22/08/2008 - 16:05h Na eleição a política comanda, mas a propaganda é seu instrumento poderoso

“Expulse o natural, ele volta galopando”, a frase é uma tradução livre de um provérbio francês.
Hoje foi o segundo programa dos candidatos à prefeitura e os que me parecem serem os principais concorrentes, vão marcando o terreno onde pretendem pesar nas mensagens políticas e publicitárias.
Vários analistas já destacaram, e eu concordo com essa opinião, que os programas televisivos de Marta e Kassab são de melhor qualidade, transmitindo melhor suas mensagens no uso do instrumento da televisão. O de Alckmin é mais rudimentar, tosco e apagado. Concordo com Nelson de Sá quando diz “o candidato agora soa distante e frio. Ou “desconectado”, como descreve o marketing americano.” (Blog no ar).
Porém tem uma novidade no programa de Alckmin, no plano político e de marketing, e que está longe de ser sem importância. Ele começou a mostrar que a saúde em São Paulo está ruim e propõe um plano de “especialidades”, copiado das policlínicas de Marta e que foi tão atacado no passado pelo PSDB como “marqueteiro”. Identificando sua figura de médico com a questão saúde, o setor pior avaliado junto com trânsito, da administração Kassab.
Ele se apóia assim na realidade que Kassab procura mascarar e dá credibilidade a sua mensagem, mesmo que pobre em termos publicitários. Ele tem ali um terreno fértil, que para ser trilhado deverá, porém, implicar um discurso mais ousado de oposição a gestão Kassab. Nesse caminho, se ele acentuar o fato que Kassab é um estranho no ninho tucano, a campanha de Alckmin poderá conter a inevitável subida de Kassab.
Falo de inevitável subida de Kassab por conta do maior tempo de TV, mas também pelo apoio aberto da fração tucana serrista e de suas ramificações amplas nos meios de comunicação e que procuram desestabilizar a campanha Alckmin e sua equipe. Mas Alckmin tem uma ampla margem para queimar e Kassab uma empinada encosta para subir.
As pesquisas irão acompanhar esta fase das campanhas e seguramente apresentarão movimentações, mas duvido que a primeira delas, Datafolha que aparecerá no domingo, produza mudanças significativas, além das naturais margens de erro.
Nesta eleição a população parece ter amadurecido sobre os rumos sociais, políticos e econômicos que o governo Lula e o PT imprimiram ao país. Como parte desta experiência política inclui a ausência de alternativa opositora com qualquer assomo de coerência ou proposta, a situação reforça a liderança que Marta vem exercendo nas intenções de voto. Se adicionamos a isto que a prática administrativa dos demo-tucanos, aqui em São Paulo, mostra suas enormes fragilidades, a conjuntura favorece um crescimento eleitoral de Marta e do PT.
Por isso mesmo, na medida em que o que está em jogo vai muito além da própria eleição municipal, para ganhar será necessário além do esforço, o profissionalismo e a militância aguerrida do PT. Ela será posta a dura prova. Assim como seus nervos.
Mas como dizia Napoleão: “Vencer sem perigo é retorno sem glória”.
A situação é favorável a condição de entrar em campo para valer.
Faz já alguns meses que Marta mostrou que entrou na briga para vencer, que amadureceu e aprimorou suas propostas. Os quadros partidários, as campanhas a vereadores estão a tudo vapor também. O PT está unido e aprendeu a ser um pouco mais disciplinado.
Mas o jogo está ainda pela metade e ninguém garante o resultado. Neste caso não é a torcida que acompanha de longe e sim a dos cidadãos que decidem participar do jogo, a que definirá o resultado.
O jogo é saber se nos próximos quatro anos a diminuição da desigualdade social constituirá o norte da ação municipal em São Paulo, se a cidade progredirá significativamente na educação e no transporte público, avançará na saúde e aprimorará sua democracia para encontrar as respostas aos novos desafios ou não.
Luis Favre







