06/06/2010 - 10:10h Têxtil: Produção cresce 12% e zera perdas provocadas pela crise


Faturamento da cadeia produtiva deve atingir US$ 51 bilhões este ano, US$ 1 bilhão a mais do que a estimativa inicial

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Márcia De Chiara – O Estado de S.Paulo

Entre os dois eventos mais importantes do setor têxtil e de confecções, o Fashion Rio, que terminou no começo deste mês, e o São Paulo Fashion Week, que começa na terça-feira, a indústria comemora uma virada. Em 12 meses até abril, as perdas de produção do setor, provocada pela crise financeira internacional, foram zeradas e houve um acréscimo de 0,5% na produção física do período, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Até março, o resultado acumulado da produção física estava negativo”, afirma o diretor superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel. Só no primeiro quadrimestre deste ano, a produção de têxteis e confecções cresceu mais de 12% na comparação com igual período de 2009.

O aquecimento no setor, que tem mais de 90% da produção voltada para o mercado interno, é sustentado pelas melhores condições de renda e emprego da população que, com isso, ampliou os gastos com itens de vestuário.

Diante do bom desempenho no primeiro quadrimestre, a Abit revisou as projeções de produção e vendas para este ano. A expectativa de ampliar em 4% a produção de têxteis e 3,7% as confecções foi ampliada para 6% e 5,7%, respectivamente, na comparação com 2009. As vendas no varejo, que inicialmente deveriam crescer neste ano 6,5% em relação a 2009, subiram para 9%. Ao todo, o faturamento da cadeia têxtil e do vestuário, estimado em US$ 50 bilhões, deve atingir US$ 51 bilhões este ano.

O curioso é que esse desempenho extraordinário do mercado doméstico ocorre apesar do aumento das importações, especialmente da Ásia. “2010 vai ser um ano atípico, pois o mercado interno está comportando tanto a ampliação da produção local quanto o aumento das importações”, diz Pimentel.

De janeiro a abril, as importações de têxteis e confecções cresceram 43,65% em valor, ritmo 2,5 vezes maior que as exportações. Se esse ritmo for mantido, a Abit projeta para o ano um déficit na balança comercial de US$ 3,556 bilhões, 58% maior que em 2009.

Apesar das medidas antidumping impostas a produtos chineses no ano passado, as importações não param de crescer. De janeiro a abril, as importações só de artigos de vestuário aumentaram 10,5% em valor, enquanto as compras desses itens fabricados da China cresceram 12,24% no mesmo período, informa a Abit.

Para o presidente da entidade, Aguinaldo Diniz Filho, mesmo com as medidas antidumping e a alíquota média do Imposto de Importação da ordem de 11%, o setor enfrenta a forte competição de produtos asiáticos. Ele argumenta que a valorização do real em relação ao dólar anula o imposto de importação.

01/04/2010 - 17:45h Esclarecimentos sobre o ICMS do setor têxtil

Bom Dia, Sr. Luis Favre!

Li seu artigo no Blog, sobre a redução de ICMS no setor têxtil pelo Governador José Serra (Serra acorda e com mais de um ano de atraso reduz ICMS da indústria têxtil; Serra não se enxerga) e fiquei com dúvida com relação ao icms creditado pelo varejista. Hoje quando o varejista compra do fornecedor de calça jeans por exemplo, ele se credita de 12% de icms esse credito também será reduzido ? pois na venda arrecada para o Governo 18% sobre a venda da calça.

Desde já agradeço a atenção prestada.

Marcelo

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Prezado Marcelo,
Eu não sou especialista em questões tributárias. A partir de sua pergunta, procurei aprofundar o assunto e constatei que a situação do ICMS no setor têxtil é bastante confusa. Pelo decreto apressado e eleitoreiro de Serra, passam a coexistir no setor três alíquotas diferentes, 18%; 12% e 7%.

Em relação a sua pergunta, se a empresa fabricante optar pelo ICMS a 7% (pois ele é facultativo), você creditará 7% mas continuará a pagar 18% pela venda do vestuário no varejo.

O fabricante que optar pelo regime de ICMS a 7%, não poderá compensar o crédito no mês seguinte, como é o caso quando creditou 12%. Ele perderá seu eventual crédito. Em alguns casos isto fará que o fabricante continue no regime a 12%, para não perder essa compensação. Em outros casos, se o fabricante optar pelo ICMS de 7%, deverá conceder ao varejo uma redução no preço de venda.

Espero ter esclarecido um pouco a questão e não ter errado na minha avaliação do alcance do decreto de Serra sobre o ICMS do têxtil.

Cordialmente

Luis Favre

30/03/2010 - 09:43h Serra não se enxerga

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Comentei ontem e volto ao assunto hoje. “Serra reduz imposto do setor têxtil e ataca Lula”, é a manchete do artigo no Estadão. No artigo nenhuma referência é feita ao fato que o setor têxtil reclamava essa redução desde 2003 e nada é dito sobre o fato de Serra ter deixado passar um ano e meio desde o começo da crise internacional, para finalmente adotar a medida, já com o impacto da crise no Brasil superada.

No seu discurso auto-elogioso e crítico do governo federal, Serra disse que “o Brasil não se defende tanto quanto seria necessário”, mas enquanto o governo federal convidava os brasileiros a responder à crise consumindo e desonerava o IPI dos carros e dos eletrodomésticos, além de numerosas outras cargas tributárias, Serra permanecia insensivel à demanda do setor têxtil de São Paulo que reivindicava que o ICMS do setor passasse de 12% para 7%. (ver Serra acorda e com mais de um ano de atraso reduz ICMS da indústria têxtil).

Como indica o artigo da Folha SP (ver a seguir), outros Estados assim procederam e Serra foi a reboque dos demais. Volto a repetir, com mais de um ano de atraso em relação a crise.

Para o Brasil se “defender tanto quanto seria necessário” foi preciso um presidente como Lula, estadista reconhecido com tal pelo mundo inteiro e não um pusilânime administrador sem visão, que só reduz o ICMS do têxtil quando seu interesse eleitoreiro se manifesta, como alavanca para sua campanha eleitoral e que ficou insensível aos problemas do setor durante todo seu governo.

Um setor, o têxtil, que emprega 500 mil pessoas no Estado, segundo dados da Folha.

Luis Favre

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São Paulo diminui de 12% para 7% o ICMS da indústria têxtil

Empresários dizem que medida conterá migração de fábricas para outros Estados

24/02/2010 - 13:53h Consultas e aprovações do BNDES para o setor têxtil são recorde na década

Conjuntura: Aumento do emprego em janeiro também indica retomada do mercado interno

João Villaverde, de São Paulo – VALOR

O setor têxtil e de confecções apresentou, em 2009, a maior disposição de ampliar investimentos em toda a década. As consultas ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) por parte de empresas do setor aumentaram fortemente no ano passado e totalizaram R$ 1,61 bilhão, resultado 35% superior ao R$ 1,19 bilhão apresentado em 2008, e ao R$ 1,17 bilhão registrado em 2007, anos em que o PIB subiu, respectivamente, 5,1% e 6,1% – bem acima do zero estimado para o ano passado.

Os dados do BNDES também evidenciam que houve maior número de projetos aprovados, no ano passado, em comparação ao resto da década. O banco aprovou R$ 1,93 bilhão em projetos do setor, um número também recorde que deve levar a um aumento expressivo dos desembolsos em 2010, após a queda de 50% registrada no passado, quando apenas R$ 646 milhões foram efetivamente liberados pela instituição.

“O empresário está agindo e as previsões de que o PIB pode crescer acima de 5% neste ano nos deixa absolutamente otimistas porque, historicamente, os anos em que houve mais investimento e contratação de pessoal foram aqueles em que o PIB cresceu acima de 4%”, diz Cristiano Shaefer Buerger, diretor da Tecnoblu, empresa que fabrica etiquetas para roupas, sediada em Blumenau, Santa Catarina.

Segundo Buerger, d e dezembro para janeiro, a Tecnoblu aumentou seu quadro de pessoal em 5%. Como a empresa fornece insumos para outros fabricantes, explica Buerger, funciona como “termômetro” para o resto do setor. “Estávamos com pouca demanda no começo do ano passado e agora há o inverso”, diz. O aumento da demanda por mão de obra, por parte da empresa, justifica-se pelo objetivo de produzir 55 milhões de peças – um aumento de 21% frente ao produzido no ano passado. “É uma projeção conservadora diante do aquecimento do setor”, avalia Buerger.

Contratações fortes em janeiro e expressivo aumento das intenções de investimento do setor indicam um promissor 2010. No mês passado, o setor têxtil teve o melhor mês de janeiro de sua história, com saldo líquido superior a 8 mil vagas – o dobro da melhor marca até então, registrada em janeiro de 2007. Nos dois trimestres em que houve retração do Produto Interno Bruto (PIB), entre outubro de 2008 e março do ano passado, o setor cortou 43,4 mil postos de trabalho. A partir de abril passou a recuperar, aos poucos, o pessoal perdido. Até novembro, já superava o número de trabalhadores perdidos na crise – 44,8 mil entre abril e novembro – antes do corte de 22,2 mil vagas ocorrido em dezembro, após as festas de fim de ano. A recuperação dos cortes sazonais de dezembro, no entanto, nunca foi tão rápida.

Após o fim de 2006, quando o PIB cresceu 4%, o setor obteve saldo de 4,1 mil postos de trabalho em janeiro de 2007, ano em que o PIB atingiria crescimento de 6,1% e o saldo líquido de empregos criados na indústria de têxteis e confecções atingiu o recorde de 44,5 mil vagas. O resultado de janeiro de 2010, duas vezes maior que o de três anos atrás, sinaliza que os empresários apostam em ano de crescimento elevado. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), o setor deve gerar saldo superior a 40 mil vagas neste ano.

A Stenville Têxtil, que trabalha com estamparia e tinturaria de tecidos, com fábrica em Jundiaí (SP), aumentou sua produção em 40% no segundo semestre de 2009. Entre julho de 2008 e julho de 2009, segundo George Tomic, proprietário da empresa, a produção média diária era de 200 toneladas de tecido confeccionado. Essa média chegou a alcançar 296 toneladas em novembro. Ao todo, em 2009, a empresa aumentou sua produção em 20%. Para este ano, o empresário acredita que um aumento de 10% é perfeitamente possível, levando a produção para 330 toneladas.

A melhora das condições do mercado interno anda em paralelo com uma situação decadente do comércio exterior do setor. Para os empresários do setor, o câmbio é a principal variável de equilíbrio entre as parcelas da produção que são exportadas ou vendidas internamente. Em janeiro do ano passado, quando o dólar variava em torno de R$ 2,30, as importações superaram as exportações em US$ 108,9 milhões. No mês passado, com o câmbio oscilando em R$ 1,80, as exportações caíram 5,1%, enquanto as importações aumentaram 38,4% – o saldo quase duplicou, alcançando US$ 210,2 bilhões.

“Há uma conjunção extremamente danosa entre câmbio valorizado e o importado chinês, que é subsidiado e, além de tudo, ganha também com nosso câmbio valorizado”, diz Ronald Masijh, diretor da Darling, fabricante de lingeries. O empresário, por outro lado, está otimista quanto ao crescimento do mercado interno. No auge do período recessivo, a Darling se desfez de 15% de seu quadro de 350 funcionários. A partir do segundo semestre, diz Masijh, “mas principalmente nos últimos meses do ano e em janeiro, recontratei metade do cortado”.

O comportamento da indústria têxtil em Minas Gerais distoa do observado no país, sobretudo em relação ao uso de mão de obra, segundo afirmou o pesquisador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) Antonio Brás. “Em Minas, diferente do que ocorre no Brasil, o nível de emprego na indústria têxtil é uma reta para baixo”, afirmou. O pessoal ocupado no setor caiu 19,4% ao longo de 2009, de acordo com Brás, e a queda chegou a 20,3% na indústria de vestuário.

No entanto, para o diretor da Cedro & Cachoeira, Aguinaldo Diniz Filho, que também preside a Abit, as condições do mercado interno justificam o aumento do otimismo do empresariado quanto à demanda por mão de obra e disposição por investir. As sete fábricas da companhia de Minas Gerais já retornaram ao patamar pré-crise, de 3 mil funcionários, e operando em tempo integral. (Colaborou César Felício)

13/08/2009 - 10:51h Para a Riachuelo, junho foi um mês “fantástico”

Varejo

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Claudia Facchini, de São Paulo – VALOR

Na Riachuelo, uma das três maiores redes de vestuário do país, as vendas foram “fantásticas” em junho, afastando as nuvens negras que surgiram em abril e maio, segundo afirmou ontem o e gerente de relações com investidores da companhia, Tulio Queiroz, em teleconferência com analistas de investimento.

Como o consumo manteve-se forte em julho, a varejista enxerga um cenário mais otimista no segundo semestre e já planeja acelerar a expansão em 2010. Para este ano, estão previstas seis inaugurações. No ano que vem, a rede pretende abrir dez ou mais lojas.

Embora a queda das temperaturas nos dois últimos meses tenha favorecido a demanda, a Riachuelo atribui a retomada à uma mudança de atitude dos clientes. “Em junho e julho, houve uma grande recuperação do nível de confiança dos consumidores”, disse Queiroz, acrescentando que esses foram os melhores meses do ano para a varejista. Segundo ele, maio havia sido um mês “difícil”, sem nenhum dia com baixas temperaturas.

A varejista também passou a ser mais flexível na política de crédito, o que impulsionou as vendas. Os planos com juros (em oito parcelas sem entrada) responderam por 24,2% das vendas pagas com o cartão Riachuelo no segundo trimestre, percentual superior aos 18,8% registrados no primeiro trimestre. Em fevereiro, a varejista baixou os juros de 6,9% para 5,9%.

A concessão de crédito, contudo, ainda não voltou as patamares do primeiro semestre de 2008, quando o planos com juros responderam por 35,3% das vendas feitas com o cartão Riachuelo.

A receita líquida consolidada do grupo, que inclui a rede Riachuelo e a confecção Guararapes, totalizou R$ 527 milhões no segundo trimestre de 2009, cifra 10,2% maior que a registrada em igual período de 2008. As vendas da Riachuelo cresceram 3,4%, totalizando R$ 445,8 milhões. Pelo critério “mesmas lojas”, as vendas da varejistas foram 0,3% maiores que no segundo trimestre de 2008.

17/06/2009 - 13:29h Brasil é o 8º melhor país do mundo para o varejo

Setor de vestuário tem melhores oportunidades, mostra estudo

Reuters – O Estado SP

brasil_olho.jpghttp://www.sdr.com.br/negocios1.gifO Brasil ocupa a 8ª posição no ranking global de oportunidade de investimento para empresas de varejo e é o primeiro do mundo em atratividade no setor de vestuário, segundo pesquisa da consultoria A.T. Kearney, divulgada ontem. O levantamento existe desde 2003, mas o Brasil só conseguiu entrar na lista dos 30 países mais atraentes para investimento de varejo em 2005, ocupando o 29º lugar. No ano passado, o país estava na 9ª posição.

Os 10 primeiros colocados do ranking em 2009 são Índia, Rússia, China, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Vietnã, Chile, Brasil, Eslovênia e Malásia. Em 2008, os quatro primeiros eram Vietnã, Índia, Rússia e China. Markus Stricker, vice-presidente da A.T. Kearney, acredita que o Brasil não ficará entre os três primeiros, uma vez que seu varejo já é mais consolidado que o de muitos países, mas considera a posição ocupada pelo País extremamente positiva.

“Estar entre os três primeiros é improvável, mas, mesmo sendo um mercado tão bem estruturado (com menos espaço para crescer por investimento estrangeiro), ele está entre os 10 primeiros, e isso é importante”, disse Stricker.

Essa estrutura faz com que o Brasil viva uma segunda onda de investimentos. Na primeira onda, grande parte dos imóveis nas grandes cidades já foi comprada e associações entre grandes empresas – como a da rede francesa Casino com a brasileira Pão de Açúcar – já foram feitas.

Nesta segunda onda, há oportunidades de investimento em outras cidades. Celso Durazzo, diretor da consultoria, lembra que o estudo apurou que cerca de 20 cidades brasileiras têm mais de 1 milhão de habitantes, um ponto positivo para o país. “Não existe mais oportunidade de investimento maciço no Brasil, que estava no pico em 2007 e agora está na maturidade. Nessa maturidade é hora de (as empresas estrangeiras de varejo) inovarem quando investirem aqui”, disse.

Além do vestuário, outras oportunidades no varejo do País são os setores de eletrodomésticos e de alimentos e bebidas. O Brasil lidera o ranking do vestuário por igualar-se a países desenvolvidos: 40% das vendas de vestuário no País são feitas com cartão de crédito, patamar similar a de Estados Unidos e Grã-Bretanha, e as duas principais redes do país, Riachuelo e C&A, já emitiram mais cartões próprios de crédito que as operadoras Visa e Mastercard.

Outros pontos positivos são a população jovem, que consome muita roupa – mais de 60% dos brasileiros estão abaixo dos 30 anos – e o gasto médio com vestuário é de cerca de US$ 450 por ano, valor seis vezes superior ao da China.

Segundo Durazzo, a Índia liderou a pesquisa da A.T. Kearney porque, com a crise global, os preços dos imóveis despencaram e os varejistas locais se enfraqueceram, tornando-se alvos de aquisição em um país com uma população consumidora bastante volumosa.