Abeceb revela otras asimetrías estructurales igualmente significativas. La industria brasileña es cuatro veces más grande que la nuestra. El sector alimenticio, cinco veces. En textiles, indumentaria y calzado, la brecha es de casi seis. Siete veces, en equipo de transporte. Y arriba de doce, en maquinaria y aparatos eléctricos.

    Diferencia potente es, también, el financiamiento de las inversiones. El Banco de Desarrollo de Brasil (BNDES) tiene una cartera de créditos, a tasas de interés bajas, equivalente a US$ 83.000 millones. Su similar aquí, el BICE, prestó el año pasado por apenas 277 millones.

    Vuelta al cuadro regional y a los pesos relativos de los actores. Así América del Sur resulte un mercado fuerte y nada despreciable para sus exportaciones manufactureras, hace tiempo que Brasil ha trasvasado el enfoque puramente comercial. Pesan, crecientemente, las inversiones y la expansión de sus grupos empresarios en toda la zona. Es lo que se nota, acá, en sectores tan diversos como el frigorífico, la siderurgia y el cemento. Estrategia acompañada desde el Estado, mucho más que operaciones de oportunidad.

    Parte de esa misma dinámica, es el empeño que Brasil pone en garantizarse el abastecimiento de energía y en montar una infraestructura regional que apoye su proyección. Y, a la vez, en atender otros flancos también sensibles: la seguridad, la defensa, el narcotráfico y el impacto del cambio climático.

    Con cierto enfoque crítico hacia la burocracia propia, esta radiografía aparece en un muy reciente trabajo de un equipo de académicos, consultores, analistas de empresas y periodistas brasileños. Fue constituido bajo un nombre que acá trae malos recuerdos: Fuerza de Tareas de Brasil en América del Sur.

    La conclusión del documento es que a su país se le abren dos caminos, diferenciados, aunque en varios puntos confluyentes. Uno, que Brasil apueste con todo a sus intereses en la región, la potencie, la juegue en los foros internacionales y haga mayores concesiones a los vecinos menores. Otro, darle prioridad a la integración en la economía mundial y que esto “demarque” su política regional.

    En fin, complejidades de las políticas de Estado. Si se prefiere, articulaciones internas, amplias e ineludibles, cualquiera fuese el eje que se proyecte.

  • 20/11/2007 - 07:33h ‘NYT’: Tupi pode mudar política na AL


    Jornal vê Brasil capaz de fazer contraponto à Venezuela

    Com o barril do petróleo quase em US$ 100, a descoberta do campo de Tupi tem o potencial de transformar o Brasil em uma força global de energia e redefinir as políticas em um continente faminto por energia, afirmou o “New York Times” em reportagem publicada ontem. A reserva, estimada entre cinco bilhões e oito bilhões de barris, é a maior descoberta desde uma no Cazaquistão, em 2000.

    “Nos próximos cinco anos, pode-se imaginar as reservas totais do Brasil ultrapassando México e Canadá, perdendo apenas, nas Américas, para Venezuela e Estados Unidos”, afirmou o jornal. Para Peter Hakim, presidente do centro de estudos Inter-American Dialogue, especializado em América Latina, o Brasil está se tornando uma potência energética.

    O “Times” fez um contraponto entre o Brasil e seus vizinhos Bolívia e Venezuela. Nesta, “para desgosto dos Estados Unidos”, Hugo Chávez tem usado os recursos do petróleo para implantar uma agenda de esquerda, em seu país e em outros. “O campo de Tupi tem agora potencial para dar mais peso à abordagem de esquerda do Brasil, que é mais moderada”, afirmou o “Times”. O jornal observou que isso já provocou reações, com Chávez chamando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “magnata do petróleo”.

    Segundo o “Times”, a descoberta também é uma boa notícia para Argentina e Chile, que enfrentaram problemas de energia no inverno nos dois últimos anos.

    O jornal citou até duas charges de Chico Caruso em O GLOBO: uma no dia seguinte ao anúncio da descoberta, com Lula tomando banho de sol em cima de um jorro de petróleo, e depois jogando óleo no presidente boliviano, Evo Morales, com a legenda: “Lula lá, cheio de gás: cuidado Morales!”.

    Mas, ressalta o “Times”, o campo de Tupi, por estar em águas profundas, representa um desafio tecnológico. “Esse petróleo é para o futuro”, disse ao jornal Larry Goldstein, diretor da Fundação de Pesquisa de Política Energética, em Washington. “Se eu fosse Chávez, não perderia o sono — não agora.”

    12/11/2007 - 15:23h Hillary: ‘Os EUA não querem ditar o que a América Latina vai fazer’

    Eduardo Amaral de Oliveira*, especial para O Globo Online

    Senadora Hillary Clinton, pré-candidata à Casa Branca - Reuters

    BOSTON, EUA – Nos últimos 15 anos, ela esteve envolvida com os assuntos que afetam a vida de americanos e cidadãos do mundo inteiro. Agora, a senadora por Nova York Hillary Rodham Clinton caminha a passos largos para fazer História e se tornar a primeira mulher a liderar a nação mais poderosa do planeta, voltando à Casa Branca, desta vez como protagonista. E, caso chegue à Presidência, ela já elegeu um parceiro fundamental: a América Latina.

    - Os EUA não querem ditar o que a América Latina vai fazer – afirmou.

    Leia a história e a trajetória de Hillary

    O pensamento político da pré-candidata democrata

    Desde o começo da campanha para a Presidência dos EUA, Hillary foi sempre considerada a líder nas pesquisas de intenção de voto. Atualmente, ela tem uma confortável vantagem de 15 pontos percentuais sobre o concorrente Barack Obama, para receber a nomeação do Partido Democrata para as eleições gerais. Odiada pelas conservadores, idolatrada pelos liberais, muitos setores do país ainda questionam se ela não é muito polarizadora para liderar o país após duas administrações republicanas e após uma guerra que deixou feridas profundas no país. Aos 60 anos, completos há uma semana, Hillary afirma que ser mulher tem sido uma vantagem para ela, mas se diz candidata de todos.

    A trajetória de Hillary em imagens

    Em entrevista ao conselho editorial do jornal “Nashua Telegraph”, cedida com exclusividade no Brasil ao GLOBO ONLINE, Hillary Clinton fala como planeja retirar as tropas americanas do Iraque, também explica a sua reforma dos planos de saúde, e chama de hipócritas aqueles que culpam os imigrantes por todos os problemas do país.

    Entrevista com o maior rival, Barack Obama

    Tom Tancredo, o inimigo número um dos imigrantes ilegais

    Em recente visita para a América Latina, o presidente Bush reconheceu que não tem dado muita atenção para a região. Como será a sua relação com estes países, especialmente com governos considerados inimigos, como o da Venezuela?

    Quando o meu marido foi presidente, organizamos o Seminário das Américas em 1994. Na época, apenas um país tinha um ditador. Hoje mais governos estão seguindo um sistema totalitário, como a Venezuela. Eu visitei a América Latina todos os anos no tempo em que estive na Casa Branca, fizemos contato com todas as primeiras-damas do Hemisfério para mostrar que os EUA não querem ditar o que os países latino-americanos vão fazer. Nós queremos ser parceiros. O que eu quero fazer é manter contato constante com os latinos, para ajudá-los a criar mais empregos. Porque muitos dos imigrantes que vêm para cá não querem abandonar as suas cidades, mas eles têm suas ambições e só querem sustentar as suas famílias. Temos que criar mais atividade econômica. Podemos realizar mais trocas diplomáticas e culturais, para que esses países sintam que os EUA não querem ditar o que eles devem fazer. Em relação a Chavéz, ele sobrevive dos petrodólares. A Venezuela é a terceira maior fonte de petróleo para os EUA. Portanto, nós pagamos o seu antiamericanismo. Para diminuir a sua influência, devemos mover o nosso país em direção a fontes alternativas de energia. Mas temos também que manter contato com o povo venezuelano, sem deixar que o seu pessimismo se espalhe para a sua gente. E há também muitos ótimos trabalhos na América Latina. O Brasil é um exemplo de pioneirismo, de país auto-suficiente que retira da cana-de-açúcar o seu etanol. Podemos aprender com isso. O Chile superou uma ditadura militar e tem hoje um bom padrão de vida. Então há várias coisas positivas sobre a América Latina, e temos que fazer mais para apoiá-los.

    Senadora Hillary Clinton, pré-candidata à Casa Branca, em campanha em Massahcusetts - Reuters

    A senhora apóia a proposta do governador Eliot Spitizer, de Nova York, de dar acesso às carteiras de motoristas aos imigrantes indocumentados?

    É importante trazer os imigrantes fora das sombras da sociedade. Apóio uma reforma ampla das leis de imigração, incluindo mais punição a patrões que exploram seus empregados, mais segurança na fronteira, ajuda aos países do sul, e ainda um caminho para a legalização dos 12 milhões de indocumentados. Eu preferiria resolver este problema nacionalmente. Temos que pesquisar o passado de todos, deportar os que têm antecedentes criminais. E para aqueles que querem permanecer aqui, diríamos: “você tem que pagar impostos atrasados, aprender inglês, e depois entrar na fila”. Odeio ver os estados tentando resolver um problema que o governo federal falhou em resolver. Entendo o que o governador Spitizer quer fazer, faz sentido tentar tirar as pessoas das sombras. Mas, sem um plano federal, os indocumentados vão se apresentar para receber a carteira, só que podem ser presos pela Imigração amanhã. Este problema não será resolvido estado por estado. Eu concordei com o presidente Bush, mas quando ele tentou resolver, não tinha mais credibilidade política para fazê-lo. E ainda há demagogia por parte dos partidos e da mídia em relação a este problema. Eles culpam os imigrantes por tudo. Eu não ouvi muitos protestos contra os imigrantes nos anos 90. Foram criados 22 milhões de novos empregos e ninguém falava dos imigrantes. Agora que a economia parada para muitos da classe média, muitos reclamam. E vários empregadores não querem reforma imigratória porque querem continuar explorando estas pessoas. Mas precisam de solução em nível nacional.

    Apóio uma reforma ampla das leis de imigração, incluindo mais punição a patrões que exploram seus empregados


    A senhora já disse que não pode prometer que vai retirar todas as tropas do Iraque no seu primeiro mandato. Mas disse que 60 dias após tomar posse, mostraria um plano de retirada. Quantos soldados a senhora acredita que os EUA vão precisar manter no Iraque?

    Não acredito que vamos precisar manter muitas tropas. Eu fui a primeira a pressionar o Pentágono para saber quais planos ele tem. Mas não sabemos o que vamos herdar. Temos consciência de que o presidente Bush vai nos deixar uma situação complicada, que não vai ser limitada ao Iraque. A administração atual não é conhecida por planejar bem. Reconhecemos que vamos ter uma embaixada, e, talvez, se os iraquianos estiverem comprometidos em serem treinados, vamos manter uma operação limitada contra o terrorismo.

    E a respeito das condições de combate em que se encontram as tropas no Iraque hoje, a senhora acredita que o presidente Bush vai começar a retirá-las de lá antes do fim do mandato dele?

    Eu espero que sim. Porque os especialistas da área já falaram que não há solução militar no Iraque. Nós não estamos falando apenas de como sair de lá, mas sim sobre controlar uma situação que tem imenso poder de se espalhar por todo o Oriente Médio e que tem até dado mais poder ao Irã. Isto certamente vai demandar bastante trabalho do próximo presidente.

    O que a senhora pensa da recente resolução sobre o massacre cometido pela Turquia contra os armênios na Primeira Guerra Mundial, classificado pelo Congresso dos EUA como genocídio, e como isto pode afetar a cooperação entre EUA e Turquia?

    Temos consciência de que o presidente Bush vai nos deixar uma situação complicada, que não vai ser limitada ao Iraque


    Tenho que confessar que estive preocupada com a reação dos turcos. Uma declaração dos EUA reconhecendo que foi genocídio é necessária por ser um fato histórico. O problema é que muitos ainda hoje pensam que esta é uma ferida na sociedade turca que estava começando a cicatrizar. Por outro lado o governo do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan tem ajudado muito as nossas tropas. Devemos ter sensibilidade em reconhecer o que o povo armênio passou, mas ao mesmo tempo temos que manter relações com um governo que sempre foi a favor das causas Ocidentais.

    O que a senhora pretende fazer pelos veteranos de guerra que retornam dos combates e não encontram nenhum apoio do governo?

    Este é um daqueles problemas escondidos. Se você pesquisar sobre quem é mendigo nos EUA, uma margem desproporcional deles é composta de veteranos, que sofrem de desordem pós-traumática, ou de abuso de substâncias químicas. Primeiro, temos que reconhecer é necessário atacar este problema nacionalmente. Manterei o compromisso de dar recursos aos V.As. (assistência aos veteranos). Podemos criar soluções criativas para garantir que os veteranos não esperem meses para receber serviços. Temos que saber diferenciar também que as necessidades dos ex-combatentes da II Guerra Mundial não são as mesmas dos jovens retornando do Iraque e do Afeganistão. Por exemplo, os ex-combatentes do Vietnã não sentem que voltaram para casa. Sentem-se psicologicamente ligados ao combate. Outro dia visitei um jovem soldado no Hospital Walter Reed que perdeu seu braço direito. Ele me disse: “Eles estão cuidando bem de mim aqui. O trabalho protético está funcionando. Mas aonde tenho que ir para pegar o meu cérebro de volta?” E acrescentou: “Toda manhã a minha esposa tem que escrever uma lista de coisas que tenho que fazer. Eu fui treinado em West Point, nunca precisei deste tipo de atenção. Como é que vou continuar sobrevivendo se nem sei o que estou fazendo?” Eu fui a primeira a introduzir uma lei que lida com este problema. Um outro ponto: nos anos 90 a administração Clinton investiu em arquivos eletrônicos para as fichas dos veteranos, e o serviço melhorou bastante. Mas a administração Bush não quis mais investir no programa.

    Senadora Hillary Clinton, pré-candidata à Casa Branca, em debate com Barack Obama - Reuters

    Lembro do presidente Clinton segurando um cartão e dizendo “este é o caminho para um novo plano de saúde”. Por que um plano universal não é parte do debate político neste país?

    Ainda há neste país muita suspeita sobre implantar um sistema de saúde com pagamento único, como o Medicare. O que eu propus foi o plano de escolha, porque os americanos querem escolher a sua própria cobertura. Então, se você gosta do que você tem, você o mantém, sem ter que responder nenhuma pergunta. Mas se você é um dos 46 milhões de pessoas sem planos de saúde, ou um dos muitos milhões que têm seguro mas não têm cobertura, vamos lhe dar um plano congressional, com o plano público como parte disso. Se você acredita que a sua melhor opção é ter um plano que não seja organizado por uma empresa privada, aqui está a solução. Vamos, então, dizer às companhias que estão no mercado: “você vai ter que mudar o jeito de fazer negócio e vai ter que cobrir todo mundo, independentemente da condição de saúde e vai ter que competir por qualidade e custo, em paralelo ao plano público. Os americanos querem ter escolha. E é importante que saibam que todos – governo e empresas privadas – vão compartilhar custos e responsabilidades, o que nos dará mais chances de atingir o objetivo, que é qualidade de saúde para todo mundo.

    O que senhora tem a dizer sobre a polarização que se formou em torno do seu nome, e sobre as pessoas que dizem que Hillary Clinton não é capaz de vencer?

    Estas eleições têm um poder tão grande de fazer História que ser mulher até me ajuda


    Claro que eu já ouvi esta perguntar antes. Mas houve um artigo recente que fala sobre o apoio que já ganhei em New Hampshire. Os americanos são justos. E vi que o apoio à minha campanha tem aumentado, as pessoas que disseram que nunca votariam em mim estão mudando de opinião. Venci com 55% dos votos para o senado em Nova York, trabalhei duro, e depois me reelegi com 67% dos votos. O que explica isso é que eu passei de personagem a uma pessoa comum. Trabalhei com muitos republicanos, que ficaram surpresos que é possível trabalhar comigo. Cheguei ao Senado com a missão de trabalhar muito, até me juntando aos republicanos. Descobri que as pessoas estão dispostas a ouvir e a saber quais são seus objetivos. Os últimos 5 anos têm me dado muita experiência. E quem quer que seja o nomeado pelo Partido Democrata enfrentará a “máquina republicana”. Ela tem me atacado nos últimos 15 anos, e estou aqui. Além disso, americanos estão cansados desta estratégia.

    E sobre o chamado “fator M” (ser mulher em meio a tantos homens postulantes), como a senhora lida com isso? A senhora acha que pode atrapalhar na corrida à Casa Branca?

    Estas eleições têm um poder tão grande de fazer História que ser mulher até me ajuda. Em Manchester (no estado de New Hampshire) apertei a mão de uma senhora que me disse: “eu tenho 95 anos. Nasci quando a mulher não podia votar, e vou viver o suficiente para ver uma mulher na Casa Branca”. Isso tem acontecido comigo em todo lugar. Muitos pais trazem as filhas aos meus comícios para dizer a elas: “Viu, nesta vida você pode ser o que desejar”. Mas eu não estou concorrendo por que sou mulher, mas sim porque penso ser a candidata mais qualificada.

    Mas essas são mulheres. E a respeito dos homens? A senhora acha que eles vão votar em Hillary?

    Bem, vai sempre existir aquele grupo de pessoas que nunca vai votar em democratas, progressistas, ou em mim. Se não fosse porque sou mulher, seria por outra razão. Os candidatos democratas sempre tiveram problemas em encontrar mulheres para concorrer. Espero inspirar mais mulheres. E vejo nas pesquisas que o apoio dos homens a mim está aumentando. Além disso, há várias mulheres que nunca votaram e que manifestaram seu interesse em me ajudar.

    * Eduardo Amaral de Oliveira é colunista do “Nashua Telegraph” e co-editor do jornal brasileiro publicado em Boston “Brazilian Journal”

    07/11/2007 - 19:22h Lembrai-vos de 2002

    ELIO GASPARI

    Folha de São Paulo

    Pode-se pedir às pessoas que detestem Chávez, mas não é justo querer que façam papel de bobas

    O ROMPIMENTO do general Raúl Isaías Baduel com o projeto imperial do presidente Hugo Chávez indica que há de novo um cheiro de golpe de Estado na Venezuela. Um, nas palavras de Baduel, é do próprio Chávez, com sua proposta de plebiscito marcada para dezembro. É uma velha modalidade de golpe, celebrizada em 1929, na Itália de Benito Mussolini.
    Em benefício de Chávez, deve-se reconhecer que desde sua subida ao poder, em 1998, ele já colocou o cargo nas mãos dos eleitores em três ocasiões, e ganhou todas. Se o plebiscito for realizado, tudo indica que ele sairá vitorioso.
    O outro golpe é o do velho modelo latino-americano da segunda metade do século passado.
    Baduel era um irmão de fé de Chávez desde 1982, quando formaram uma sociedade secreta de oficiais. Em 2002, no comando da tropa de paraquedistas, foi peça decisiva para desbaratar um golpe de generais de pouca tropa e empresários de nenhuma coragem, ambos servindo-se da militância dos meios de comunicação.
    Em abril de 2002, a Venezuela estava parada e centenas de milhares de pessoas pediam a renúncia de Chávez. Era natural que as televisões dessem todo destaque às enormes passeatas. Na tarde do dia 11, havia duas manifestações na cidade. Uma, enorme, decidiu marchar sobre o palácio presidencial. Outra, menor, pretendia defendê-lo.
    Houve quem atirasse de cima de edifícios e um grupo de chavistas foi filmado disparando do alto de um viaduto. Morreram 19 pessoas. As manifestações transformaram-se em apelos para a deposição do assassino. Chávez rendeu-se e foi preso. Para o seu lugar foi o empresário Pedro Carmona, presidente da federação de empresários. Em nome da democracia, anunciou o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal. Menos de um dia depois, fugiu do palácio.
    Uma das principais peças da rebelião militar contra Chávez foi um discurso do almirante Héctor Ramirez, cercado de oficiais-generais, no qual ele dizia que “o presidente da República traiu a confiança do povo e está massacrando o povo inocente com franco-atiradores. Até agora já morreram seis pessoas”. Problema: a fala do almirante foi gravada antes do disparo que fez a primeira vítima.
    A cena mais chocante do dia mostrou os chavistas atirando de cima do viaduto Llaguno. Os noticiários transmitidos durante a jornada da crise davam a impressão de que eles disparavam contra manifestantes. O governo sustenta que se tratava de um tiroteio com a polícia municipal, oposicionista. Os tiros dados pelos chavistas não atingiram as pessoas mortas ou feridas mostradas pela televisão. Os disparos que fizeram vitimas deram-se entre as 15h20 e as 16h02 e a milícia bolivariana só foi filmada atirando depois das 16h38. Essa história está contada (com expressa militância chavista) no documentário “Puente Llaguno – Las Claves de una Massacre”, disponível na internet.
    A crise venezuelana está contaminada por dois blocos irredutíveis, bem ao estilo das confusões latino-americanas que acabam em golpes.
    Pode-se detestar Chávez, mas não é justo que, para isso, se tenha que fazer papel de bobo. Ou acreditar que, em nome da democracia, meia dúzia de plutocratas possam fechar o Congresso e o Supremo Tribunal, como fizeram em 2002.