14/05/2010 - 14:30h My Home, My Life

NYT: “My Home My Life” – Blog Amigos do Presidente Lula

Na capa do “Wall Street Journal” a  manchete, “Na Amazônia, florestas dão lugar a ratos de shopping”. De Rio Branco, John Lyons mostra o avanço dos shoppings nas maiores cidades, parte da “ascensão do consumidor amazônico”, que sublinha “o tamanho do boom interno”.

Na Amazônia, “Lula fez chover dinheiro no esforço de elevar o padrão das classes pobres”, com Bolsa Família, crédito subsidiado às empresas e projetos hidrelétricos. Agora “o desafio, diz o ex-governador Jorge Viana, é criar o modelo sustentável de desenvolvimento”.

Com a foto, a AP ecoou por Yahoo, Google e o site do Jornal New York Times “NYT”, entre outros, com um longo relato do “ambicioso” programa brasileiro “My Home My Life”, tornado “modelo” para África e outras regiões.

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Ambitious Brazil Housing Plan Would Replace Slums

By THE ASSOCIATED PRESS

AGUAS LINDAS, Brazil (AP) — Cristina Silva dos Santos is close to realizing a dream she has had for 28 years, since giving birth to the first of six children: a home big enough for her entire family.

For now, she and her five youngest are squeezed into a four-room, rough-brick house the size of most garages, where they all sleep in the same room.

But a new government housing program, the largest in Latin America aimed at cutting overcrowding in slums, will give Silva a substantial down payment on a $30,680 (54,000 real) home with two bedrooms, a living room, kitchen and bathroom.

The program, ”My Home, My Life,” is a model for developing countries trying to alleviate the squalor surrounding roughly 1 billion squatters and slum dwellers worldwide, according to one expert.

Officials from Angola, Cape Verde, Mozambique and other countries facing housing shortages have requested information about the program, said Maria Fernanda Ramos Coelho, president of the state-run bank Caixa Economica Federal, which is administering the project.

Caixa officials also presented the program recently to their Venezuelan counterparts.

”This is undoubtedly a model that could be used in other countries,” said Demostenes Moraes, director of Habitat-Brazil, the Brazilian branch of an international nonprofit devoted to building houses for the poor.

The program, started last year, is part of the social policies that have made President Luiz Inacio Lula da Silva one of Brazil’s most popular ever — and could help attract votes for his chosen successor, candidate Dilma Rousseff, who trails in the polls going into the October presidential election.

Aguas Lindas, a city of 200,000 about 30 miles (50 kilometers) west of Brasilia, is a picture of unmanaged sprawl and hotspot for violence and drug trafficking that grew up with migrants moving to the capital to escape rural poverty.

Silva’s new home is one of 1,600 to be built on the outskirts in a community that will have its own police force, school and water supply — services that more often than not are absent from shantytowns in cities such as Aguas Lindas.

”As a single mother, this program is what allowed me to have my own house,” said the 45-year-old food services worker, accompanied by her five youngest children during an interview in the old home. ”Every day they ask me, ‘When we are going to move?”’

Using federal, state and municipal funds, ”My Home, My Life” pays 100 percent of the cost of a home for families who earn a maximum of $870 a month (1,530 reals) — three times the minimum monthly wage of $290 (510 reals.) The amount diminishes as participants’ salaries rise.

Houses are built by private construction companies, which act as intermediaries with the bank on behalf of customers.

As of February, the government had 670,000 new-home applications in the works and aims to have signed contracts for 1 million homes by the end of this year, Ramos Coelho said,

A second phase of 2 million homes is planned to begin in 2011, she added.

If the program continues at the intended rate, Brazil could erase its shortage of 7 million homes — and hundreds of illegal settlements that have popped up over the years in the South American nation of 190 million people — in the next decade.

”Brazil has not had any housing policy since the 1970s,” Ramos Coelho said. ”This program begins a new era in the country of eliminating our housing deficit.”

Many of the city dwellers live in poor, overcrowded, crime- and drug-infested shantytowns known as ”favelas.” Brazil experienced an explosion of favelas from the 1950s to the 1970s amid a boom in industrialization that attracted rural dwellers to metropolitan life.

”My Home, My Life” aspires to transform the favelas into more formal and hospitable living areas, complete with security, recreational areas and public utilities.

Another goal is to remove homes from areas at high risk of landslides and flooding, such as the slum in Niteroi, a city of about 500,000 across the bay from Rio de Janeiro, where 60 houses were destroyed last month during heavy rains.

At least 232 people were killed in the Niteroi landslide and others in Rio de Janeiro state.

There is much evidence to indicate the program will succeed: Brazil’s strong economic performance over the past few years — despite a global economic crisis — has provided officials with the means to bankroll the project; land for new housing is widely available in the enormous country, and both of the two main presidential contenders have pledged to continue the program if elected.

But the program hasn’t been seamless: Some beneficiaries are complaining the houses are being handed over too slowly, while large cities such as Belo Horizonte and Sao Paulo don’t have enough land on which to build.

In Sao Paulo last month, about 2,000 protesters invaded unoccupied buildings to demand housing for the poor in Brazil, saying the government program will not be made available to everybody who needs it.

But for Mailson Barbosa de Santana, 22, and his wife, Luana de Oliveira, 18, ”My Home, My Life” is a godsend, allowing them to buy a three-bedroom house in the same residential complex where Silva is going to live.

”We had been looking for a house for a year, but can only buy one because of this program,” Santana said. ”Now with our own home, we’re going to think about having kids, too.”

27/04/2010 - 10:05h Alta da taxa de juros também pode ter efeitos colaterais indesejados, diz WSJ

Rápida recuperação do Brasil gera preocupação, diz o Wall Street Journal

Jornal comenta pressões inflacionárias e o possível aumento da taxa de juros pelo Banco Central na quarta-feira.

BBC Brasil – Agência Estado

- O jornal americano Wall Street Journal diz em sua edição desta terça-feira que o entusiasmo com a rápida recuperação da economia brasileira depois da crise global se tornou algo mais ameaçador: o medo de que a economia esteja superaquecendo.

De acordo com o jornal, a perspectiva é de que o Banco Central aumente a taxa de juros já nesta quarta, com o objetivo de chegar a 11,75% até o fim do ano, em uma tentativa de controlar a inflação.

“A situação do Brasil ressalta como o destino dos mercados emergentes e desenvolvidos estão divergindo”, afirma o WSJ. “O FMI prevê que as ‘economias avançadas’ vão expandir até 2,25% em 2010 e até 2,5% em 2011, depois de queda de mais de 3% no ano passado.”

“O crescimento nos países emergentes e em desenvolvimento está projetado para superar 6,25% ao ano no mesmo período, depois de um crescimento mais modesto de 2,5% no ano passado.”

O jornal afirma que apesar de a previsão de crescimento do Brasil ser de 5,5% para este ano, alguns analistas acreditam que esta taxa pode chegar a 7%.

Segundo o jornal, isso provocou a pouco comum situação em que países emergentes estariam tentando frear a entrada de capital estrangeiro, que teria crescido durante a crise financeira.

“O rápido crescimento e o aumento das vendas normalmente são coisas boas para países em desenvolvimento tentando tirar milhões da pobreza e levá-los à classe média. A preocupação é que as taxas de crescimento estejam estimulando a inflação, há muito tempo o calcanhar de Aquiles das economias ricas em commodities, como a do Brasil.”

Mas o jornal lembra que a alta da taxa de juros também pode ter efeitos colaterais indesejados. “Investidores globais estão cada vez mais pegando dinheiro emprestado a uma taxa próxima a 0% em dólares, graças à postura agressiva do Banco Central Americano, e investindo este dinheiro em mercados emergentes para colher lucros mais altos.”

Isso poderia fazer com que a moeda dessas economias se valorizasse muito rápido, potencialmente criando uma bolha em alguns setores, como o imobiliário, por exemplo.

“O dilema fez com que o FMI, que no passado era firmemente contra impor controles sobre o fluxo de capital, reconsiderasse sua visão”, diz o WSJ.

O jornal afirma que o Brasil deve agir rápido, em parte por causa de sua longa história de ciclos de crescimento e quebras.

“Economistas e operadores da bolsa esperam que o Banco Central aumente a taxa de juros na quarta-feira pela primeira vez desde setembro de 2008″, diz o diário, lembrando, no entanto, que para alguns economistas, a preocupação com a inflação não deve ser exagerada.

“A economia brasileira estava crescendo muito rapidamente antes da crise global e, segundo o economista de Capital do Barclays Marcelo Salomon, as pressões inflacionárias ainda não são tão fortes como eram antes da crise.”

O jornal lista os estímulos do governo para aquecer a economia brasileira durante a crise afirmando que, apesar de terem ajudado o país a não sofrer tanto com a crise, eles agora poderiam estar contribuindo para o aumento da inflação.

“Mas com as eleições presidenciais em outubro, o governo não deve tirar o pé do acelerador”, afirma o diário, lembrando que a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, está se apoiando na expansão dos projetos sociais e de infra-estrutura durante o governo Lula para tentar se eleger.

“O aumento da taxa de juros é politicamente impopular em um país onde a taxa de juros de bancos privados normalmente chegam a 42% ao ano”, diz o WSJ, ressaltando que o fato de o Banco Central ter conseguido baixar esta taxa mantendo a inflação sob controle ajudou a aumentar a popularidade do governo.

29/03/2010 - 13:45h Wall Street Journal: Para Brasil, finalmente o futuro chegou

Brasil tem peso para virar potência mundial, diz Wall Street Journal

Sílvio Guedes Crespo – Radar econômico – O Estado SP


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Capa do caderno especial: ‘finalmente é amanhã’ (imagem: reprodução)


O diário norte-americano The Wall Street Journal publica nesta segunda-feira um caderno especial sobre o Brasil abrangendo “da sua notável moeda forte e seu explosivo mercado de ações até o ardente debate sobre um astro do futebol [o Ronaldinho Gaúcho]”.

“Para o país do futuro, finalmente é amanhã”, diz a chamada da reportagem principal. “O Brasil virou a esquina e agora é uma nação de peso, ambição e fundamentos econômicos para se tornar uma potência mundial. Mas o país tem enormes desafios que precisa enfrentar até aproveitar integralmente esse potencial.”

Entre os obstáculos que o Brasil tem a encarar, o jornal cita a corrupção “cravejada” no País, o “crime galopante”, a “infraestrutura em mau estado” e o “ambiente de negócios restritivo (”com um código trabalhista arrancado das cartilhas econômicas de Benito Mussolini”). Ainda há ”trabalhos colossais” a serem feitos, diz a reportagem, assinada pelo correspondente Paulo Prada.

Uma das reportagens trata das eleições deste ano e conclui que os brasileiros “querem mais do mesmo”. No plano internacional, o jornal escreve que “de repente”, o que o Brasil fala passa a ter importância no exterior, mas afirma que o País “escorrega no palco global”.

O jornal traz textos, ainda, sobre o projeto de expansão do BTG Pactual (um dos maiores bancos de investimento do País), o crescimento e os desafios da Embraer, a tentativa do governo de resolver os problemas das conexões de internet no País, a dupla de artistas conhecida como Os Gêmeos (veja galeria de imagens), os restaurantes de São Paulo, eventos culturais e dados estatísticos.

O Brasil foi escolhido como o primeiro de uma série de países que serão objetos de reportagens do caderno “The Journal Report”. O objetivo do jornal, diz a “Nota do Editor”, é dar aos leitores “uma compreensão sobre um dos mais vibrantes e importantes lugares do mundo hoje”.

Leia as reportagens especiais do Wall Street Journal sobre o Brasil

13/08/2009 - 08:52h Recessão nos EUA chegou ao fim, dizem economistas


criseusa.jpgDe 52 economistas ouvidos pelo WSJ, 38 dizem que país está saindo da crise

O Estado SP

A recessão nos Estados Unidos iniciada em dezembro de 2007 já terminou, segundo a maioria dos economistas consultados em um levantamento do Wall Street Journal publicado ontem. Na pesquisa, que entrevistou 52 economistas, 27 disseram que a crise já acabou e outros 11 acreditam que chegará ao fim neste mês ou no próximo.

Eles também são quase unânimes na aprovação de Ben Bernanke como presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e desejam que ele seja nomeado para mais um mandato. Para os economistas americanos, há 71% de chance de o presidente dos EUA, Barack Obama, pedir que ele continue no posto.

O combate à desaceleração da economia definiu boa parte do mandato de Bernanke, que começou no início de 2006 e termina em janeiro de 2010, segundo os economistas. Eles disseram que a forma com que Bernanke lidou com a crise o faz merecer mais quatro anos no comando do Fed.

“Ele merece bastante crédito por estabilizar os mercados financeiros”, disse Joseph Carson, da AllianceBernstein. “A confiança na recuperação seria prejudicada se ele não fosse renomeado.” Muitos dos economistas consultados acreditam que há pouco a se ganhar com uma mudança no comando do Fed, especialmente considerando a tarefa maciça nas mãos do banco central, conforme a economia sai da recessão.

“Uma continuidade é crítica conforme emergimos desta crise. Do contrário, podemos cair nela de novo”, disse Diane Swonk, economista da Mesirow Financial. “O Bernanke é o melhor indicado para desfazer o que foi feito quando chegar a hora.” O Fed tomou medidas sem precedentes para evitar outra Grande Depressão e a estratégia de saída continua sendo uma questão-chave.

A taxa básica de juros não deve ser alterada tão cedo. Apenas seis economistas esperam que o Fed eleve este ano o juro – hoje na faixa entre zero e 0,25%. Muitos preveem um aumento em algum momento em 2010, mas mais de um quarto não vê mudança até 2011 ou mais.

“A estratégia de saída será muito, muito lenta e cautelosa”, disse John Silvia, do Wells Fargo. “O Fed vai desmontar o balanço antes de elevar o juro”, acrescentou. O balanço do Fed – o valor total dos empréstimos e títulos que possui – mais que dobrou durante a crise, para mais de US$ 2 trilhões, em meio à expansão das linhas de crédito, na tentativa de descongelar os mercados de crédito.

AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

25/11/2008 - 14:47h Anatomia do pânico com o Morgan Stanley

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Susan Pulliam, Liz Rappaport, Aaron Lucchetti, Jenny Strasburg e Tom McGinty, The Wall Street Journal – VALOR

Dois dias depois que a Lehman Brothers Holdings pediu concordata, espalhou-se um boato explosivo: outra grande firma de Wall Street, o Morgan Stanley, estava prestes a quebrar. O que se dizia no mercado naquele 17 de setembro é que o Deutsche Bank AG tinha cancelado uma linha de crédito de US$ 25 bilhões para o banco de investimento.

Não era verdade, mas o boato ajudou a desencadear uma cascata de apostas contra o Morgan Stanley. O diretor-presidente John Mack queixou-se amargamente de que operadores desejosos de lucros estavam semeando o pânico. Mas faltava uma informação essencial: quem, exatamente, estava por trás dessas transações?

Registros de transações examinados pelo Wall Street Journal oferecem agora uma resposta parcial. Esses documentos revelam que algumas das maiores firmas de Wall Street – Merrill Lynch & Co., Citigroup Inc., Deutsche Bank e UBS AG – estavam apostando pesado contra o Morgan. A estratégia dessas firmas era usar complicados instrumentos financeiros chamados swaps de crédito, uma forma de seguro contra perdas com crédito.

Um exame dessas transações feito pelo WSJ também revela que os swaps tiveram papel importante ao amplificar a avaliação pessimista do mercado sobre o Morgan Stanley, o que, por sua vez, levou os operadores a investir contra as ações da firma, vendendo-as a descoberto. A inter-relação entre as transações com swaps e a venda a descoberto acelerou a espiral descendente da firma.

Este relato foi elaborado a partir dos registros das transações e de mais de 70 entrevistas com executivos de Wall Street, operadores, corretores, administradores de fundos de hedge, investigadores e autoridade reguladoras.

Durante anos, a venda de swaps de crédito foi uma mina de ouro para Wall Street. Mas, por ironia, naqueles dias tumultuados de setembro, o mercado de swaps virou-se contra o Morgan Stanley como um Frankenstein financeiro. Esse mercado se tornou um termômetro bem visível do Pânico de 2008, insuflando a crise que acabou exigindo a intervenção do governo.

Outras firmas também estavam negociando com swaps do Morgan em 17 de setembro: Royal Bank of Canada, Swiss Re e vários fundos de hedge, como King Street Capital Management LLC e Owl Creek Asset Management LP.

A pressão também se intensificou em outra frente: houve um aumento nas vendas a descoberto – apostas contra as ações da Morgan – por parte de grandes fundos de hedge. No fim do dia, a ação do Morgan tinha caído 24%, e as autoridades temiam que investidores com práticas predatórias estavam mirando os bancos de investimento.

Esse tipo de transação, que já havia derrubado Bear Stearns Cos. e Lehman, fez com que as ações do Citigroup desabassem 60% na semana passada, o que forçou novo socorro do governo.

Os investigadores estão tentando identificar o que causou o caos do mercado em meados de setembro e saber se os swaps de crédito ou as ações do Morgan Stanley foram negociados de forma imprópria. O procurador-geral de Nova York, Andrew Cuomo, o escritório em Manhattan da Procuradoria-Geral dos Estados Unidos e a comissão de valores mobiliários americana (SEC) estão investigando se houve manipulação do mercado por parte de corretores que teriam divulgado intencionalmente falsos boatos para lucrar com suas apostas. As investigações também querem verificar se os operadores compraram swaps por altos preços para provocar o medo quanto à estabilidade do Morgan e assim lucrar em outras aplicações, e se as transações envolveram cotações falsas e fechamento de negócios inexistentes, segundo pessoas a par do assunto.

Ainda não surgiu publicamente nenhuma prova de que qualquer firma tenha feito algo de errado em relação às ações ou swaps do Morgan Stanley. A maior parte das firmas afirma que comprou os swaps simplesmente para se proteger contra eventuais prejuízos com vários tipos de negócios que estavam fazendo com o Morgan. Algumas garantem que suas aplicações em swaps foram pequenas em relação a todas as transações desse tipo ocorridas naquele dia.

Provar que o preço de qualquer papel foi manipulado é extraordinariamente difícil. O mercado de swaps não é nada transparente: as transações são feitas por telefone e email entre os corretores, sem cotações públicas.

Erik Sirri, um diretor de mercados da SEC, afirma que o mercado de swaps é vulnerável à manipulação. “Transações de baixo volume em um mercado relativamente pequeno podem ser usadas para (…) sugerir que um crédito é considerado fraco pelo mercado”, disse ele em depoimento ao Congresso americano no mês passado. Sirri disse que a SEC temia que as transações com swaps estivessem causando investimentos prejudiciais às ações.

O Morgan tinha começado setembro em boa forma. Teve lucro nos dois primeiros trimestres fiscais, até 31 de maio. Ao contrário da Lehman, não tinha muita exposição aos créditos imobiliários residenciais de alto risco, embora estivesse exposto ao mercado de imóveis comerciais e de empréstimos alavancados. Mack sabia que os lucros do terceiro trimestre seriam maiores do que o esperado.

Em 14 de setembro, enquanto a Lehman se preparava para pedir concordata, Mack disse aos funcionários, em memorando interno, que o Morgan estava “em uma posição única para ter sucesso neste ambiente tão cheio de desafios”. No dia seguinte, a firma conseguiu alguns novos clientes de fundos de hedge que estavam fugindo da Lehman.

Mas os rumores corriam soltos, com operadores preocupados com qual firma de Wall Street seria a próxima a cair. A conversa nos fundos de hedge, segundo alguns operadores, é que o Morgan Stanley tinha US$ 200 bilhões em risco devido às suas transações com a seguradora American International Group Inc., então prestes a pedir concordata. Isso não era verdade. O Morgan informou à SEC que sua exposição à AIG era “irrelevante”.

Alguns corretores do J.P. Morgan Chase & Co. estavam sugerindo a clientes do Morgan Stanley que era arriscado manter contas nessa firma, segundo pessoas a par do assunto. Mack queixou-se a James Dimon, diretor-presidente do J.P. Morgan, que pôs fim às conversas, segundo essas pessoas. Deutsche Bank, UBS e Credit Suisse também ofereceram seus serviços a fundos de hedge atendidos pelo Morgan, segundo pessoas a par do assunto.

No dia 16, a ação do Morgan desabou durante o dia, mas com uma recuperação no final do pregão. Alguns fundos de hedge retiraram seus recursos da firma, temendo que o Morgan seguisse os passos da Lehman no tribunal de falências, com risco de imobilizar os ativos dos clientes. Em um esforço para amainar as preocupações, o Morgan divulgou seus resultados naquela tarde, às 16h10, um dia antes do previsto.

“É muito importante devolver um pouco de sanidade ao mercado”, disse Colm Kelleher, diretor financeiro do Morgan, em teleconferência com investidores. “As coisas estão realmente saindo de controle, e boatos ridículos estão sendo repetidos.”

Glenn Schorr, analista do UBS, perguntou a Kelleher sobre o alto custo de proteção da dívida do Morgan Stanley no mercado de swaps. A proteção para US$ 10 milhões em dívidas do Morgan tinha subido para US$727.900 por ano, ante US$221.000 em 10 de setembro, segundo a CMA DataVision.

“Certas pessoas estão se concentrando nos swaps de crédito como desculpa para olhar para as ações”, respondeu Kelleher, sugerindo que os operadores que investiam nos swaps também estavam vendendo a descoberto ações do Morgan Stanley, apostando que elas cairiam.

É impossível saber com certeza qual era a motivação dos que compravam swaps do Morgan. Eles receberiam pagamentos caso o Morgan não pagasse títulos e empréstimos. Alguns desses compradores, sem dúvida, possuíam créditos do banco e estavam simplesmente tentando proteger-se contra uma eventual insolvência.

Mas os swaps também eram uma boa maneira de especular, para operadores que não detiam esses créditos. O valor do swap aumenta com o medo da inadimplência. Os operadores que apostavam no aumento dos temores sobre o Morgan Stanley podiam usar os swaps para obter um lucro rápido.

Em meio às incertezas daquele 16 de setembro, a Millennium Partners LP, fundo de hedge com US$ 13,5 bilhões, pediu para retirar US$ 800 milhões dos mais de US$ 1 bilhão que mantinha no Morgan, segundo pessoas a par dessas retiradas. Em separado, a Millennium também tinha vendido a descoberto ações do Morgan Stanley – parte de uma série de apostas na queda das ações de firmas financeiras, disse uma dessas pessoas. Além disso, a fundo de hedge comprou opções de venda, que lhe davam o direito de vender ações do Morgan no futuro a um preço determinado.

“Escute, nós precisamos proteger nossos ativos”, disse Israel Englander, presidente da Millennium, a um executivo do Morgan Stanley, segundo uma pessoa a par da conversa. “Não é nada pessoal.” Essas apostas na queda das ações, pequenas em comparação com o volume total de transações da Millennium, subiam de valor à medida que caíam as ações do Morgan.

Na manhã do dia 17, David “Tiger” Williams, presidente da Williams Trading LLC, que presta serviços de transações para fundos de hedge, ouviu um de seus operadores dizer que certo fundo havia transferido uma conta de US$ 800 milhões do Morgan Stanley para uma firma rival. O operador, que estava ao telefone com o gestor do fundo que retirou o dinheiro, perguntou por quê. O Morgan estava quebrando, respondeu o cliente.

Pressionado a dar detalhes, o administrador do fundo repetiu o rumor sobre o cancelamento da linha de crédito de US$ 25 bilhões por parte do Deutsche Bank. Williams passou a dar vários telefonemas, mas suas fontes no mercado opinaram que se tratava de um boato falso.

Mas o estrago já estava feito. Às 7h10, um operador do Deutsche Bank cotou em US$ 750.000 a compra de proteção para US$ 10 milhões em dívida do Morgan. Às 10h, o Citigroup e outros operadores já cotavam preços de US$ 890.000. E à medida que se alastrava o boato sobre o Deutsche, as ações do Morgan despencaram, de cerca de US$ 26 às 10h para perto de US$ 16 às 11h30.

Antes do meio-dia, operadores de swap começaram a cotar o custo de seguro para o Morgan em “pontos adiantados” – jargão de Wall Street para transações em que os compradores têm de pagar pelo menos US$ 1 milhão adiantado, mais um prêmio anual, para segurar US$ 10 milhões em dívida. No caso do Morgan Stanley, alguns operadores estavam exigindo mais de US$ 2 milhões adiantados.

Durante o dia, a Merrill comprou swaps para cobrir US$ 106,2 milhões em dívida do Morgan Stanley, segundo os documentos das transações. A King Street comprou swaps que cobriam US$ 79,3 milhões; o Deutsche Bank, US$ 50,6 milhões; a Swiss Re, US$ 40 milhões; a Owl Creek, US$ 35,5 milhões; UBS e Citigroup; US$ 35 milhões cada; Royal Bank of Canada, US$ 33 milhões; e ACM Global Credit, um fundo de investimento operado pela AllianceBernstein Holding, US$ 28 milhões, segundo os documentos.

No dia seguinte, 18 de setembro, algumas dessas mesmas firmas estavam de volta ao mercado. A Merrill comprou proteção para outros US$ 43 milhões em dívida do Morgan; o Royal Bank of Canada, US$ 36 milhões; a King Street, US$ 30,7 milhões; e o Citigroup, US$ 20,7 milhões, indicam os registros.

Nenhuma das firmas comenta quanto pagou pelos swaps, ou se lucraram com as operações.

“A proteção que compramos foi um simples hedge, não baseado em nenhuma visão negativa do Morgan Stanley”, diz John Meyers, um porta-voz da AllianceBernstein. Um porta-voz do Royal Bank of Canada diz que o banco comprou os swaps para administrar seu “risco de crédito” com o Morgan Stanley e que não estava “apostando contra o Morgan Stanley nem realizou apostas na baixa de sua ação”.

A King Street, um fundo de hedge com US$ 16,5 bilhões, comprou os swaps para cobrir sua exposição ao Morgan Stanley, que incluía títulos de renda fixa, segundo uma pessoa ligada ao fundo. O fundo não tinha uma posição vendida na ação, diz essa pessoa.

Porta-vozes de Deutsche Bank e Citigroup dizem que as transações deles foram relativamente pequenas e com o propósito de proteger contra perdas em outros investimentos relacionados ao Morgan, e para atender a ordens dos clientes. Um porta-voz da Owl Creek diz que ela comprou os swaps “para segurar o colateral que tínhamos no Morgan Stanley na época”, e que continua a fazer negócios com a firma.

Merrill, UBS e Swiss Re negaram-se a prestar comentários.

Durante o frenesi de transações em 17 de setembro, Mack havia começado a discutir uma fusão com o Wachovia Corp. Quatro dias depois, o Morgan Stanley alterou o curso, tornando-se uma holding bancária e ganhando maior acesso a recursos do governo. No mês passado, depois de captar US$ 9 bilhões do japonês Mitsubishi UFJ Financial Group, o Morgan recebeu US$ 10 bilhões do governo americano.

O Morgan Stanley precisa agora revisar sua estratégia para lidar com um ambiente avesso a risco e com a supervisão mais rígida do governo que acompanha a condição de holding bancária. Este mês, o banco anunciou que demitiria 2.300 empregados, ou 5% do total.

O custo de segurar sua dívida caiu. Ontem sua ação subiu 33,13% e fechou a US$ 13,38.

19/05/2008 - 14:08h Alstom e PSDB no Wall Street Journal

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“Wall Street Journal” e o PSDB

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O “WSJ”, que deu o “furo” sobre o escândalo na manchete, duas semanas atrás, segue na cobertura do caso Alstom. No sábado, noticiou que a empresa francesa se pronunciou co-autora da ação contra o suposto pagamento de propinas, que se estenderam para além de 2000.

E hoje, em longa reportagem de Antonio Regalado e David Crawford, agora sem tradução no “Valor”, mas com acesso livre via Google News, ressalta que o caso entrou no jogo das “batalhas políticas do Brasil”, abrindo “novo front na disputa entre os dois principais partidos”. Como “os contratos em questão foram concedidos no Estado de São Paulo, a base do oposicionista PSDB, partido à direita do PT”, eles se tornaram foco da campanha eleitoral deste ano.

Para o “WSJ”, “o caso Alstom está chamando a atenção em parte porque é realizado por investigadores estrangeiros independentes”.

O jornal diz que a maior parte dos contratos foi assinada “sob o governo de Geraldo Alckmin”, mas as “autoridades em São Paulo ligadas ao PSDB, que detém a maioria no legislativo estadual, rejeitaram na quinta-feira um pedido de abertura de inquérito formal”, a CPI. A reportagem sublinha que “o Estado de São Paulo, economicamente importante, tem sido uma fortaleza do PSDB” e que “no Brasil as grandes companhias estatais são uma fonte importante de doações de campanha” no país.

Por outro lado, a investigação “repercute junto aos moradores de São Paulo em parte pela ligação do caso com o metrô”, que é “relativamente pequeno” na maior cidade da América do Sul e tem uma das tarifas “mais caras do mundo” em relação ao salário mínimo.

Segundo o “WSJ”, “o governador de São Paulo, José Serra, disse que o Metrô vai ajudar com qualquer investigação, mas que ‘nós estamos esperando que mais elementos’ do caso se tornem claros”.