20/10/2008 - 15:31h “Às vezes um charuto é só um charuto”

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Mesmo após o apito do ombudsman da Folha, que mostrou a verdadeira campanha eleitoral contra Marta realizada no jornal na última semana, o editorialista Fernando de Barros decidiu aportar seu toque pessoal, na sua coluna de hoje.

Sendo um dos responsáveis do apedrejamento público da Marta e particularmente da campanha vil de exploração da vida privada feita contra nós pela Folha, o homem não se dá por aludido e  sem pestanejar atribui a outros “a carga pesada de truculência sexista contra a candidata”.

Vou repetir, foi a Folha de São Paulo quem incentivou permanentemente uma campanha de exploração da vida privada da Marta, a começar pela ação conjunta realizada pela Folha e Claudio Humberto nas páginas do jornal onde trabalha Fernando de Barros. (ver A Folha e a nossa vida privada).

A carga de hoje

Fernando de Barros age como aqueles machistas que atribui à saia curta da mulher, ao jeito de se maquiar, ao horário em que estava na rua, às “razões” pela qual foi estuprada. Até recentemente juízes assim discursavam e julgavam, considerando que o criminoso encontrava circunstâncias atenuantes no comportamento da vítima.

Vejam só, para Fernando de Barros, (Marta) “Se diz vítima das invasões bárbaras da mídia em sua vida pessoal, mas, prefeita, não hesitou em fazer de seu casamento um circo espalhafatoso para consumo das revistas de celebridades.”

O editorialista diz que ela se diz vítima, mas a culpa é dela mesma.

Quem é você para emitir um julgamento sobre nosso casamento? Se ser casado e ter filhos não é algo que diga respeito a vida pública de ninguém, porque as páginas do seu jornal dedicam e dedicaram tanto espaço para nosso casamento, apresentado como um circo, ao nosso relacionamento, a separação da Marta etc.?

Na época de nosso casamento Fernando de Barros já tinha escrito algo semelhante, porque recusamos os insistentes pedidos da Folha para “cobrir” nossa festa, da qual a mídia foi excluída. O desejo da Folha em tratar de nossa vida privada era tão forte, que até tentou infiltrar um repórter disfarçado de motorista, que, descoberto, foi posto para fora.

O circo foi montado pelos Fernandos de Barros que permanentemente expõem a vida privada de alguns e reivindicam para eles este direito, com o pretexto da transparência supostamente devida pelas figuras públicas aos cidadãos. Os mesmos que nada disseram ou escreveram sobre a vida pessoal de Fernando Henrique Cardoso e de outros, nunca mostraram o mesmo “pudor” com a vida pessoal da Marta. Nós fomos vítimas da invasão permanente de nossa privacidade e o “estuprador” foi a Folha. O “pretexto” -a nossa “saia curta”-, foi a separação da Marta e nosso relacionamento. (Contardo Calligaris interpretou na época o significado psicoanalitico desse apedrejamento, falando dos comentários na cidade, mas era a Folha a que dava uma expressão mídiatica e política a eles) (2)

Dias antes do nosso casamento a Folha chegou a publicar um editorial, sob o título “O show da Marta” em que dizia “O próximo ato do show promete ser a festa de casamento com Luis Favre, tendo como padrinhos o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho.” (Editorial Folha SP 15/9/2003).

Até hoje Fernando de Barros não engoliu nossa recusa em dar a Folha entrevistas sobre nosso casamento e fotos exclusivas da cerimônia, como eles queriam. Nossa recusa tinha uma motivação central: de todos os jornais e revistas do Brasil, a Folha foi a que mais explorou politicamente contra nós, nossa vida pessoal. Dezenas de artigos, notas, coberturas, destaques, encontraram na Folha o eco generoso para espalhar e explorar nossa vida privada. (teve até a publicação de uma carta no Painel de Leitor da Folha propondo que Marta fosse excomungada) (1)

Por isso, aceitamos a solicitação do Diário de São Paulo e da revista Caras para publicamente falar de nosso casamento, sem dar margem a sacanagem do jornalismo marrom e obter um mínimo de decência na abordagem inevitável que a mídia faria de nosso casamento. Com Caras tínhamos a certeza que a cobertura seria estilo Caras; com a Folha a certeza do tratamento estilo Claudio Humberto.

O comercial com o “significado” da Folha

A má fé de Fernando de Barros é escancarada quando diz, falando do comercial “Diferentemente do “relaxa e goza”, um deslize verbal desastroso, aqui se tratou de uma ação deliberada.”

A frase infeliz da Marta, amplamente difundida, usada e reprisada, foi dela própria e meia-hora após pronunciada, as desculpas da própria Marta deveriam ter posto um ponto final ao episódio. A mídia viu uma oportunidade de destruir a vida política de Marta e usou e abusou da propagação da frase, não das desculpas. (basta ver como foi o tratamento dado pela mesma mídia ao truculento ataque de Kassab a um munícipe, ao grito de “vagabundo”).

O comercial de João Santana visava, segundo ele diz na entrevista à Folha, a mexer com o fato que as pessoas não sabem quem é Gilberto Kassab. Antes do primeiro turno, comercial de Alckmin tentou fazer o mesmo dizendo que Kassab era “dissimulado” e tinha “duas caras” e depois se apresentando com sua esposa e filhos. Porque a Folha não viu nisto uma incursão inaceitável com insinuações sobre a vida pessoal de Kassab e da Marta e não fez a mesma campanha?

A mídia não atribuiu nenhum significado particular, nem qualquer insinuação na campanha de Alckmin. Já com o comercial da campanha do PT a mídia diz que procurava explorar a suposta homossexualidade do prefeito. Este significado, foi a mídia que incorporou ao comercial, propagando-o como tal.

Perante essa interpretação e tendo a mídia incorporado esse significado ao comercial, Marta, que não tinha visto o comercial e que seria a última pessoa neste país a explorar a orientação sexual de alguém, declarou que lamentava que esta tivesse sido a leitura do comercial e ele foi retirado.

O charuto da Folha

Sigmumd Freud, o pai da psicanálise, diz que “as vezes um charuto é só um charuto”. Para a Folha, parafraseando Freud, quando se trata do PT “um charuto nunca é um charuto”. Já com os que a Folha protege: “um charuto sempre é um charuto”. Esse duplo tratamento, essa dupla moral e esse duplo linguagem é o da Folha e seus escribas. Talvez por isso a projetem nos outros.

A Folha, que permanentemente incursionou ou deu eco a questionamentos sobre a vida sexual, afetiva, a separação, o divórcio e o casamento da Marta vem posar de vestal?

Nossa vida privada permanentemente exposta nas páginas da Folha forneceu os temas amplamente explorados pelos demo-tucanos na ação política (paródia de nosso casamento com dois travestis na porta da Câmara Municipal, afirmação que a lei que autorizava a contratar estrangeiros no serviço público municipal visava a assegurar um emprego para o conjugue da Marta, sabe… a lei 69; Documento do site da Direção Nacional do PSDB “Dona Marta e seus dois maridos”, insinuações caluniosas sobre minha participação no governo da minha esposa etc.).

Em todos estes episódios de explicita, aberta e ativa utilização da nossa vida pessoal com objetivo político, Fernando de Barros, os outros vestais da Folha nada enxergavam que os incomodasse.

A hipocrisia é tamanha que basta constatar: se a questão da orientação sexual do prefeito não interessa ninguém, como eu penso e a Folha pretende, porque a Folha faz questão de por na capa a afirmação de Kassab que tem muita mulher querendo casar com ele? Porque encaminhar dentre tantas perguntas justamente aquela que questiona kassab sobre se é ou não homossexual, e dar destaque no jornal para sua negação?

Luis Favre

(1) Casamento da prefeita
“O divórcio, após quase 40 anos de matrimônio, do senador Eduardo Suplicy e o casamento com Luis Favre poderão acarretar à prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, a excomunhão pela Igreja Católica. O comportamento da prefeita, que se define como católica, em relação a valores fundamentais para o catolicismo (como aborto e união de homossexuais) sempre bateu de frente com o magistério da igreja. O novo casamento constitui escândalo enquadrado por norma (cânon 1.364) do Código de Direito Canônico, que estabelece a excomunhão. Lembro que toda sanção tem, na igreja, a função de remédio e não visa afastar do amor de Deus o católico que errou. É uma tentativa de trazer seus filhos de volta à casa do Pai, onde se encontram a verdadeira felicidade e a vida sem fim.”
Francesco Scavolini, especialista em direito canônico e conselheiro do Comitê dos Italianos no Exterior em São Paulo (Itu, SP) (Painel do Leitor – Folha SP 22/8/2003)

(2) CONTARDO CALLIGARIS

Marta Suplicy e Luis Favre: por que tanta zombaria?

Desde o começo do namoro de Marta Suplicy e Luis Favre, em 2001, é fácil ouvir comentários zombadores. O casamento, no sábado passado, reavivou a produção.
Espírito partidário à parte, qual é a origem dessa reprovação, engraçada ou raivosa que seja?
1) Em 2001, Marta tinha mais de 50 anos, era ex-deputada federal, prefeita, casada com um senador da República. Por seu trabalho passado, ela representava também um certo ideal de sabedoria nas coisas do amor.
Ora, quem é mais velho, nos governa e parece mais sábio que a gente é automaticamente colocado, por nossa imaginação, na categoria dos “adultos”, inaugurada pelos pais que tivemos ou teríamos gostado de ter. E, banalmente, as crianças não gostam que os pais se separem. Por exemplo, temem ser abandonadas: se eles pensam em seus amores, como é que vão se ocupar direito da gente?
Tradução dessa preocupação infantil, desde 2001 vozes nos bares e nos jantares paulistanos perguntavam: enfim, Marta vai governar ou namorar?
2) A idéia de que governar e namorar sejam alternativas excludentes se apóia também na convicção de que o poder deve ter um preço. Quer governar? Tudo bem, mas esqueça amores e paixões, deixe para depois, sacrifique-se.
É uma convicção que nos consola. Pois confirma que há uma razão pela qual não somos prefeitos, presidentes, governadores ou mesmo vereadores; é porque preferimos cuidar da vida: namorar, por exemplo.
O governante infeliz apazigua nossa culpa cívica. E o governante que não pretende desprezar seus sentimentos está querendo demais.
Marta, porta-voz há tempos do direito à busca da felicidade privada, não tinha como namorar de fininho. Declarou que uma prefeita feliz governa melhor. Muitos teriam preferido ouvir que governar custa caro e implica a renúncia aos prazeres do amor.
3) Os compromissos, a distância geográfica, o momento inoportuno, tudo conjurava, na história de Marta e Luis Favre, para que fosse sensato desistir. Eles escolheram um caminho árduo.
As histórias de amor dificílimas, a gente adora no “Aguenta Coração”, do Faustão, em que elas valem como fragmentos de novela, ficções com as quais sonhar. Muito mais difícil é apreciá-las na realidade.
Em geral, em matéria de amor, somos ousados apenas nos devaneios literários. Consequência: a história real de Marta e Luis suscita nostalgias de paixões renunciadas, levanta a inveja de quem não sabe ou não soube ousar.
4) Em 2001, ouvi dizer: “Se ela não fosse prefeita, o cara nem a cumprimentaria”. Favre seria um caçador de dote político, interessado no cargo de “príncipe consorte”. No domingo passado, um taxista comentou: “Se Marta não se reelege, o homem cai fora”.
De fato, o futuro político de Marta não depende de sua reeleição. Mas o que importa aqui é a idéia de que Favre estaria gostando da prefeita, e não da Marta.
É uma velha história: imaginamos que deveríamos ser amados por alguma essência de nosso ser. E amar “de verdade” seria gostar do outro, mesmo que ele não tivesse a profissão, o lugar social e a história que o tornaram quem ele é.
Como Favre amaria uma Marta “essencial”, que não é prefeita, não foi deputada, não foi sexóloga e não fez uma escolha política na contramão de seus privilégios de nascença? Quem seria essa pessoa? Reciprocamente, como Marta amaria um Favre “essencial”, que não seria franco-argentino e ex-trotskista?
Não somos essências, mas pacotes complexos. Amamos e somos amados com as mãos cheias das tralhas que acumulamos em nossas vidas prévias.
5) O comentário segundo o qual Favre desejaria não Marta, mas a prefeita, também subentende que Marta não seria desejável. O que é curioso: afinal, talvez Favre seja um “gato”, mas Marta é uma mulher bonita.
Claro, vale o preconceito trivial sobre sexo depois dos 50, que não é muito diferente da expectativa de que a mãe (ainda mais a avó), não podendo ser virgem, seja casta.
Mas não é só isso. A idéia de que a prefeita não seria amável como mulher está a serviço de outro preconceito, segundo o qual a feminilidade não condiz com a autoridade de quem governa.
Acontece assim que, quando Marta escolhe uma roupa, uma maquiagem ou um corte de cabelo, chega o deboche: a prefeita é uma perua.
Perua seria a mulher que só pensa em agradar ao desejo masculino. A denominação satisfaz a boa consciência machista, pois parece inspirada por um feminismo militante: olhe só, debochamos da feminilidade “alienada” das mulheres que se enfeitam.
Nota: uma parte relevante do movimento feminista (as “pro-sex feminists”) reivindica os apetrechos tradicionais da feminilidade. É um jeito de afirmar que a mulher liberada não precisa ser passiva e recatada nem vergonhosa de seu desejo ou de sua vontade de ser desejada. Ou seja, nem sempre a cinta-liga é marca de domínio.
Em suma, se Marta escolhe uma roupa sexy de Nina Ricci para seu casamento, é peruagem? Ou é possível que uma mulher seja prefeita sem deixar de ser feminina?
Enfim, a Marta Suplicy e a Luis Favre, sem ironia, desejo um casamento feliz. (Folha Sp 25/8/2003)

ccalligari@uol.com.br

17/10/2008 - 13:32h Uma carta exemplar

Luis, por motivos profissionais eu não posso fazer declarações de voto, mas estou muito enojado com essa história toda.

Sei que virou unanimidade que o momento crucial desta campanha para prefeitura de São Paulo foi o comercial do PT perguntando se o candidato do DEM era casado e se tinha filhos. A reação ao comercial gerou no inconsciente paulistano a percepção de que a campanha da Marta era homofóbica e preconceituosa. Na avaliação de dez entre dez çabios com espaço nos jornais, Marta “mostrou desespero”, “apelou para baixaria” e “jogou fora a sua biografia” para tentar “ganhar de qualquer jeito”.

Não vou entrar nessa discussão agora, mas quero chamar atenção para outro momento da campanha muito menos comentado. No dia 15 de setembro, Marta participou de encontro com pastores da Igreja Batista, representantes de 540 templos e uma comunidade de 70 mil paulistanos. Segundo o relato de O Globo, a reunião foi um constrangimento só. No auditório do colégio Batista, o grupo pediu o apoio da candidata contra o projeto de lei 122 que criminaliza a homofobia. Segundo os religiosos, a proposta, em tramitação no Congresso Nacional, os impediria de pregar contra a homossexualidade.

Marta foi categórica: “Se for para xingar homossexual, dizer que é doente, desacatar, sou contra. Com toda a minha formação de psicanalista e na área de sexualidade, não posso ser a favor. Se eu respondi, está respondido, se querem mais detalhes, tenho de ler o projeto” disse.
Perguntada sobre o mesmo assunto pela terceira vez, Marta lembrou que não é mais parlamentar: “Não sou eu que vou votar (a lei), mas minha opinião pessoal vocês têm de ter: não sou a favor disso, gente. Não sou! Tenho de deixar isso claro”.

“Nós temos de ter coerência com o que a gente é, com o que a gente vive e com a vida da gente. De mim, vocês nunca vão encontrar evasivas”, disse Marta.

Para piorar o clima, informou o jornal carioca, um dos pastores perguntou sobre “investimento em espiritualidade” nas escolas. Marta defendeu a escola laica: “O mesmo respeito que temos em relação à religião, temos de ter em relação à raça, à sexualidade, em relação às diferenças. As pessoas não são iguais. Não nascemos iguais”.

Questionada pelos repórteres se havia perdido votos ao ser tão incisiva, Marta respondeu: “As pessoas podem ver, pelo menos, que lidam com uma candidata que tem princípios, que fala o que pensa”.

Respondendo a mesma pergunta, o diretor-executivo da Convenção Batista do Estado de São Paulo, Valdo Romão, fez uma análise perfeita: “Quem já tem suas reservas quanto a ela, reafirmou essas reservas. E quem tem suas simpatias, reforçou-as”.

Pois bem: não vou aqui cobrar artigos dos çabios da imprensa sobre o episódio do Colégio Batista, mas relendo o ocorrido alguém intelectualmente honesto é capaz de acusar Marta de ser “homofóbica”, de ser “preconceituosa”, de “jogar a sua biografia em troca de votos”?

Marta Suplicy é uma defensora histórica dos direitos dos homossexuais. Ao que me recorde, foi a primeira prefeita do país a apoiar e participar da Passeata do Orgulho Gay. Provavelmente perdeu muitos votos com isso. Nunca se importou.

Mas a questão é: sinceramente, que outro político brasileiro teria a coragem de enfrentar uma platéia de eleitores em potencial e dizer exatamente o que eles NÃO querem ouvir? Que outros políticos pautam a sua carreira por princípios (certos ou não) e se mantêm neles sob custa de votos? Que outros políticos não fazem o eterno jogo de montar um discurso para cada platéia, caminhando no gelo fino da hipocrisia e do populismo? Que outro político não submete o seu discurso à vontade dos marqueteiros e dos çabios da imprensa? Quantos? Ciro Gomes e José Serra, por certo. Talvez outros três, no máximo.

É por isso que os últimos dias da campanha paulistana me dão tanto nojo. Ok, se a imprensa acha que Gilberto Kassab será um prefeito melhor, ótimo. Está jogo: façam a sua declaração de voto e todos ficamos sabendo quem é quem. Mas gastar uma semana de cobertura da principal campanha eleitoral do país discutindo os preconceitos de Marta é uma das coisas mais absurdas que já vi. Quantos políticos brasileiros sofreram tanto preconceito quanto Marta? Vou facilitar a lista e colocar três nomes: em campanhas passadas Lula era “comunista e aborteiro”; Erundina, uma “nordestina incapaz”; Gabeira, um “maconheiro veado”. Marta, bem, para não repetir tudo que já foi escrito vamos ficar com uma única declaração de Paulo Maluf no segundo turno de 2000: “A vida particular de Dona Marta não cabe numa lista telefônica”. Então, é a Dona Marta a preconceituosa?

A questão básica é nesta semana toda de discussão do PT o leitor paulista no foi privado do seu direito mais essencial: o de ser informado. Peço perdão aos marqueteiros do PT e aos çabios da imprensa, mas a questão para os próximos quatros anos de São Paulo não é a vida privada de Gilberto Kassab. Isso é bobagem. O importante é saber o futuro do Bilhete Único, a expansão dos CEUS, os investimentos para atenuar o caos na saúde, as idéias para diminuir o inferno diário dos congestionamentos. É para isso que estamos elegendo um prefeito. Um prefeito que tenha coragem de dizer que vai fazer, que tenha caráter de defender as suas idéias mesmo desagradando uma parcela de eleitorado.

São Paulo merece mais.

17/10/2008 - 12:58h Quando Serra dizia que a Xuxa era um mau exemplo, por ter uma filha e não ser casada

Favre, dê uma olhada em vídeo contendo entrevista de Serra à Globo e resposta da Xuxa a ele no Jornal Nacional quando nasceu a filha da apresentadora, Sasha. É bem elucidativo do respeito que os indignados de agora manifestaram no passado por outros, que devem bem menos explicação que um Serra ou um Kassab á sociedade porque não se sustentam com dinheiro público. Eduardo Guimarães (cidadania.com).

A apresentadora Xuxa acabara de dar a luz uma filha, sem ser casada. José Serra, na época ministro do governo FHC, entrou na vida privada da Xuxa dizendo que ela era um mau exemplo que levava adolescentes a engravidar fora do casamento. O JN mostrou o bate-boca.

15/10/2008 - 19:19h Homofobia e falsa indignação


por Idelber Avelar
Nos EUA, costuma-se distinguir entre racismo e o que chamamos race-baiting, que é usar o racismo alheio para benefício próprio, geralmente político-eleitoral. Ninguém em sã consciência diria que Bill Clinton é racista, mas parece-me inegável que ele tentou se aproveitar do racismo sulista contra Barack Obama nas primárias democratas da Carolina do Sul. Há que se conhecer o contexto americano para saber tudo o que se escondia na aparentemente inocente frase ah, não se preocupe, Jesse Jackson também ganhou as primárias da Carolina do Sul em 1984 e 1988.

A campanha de Marta Suplicy errou, e errou feio, ao introduzir as perguntas é casado? tem filhos? no final de um comercial em que fazia uma série de indagações legítimas sobre o passado político de Gilberto Kassab. Se existe algum falante de português deste lado do Atlântico que ainda não viu o anúncio, ele está aqui. Não me parece honesto negar que essas perguntas tentavam jogar com a homofobia alheia. Não me parece honesto dizer que “são perguntas como quaisquer outras”. Não me parece respeitoso com a inteligência alheia tergiversar, como o fez Jilmar Tatto (PT-SP), dizendo que “quando vou à periferia, me perguntam se sou casado, essas coisas”. A pergunta claramente tentava induzir uma reação homofóbica. A resposta do grupo LGBT de apoio à Marta, criticando o comercial, foi na veia. Acho que Marta errou uma segunda vez ao não assumir a responsabilidade pelo anúncio, colocando-o nas costas do marqueteiro. Um anúncio veiculado por uma campanha é de responsabilidade do candidato. Se viu ou não viu, se aprovou ou não aprovou, importa pouco. Ela é responsável pelo que sua campanha veicula. Reitero: condeno o comercial e condeno o fato de que Marta lavou as mãos.

Mas é no mínimo curioso ver os dois pesos e duas medidas da mídia brasileira. A Folha de São Paulo dedicou praticamente metade de seu caderno Brasil desta terça a essas duas frases no comercial de Marta. Vejamos qual é o histórico da Folha de São Paulo no respeito à vida pessoal da própria Marta Suplicy. Infelizmente, os links são restritos a assinantes.

No dia 28/10/2002, a Folha publicou coluna de Danuza Leão que dizia: Os estrangeiros usavam camisa esporte, e o único de terno e gravata era Luis Favre, com seu olhar de mormaço. No dia 18/05/2002, o Painel se preocupou em dizer: Depois de cada ato ou inauguração, a prefeita de SP, Marta Suplicy (PT), invariavelmente telefona para Luis Favre. Para relatar como foi o evento. Como se isso fosse notícia relevante. Ou como se tivesse sido notícia no caso de um político homem. O jornal não demonstrou nem meia linha de indignação no dia 10/08/2002, quando Garotinho disse: prefiro falar sobre o assunto com o franco-argentino que é de fato prefeito de São Paulo. Tampouco apareceu indignação alguma no dia 29/10/2001, quando Paulo Maluf se referiu a Favre como “gigolô”. Pelo contrário, o jornal designou a reação dos petistas contra a injúria como “discurso ensaiado”. No dia 15/02/2002, a Folha publicou coluna de Bárbara Gancia que concluía com a monstruosidade: Sabe por que ele é franco-argentino e não vice-versa? Porque não existe argentino-franco.

Não, leitores, essa baixaria xenófoba não saiu na Veja nem na Capricho. Saiu na Folha. O mais respeitado jornal brasileiro.

No dia 21/04/2001, a Folha reproduziu um texto de Cláudio Humberto – sim, aquele mesmo – que continha tantos insultos contra Marta Suplicy e Luis Favre que o Biscoito, simplesmente, se recusa a linkar. Era um anúncio pago de pura difamação, publicado pelo maior jornal brasileiro. Procurem no google. O fato é que o próprio ombudsman sugeriu um “erramos”, que jamais foi feito.

Eu poderia continuar até amanhã de manhã, linkando matérias em que a vida de Marta foi enxovalhada e ridicularizada, numa mescla perversa de sexismo e xenofobia. Que ela seja criticada pelas duas frases sobre Kassab que jogavam com a homofobia alheia. Mas quando será que os mesmos arautos da falsa indignação reconhecerão o seu telhado de vidro? Será que o jornal O Globo tem autoridade para criticar Marta por envolvimento na vida privada do adversário quando esse mesmo jornal, no dia 14/12/1989, publicou esse editorial sobre a infinitamente mais desprezível tática de Collor contra Lula no caso Miriam Cordeiro? No blog do aprendiz de pitbull da Veja, é hora de indignação contra o comercial de Marta. Talvez o blogueiro da Veja tenha se esquecido de que seu histórico de referências a gays e lésbicas é uma coleção de monstruosidades.

Comentando a repercussão do comercial em seu blog sob o título “O milagre de Dona Marta”, Noblat afirma que nunca antes na história deste país os mais destacados blogueiros haviam falado a mesma língua, defendido o mesmo ponto de vista. A lista de links fornecidos por Noblat é, salvo um, de funcionários da grande mídia. Com a exceção de Pedro Dória, não reconheço nenhum deles como “destacado blogueiro”. Suponho, caro Noblat, que há diferentes listas de “destacados blogueiros”. A minha inclui Alexandre Inagaki, Marco Aurélio Weissheimer, Fal Azevedo, Mary W. Certamente não inclui Daniel Piza ou Rosane de Oliveira. Na minha lista de “blogueiros destacados” não houve unanimidade nenhuma. O post mais inteligente, de longe, foi o da Mary W. Outra coisa que talvez valesse a pena dizer a Noblat é que o epíteto “Dona Marta” é insuportavelmente sexista.

Suponho que é consenso entre os leitores do Biscoito que a vida privada de cada um é problema de cada um. Suponho que também seja consensual que, para gays e lésbicas, sair ou não sair do armário é decisão de foro íntimo, que inclui consideração de tantos fatores que a última palavra é sempre decisão pessoal e intransferível. Mas quando há suspeitas de que um prefeito cria uma secretaria de desburocratização para abrigar seu suposto companheiro, a pergunta sobre o nepotismo e a transparência é, sim, de interesse público. A campanha de Marta não soube levantá-la. Espero que a indignação moral contra Marta leve a nossa mídia a um pouco de reflexão sobre o seu próprio telhado de vidro.

Fonte: O Biscoito Fino e a Massa

14/10/2008 - 23:14h Site de Kassab reproduz ofensas pessoais contra Marta e sua família


NOTA

 

 

A Coligação Uma Nova Atitude por São Paulo representou na Justiça Eleitoral contra Gilberto Kassab e a Coligação São Paulo no Rumo Certo devido a ofensas pessoais contra Marta Suplicy no site oficial do candidato.

 

Os ataques contra a candidata petista e seus familiares deixam claro o jogo de duas caras que tem marcado a campanha de Gilberto Kassab. Ao mesmo tempo em aparece como vítima de um questionamento político sobre sua trajetória, patrocina baixarias em seu site oficial, estimulando o mais sórdido preconceito contra Marta. Tenhamos claro: o verdadeiro Kassab se revela quando pressionado pelos fatos e pelo debate, agindo como foi treinado por seus antigos chefes, Maluf e Pitta.

 

A Coligação Uma Nova Atitude por São Paulo pede à Justiça Eleitoral a determinação de imediata retirada do conteúdo calunioso contra Marta a e apuração de crime eleitoral cometido contra a candidata.

 

 

Carlos Zarattini

Coordenador-geral

13/10/2008 - 17:54h Nota à imprensa

A campanha de Marta repudia veementemente as insinuações que alguns veículos têm feito a respeito do comercial levado ao ar no domingo (13/10). A equipe de marketing, ao perguntar sobre o estado civil do candidato Gilberto Kassab, em meio a uma série de outros questionamentos, apenas defendeu o legítimo direito do eleitor conhecer, em todos os aspectos possíveis, a história de quem se apresenta para governar a maior cidade do país.

O candidato Gilberto Kassab dedica-se, em sua campanha, a esconder sua trajetória e companhias, seus compromissos e lealdades, vendendo gato por lebre ao eleitor. Esconde sua condição de filhote do malufismo, de braço direito do ex-prefeito Celso Pitta, de integrante do partido mais conservador do país. Esforça-se para iludir os paulistanos com promessas falsas jogando para debaixo do tapete seus próprios atos como governante. Esses são os fatos que a candidata Marta desmascarou no último debate. Esses são os objetivos fundamentais que motivaram a peça publicitária ontem veiculada.

As insinuações absurdas e cínicas sobre invasão de privacidade do outro candidato são inaceitáveis. Basta lembrarmos da história de Marta, protagonista das principais lutas em defesa dos direitos da mulher e das liberdades individuais. Mais ainda: ela foi vítima constante do preconceito e da intriga, patrocinados ironicamente pelos mesmos setores que hoje apóiam Kassab.

Não haverá manobra ou invencionice que nos impeça de continuar comparando projetos e trajetórias, desmascarando os truques de marketing que tentam impedir o povo paulistano de conhecer o verdadeiro Gilberto Kassab. Esse é, repetimos um direito inalienável dos eleitores.

Carlos Zarattini
Coordenador-geral

13/10/2008 - 08:41h Vale a pena ler de novo (III)

04/10/2008 – 19:35h Aviso aos navegantes

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A Folha de domingo, com o pretexto de analisar os resultados das pesquisas em relação ao voto da classe média oferece como explicação a fala de dois “cientistas políticos” que atribuem essa dificuldade à “duas percepções: administrativa, por conta da criação de taxas, e moral” por conta da separação da Marta e seu casamento comigo. Além, é claro, do “relaxa e goza”. A segunda “cientista” concorda e acrescenta que as vindas de Lula “não superam o estigma”.

A intenção da Folha é reprisar a vida privada, como instrumento de combate político contra Marta. A Folha simplesmente se esconde por trás da opinião que interessa a ela, Folha, reproduzir. A Folha só trata da vida privada de Marta.

Aqui, neste blog, tenho censurado qualquer ataque ou referência à vida privada de qualquer candidato. À suas relações afetivas, privadas e que não dizem respeito a ação pública. Aqui continuará sendo assim.

Mas a Folha abre a porta ao desencadeamento das piores manifestações de intolerância e de preconceito.

Luis Favre

13/10/2008 - 08:36h Vale a pena ler de novo (II)

10/10/2008 – 15:37h Instrumento de desinformação

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A cobertura da campanha de Marta, no jornal O Estado de São Paulo de hoje, ilustra muito bem o que tenho escrito no post anterior sobre o debate que importa.

Ontem 11 ministros e uma sala cheia acompanharam o lançamento feito por Marta de uma carta-compromisso com São Paulo. A ministra Dilma Rousseff; o ministro da Justiça, Tarso Genro; o ministro da Educação, Fernando Haddad; o ministro do Trabalho, do Turismo, da Presidência, todos expondo o porque do engajamento em favor da Marta.

O jornal decidiu ocultar de fato este ato, diminuir sua importância e tentar contribuir assim a desinformar os leitores sobre a campanha de Marta. Para isto o jornal utiliza os artigos da Vera Rosa dedicados a semear intrigas e ocupa o espaço “nobre” da página para tratar do marido da Marta.

O jornal dedica menos espaço, sem fotos, ao encontro de 11 ministros do governo, às propostas apresentadas por Marta no Compromisso com São Paulo, jogado ao pé da página, que a minha presença junto com minha esposa na sinagoga.

Para justificar os objetivos políticos evidentes nessa escolha do jornal, a manchete do artigo com foto de 1/4 de página proclama uma mentira: Favre reaparece ao lado da ex-prefeita.

Vou repetir, a manchete é uma mentira. Estive presente, por exemplo, em todos os debates que foram organizados pelas emissoras durante o primeiro turno. Estive em todos os comícios nos quais o presidente Lula participou da campanha. Estive na convenção do lançamento da candidatura e também em todos os seminários organizados pela Marta antes do horário eleitoral na TV. Em todos estes eventos fui fotografado e conversei com inúmeros jornalistas. Como foi o caso, por exemplo, no lançamento do livro da Marta, recentemente. Não acompanhei minha esposa na votação porque fiquei em casa com os netinhos, enquanto Marta e seus filhos iam votar.

Acontece que, diferentemente das eleições de 1989, 1994, 1998, 2000, 2002, 2004 e 2006, nestas eleições não estou participando da campanha porque escolhi dedicar meu tempo a animar este blog e contribuir assim ao debate de idéias e a compartilhar as informações e minhas leituras neste espaço.

A primeira mentira, a manchete, serve para “justificar”, volto a repetir, a decisão de evitar que a questão da força da participação dos ministros e das questões levantadas nos seus discursos, assim como o conteúdo do Compromisso da Marta com São Paulo sejam objeto de atenção, destaque e possam alimentar alguma reflexão nos leitores do jornal. Trata-se de sonegar informação de maneira deliberada para, ao mesmo tempo, procurar explorar os preconceitos e a vida privada da Marta.

O resto do artigo nauseabundo da Vera Rosa envereda para minha nacionalidade, onde o “argentino” e oposto a “homem bom”; não por ela claro mas por supostas pesquisas, que supostos anônimos, comunicaram a ela. A xenofobia e o preconceito propalado com o pretexto de tratar da “rejeição”, com o objetivo, volto a repetir de ocultar o ato de ontem, assim como o conteúdo do manifesto lançado por Marta.

Alguns dos leitores deste blog se perguntam como se contrapor a esta campanha contra Marta e em favor da direita?

Penso, em primeiro lugar, que a resposta é: falando do ato de ontem e distribuindo o Compromisso com o povo de São Paulo entre seus amigos e conhecidos.

Em segundo lugar, recusando a tentação de “fazer igual”, falando da vida privada dos outros. Abaixar-se ao nível do esgoto, sob pretexto de combater uma ignomínia, é se arriscar a ficar como os outros, que no lodaçal se esfregam todo dia.

Luis Favre

13/10/2008 - 08:33h Vale a pena ler de novo (I)

05/10/2008 – 12:17h Trajetórias

 

capa_folha_primeiroturno.jpghttp://img.radio.cz/pictures/networkeurope/070824-diana-tabloid.jpg
Folha e “imprensa marrom”: trajetórias convergentes

 

A Folha de hoje, dia da eleição, traz a “trajetória” dos candidatos à prefeitura de São Paulo. A dupla página contém iconografia ilustrando o resumo da trajetória dos mesmos.

A Folha inicia a ilustração da trajetória da Marta com uma foto de seu primeiro casamento com Eduardo Suplicy e conclui com uma foto de nosso casamento, em 2003.

Tanto Kassab, como Alckmin, comportam inicialmente fotos quando crianças e concluem, a de Kassab junto com Serra após ganhar a prefeitura em 2004, e a de Alckmin no velório de Mário Covas.

Vale uma pergunta: Trata-se só de uma manifestação de sexismo, considerar que a trajetória de uma mulher começa e conclui no seu casamento?

Não só. Marta ficou conhecida como feminista, defensora dos direitos das mulheres e da igualdade. Ícone dos precursores da libertação das mulheres da hipocrisia “moral”, foi e é defensora dos direitos das minorías. Deputada federal, autora da lei que garante 30% de vagas para as mulheres nas candidaturas nas listas eleitorais; foi candidata a governadora, prefeita da maior cidade de América Latina e Ministra de Turismo. Hoje é candidata e líder em todas as pesquisas eleitorais.

Na legenda que ilustra a foto de nosso casamento, a Folha escreve: “Casa-se com Luis Favre, tendo Lula e Marisa Letícia como padrinhos. Em seu livro, Marta relata o que disse para a mãe em 2001: ‘Estou apaixonada e pensando em me separar’. Seu casamento de 36 anos com Suplicy terminara em 2002.”

O texto comporta um “erro”. “Erro” escolhido para alimentar a cloaca que a Folha incentiva contra Marta. A conversa de Marta com sua mãe precedeu de poucos dias o anuncio público do fim do casamento com Eduardo, publicado na Folha no final de abril de 2001.

Tem uma diferença entre a Folha e a chamada “imprensa marrom”, como por exemplo os tablóides ingleses. A “imprensa marrom” inglesa não insinua, mas proclama abertamente a sua utilização caricatural e escandalosa da vida privada das personalidades públicas. Ela é independente e age inescupulosamente, incitando as piores baixezas escondidas na alma da “massa”, sem partidarismos. Ela é nojenta contra todos, sem discriminação.

A Folha ganharia se incorporasse também esse lado da imprensa marrom. A Folha ficaria mais isenta.

Luis Favre

05/10/2008 - 12:17h Trajetórias

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Folha e “imprensa marrom”: trajetórias convergentes

 

A Folha de hoje, dia da eleição, traz a “trajetória” dos candidatos à prefeitura de São Paulo. A dupla página contém iconografia ilustrando o resumo da trajetória dos mesmos.

A Folha inicia a ilustração da trajetória da Marta com uma foto de seu primeiro casamento com Eduardo Suplicy e conclui com uma foto de nosso casamento, em 2003.

Tanto Kassab, como Alckmin, comportam inicialmente fotos quando crianças e concluem, a de Kassab junto com Serra após ganhar a prefeitura em 2004, e a de Alckmin no velório de Mário Covas.

Vale uma pergunta: Trata-se só de uma manifestação de sexismo, considerar que a trajetória de uma mulher começa e conclui no seu casamento?

Não só. Marta ficou conhecida como feminista, defensora dos direitos das mulheres e da igualdade. Ícone dos precursores da libertação das mulheres da hipocrisia “moral”, foi e é defensora dos direitos das minorías. Deputada federal, autora da lei que garante 30% de vagas para as mulheres nas candidaturas nas listas eleitorais; foi candidata a governadora, prefeita da maior cidade de América Latina e Ministra de Turismo. Hoje é candidata e líder em todas as pesquisas eleitorais.

Na legenda que ilustra a foto de nosso casamento, a Folha escreve: “Casa-se com Luis Favre, tendo Lula e Marisa Letícia como padrinhos. Em seu livro, Marta relata o que disse para a mãe em 2001: ‘Estou apaixonada e pensando em me separar’. Seu casamento de 36 anos com Suplicy terminara em 2002.”

O texto comporta um “erro”. “Erro” escolhido para alimentar a cloaca que a Folha incentiva contra Marta. A conversa de Marta com sua mãe precedeu de poucos dias o anuncio público do fim do casamento com Eduardo, publicado na Folha no final de abril de 2001.

Tem uma diferença entre a Folha e a chamada “imprensa marrom”, como por exemplo os tablóides ingleses. A “imprensa marrom” inglesa não insinua, mas proclama abertamente a sua utilização caricatural e escandalosa da vida privada das personalidades públicas. Ela é independente e age inescupulosamente, incitando as piores baixezas escondidas na alma da “massa”, sem partidarismos. Ela é nojenta contra todos, sem discriminação.

A Folha ganharia se incorporasse também esse lado da imprensa marrom. A Folha ficaria mais isenta.

Luis Favre

04/10/2008 - 19:35h Aviso aos navegantes

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A Folha de domingo, com o pretexto de analisar os resultados das pesquisas em relação ao voto da classe média oferece como explicação a fala de dois “cientistas políticos” que atribuem essa dificuldade à “duas percepções: administrativa, por conta da criação de taxas, e moral” por conta da separação da Marta e seu casamento comigo. Além, é claro, do “relaxa e goza”. A segunda “cientista” concorda e acrescenta que as vindas de Lula “não superam o estigma”.

A intenção da Folha é reprisar a vida privada, como instrumento de combate político contra Marta. A Folha simplesmente se esconde por trás da opinião que interessa a ela, Folha, reproduzir. A Folha só trata da vida privada de Marta.

Aqui, neste blog, tenho censurado qualquer ataque ou referência à vida privada de qualquer candidato. À suas relações afetivas, privadas e que não dizem respeito a ação pública. Aqui continuará sendo assim.

Mas a Folha abre a porta ao desencadeamento das piores manifestações de intolerância e de preconceito.

Luis Favre

01/05/2008 - 13:49h L’infidélité, obsession américaine, par Pascal Bruckner

http://www.theantiblogger.com/wp-content/photos/amanda_american_flag_girl.jpg

Pascal Bruckner – Le Monde

Quand le nouveau gouverneur démocrate de New York, David Patterson, un aveugle, succéda, il y a quelques semaines, à Eliot Spitzer, ex-incorruptible coupable d’avoir fréquenté des call-girls, que fit-il en premier ? Il convoqua les médias et avoua avoir trompé sa femme plusieurs fois avec des collègues de bureau.
Son épouse, à son tour, reconnut quelques incartades et jura que son mari et elle avaient surmonté ces épreuves. Stupeur du citoyen européen qui a encore en mémoire l’effarante affaire Lewinsky : au lieu d’afficher son programme politique, voilà un officiel qui fait repentance de peur que ses écarts ne soient un jour révélés en public. Bref, la première puissance mondiale, qui est en train de perdre la guerre en Irak et en Afghanistan, qui a réhabilité la torture et porté à sa tête deux fois de suite l’un des chefs d’Etat les plus incompétents de cette période, s’enflamme pour de misérables histoires de coucherie !
Que se passe-t-il pour que la presse entière, des journaux de caniveau jusqu’au très sérieux New York Times, s’empare de ce sujet privé et glose dessus à l’infini ? Souvenons-nous des déconvenues de l’ex-gouverneur démocrate Eliot Spitzer : pourfendeur de la corruption financière, champion de la lutte contre la prostitution, il fréquentait lui-même une ravissante brunette de 22 ans, Ashley Youmans, alias Kristen, dont il payait les services entre 1 000 et 5 000 dollars, en puisant, paraît-il, sur ses fonds de campagne électorale.
Là encore, rien que de très normal pour un vieil Européen rompu aux aléas de la nature humaine : tel le capitaine Haddock, présidant ivre mort une réunion contre l’alcoolisme, les pères la pudeur, aux Etats-Unis, ennemis du vice, du féminisme et de la liberté de moeurs, finissent invariablement entre les bras de prostituées, les narines bourrées de cocaïne, pris la main dans le sac. Tout moraliste finit par basculer un jour dans l’abîme qu’il dénonce : l’Eglise catholique elle-même, qui prône la chasteté et voue les homosexuels aux gémonies, ne couvre-t-elle pas de par le monde les agissements de milliers de prêtres pédophiles qui violent et abusent des enfants ?
Première leçon de la vieille Europe : se méfier a priori de tout discours vertueux. Eros se venge de ses censeurs et adresse un formidable pied de nez au puritanisme ambiant. Que penser encore de ces associations américaines de thérapie familiale, expliquant que “les réactions d’une épouse trahie ressemblent aux symptômes du stress post-traumatique des victimes d’événements traumatisants”, tels le 11 septembre 2001 ? Que dire de ces séminaires pour époux infidèles que l’on rééduque à la manière des dissidents de l’ex-empire soviétique ?
Pour un Européen, confondre un écart amoureux avec une catastrophe collective est une comparaison scandaleuse. On ne saurait que trop engager les Américains à prendre dans le Vieux Monde des leçons de civilisation : de ce côté-ci de l’Atlantique, comme en témoignent le cinéma, la littérature, le théâtre, tout le monde trompe et est trompé, et l’on survit très bien à l’inconstance de son conjoint. La vraie fidélité est autrement plus exigeante qu’une stricte abstinence physique, et si l’amour est fort, il surmontera ces épisodes.
Mieux encore : l’adultère, chez nous, est presque devenu un objet de vénération, la protestation de la créature opprimée contre la convention matrimoniale – de l’utopiste Charles Fourier, établissant, au début du XIXe siècle, une “Hiérarchie du cocuage” drolatique qui ridiculise tous les “cornus”, à Labiche, Feydeau, Guitry, qui font rire avec les malheurs des époux bafoués, les infractions au contrat de mariage constituent autant d’occasions de réjouissance.
Plus modernes encore, Sartre et Simone de Beauvoir n’avaient-ils pas distingué amours contingentes et amours nécessaires pour s’autoriser des aventures avec d’autres partenaires qu’ils s’échangeaient à l’occasion ? Sur le plan des moeurs, l’Europe est infiniment plus sage que le Nouveau Monde et sa hideuse obsession de la transparence. Même dans un mariage d’amour, la monogamie stricte est un idéal inhumain, et mieux vaut composer avec les faiblesses humaines que les contenir à tout prix, au prix de drames inutiles.
Bertrand Russell, en 1929, dans son essai sur Le Mariage et la Morale, préconisait une solution à la française : une grande tolérance vis-à-vis des passades adultères, pour l’homme comme pour la femme, pourvu qu’elles n’interférent en rien dans la vie du couple et ne gênent pas l’éducation des enfants. Bref, la quiétude conjugale s’accommode de petits arrangements entre conjoints qui sont la marque d’une société raffinée.
A y regarder de plus près, pourtant, l’épisode Spitzer-Kristen délivre d’autres enseignements. Que sanctionne-t-on chez l’ex-gouverneur de New York ? L’hypocrisie d’un homme qui jurait ses grands dieux de terrasser le trafic d’êtres humains et fréquentait The Emperor Club, réseau de prostituées de luxe dirigé par un proxénète notoire. C’est donc Tartuffe qui tombe, mais c’est la call-girl qui accède à une notoriété surprenante : la voilà soudain propulsée au sommet de la gloire, inondée d’offres de films, de photos de charme, de publicités pour produits de beauté, lingerie fine. Deux chansons qu’elle enregistre et vend sur un site musical lui rapportent 200 000 dollars en quelques jours.
Est-elle puritaine, la société qui punit le prêcheur et récompense la pécheresse, en fait une star instantanée, qui place le vice chez le représentant de l’ordre moral et la candeur chez une “pretty woman” du New Jersey ? On peut se demander si l’obsession de l’infidélité outre-Atlantique ne vient pas du caractère artificiel du contrat social américain, ce pacte inauguré en 1787 entre hommes de toutes conditions, races, origines, religions. Le mariage librement consenti et assorti du divorce possible est alors le miroir, le microcosme de ce serment fondateur de la nation.
Si l’on scrute les transgressions avec une telle minutie, c’est pour mieux vérifier la norme : se montrer déloyal dans l’amour conjugal, n’est-ce pas remettre en question cette alliance originelle qui soude tous les Américains ? Si la petite patrie qu’est la famille vacille sous les caprices des conjoints, qu’en sera-t-il de la grande, en cas de danger ? Là où l’Europe, composée de nations anciennes riches de leurs traditions, fait preuve d’une certaine désinvolture, les Etats-Unis manifestent rigidité et intransigeance : quand le plus fondamental de tous les liens, celui du couple, est mis à mal, c’est l’avenir même du pays qui peut basculer. Création récente, l’Amérique exorcise, à travers les infractions conjugales de ses responsables, sa propre fragilité. L’enjeu n’est que superficiellement moral : il est d’abord politique.
________________________________________
Pascal Bruckner. Ecrivain

20/10/2007 - 15:44h Cécilia & Nicolas Sarkozy ? C’est privé !

Le Post

Vous êtes une belle bande d’hypocrites !

Nicolas et cécilia: de l'histoire ancienne?|AP/REMY DE LA MAUVINIERE

Nicolas et cécilia: de l’histoire ancienne?

AP/REMY DE LA MAUVINIERE

Et même de menteurs !

Tous !

Voilà un sondage de l’Ifop, qui va paraître dans le JDD, et qui est déjà en ligne :

Le jugement à l’égard de la séparation du couple Cécilia et Nicolas Sarkozy

Après l’annonce de la séparation de la séparation entre Cécilia et Nicolas Sarkozy, diriez-vous que…?

C’est une affaire privée qui ne regarde que le couple présidentiel
- ensemble 89%
- sympathisants de gauche 85%
- sympathisants de droite 92%

C’est une affaire publique, la vie privée du président concerne aussi les Français
- ensemble 11%
- sympathisants de gauche 14%
- sympathisants de droite 8%

Ne se prononcent pas
- ensemble -
- sympathisants de gauche 1%
- sympathisants de droite -

Voilà.

Vous êtes donc (”nous” serions donc) près de 90% à considérer que “ça ne nous regarde pas”.

Bien…

Mais il y a un petit problème.

Dans, le même temps, tous les patrons de journaux vous expliquent en off qu’une “cover” avec Cécilia Sarkozy est parmi les plus vendeuses.

Cette semaine, en ce qui concerne les hebdos, ce fut le choix de Closer, Voici, L’Express, l’Obs, Marianne, Match, Point de Vue et donc Elle et aussi le Fig-Mag (au Point la “une” était prête mais ils se sont contentés d’un bandeau).

Sans parler de Libé qui, le jour de la grève, a fait de même, en dépit des grandes leçons de morale administrées la semaine précédente par Joe Frein…

Par ailleurs, sur le net, le référencement et le décompte des lectures montrent, et de manière évidente, que les articles consacrés à la séparation du couple Sarkozy et ceux concernant les deux entretiens de l’ex-première dame, à l’Est Républicain et à Elle, ont été – et de très loin – les plus lus des derniers jours !

Donc…

Je récapitule.

Ce divorce présidentiel est un sujet strictement privé…

Mais tout le monde (ou presque) lit absolument tout ce qui le concerne et ce via tous les supports possibles !

Sacrés Français va…

Allez, je vous laisse.

Je me doute que vous êtes déjà tous impatients d’aller regarder un peu de danses traditionnelles Malgaches sur Arte…

23/09/2007 - 13:56h Todos estaremos nus na internet

Estrela de ‘High School Musical’ clicou-se para o namorado e foi parar na rede. A tecnologia pôs fim à privacidade

Pedro Doria

O Estado de São Paulo

Na fotografia, Vanessa Hudgens está nua. De pé, seus longos cabelos negros para trás, ela sorri. Não é a melhor das fotos: um quê desfocada, pouco iluminada, o cenário é um quarto bagunçado. Ela tem 18 anos, fará 19 em dezembro. É a estrela de High School Musical, o telefilme que se tornou o maior sucesso recente dos Estúdios Disney. O álbum com a trilha sonora foi o disco mais vendido de 2006. High School Musical 2 estreou em agosto. Uma versão para o cinema está para ser lançada.

Mas agora a atriz favorita das pré-adolescentes está nua na internet. A foto amadora, tirada para o namorado com uma câmera digital, vazou ninguém sabe explicar bem como.

“Gostaria de me desculpar perante meus fãs, cujo apoio e confiança significam tudo para mim”, declarou Vanessa numa mensagem por escrito. “Estou envergonhada por conta dessa situação e me arrependo de ter tirado essas fotos.” Em 2004, quando um dos seios da cantora Janet Jackson apareceu disfarçadamente e de longe durante um concerto transmitido ao vivo, ela foi obrigada a pedir desculpas públicas inúmeras vezes enquanto ia perdendo patrocinadores e contratos para shows e participações em séries de TV.

Vanessa se desculpou uma única vez e, quando ficou claro que nenhuma onda de críticas viria, a Disney aceitou suas desculpas, encerrando o caso.

“A internet nos deixou mais confortáveis com a nudez”, diz o professor Paul Levinson, chefe do departamento de comunicação da universidade jesuíta Fordham, de Nova York. Para ele, a ampla disponibilidade de câmeras digitais e acesso de banda larga à rede produzirá cada vez mais imagens de pessoas nuas, sejam famosas ou não, que terminarão acidentalmente online. Ficarão tão comuns nos próximos anos que deixarão de chocar por completo. “Nossos cérebros são programados para querer ver pessoas do sexo oposto nuas”, ele sugere. “Considero quem reclama da nudez dos outros um grupo de fanáticos e vejo, pelos meus alunos, pelos meus filhos, que as gerações mais jovens tendem a concordar comigo.”

Se, dessa vez, não despertaram a ira de colunistas conservadores que cobram das estrelas bons exemplos, certamente as fotografias fizeram sucesso na rede. O nome de Vanessa deve terminar setembro como o mais buscado no Google durante o mês. Desde que aquela única imagem veio à tona, foram divulgadas também outras da série, nas quais aparece parcialmente vestida. E os sites especializados em fofocas estão numa caça desenfreada por mais imagens.

A Disney é considerada um dos estúdios de cinema mais pudicos e não à toa: como lida diretamente com crianças e adolescentes mais jovens, está sob a constante vigilância da imprensa conservadora americana. Se, para o estúdio, o episódio é tenso, a história das fotos que vazaram para a rede de Vanessa Hudgens não é única – trata-se apenas do episódio mais recente.

Há algumas semanas, caíram na internet fotos tiradas por um paparazzo da atriz britânica Sienna Miller numa praia européia. Fotos pessoais que vazaram ou que foram pescadas por fotógrafos em praias ou casas com muros altos, nos últimos anos, capturaram Uma Thurman, Gwyneth Paltrow, Alyssa Milano e a cantora francesa Vanessa Paradis. Não são novidade – até Jacqueline Kennedy Onassis foi flagrada nua por um fotógrafo indiscreto, nos anos 1970. A diferença é a internet, que amplia a distribuição das imagens e contribui para que seja impossível apagá-las.

No início do mês, aconteceu com a atriz brasileira Nathália Rodrigues, da TV Record. “Deixa o fotógrafo ser feliz com o dinheiro que ele ganhou”, sugeriu Nathália a um dos sites de fofocas da rede. E deu de ombros. Ela estava na Praia do Abricó, dedicada ao nudismo, no Rio.

“A cultura da internet vai se desenvolver de uma forma que é difícil prever”, diz cautelosa a professora Ruth Barcan, antropóloga da Universidade de Sydney, na Austrália. Ela, que escreveu Nudity, a Cultural Anatomy – Nudez, uma anatomia cultural – não vê a situação como Levinson. Se é verdade que a rede tornou a disponibilidade da nudez mais ampla e usual, não quer dizer que ela tenha se tornado mais aceitável.

Para ela, não é a internet mas sim a própria cultura que vem, nas últimas décadas, ampliando a representação da nudez. Isso não se traduz em maior aceitação do corpo. “Hábitos sexuais são mais tolerados, imagens de nudez mais comuns”, ela diz, “mas a cultura também nega o corpo, ao afirmar que ele só é aceitável após passar por transformações, como o uso do desodorante, cirurgias plásticas ou tintura de cabelo.”

High School Musical é a adaptação para uma escola secundária de Romeu e Julieta. Vanessa faz a boa aluna de física que se apaixona pelo astro do time de futebol americano – e, como cabe às velhas narrativas de Hollywood, seu namorado na vida real é o ator Zac Efron, com quem contracena. Perante o comportado romance adolescente – que até parece nascido duma campanha de marketing -, as fotos pessoais destoam.

“Não podemos nos esquecer que a internet é muito diversa”, diz a professora Barcan. “Então o tipo de nudez nela varia muito, da arte mais sofisticada à pornografia mais grosseira.” No amplo inventário da nudez online, cada vez mais é comum aquilo que Vanessa fez: a jovem moça que posa para seu namorado. É comum a toda sua geração, que cresceu online, habituada a tecnologia. E é um hábito universal.

O New York Times já registrou jovens casais de países repressores, como o Irã, que mal podem se ver pessoalmente, mas se expõem um para o outro em conversas filmadas por webcams, isolados cada um em seu respectivo quarto. No Brasil, há sites especializados em “fotos de namoradas”, de universitárias, que vêm à tona num ritmo semanal.

Nesse sentido, as fotos que Vanessa tirou um dia, protegida em seu quarto, para enviar ao namorado por e-mail, a tornam uma legítima representante de sua geração. “Todo mundo terá a sua foto nu”, diz Farhad Manjoo, comentarista da revista eletrônica Salon. “E essa foto vai parar na web. Com o tempo, reconheceremos tais imagens como nada mais do que a prova de uma vida vivida ao máximo.”

Talvez. Autor de The Transparent Society – A sociedade transparente -, o futurista David Brin vê diferentemente. A tecnologia, diz ele, eliminou qualquer possibilidade de haver privacidade. Só isso. Teremos que nos habituar.