10/04/2008 - 03:18h Crescimento do turismo brasileiro atrai novos investimentos em hotéis
Accor e WTorre criam parceria de R$ 500 mi
Joint venture deve erguer 20 hotéis em três anos
CRISTIANE BARBIERI – FOLHA DE SÃO PAULO
DA REPORTAGEM LOCAL
O grupo hoteleiro Accor e a construtora WTorre anunciaram ontem a criação de uma joint venture para a construção de 20 hotéis, que exigirão investimentos de R$ 500 milhões até 2011. Desse total, 80% serão aplicados pela WTorre e 20% pela Accor.
“A parceria com grandes investidores é inédita na América Latina e pretendemos repetir o formato tanto no Brasil como em outros países da região”, afirma Firmin António, diretor-geral do grupo Accor para América Latina.
Segundo ele, em três meses o grupo deverá firmar parceria semelhante no México, com investidores do setor de transporte, para a construção de mais 20 hotéis naquele país.
Já as unidades a serem erguidas pela joint venture brasileira serão voltadas aos segmentos econômicos e supereconômicos. Serão 13 Ibis e sete Formule 1 espalhados por 11 cidades. Eles dobrarão o número de hotéis dessas categorias do grupo Accor no Brasil. O primeiro será um Ibis, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.
“Não ficaremos nesses 20 hotéis”, afirma Walter Torre Jr. acionista da WTorre, que está construindo a nova sede do grupo, na Marginal Pinheiros, zona Oeste da cidade. “Queremos também ir para outros países nessa parceria com a Accor.
Bandeira indefinida
Torre Jr. espera rentabilidade entre 12% e 15% ao ano, quando os hotéis estiverem em operação. Apesar de a parceria consolidar os laços entre as empresas, ele afirma que a bandeira do hotel que a WTorre está construindo no antigo prédio da Eletropaulo, na avenida Juscelino Kubitschek, não está definida. “Estão concorrendo operadoras hoteleiras de todo o mundo”, diz Torre Jr.
Com rentabilidade menor do que as categorias de luxo, Ibis e Formule 1 foram escolhidas por terem as maiores taxas de ocupação da rede. Com diárias médias de R$ 130, os Ibis tiveram ocupação de 76% em 2007. Já os Formule 1 custam em torno de R$ 90 ao dia, com 82% dos quartos ocupados.
“Hotéis econômicos resistem melhor a crises econômicas”, afirmou Gilles Pélisson, diretor-geral do grupo Accor no mundo.
Segundo ele, apesar de o grupo ter sentido o nervosismo do mercado americano, o primeiro trimestre foi bom para o setor, em todo o mundo. “Os países emergentes estão ganhando mais importância dentro de nossa estrutura, como estratégia de diversificação”, diz Pélisson, que visitava o Brasil.
Para Ricardo Mader, sócio da consultoria HIA (Hotel Investments Advisors), a decisão de escolher o mercado econômico foi acertada, porque é a categoria de maior demanda no Brasil. “É a tarifa que cabe no bolso do brasileiro”, diz Mader. “A tendência de parcerias com grandes grupos é forte no exterior e irá acontecer aqui, como foi com shoppings e prédios comerciais: para construtoras, não faz sentido investir num hotelzinho, mas sim ganhar escala em grandes projetos.”