27/04/2010 - 10:05h Alta da taxa de juros também pode ter efeitos colaterais indesejados, diz WSJ

Rápida recuperação do Brasil gera preocupação, diz o Wall Street Journal

Jornal comenta pressões inflacionárias e o possível aumento da taxa de juros pelo Banco Central na quarta-feira.

BBC Brasil – Agência Estado

- O jornal americano Wall Street Journal diz em sua edição desta terça-feira que o entusiasmo com a rápida recuperação da economia brasileira depois da crise global se tornou algo mais ameaçador: o medo de que a economia esteja superaquecendo.

De acordo com o jornal, a perspectiva é de que o Banco Central aumente a taxa de juros já nesta quarta, com o objetivo de chegar a 11,75% até o fim do ano, em uma tentativa de controlar a inflação.

“A situação do Brasil ressalta como o destino dos mercados emergentes e desenvolvidos estão divergindo”, afirma o WSJ. “O FMI prevê que as ‘economias avançadas’ vão expandir até 2,25% em 2010 e até 2,5% em 2011, depois de queda de mais de 3% no ano passado.”

“O crescimento nos países emergentes e em desenvolvimento está projetado para superar 6,25% ao ano no mesmo período, depois de um crescimento mais modesto de 2,5% no ano passado.”

O jornal afirma que apesar de a previsão de crescimento do Brasil ser de 5,5% para este ano, alguns analistas acreditam que esta taxa pode chegar a 7%.

Segundo o jornal, isso provocou a pouco comum situação em que países emergentes estariam tentando frear a entrada de capital estrangeiro, que teria crescido durante a crise financeira.

“O rápido crescimento e o aumento das vendas normalmente são coisas boas para países em desenvolvimento tentando tirar milhões da pobreza e levá-los à classe média. A preocupação é que as taxas de crescimento estejam estimulando a inflação, há muito tempo o calcanhar de Aquiles das economias ricas em commodities, como a do Brasil.”

Mas o jornal lembra que a alta da taxa de juros também pode ter efeitos colaterais indesejados. “Investidores globais estão cada vez mais pegando dinheiro emprestado a uma taxa próxima a 0% em dólares, graças à postura agressiva do Banco Central Americano, e investindo este dinheiro em mercados emergentes para colher lucros mais altos.”

Isso poderia fazer com que a moeda dessas economias se valorizasse muito rápido, potencialmente criando uma bolha em alguns setores, como o imobiliário, por exemplo.

“O dilema fez com que o FMI, que no passado era firmemente contra impor controles sobre o fluxo de capital, reconsiderasse sua visão”, diz o WSJ.

O jornal afirma que o Brasil deve agir rápido, em parte por causa de sua longa história de ciclos de crescimento e quebras.

“Economistas e operadores da bolsa esperam que o Banco Central aumente a taxa de juros na quarta-feira pela primeira vez desde setembro de 2008″, diz o diário, lembrando, no entanto, que para alguns economistas, a preocupação com a inflação não deve ser exagerada.

“A economia brasileira estava crescendo muito rapidamente antes da crise global e, segundo o economista de Capital do Barclays Marcelo Salomon, as pressões inflacionárias ainda não são tão fortes como eram antes da crise.”

O jornal lista os estímulos do governo para aquecer a economia brasileira durante a crise afirmando que, apesar de terem ajudado o país a não sofrer tanto com a crise, eles agora poderiam estar contribuindo para o aumento da inflação.

“Mas com as eleições presidenciais em outubro, o governo não deve tirar o pé do acelerador”, afirma o diário, lembrando que a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, está se apoiando na expansão dos projetos sociais e de infra-estrutura durante o governo Lula para tentar se eleger.

“O aumento da taxa de juros é politicamente impopular em um país onde a taxa de juros de bancos privados normalmente chegam a 42% ao ano”, diz o WSJ, ressaltando que o fato de o Banco Central ter conseguido baixar esta taxa mantendo a inflação sob controle ajudou a aumentar a popularidade do governo.

29/03/2010 - 13:45h Wall Street Journal: Para Brasil, finalmente o futuro chegou

Brasil tem peso para virar potência mundial, diz Wall Street Journal

Sílvio Guedes Crespo – Radar econômico – O Estado SP


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Capa do caderno especial: ‘finalmente é amanhã’ (imagem: reprodução)


O diário norte-americano The Wall Street Journal publica nesta segunda-feira um caderno especial sobre o Brasil abrangendo “da sua notável moeda forte e seu explosivo mercado de ações até o ardente debate sobre um astro do futebol [o Ronaldinho Gaúcho]”.

“Para o país do futuro, finalmente é amanhã”, diz a chamada da reportagem principal. “O Brasil virou a esquina e agora é uma nação de peso, ambição e fundamentos econômicos para se tornar uma potência mundial. Mas o país tem enormes desafios que precisa enfrentar até aproveitar integralmente esse potencial.”

Entre os obstáculos que o Brasil tem a encarar, o jornal cita a corrupção “cravejada” no País, o “crime galopante”, a “infraestrutura em mau estado” e o “ambiente de negócios restritivo (”com um código trabalhista arrancado das cartilhas econômicas de Benito Mussolini”). Ainda há ”trabalhos colossais” a serem feitos, diz a reportagem, assinada pelo correspondente Paulo Prada.

Uma das reportagens trata das eleições deste ano e conclui que os brasileiros “querem mais do mesmo”. No plano internacional, o jornal escreve que “de repente”, o que o Brasil fala passa a ter importância no exterior, mas afirma que o País “escorrega no palco global”.

O jornal traz textos, ainda, sobre o projeto de expansão do BTG Pactual (um dos maiores bancos de investimento do País), o crescimento e os desafios da Embraer, a tentativa do governo de resolver os problemas das conexões de internet no País, a dupla de artistas conhecida como Os Gêmeos (veja galeria de imagens), os restaurantes de São Paulo, eventos culturais e dados estatísticos.

O Brasil foi escolhido como o primeiro de uma série de países que serão objetos de reportagens do caderno “The Journal Report”. O objetivo do jornal, diz a “Nota do Editor”, é dar aos leitores “uma compreensão sobre um dos mais vibrantes e importantes lugares do mundo hoje”.

Leia as reportagens especiais do Wall Street Journal sobre o Brasil

26/03/2010 - 09:25h Corrupção ‘relativamente’ baixa ajuda Brasil, diz Wall Street Journal

Sílvio Guedes Crespo – Radar Econômico – O Estado SP

O que se fala nas ruas do Brasil talvez não chegue a Wall Street. O artigo desta quinta-feira publicado na seção “Heard on the Street”, do diário norte-americano The Wall Street Journal, faz uma afirmação que vai de encontro a muitas das conversas que se ouvem no País.

Assinado por Liam Denning, o texto aponta a corrupção “relativamente” baixa como um dos fatores que explicam que “ainda há apetite” dos investidores estrangeiros pelo mercado brasileiro de ações.

“O Brasil se beneficia de uma reputação relativamente melhor em relação à corrupção”, diz o texto, ao comparar o mercado brasileiro com o russo.  “Classificado em 75º no Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional, [o Brasil] não é uma Suíça. Mas é o mais bem classificado entre os Brics [grupo que reúne Brasil, Rússia, China e Índia]”, afirma o articulista.

Além da questão da corrupção, o texto aponta as projeções de capitalização da Petrobrás como outro fator para acreditar que há “apetite” pelo mercado brasileiro. A expectativa é de que a petrolífera levante US$ 25 bilhões.

Um terceiro sinal de que a bolsa brasileira ainda traz boa perspectiva, diz o artigo, foi a oferta de ações da Gafisa na quarta-feira (24), que movimentou US$ 520 milhões, além os papéis da empresa terem terminado o dia em alta.

O texto não deixa de citar os pontos negativos, entre eles o fato de “metade do mercado brasileiro estar exposto a matérias-primas e energia”.

Leia a análise no site do Wall Street Journal (em inglês)

23/05/2008 - 16:07h “Wall Street Journal”: nova descoberta pode elevar Brasil a potência petrolífera

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BBC – Portal O Globo

LONDRES – O jornal americano ‘Wall Street Journal’ diz na edição desta sexta-feira que a nova descoberta de petróleo na Bacia de Santos, anunciada na quarta-feira, “esquenta especulações” sobre a ascensão do Brasil ao grupo dos grandes exportadores globais e de que o país tem reservas suficientes para “aliviar a pressão sobre os crescentes preços do petróleo”.Segundo a reportagem, “a descoberta é a última em uma série de ações bem sucedidas da empresa, aumentando as esperanças de que o Brasil será a nova grande novidade em petróleo global”.”Com o preço do petróleo batendo novos recordes, grandes descobertas no Brasil iriam aumentar o otimismo da indústria energética de que o país poderia suprir petróleo suficiente para manter o ritmo da crescente demanda”, diz o jornal.” Nas negociações na quinta-feira, na Bolsa de Nova York, o preço do barril caiu US$ 2,36, ou 1,8%, para US$ 130,81 o barril, em parte diante da perspectiva de maior suprimento vindo do Brasil”, afirma o Wall Street Journal.Segundo o jornal, as descobertas seriam especialmente bem-vindas nos Estados Unidos, garantindo uma nova fonte de petróleo em seu hemisfério.”O foco de atenção é a Bacia de Santos, uma série de campos de petróleo potenciais enterrados sob milhas de águas ocêanicas, terra e uma teimosa camada de sal. A perfuração exploratória em diferentes campos produziu petróleo bastante similar, alimentando uma excitante nova teoria: de que a bacia pode ser um contínuo mega-depósito de petróleo.”O jornal afirma, no entanto, que apesar do otimismo, observadores dizem que há boas razões para ceticismo.”A exploração e a extração de petróleo em águas super-profundas são uma empreitada cara e arriscada. O sal que fica sobre os potenciais campos soma desafios técnicos porque muda de lugar e é propenso a mudanças bruscas de pressão. E apesar dos avanços na tecnologia de imagens geológicas, é impossível saber a quantidade e a qualidade do petróleo escondido em um depósito até que ele comece a jorrar – um processo que leva anos.”Mas, segundo o WSJ, os investidores não estão esperando para apostar neste potencial.”A fatia da Petrobras negociada publicamente aumentou tanto este ano que o valor de mercado da companhia ultrapassou o de empresas de nomes conhecidos, como a General Electric e a Microsoft “, afirma o jornal.Segundo a reportagem, só com as reservas já encontradas o Brasil, provavelmente, chegaria ao topo dos exportadores latino-americanos.”Para um país que começa a abandonar seu passado como país em desenvolvimento volátil, tanta bonança pode ser bom ou ruim. O dinheiro do petróleo vai encher os cofres do governo, mas também pode deixar o Brasil tentado a adotar hábitos esbanjadores de outros grandes exportadores de petróleo”, conclui o WSJ.