15/11/2008 - 15:18h Sorria, meu bem, sorria


Lentidão recorde após restrições à carga: 230 km

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Renato Machado – O Estado SP

O trânsito na capital parou de novo ontem. Às 18h55, a lentidão chegou a 230 quilômetros – 27,5% das vias monitoradas pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Foi o maior índice após a implementação do pacote que teve como principal medida as restrições para caminhões. O recorde histórico é de 9 de maio, quando a lentidão chegou a 266 km, causada, principalmente, por um acidente envolvendo uma carreta.

Conforme a CET, as principais causas foram excesso de veículos, véspera de feriado e dois acidentes na Marginal do Pinheiros. O primeiro foi às 15h43, quando um caminhão que seguia no sentido Ayrton Senna bateu em um poste, atropelou uma pessoa e bloqueou duas faixas. O outro foi a queda de um motociclista no sentido Castelo Branco. As vias mais afetadas foram a Marginal do Tietê, sentido Ayrton Senna; o corredor norte-sul; e a Avenida dos Bandeirantes, sentido Imigrantes.

Em 30 de junho foi criada a Zona de Máxima Restrição à Circulação de Caminhões (ZMRC), área de 100 km² no centro expandido, onde veículos de carga ficaram proibidos de circular entre 5 e 21 horas. Um mês depois, estabeleceu-se rodízio para caminhões nas Marginais e o de placas pares e ímpares para os Veículos Urbanos de Carga (VUCs). A Secretaria Municipal dos Transportes mudou recentemente regras de estacionamento nos Jardins.

30/10/2008 - 14:22h Caminhoneiros e empresas lamentam o ”Custo SP”

Empresários dizem que foram incentivados a comprar VUCs; motoristas não sabem o que fazer

Renato Machado – O Estado SP

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O caminhoneiro Marcelo Zago já avisou seu ajudante que vai trabalhar normalmente na próxima semana. Mesmo vivendo as incertezas a respeito do futuro das regras para os Veículos Urbanos de Carga (VUCs), ele adianta que deixará seu celular ligado, à espera do chamado da empresa em que presta serviço. Se ligarem, trabalhará com seu pequeno caminhão, mesmo que a circulação esteja proibida na região do centro expandido, como prevê o Decreto 49.636. “Eu tenho prestações do caminhão para pagar e não posso ficar com ele parado. Vou arriscar tomar multas, mas tenho de honrar meus compromissos.”

Por causa do aquecimento da economia no início deste ano e da grande oferta de trabalho no setor de transporte de carga, Zago decidiu vender seu guincho e investir em um VUC. Rapidamente conseguiu se agregar a uma companhia e conseguia arcar com as prestações de R$ 2 mil de seu caminhão. Ele também contratou um ajudante, pagando R$ 30 por dia de trabalho.

Antes do rodízio de placas pares e ímpares, saía praticamente todos os dias de São Bernardo, onde mora, para realizar entregas na cidade de São Paulo. “O rodízio de placas já foi ruim, porque às vezes sou chamado para trabalhar e não posso rodar. E também não sou chamado em dias que estou liberado pelo rodízio”, diz.

Caso o decreto não seja revogado, Zago acha que perderá muito serviço, pois trabalha transportando material esportivo de alto valor agregado. “As empresas não vão abrir à noite para receber mercadoria. Vou ter de dividir minha rota com alguém ou até mesmo largar esse trabalho”, diz.

Assim como alguns trabalhadores autônomos, as grandes empresas também não sabem se poderão utilizar os VUCs na próxima semana e começam a procurar veículos menores para alugar e a reunir trabalhadores terceirizados para as entregas. “Tem algumas empresas que infelizmente vão arcar com as multas para não perderem os clientes”, diz o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo (Setcesp), Francisco Pelúcio.

Ele acrescenta que grande parte das empresas enfrentará prejuízo, pois investiram em VUCs para compensar as restrições impostas aos grandes caminhões. A Braspress, por exemplo, comprou 36 unidades neste ano e, quando teve início o rodízio de placas pares e ímpares dos VUCs, precisou comprar outras 40 veículos de carga menores.

“A Prefeitura aumentou o tamanho permitido para que um caminhão seja VUC de 5,5 metros para 6,3 metros e incentivou a compra deles. Tudo indicava que esses seriam os veículos de carga para a cidade de São Paulo, a partir de agora. Mas quem investiu terá de reorganizar todo o sistema de logística”, diz o presidente da companhia, Urubatan Helou. Os empresários também estimam em 15% o aumento dos custos do transporte, por causa das restrições aos caminhões. “É o ‘Custo São Paulo’, como tem gente chamando. E isso infelizmente é repassado ao comércio”, diz Helou.