20/10/2009 - 22:00h Boa noite
O Cisne, movimento do Carnaval dos animais de Camille Saint-Saëns. Apresentação de Roger Moore. Mischa Maisky, no filme de Jasmina Hajdany.
- Luis Favre
O Cisne, movimento do Carnaval dos animais de Camille Saint-Saëns. Apresentação de Roger Moore. Mischa Maisky, no filme de Jasmina Hajdany.
Mill 3D de 2003. Música de Dimitri Shostakovich – A Segunda Valsa
Te amo – Pablo Neruda
te amo de uma maneira inexplicável,
de uma forma inconfessável,
de um modo contraditório.
Te amo, com meus estados de ânimo que são muitos
e mudar de humor continuadamente
pelo que você já sabe
o tempo,
a vida,
a morte.
Te amo, com o mundo que não entendo
com as pessoas que não compreendem
com a ambivalência de minha alma
com a incoerência dos meus atos
com a fatalidade do destino
com a conspiração do desejo
com a ambigüidade dos fatos
ainda quando digo que não te amo, te amo
até quando te engano, não te engano
no fundo levo a cabo um plano
para amar-te melhor
Te amo , sem refletir, inconscientemente
irresponsavelmente, espontaneamente
involuntariamente, por instinto
por impulso, irracionalmente
de fato não tenho argumentos lógicos
nem sequer improvisados
para fundamentar este amor que sinto por ti
que surgiu misteriosamente do nada
que não resolveu magicamente nada
e que milagrosamente, pouco a pouco, com pouco e nada,
melhorou o pior de mim.
Te amo
Te amo com um corpo que não pensa
com um coração que não raciocina
com uma cabeça que não coordena.
Te amo incompreensivelmente
sem perguntar-me porque te amo
sem importar-me porque te amo
sem questionar-me porque te amo
Te amo
simplesmente porque te amo
eu mesmo não sei porque te amo…
Antes de amarte, amor, nada era mio – Pablo Neruda
Antes de amar-te, amor, nada era meu
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se despediam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado e decaído,
Tudo era inalienavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.
Tengo miedo – Pablo Neruda
Tengo miedo. La tarde es gris y la tristeza
del cielo se abre como una boca de muerto.
Tiene mi corazón un llanto de princesa
olvidada en el fondo de un palacio desierto.
Tengo miedo -Y me siento tan cansado y pequeño
que reflojo la tarde sin meditar en ella.
(En mi cabeza enferma no ha de caber un sueño
así como en el cielo no ha cabido una estrella.)
Sin embargo en mis ojos una pregunta existe
y hay un grito en mi boca que mi boca no grita.
¡No hay oído en la tierra que oiga mi queja triste
abandonada en medio de la tierra infinita!
Se muere el universo de una calma agonía
sin la fiesta del Sol o el crepúsculo verde.
Agoniza Saturno como una pena mía,
la Tierra es una fruta negra que el cielo muerde.
Y por la vastedad del vacío van ciegas
las nubes de la tarde, como barcas perdidas
que escondieran estrellas rotas en sus bodegas.
Y la muerte del mundo cae sobre mi vida.

Cartaz do documentário “War Photographer”, sobre o trabalho do fotojornalista James Nachtwey.
Em 2001 foi lançado o documentário “War Photographer”, sobre o trabalho do fotógrafo James Nachtwey. O diretor Christian Frei utilizou micro-câmeras especiais acopladas à câmera fotográfica dele, proporcionando ao público a oportunidade de acompanhar o fotojornalista em ação. O documentário foi filmado em dois anos durante os conflitos de Kosovo, Palestina e Indonésia. Norte-americano nascido em Syracuse e criado em Massachusetts, formou-se na Dartmouth College, onde estudou História da Arte e Ciências Políticas (1966-70). James Nachtwey começou a trabalhar em 1976, como fotógrafo de jornais no Novo México e em 1980, mudou-se para Nova Iorque para dar início a uma carreira como fotógrafo free-lance para revistas. No seu primeiro trabalho como fotógrafo internacional fez a cobertura do movimento civil na Irlanda do Norte em 1981 durante a greve de fome do IRA (Exército Republicano Irlandês). Desde então, James Nachtwey tem se dedicado a documentar guerras, conflitos e situações sociais precárias. James Nachtwey é considerado por muitos o mais corajoso fotojornalista da atualidade e também o mais ocupado dos fotógrafos profissionais do mundo. Em 2003, atuava como correspondente da revista Time em Bagdá e foi ferido por uma granada quando acompanhava uma patrulha dos Estados Unidos. Ficou internado inconsciente por alguns dias. Além disso, é tido como um homem tímido, empenhado na profissão e que gosta de mergulhar em pensamentos filosóficos, vem usando a fotografia ao longo de sua experiência como uma arma pacífica para documentar desigualdade e conflitos sociais. Leia mais sobre James Nachtwey Aqui
Assista aqui ao trailer do filme
Quarteto Kronos. De Clint Mansell “Lux Aeterna”, música do filme “Requiem for a Dream”. Video de Cezar Paul-Badescu
Gerado por Samantha Abreu. Fonte Blog Versos de falópio
Festival de Gramado: ‘ressaca’ que dilata os olhos
Prêmio especial do júri e melhor filme do júri de estudantes de cinema

O Globo Online
Do último e mais fraco dia de competição de curtas-metragens do 37º Festival de Gramado só uma produção fez justiça à telona do Palácio dos Festivais: o filme carioca “Olhos de Ressaca”, de Petra Costa. Apoiado na fotografia de Eryk Rocha, o curta de Petra cumpriu a cota de poesia exigida minimamente por cada dia de concurso dos pequenos filmes selecionados para o evento gaúcho. Petra registra, a partir de um fluxo de memória, a história de amor do casal Vera e Gabriel, juntos há seis décadas. A diretora mescla relatos pessoais à percepções sobre o amor, a solidão e as alegrias compartilhadas a dois.
“Olhos de Ressaca” monta um mosaico delicado sobre as possibilidades de se combinar subjetividades variadas sem as castrações convencionais da instituição que o matrimônio representa. O curta é um caminho interessante para se pensar o tipo de cinema de jorro poético que os irmãos Eryk e Ava Rocha (ela é responsável pela montagem), filhos de Gláuber, têm ajudado a construir. Os dois emprestam a assinatura estética ao projeto de reflexão sobre memória e tempo (ou de memória como tempo) realizado com primor por Petra.
Trailer
MOSTRA SP
Dia 21/08 – 16H00 – Cineclube Grajaú
Dia 23/08 – 19H00 – Cinemateca – Sala BNDES
Dia 26/08 – 16H00 – Centro Cultural São Paulo
Dia 27/08 – 19H00 – CineSESC
“Os fundos negros, deliberadamente produzidos no exterior da figuração, já são comuns nas imagens de retrato do naturalismo fotográfico. Há uma famosa imagem de Alvin Langdon Coburn, de 1906, retratando o polémico escritor Henry James, tão nu como a estátua de “O Pensador” de Rodin que imita e tão rodeado do negro que muito lhe convém.
Mas é no modernismo já moderado de Edward Weston ou Imogen Cunningham que pensamos quando queremos encontrar os antecedentes desta interesseira forma de destacar a figuração.
Os efeitos técnicos da lâmpada de magnésio definem, no fotojornalismo, a noite americana e acrescentam-lhe aquela característica barroca da focagem da cena no interior de um espaço iluminado; este dramatismo, não sendo novo, terá enorme êxito na imagem de imprensa e ajuda-nos a entender o espaço intervalar da cultura entre as duas guerras, que anuncia a banalidade do mundo. O que é comum a todas estas aproximações de uma forma de destacar é a pretendida coincidência entre o exterior e o modo como se organiza e mantém a imagem na nossa vida interior, na nossa evocação.
Por isso falo em cenário barroco. Nesta imagem de Rosa Reis, de esvaimento do corpo, apenas vemos a esforçada expressão do músico e a clarividência minuciosa do instrumento musical, que se impõem pela exuberância de uma luz quase errática. Rosa Reis – que conjuga de forma muito pessoal o humanismo do retrato e do grupo com a eleição da forma produzida pela luz e pela sombra – usa aqui do minimalismo figurativo que o branco parece percorrer na forma fluida do reflexo do metal. E, mais do que em qualquer outra das suas imagens desta série, é o jazz que aqui se contempla, essa colonização da alma que apenas necessita de vagos suportes visuais. A impressão recebida conota-se com a do barroco, é sugestão e ocultamento e toda a figuração, incompleta e fugidia está decisivamente encenada para destacar visualmente o ritmo
que sugere.
O neo-barroquismo que trata da obsessão e transporta consigo o efeito egípcio, (a plenitude do tempo incorporada no momento presente, com uma narrativa mítica sem fim) é uma forma de reagir à linearidade do “actual”. O actual está firmado na legenda da imagem, (denominação e data) e indica o arquivo e armazenamento que hoje nos são tão caros. Mas a imagem não pertence a um acerbo de TV ou vídeo, que permitem o regresso do actual como presente, como reportório. Hoje, como sabemos, com a banalização destes registos, o passado é uma coisa que pode voltar, que é sempre um presente potencial. O efeito egípcio pertence à nossa mentalidade, sabemos bem que nada se pode apropriar exclusivamente do tempo e ninguém pode estabelecer com o tempo actual uma verdadeira relação de co-presença. Na imagem de Rosa Reis joga-se o tempo do jazz, aquele sopro que adivinhamos, porque a imagem tende a isso mesmo, permitir-nos essa apropriação de sentido e de evocação. E, para isso, nada melhor do que esta encenação de luz e sombra que tornam intermitente volumes e figurações, esta relação de orgânico e inorgânico, de permutabilidade que é também a ilusão de som e imagem. Tudo nesta imagem de Rosa Reis se revela e combina entre si, tudo se mistura num espectáculo de possessão.E o conceito, sendo um limite, não se define.”
Maria do Carmo Serén
Rosa Reis, fotógrafa independente e free-lancer,
vive em Lisboa e tem dezenas de álbuns publicados.
Fonte Arte Photographica
Uma TV israelense transmitiu ao vivo o desespero de um médico palestino, Dr. Abu El-Aish, pacifista que trabalhou em Israel e acabara de ter sua casa bombardeada. Era comum sua participação pelo telefone contando a situação em Gaza. Suas três filhas morreram e outras duas foram feridas. O vídeo é do Youtube e está legendado em espanhol. Tem uma versão legendada em ingles.
Mãe de vítima ajudou a prender militar, 1.º indiciado por nova lei
Pedro Dantas, RIO – O Estado SP
Há menos de um mês, a perita civil Fátima Freire, de 45 anos, foi a primeira mãe a romper o silêncio e denunciar à polícia do Rio o assédio de um pedófilo pela internet. A vítima era sua filha V. , de 12 anos, chantageada durante cinco meses por um terceiro-sargento da reserva da Marinha, que acabou preso. Agora, Fátima conta o drama que ela e V. viveram e defende que a luta contra a pedofilia não deve ser uma “guerra envergonhada”. Ela planeja fazer um site para ajudar vítimas e pais que sofrem em silêncio. “Os pais devem sair detrás da cortina. Imagina o número de meninas passando o mesmo que a minha filha e não contam às mães”, afirma.
A filha de Fátima começou a ser assediada em julho, quando passava férias no Recife. No site de relacionamentos Orkut, o militar Francisco Luís Dias, de 49 anos, morador de São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos, clonou o perfil de uma colega de escola da menina e a adicionou como amiga. A vítima aceitou e logo o criminoso teve acesso a dezenas de fotos de V. e informações sobre a sua vida.
Sempre se passando pela colega, o militar passou a falar com a menina em um programa de conversa instantânea. V. ligou a webcam sem saber que era gravada. A imagem foi editada em um filme como se a menina aparecesse nua. A falsa amiga virtual começou a chantageá-la. Mostraria o filme aos colegas, caso ela não aceitasse um encontro com um “amigo”.
O tormento durou cinco meses. Em troca da não divulgação do vídeo, a falsa colega pedia que V. mostrasse o corpo. Como recusou o encontro com o militar, o pedófilo divulgou o vídeo para os colegas de V.
Em seguida, diante de novas recusas da vítima, o militar clonou o perfil de V. e se passou por ela para enviar filmes amadores pornográficos em que ele fazia sexo com outras crianças para os amigos da escola da garota. Sob a falsa identidade, ele dizia que os vídeos eram protagonizados por V. A menina começou a ser hostilizada no colégio e entrou em depressão.
Sem saída, no dia 1º de novembro, ela contou tudo para a mãe. “Eu percebia que tinha algo errado. Ela passou a faltar às aulas, tinha febre sem estar doente, mas não falava o que era. Resolvi não pressionar e ela contou tudo, até que mesmo que não agüentava mais e queria se matar”, conta Fátima.
A mãe entrou em ação rapidamente. Procurou a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) e os policiais a orientaram a manter conversas com o pedófilo até marcar um encontro. “O constrangimento de ficar ao lado da minha filha por até três horas, durante quase um mês, vendo obscenidades, foi o sacrifício para livrá-la dessa situação. A pedofilia matou o sonho de ver o sexo entrar na vida da minha filha de forma natural e orientá-la sobre o tema. Hoje, aos 12 anos, ela faz tratamento psicológico e mudou de escola. Não sei por quanto tempo essa sombra estará sobre ela”, lamenta a mãe.
O conteúdo das conversas é impublicável. “Ele se excitava toda vez que ameaçava minha filha. Usava gírias de adolescentes e assumia várias identidades. No fim, se revelou como homem, ligava a câmera, mas só mostrava o sexo e se masturbava. No entanto, notei que o relógio era o mesmo usado pelo homem nos vídeos com outras crianças”, conta a mãe. O militar da reserva Francisco Luis Dias, de 49 anos, foi preso no dia 28 de novembro ao ir ao encontro da menina no estacionamento de um supermercado em Nova Iguaçu, armado com uma pistola PT 380, munição e um laptop com vários vídeos pornográficos amadores.
O militar foi o primeiro brasileiro indiciado na nova lei contra a pedofilia na internet, que pune o armazenamento de imagens pornográficas, criminaliza as fotomontagens com crianças e o assédio ou a incitação de adolescentes à auto-exibição. As punições variam de um a oito anos de prisão, além de multa. No caso de Dias, se condenado, a pena será aumentada em um terço, pois ele é pai de um menino de 6 anos e de uma adolescente de 16.
O drama da filha fez Fátima encarar novamente o pesadelo que enfrentou na infância. Ela diz que foi abusada aos 5 anos por um parente que passou as férias na casa de seus pais. Mais tarde, o abusador foi preso após engravidar a própria filha. “A primeira vez eu era uma criança e não tinha discernimento. Agora, com a minha filha, se me calasse, seria omissa”, avalia.
O delegado-titular da DRCI, Fernando Vila Pouca de Sousa, diz que o medo do julgamento alheio ou de estigmatizar socialmente a criança inibe a denúncia. Há cinco meses no comando do distrito, ele afirma que Fátima foi a primeira a denunciar o assédio. “Ela é uma exceção. As vítimas, pais de classe média e esclarecidos, deveriam buscar Justiça, mas não o fazem com medo de submeterem a filha a um prejulgamento”, afirma o delegado.
Fátima confirma que após denunciar sentiu como é ser julgada mesmo sendo vítima. “Algumas pessoas me perguntaram se a minha filha mostrou ou não o corpo. Não entendo a diferença, pois V. estava sendo chantageada por um adulto em uma luta desigual”, conta.
O mercado da pornografia infantil, de acordo com dados da CPI da Pedofilia, movimenta cerca de R$ 3 milhões por ano no País. Esse montante é gerado pela compra e venda de fotos de material pornográfico com crianças para Estados Unidos e Europa. O crime na internet desconhece fronteiras. Ao tentar identificar as outras vítimas do militar pedófilo, a polícia descobriu entre elas uma adolescente do interior paulista. “A pedofilia é um crime que entra em nossa casa, mesmo com as portas fechadas”, alerta Fátima.
ATENÇÃO, PAIS
Proibir não educa e não previne nada. As tecnologias mais
avançadas para proteger crianças e adolescentes continuam sendo diálogo e orientação
Coloque-se sempre à disposição para que as crianças peçam ajuda quando se sentirem ameaçadas ou receberem conteúdos impróprios online
Alerte os filhos para não divulgarem dados pessoais na internet, não aceitarem convites para encontros com amigos virtuais nem receberem arquivos de estranhos
Espionar e gravar o que os filhos fazem não são boas saídas. Você fere a privacidade e pode fragilizar a confiança
Ensine que não podemos acreditar em tudo nem em todos. A internet é território fértil para pessoas mal-intencionadas e mentirosas
Estabeleça regras e limites para o uso da internet, adequadas à idade da criança. Fixe um horário ou tempo limite de acesso, converse sobre os sites e serviços que ela pode ou não usar e
explique o motivo. Monitore o uso de salas de bate-papo e de comunicadores instantâneos
Mostre às crianças que a internet é apenas mais uma
opção de lazer e educação entre várias. A web não deve substituir opções de interação social realizadas fora do computador
Use os recursos que seu provedor de acesso puser ao seu dispor para bloquear o acesso a sites com conteúdo impróprio para seu filho. Você também pode utilizar programas de filtragem de conteúdo, disponíveis na internet
Fonte: SaferNet Brasil (prevencao@safernet.org.br)
COMBATE AO ABUSO
20/12/2007: Operação Carrossel
A Polícia Federal cumpriu 102 mandados de busca e apreensão de material pornográfico em residências e empresas de suspeitos de crimes sexuais contra crianças, em 14 Estados e no Distrito Federal. Foram detectados cerca de 3,8 mil acessos à material pornográfico infantil na internet. Três pessoas foram presas em flagrante, duas em São Paulo e uma em Fortaleza
25/3/2008: CPI
Senado instala a CPI da Pedofilia para propor projetos de lei para combater os crimes sexuais contra crianças e adolescentes no País
23/3/2008: Orkut
CPI da Pedofilia consegue quebra de sigilo de 3.261 usuários do Orkut, suspeitos de estimularem a pedofilia, com divulgação de material pornográfico com menores
2/7/2008: PF e Google
Polícia Federal e Google assinam o Termo de Ajustamento de Conduta para combater a pedofilia no site de relacionamentos Orkut
9/7/2008: Projeto
Em desdobramento dos trabalhos da CPI da Pedofilia, o Senado aprova projeto de lei que pune com mais rigor os crimes de pornografia infantil e pedofilia na internet. O projeto é encaminhado para votação na Câmara
3/9/2008: Carrossel 2
A Polícia Federal fez buscas e apreensões de material de pornografia infantil em 113 endereços de 17 Estados e do Distrito Federal, de onde o material era distribuído pela internet. O Estado campeão de mandados foi São Paulo, seguido pelo Rio Grande do Sul
11/11/2008: Câmara
Câmara aprova o projeto de lei, que foi, então, para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
25/11/2008: Lei
O presidente Lula sanciona o projeto de lei que aumenta a punição e a abrangência de crimes de pedofilia na internet, durante o 3.º Congresso Mundial de Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, no Rio
27/11/2008: Quebra de sigilo na internet
PF assina acordo com ONG SaferNet para ter acesso às denúncias de pedofilia na internet no www.denunciar.org.br; ação da PF faz varredura em 3.261 perfis no Orkut e identifica 117 pedófilos no País
29/11/2009: O 1.º indiciado pela nova lei
O militar da reserva da Marinha, Francisco Luís Dias, de 49 anos, foi o primeiro indiciado pela nova lei. Ele foi flagrado em encontro com uma menina de 12 anos que estava sendo chantageada para posar em fotos pornográficas
Blog de Josias
Nas pegadas do “grampogate”, o general Jorge Félix depõe, nesta terça (2), à CPI do Grampo.
Espremido, o ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) da Presidência admitiu: há precedentes de ação ilegal de agentes da Abin.
Revelou que permanecem nos quadros da Abin funcionários acusados formalmente de realizar grampos clandestinos na época do governo FHC.
“Tem um caso antigo, na época do governo passado, em que foi comprovada a atividade [de grampos] dos servidores…”
“…Já aforam condenados em primeira instância, mas estão em liberdade porque houve recurso…”
“…Eles continuam trabalhando. A essas pessoas, limitamos o acesso a tipos de informações.”
De resto, o general informou que há quatro ou cinco sindicâncias instauradas na Abin e no GSI para apurar o vazamento de informações sigilosas ocorridas desde 2003.
“São sindicâncias realizada pela própria Abin, duas pelo GSI, buscando caracterizar esses vazamentos, mas nunca conseguimos essa comprovação.”
Inquirido acerca da possibilidade de haver agentes da Abin por trás da bisbilhotagem do presidente do STF, Gilmar Mendes, Félix disse que não desconsidera nenhuma hipótese.
Foi peremptório, porém, em relação a um tópico: “A Abin, como instituição, não fez e não faz essas coisas.”
Ou seja, se houve ilegalidade, decorreu de desvio funcional. Uma transgressão ocorrida à margem da formalidade institucional.
Mais cedo, em diálogo a portas fechadas com os deputados, o general repetira uma suspeita que mencionará em reuniões privadas ocorridas na véspera.
Acha que o grampo que captou a conversa de Gilmar Mendes com o senador Demóstenes Torres pode ter sido encomendado por Daniel Dantas.
Na sessão aberta, Félix esquivou-se de repisar a suspeita: “Eu não tenho, eticamente, o direito de comentar o que foi conversado na reunião.”
Em Vitória (ES), Lula repisou o que o Planalto fizera constar de nota oficial: determinou o afastamento da cúpula da Abin para assegurar a “transparência” nas investigações (veja o vídeo lá no alto).
Escrito por Josias de Souza às 20h01
Se você é figura pública da oposição e enfrenta regularmente entrevistas com a mídia, talvez não precise se preocupar com este tipo de conselho. Em geral a mídia vai perguntar o que você quer divulgar. Se isto não acontece é porque o jornalista é um lulista enrustido e você poderá sempre contar com a edição que será feita por um profissional mais “neutro”.
Já, se você for do PT, vale a pena conhecer as dicas dos “especialistas” sobre como responder as perguntas do repórter, que invariavelmente não corresponderão às que você gostaria de abordar.
Por exemplo, o jornalista questiona: uma Bolsa-geladeira em ano eleitoral não é crime? Você poderia dizer que no Brasil tem eleições cada dois anos e os mandatos duram quatro. Se for parar de agir em ano eleitoral o governo estaria paralisado durante a metade do seu mandato. O jornalista estará satisfeito por você ter respondido diretamente a pergunta, mas você não terá oportunidade de falar da importância que renovar o parque de geladeiras tem para o meio-ambiente e para economizar energia. Você não poderá explicar o incentivo que isto proporciona à indústria de bens de consumo e por tanto ao emprego. Fora as vantagens de contar com modelos que preservem melhor os alimentos, com crédito a juros mais baixos, para as famílias pobres.
Se você aplicar os conselhos de especialista em comunicação (ver vídeo em inglês), você poderá responder a pergunta e falar do que interessa. Será que funciona com a mídia no Brasil?

Pedro Doria, pedro.doria@grupoestado.com.br
No final de fevereiro, obedecendo sua rotina em anos de eleição, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) soltou a resolução de número 22.718 que trata da propaganda eleitoral. No capítulo 4, artigo 18, afirma: ‘A propaganda eleitoral na internet somente será permitida na página do candidato destinada exclusivamente à campanha eleitoral.’
Foi com uma canetada, portanto, que o TSE proibiu em todo o território nacional o tipo de campanha online que ocorre nos EUA, na França e no Reino Unido. São os três países em que nasceu o conceito moderno de democracia. Dá para dizer que entendem alguma coisa do riscado. Nós, que vivemos de 1985 para cá o período contínuo de democracia mais longo da história, estamos apenas aprendendo. Quem estará certo? Eles ou nossos juízes?
Assim, teremos uma campanha sem YouTube, sem página de candidato no Orkut, sem Twitter.
O ministro Ari Pargendler, que assina como relator a resolução, não está no Orkut. É uma questão geracional: não são tantos assim os homens com mais de 60 anos por lá. É possível que ele jamais tenha ouvido falar do Twitter. A maioria dos juízes nas mais altas cortes do País, tanto no STJ quanto no STF, utilizam um tanto de e-mail, um quê da web, mas não convivem com a internet de maneira íntima como a maioria dos jovens urbanos no Brasil. Portanto, não compreendem de fato como corre a comunicação em rede.
É importante que o TSE regule a forma como a campanha é feita. Mas, para fazê-lo, deve compreender aquilo com o que está lidando.
De telefone em telefone, no tribunal, ouvi repetido mais de uma vez o mesmo argumento: o objetivo do TSE é fazer com que as oportunidades entre os candidatos sejam iguais. Querem impedir que o poderio econômico de um não possa resultar em vantagens indevidas. Limitando todos os candidatos a um único site, conseguem isso.
Com uma regulamentação desastrosa, conseguiram justamente o contrário.
Se os juízes tivessem perguntado a qualquer técnico com mínima experiência, saberiam que alguns serviços, na internet brasileira, são muito caros. Banda para sites hospedados, por exemplo. Um candidato muito rico poderá enfiar quantos vídeos quiser em seu site e não ligará a mínima para o preço. YouTube e similares são a opção gratuita para que qualquer um com uma câmera de R$ 200 possa produzir e divulgar seus filmes.
Sistemas que facilitam o relacionamento como Orkut, como Twitter, são democráticos. Eles permitem com custos mínimos que qualquer candidato se apresente e que qualquer eleitor os procure. Facilita a interação entre político e cidadão. Melhor: são anti-spam. Só quem estiver interessado faz contato com o político. Candidato não impõe amizade nos Facebooks da vida. Quem tiver algo a dizer encontra, na internet, um veículo privilegiado. Mas, nessa eleição, não poderá usá-lo.
Por ignorância de como o mundo funciona, o TSE cometeu um erro muito, muito grave. Não é à toa que o eleitorado jovem está particularmente engajado na eleição que corre nos EUA. Os candidatos estão se comunicando com eles pelo meio de comunicação que adotaram. No Brasil, não é diferente. Seja na casa de um rapaz de classe média, seja num cybercafé da periferia paulistana, estão todos com 25 anos ou menos pendurados nos MSNs da vida. A partir desta canetada, a juventude foi cortada do diálogo eleitoral. Os juízes não perceberam que a internet tem que ser usada cada vez mais, não menos.
A Justiça brasileira não compreende a internet. Mas precisa. E rápido. Ela faz parte da realidade que os juízes têm a obrigação de julgar.
Parecer do TSE proíbe a busca de votos pela internet
Segundo documento, que será votado pelo tribunal, os candidatos não poderão usar ferramentas eletrônicas
Felipe Recondo, BRASÍLIA – O Estado de São Paulo
Um parecer técnico da assessoria especial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proíbe que os candidatos às eleições municipais deste ano se valham das várias ferramentas da internet para angariar votos. O documento veda a publicação de blogs, o envio de spams com as propostas dos candidatos, o chamado e-mail marketing, a participação do político no Second Life, o uso do telemarketing, o envio de mensagens por celular e a veiculação de vídeos em sites como o You Tube.
A razão central para a proibição dessas tecnologias, de acordo com o parecer, é a falta de legislação específica para tratar do assunto.
“Certo é que, conforme senso comum, se algo não é proibido, em tese, deveria ser facultado. Contudo, se a lei não proíbe determinadas práticas de propaganda eleitoral, também não as autoriza”, diz o parecer. “No campo da propaganda eleitoral, o que não é previsto é proibido”, concluiu o documento do Tribunal Superior Eleitoral.
A resolução do TSE para as eleições deste ano define somente que o candidato deve registrar no tribunal uma página na internet para sua campanha. O endereço desse site deve conter o nome e o número do candidato. A lei eleitoral, por sua vez, trata apenas da campanha em sites mantidos por empresas de comunicação social e para eles dá o mesmo tratamento dispensado às emissoras de televisão, rádios e mídia impressa, como jornais e revistas. As multas para o descumprimento da lei são, inclusive, as mesmas para todos os meios – em alguns casos, pode chegar a R$ 106.410,00.
Sobre blogs, e-mail marketing e telemarketing não há legislação. Por isso, a manifestação do TSE poderá ser determinante. Mas, para que essas proibições tenham efeito, esse parecer, em resposta a uma consulta do deputado federal José Aparecido (PV-MG), precisa ser incluído na pauta do tribunal e aprovado pelos ministros. Ainda não há previsão quando isso será feito.
Se a consulta não for considerada pelo tribunal, por fazer muitas perguntas de uma vez ou porque uma resolução do próprio TSE tratou do assunto, mesmo que de forma superficial, os candidatos repetirão as práticas da campanha passada. Caso contrário, a propaganda na internet ficará restrita ao site oficial do candidato a partir de 6 de julho deste ano.
RAZÕES
Em alguns pontos do parecer, os técnicos do TSE afirmam que as tecnologias poderiam até ser liberadas, se existisse alguma lei sobre o tema. No caso dos spams, por exemplo, o parecer informa que a tendência seria liberá-lo, assim como são legais as cartas enviadas pelos políticos às casas de eleitores em época de eleições.
Entretanto, até que um projeto que tramita na Câmara sobre o assunto não seja aprovado, essa modalidade de propaganda deveria ser proibida, de acordo com a avaliação da assessoria do tribunal. O mesmo vale para o Second Life, mas, para essa tecnologia recente, não há sequer projeto tramitando no Congresso.
Em relação aos blogs, o parecer permite a publicação, desde que o candidato opte por não ter outra página na internet. Os dois, diz o documento, não seria permitido, já que o site precisa ser registrado com antecedência no tribunal.
DINHEIRO VIA WEB
Uma das inovações que o parecer proíbe terminantemente é a captação de recursos pela internet. Na campanha deste ano dos Estados Unidos, os pré-candidatos montaram uma estrutura para arrecadar receitas via internet. No Brasil, porém, a lei obriga que partidos e candidatos tenham os recibos de todas as doações feitas.
Na internet, isso não seria possível, ao menos por enquanto. Mas o tribunal não descarta que nas próximas eleições essa novidade chegue às eleições brasileiras.
“A proposição, embora passível de reflexão para um futuro que pode até mesmo ser breve, não há como ser viabilizada no momento, por ausência de disposição legal nesse sentido e não contar a Justiça Eleitoral, a quem compete a análise da prestação de contas de campanha, dos recursos tecnológicos necessários”, dizem os técnicos na consulta formulada ao tribunal eleitoral.
Par Zineb Dryef (Rue89) 
Elles font l’amour pour la première fois au même âge que les garçons. Elles continuent de faire l’amour plus longtemps que leurs mères. Elles ont davantage d’amants et d’amantes. Dans la dernière enquête sur la sexualité en France, réalisée par l’Ined et l’Inserm, les stars sont les femmes. Retour en images, grâce à l’INA et avec Gainsbourg en éternel fond sonore sur quarante ans de révolution sexuelle.

Cankun Factory, Xiamen City, 2005
El plano inicial de Paisajes transformados, el documental dirigido por Jennifer Baichwal sobre el trabajo del fotógrafo Edward Burtynsky, coloca al espectador en la escala perfecta para comprender la dimensión ciclópea del capitalismo contemporáneo. Durante ocho minutos, la cámara recorre el pasillo lateral de una interminable fábrica china, 750 metros de líneas de montaje de aparatos eléctricos que ensambla manualmente una marea de hombres y mujeres uniformados. Baichwal, ganadora de un Emmy en 1999 con su primer documental, Let it come down: The life of Paul Bowles, acompañó a Burtynsky en uno de los viajes que realizó a China en 2005. Paisajes transformados, que se estrenó ayer en varias salas comerciales españolas, ganó el año pasado el premio a la mejor película canadiense en el Festival Internacional de Toronto, el Genie (equivalente a los premios Goya en Canadá) al mejor documental y fue una de las nominadas al gran premio del jurado en Sundance.
Edward Burtynsky (St. Catherines, Canadá, 1955) lleva tres décadas fotografiando los escenarios industriales -canteras, minas, refinerías, vertederos- que definen la relación del hombre actual con el planeta. “Quizás el nuevo paisaje de nuestro tiempo, del que hay que empezar a hablar, es el que modificamos, el que alteramos en la búsqueda del progreso”, afirma el fotógrafo al comienzo de la película. Una topografía que descubrió de manera casual en 1981. Una equivocación mientras conducía por el Estado de Pensilvania en Estados Unidos lo llevó hasta una mina de carbón. La visión, casi surrealista, descubrió a Burtynsky la brutal capacidad transformadora de la mano del hombre.

El desarrollo de China en la última década en su afán por convertirse en la fábrica del mundo es el ejemplo extremo de esa alteración del paisaje. “Lo fascinante para mí es que no nos podemos dar cuenta de la escala en la que nos estamos moviendo sin ir a China“, explicaba el fotógrafo en conversación telefónica desde Canadá el pasado lunes. La búsqueda de paisajes mutantes llevó a Burtynsky, inevitablemente, a la más monstruosa obra de ingeniería jamás realizada: la presa de las Tres Gargantas. Para construirla se han destruido 13 ciudades y más de un millar de pueblos, y se estima que unos cuatro millones de personas se han visto obligadas a desplazarse de las zonas afectadas. El resultado es un gigantesco pantano que alimentará la mayor central hidroeléctrica del mundo. Tardó quince días en llenarse y, cuando lo hizo, se detectó una oscilación en el giro terrestre.
Pero las imágenes de Burtynsky dejan toda clase de juicios al espectador. “Tengo mis opiniones, por supuesto, pero no dejo que se conviertan en el centro de las piezas. No quiero crear puntos de vista politizados, sino ofrecer un planteamiento más meditativo y que sea el público el que, viendo las imágenes, saque sus propias conclusiones de lo que está sucediendo en China, que es lo que está pasando en todo el mundo”. El dilema que el desarrollo del país asiático plantea -¿tiene derecho a aspirar al bienestar de Occidente aunque sea a costa del equilibrio del medioambiente?- es el mismo que asalta a Burtynsky cuando, fotografiando una mina de plata y la herida en el planeta que supone su explotación, reflexiona sobre el hecho de que ese mismo metal cubre la película que le permite tomar sus imágenes.
El trabajo de Burtynsky no se enmarca en el activismo medioambiental en sentido estricto aunque reconoce una actitud ética. Tampoco se considera un fotoperiodista, sino que afronta cada fotografía con un planteamiento casi pictórico. “Estudio con mucho detenimiento la construcción de la imagen. Siempre trabajo en gran formato y puedo volver cinco o seis veces al mismo sitio en busca de la luz adecuada”, señala. La figura humana -ausente- está siempre implícita, asegura el artista, no sólo como causante de los paisajes alterados, sino como víctima de ellos: “Tenemos la misma capacidad que una catástrofe natural para modificar el planeta. La naturaleza está en retroceso como consecuencia de la expansión urbana y de la necesidad de recursos, necesitamos carbón, hierro, petróleo, pesca, se están cortando árboles como nunca antes se había hecho”.
El ex vicepresidente de Estados Unidos Al Gore ganó el año pasado el Oscar al mejor documental con Una verdad incómoda, una desesperada denuncia sobre los riesgos del cambio climático y la amenaza que supone para la supervivencia de muchas especies. Los paisajes transformados de Burtynsky no son más que otra cara de esa misma verdad incómoda.
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Paisajes transformados se proyecta en varias ciudades españolas dentro del programa del Mes del Cine Solidario. www.karmafilms.es/mesdelcinesolidario