09/06/2009 - 11:22h Um cénario inquietante para Europa

Vitória do populismo, radicalismo e eurocéticos

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Gilles Lapouge* – O Estado SP

Nenhuma surpresa. Os conservadores triunfaram nestas eleições europeias em quase todos os 27 países-membros. Mas esse resultado é paradoxal.

A crise financeira, que teve origem nos bancos americanos, não levou à condenação do liberalismo econômico pregado pela direita, de Ronald Reagan e Margaret Thatcher a Angela Merkel e Nicolas Sarkozy. Isso porque, há seis meses, os governos de direita reagem com inteligência e brio. Sacudidos pela crise, aplicaram remédios dignos de intervencionistas de esquerda. Hoje, não se sabe mais em que partido se oculta o “liberalismo” econômico.

O resultado nos ensina que a fé na Europa vacila, o que é mostrado por dois índices. O primeiro é o nível sem precedente de abstenção: 60% dos cidadãos europeus não se preocuparam em sair de casa para votar.

O segundo é o avanço da extrema direita e eurocéticos (os que não acreditam no bloco ou querem destruí-lo). O caso mais espantoso é o da Grã-Bretanha, onde o Partido Trabalhista só reuniu 15,3% dos votos. Uma derrota tão amarga que a pergunta é se o premiê Gordon Brown conseguirá sobreviver.

Quem se beneficiou da queda trabalhista foi a direita e os eurocéticos. O Partido Conservador, adversário tradicional dos trabalhistas, ficou em primeiro ao arrebanhar 28,6% dos votos. Mas o partido de Brown não conseguiu nem o segundo lugar; foi derrotado pelo Partido da Independência Britânico (UKIP), que obteve 17,4% dos votos. O UKIP exige simplesmente a saída do país da União Europeia (UE).

Outro caso inquietante é o da Holanda, onde o Partido para a Liberdade (PVV), liderado por Geet Wilders, seduziu 17% dos cidadãos, ficando próximo do governista Partido Democrata-Cristão. O líder do PVV, um tribuno da direita mais primitiva, urra contra os imigrantes e contra a UE, a quem culpa por abrir as portas da Europa para as hordas do Terceiro Mundo.

Wilders seduziu com um discurso rudimentar. Afirmou que o Alcorão é um “livro fascista” e foi processado por incitação ao ódio. Mas isso não o perturbou. Para ele, “as pessoas estão fartas da Europa como se apresenta hoje, uma imensa Europa, com a possível entrada da Turquia, para a qual os holandeses já contribuíram com bilhões”.

Mais do que um grande sucesso dos conservadores e um recuo geral dos socialistas, as eleições nos mostram cenários muito inquietantes: o avanço do populismo, a consolidação da direita radical e, sobretudo, o florescimento tumultuoso das formações antieuropeias.

* Gilles Lapouge é correspondente em Paris

30/01/2009 - 22:12h Manifestação contra os trabalhadores estrangeiros na Inglaterra

Miles de trabajadores británicos se manifiestan contra los trabajadores extranjeros

Miles de obreros británicos se manifiestan contra los trabajadores extranjeros


La protesta iniciada hace cuatro días en una refinería se extiende a todo el sector energético

PATRICIA TUBELLA | Londres – El País

La huelga puntual que arrancara hace cuatro días en una refinería de Lincolnshire contra el empleo de trabajadores extranjeros ha acabado extendiéndose por la geografía británica como una mancha que sugiere ciertos tintes xenófobos. Miles de empleados de diversas plantas energéticas en Inglaterra, Gales y Escocia salían este viernes a la calle para reclamar al Gobierno laborista la adopción de medidas proteccionistas que detengan la proliferación de contratos con compañías foráneas, un recurso que abarata los costes y suele traducirse en el empleo de mano de obra procedente sobre todo del este de Europa.

El núcleo de la protesta se centra en la promesa de Gordon Brown, al poco de asumir el cargo como primer ministro (junio 2007), asegurando que velaría por procurar “empleos británicos a los trabajadores británicos”. Ese falso y populista compromiso -el gobierno no puede frenar el libre tránsito de trabajadores entre los países de la Unión Europea- ha acabado volviéndose en su contra en un contexto de crisis económica cuyas estadísticas de desempleo ya rozan los dos millones de personas (6,1% de la población activa). Y el mensaje ultraproteccionista, de tremendo calado entre las clases más golpeadas por la recesión, es explotado ahora más que nunca por la ultraderecha del Partido Nacional Británico (BNP, en sus siglas inglesas), que presenta claros visos racistas.

El origen de las protestas

La mecha de las movilizaciones prendía en la refinería de Lindsey (nordeste de Inglaterra) a raíz del contrato para la construcción de una planta de desulfurización que la empresa Total ha suscrito con el grupo italiano IREM. La población de la zona alega que los más de quinientos trabajadores contratados por esta última firma son italianos y portugueses venidos expresamente para acometer el proyecto, excluyendo a la mano de obra local que empieza a engrosar las abultadas cifras de paro. Los sindicatos británicos aducen que ese gesto obedece a motivos de ahorro, mientras que la firma implicada esgrime la carencia de trabajadores cualificados entre la oferta local. Total ha garantizado que la operación no entrañará “despidos directos” en su factoría, pero los obreros desconfían de la promesa.

“La nuestra no es una manifestación contra los trabajadores extranjeros, sino contra las compañías que discriminan a los trabajadores británicos”, aseguraba Bobby Buird, dirigente del sindicato mayoritario, Unite, añadiendo que “reivindicar nuestro derecho al trabajo no es una lucha xenófoba”. Algunos medios británicos, encabezados por The Times, apuntaban sin embargo la presencia del elementos del BNP en la trastienda de las protesta y reorientando su lemas contra la mano de obra foránea.

“Permanezcan en casa”

Como medida de precaución, los responsables de Total recomendaban a los contratados extranjeros de su planta de Lindsey que permanecieran en sus viviendas, mientras un millar de trabajadores británicos se manifestaban pacíficamente y rodeados por un importante dispositivo de seguridad frente a la sede de la compañía reclamando al ejecutivo la protección de sus empleos. A esa consigna acabaron sumándose otros mil huelguistas en la proveedora de gas Milford Haven, al oeste de Gales, y centenares de empleados de seis grandes compañías energéticas escocesas, de una segunda refinería del nordeste de Inglaterra o de una estación eléctrica galesa, entre otros paros de ámbito más reducido. El comité de empresa de la planta nuclear de Sellafield (noroeste) también debatía el apoyo a los huelguistas.

El suministro energético en las islas británicas está por el momento garantizado, aunque la protesta amenaza la ya precaria estabilidad del gobierno de Gordon Brown, situado 12 puntos por debajo de la oposición conservadora en las últimas encuestas. “Entiendo la ansiedad de la gente sobre sus trabajos. Nuestra acción se dirige a garantizar que puedan retenerlos, a ayudar a quienes pierden su empleo para que encuentren otro y a alentar la formación de los jóvenes. Ese es el modo correcto de encarar el problema”, declaraba el primer ministro desde el Foro de Davos. Pero el hincapié que hizo Brown en la necesidad de evitar la tentación proteccionista difícilmente contribuirá a calmar los ánimos de unos huelguistas que han proclamado la globalización como su bestia negra.

28/01/2009 - 12:53h Dia Internacional em memória das vitimas do Holocausto

Discurso do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante solenidade do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto
São Paulo-SP, 27 de janeiro de 2009

 Foto Ricardo Stuckert / PR
Presidente Lula participa de cerimônia do Dia Internacional de Lembrança das Vítimas do Holocausto _(São Paulo, SP, 27/01/2009) _Foto: Ricardo Stuckert/PR

Meus amigos e minhas amigas,

Agradeço o convite para participar, pelo quarto ano consecutivo, do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Eu posso dizer que me sinto pessoalmente envolvido com a instituição desta data. Em agosto de 2004, recebi de uma comitiva do Congresso Judaico Mundial e de líderes comunitários brasileiros – certamente alguns deles estão aqui presentes – uma petição à ONU solicitando medidas mais concretas na luta contra o anti-semitismo. Assinei de imediato o documento, afinal, o Estado brasileiro foi co-patrocinador de diversas resoluções da ONU afirmando a importância de rememorar aquela tragédia. Mais tarde, eu soube que o Brasil foi o primeiro país a subscrever aquela petição. Soube também que ela serviu de base para consagrar 27 de janeiro como o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.
Hoje, como em todos os dias, devemos nos empenhar na luta da memória contra o esquecimento. É preciso manter viva a lembrança, para que nunca mais se repita o assassinato em massa, o genocídio como ideologia e a limpeza étnica como razão de Estado.
O regime nazista promoveu a mutilação espiritual, a humilhação moral, a ruína material e a eliminação física de milhões de homens, mulheres e crianças. Vitimou judeus, comunistas, homossexuais, negros, ciganos, testemunhas de Jeová e todos que considerou inferiores na raça, no credo e na cor. O holocausto marcou o auge da crueldade humana e configurou o maior episódio de violência e covardia de nossa história, um episódio que não deveria ter ocorrido e que não pode nunca mais voltar a ocorrer.
É certo que a intolerância e a xenofobia ainda não foram totalmente extintas. No entanto, em todo o mundo a sociedade vem dando importantes passos na superação dos preconceitos. Um grande exemplo acaba de se concretizar nos Estados Unidos. Lá, há poucas décadas, negros e brancos não tinham os mesmos direitos. E hoje, pela primeira vez, um negro é presidente dos Estados Unidos. O combate ao ódio e à discriminação já não é um grito isolado, mas integra o ideário das sociedades dos mais diferentes países.
Minhas amigas e meus amigos,
Ao participar deste evento, ano após ano, busco demonstrar o profundo respeito que eu e todo o governo nutrimos pelas comunidades que compõem a grande nação brasileira. Eu me orgulho de ser presidente de um país marcado pela diversidade, onde a tolerância garante o respeito mútuo a todos. Temos uma legislação clara e rigorosa no que se refere a todas as formas de intolerância. Somos uma das poucas democracias do mundo, talvez a única, em que a Constituição garante que para crime de racismo não deve existir nem fiança, nem prescrição.
O Brasil não aceita discriminação. Judeus e árabes, sejam religiosos ou não, convivem pacífica e harmoniosamente em nossas cidades, dividem espaços e compartilham a construção e o desenvolvimento do Brasil. Por isso, o conflito entre Israel e Palestina, no Oriente Médio, atinge os corações e as mentes de todos, e nos obriga a evitar que o ódio contamine o nosso país. Mais do que tudo, o Brasil pode se valer dessa convivência pacífica para colaborar para a construção da paz.
Minhas amigas e meus amigos,
A diplomacia brasileira tem uma larga tradição de atuar de forma conciliatória na solução de conflitos, e no que se refere aos povos israelense e palestino, nosso Estado vem ao longo de seis décadas ratificando as resoluções internacionais que têm por objetivo garantir a coexistência pacífica e segura de dois Estados soberanos. Esse tem sido o sentido de todas as nossas manifestações, pois só assim alcançaremos a paz naquela região. Eu tenho me esforçado pessoalmente para impedir que o ódio mútuo, acumulado ao longo de décadas, acabe sufocando ainda mais as alternativas de paz.
Como vocês sabem, recentemente determinei ao chanceler Celso Amorim que viajasse à região com o objetivo de apoiar os esforços para o cessar-fogo, o alívio da situação humanitária e o estabelecimento de uma paz reguladora. Na ocasião, a diplomacia brasileira reiterou às autoridades sírias, israelenses, palestinas, jordanianas e egípcias, a necessidade de se evitar mais mortes e sofrimento na população civil de ambos os lados.
Lembramos às partes envolvidas que há outros atores interessados em agir a favor de um entendimento, e a paz só tem a ganhar com a participação de países como o Brasil. Todos sabem que o Brasil não está interessado nos resultados políticos e nos dividendos econômicos que podem ser obtidos na região. Nosso interesse exclusivo é o de contribuir para a paz duradoura e definitiva na região.
O Brasil tem condições e credenciais para participar, junto com outros países, de iniciativas que conduzam a um consenso para superar a violência e a irracionalidade. Por isso mesmo, apoiamos a realização de uma conferência internacional em seguimento à reunião de Annapolis, ocorrida em novembro de 2007, como um passo importante para o restabelecimento da paz na região, com base no reconhecimento do direito de constituição do Estado palestino viável, e da existência de Israel em condições de segurança e de soberania. O Brasil não aceita a escalada da violência como solução para os conflitos.
Lamentamos profundamente a morte de civis, mulheres e crianças. Conclamamos o pronto estabelecimento das condições que permitam a plena retomada da assistência humanitária à população de Gaza e a tranquilidade para a população de Israel. Guardo uma profunda esperança na construção do diálogo e continuarei empenhado para que, o mais rápido possível, aquela região viva uma trégua consistente que seja prenúncio de uma paz duradoura.
Minhas amigas e meus amigos,
Que este Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto ajude a todos os homens e mulheres a se recordarem das iniquidades que tanto macularam a trajetória da Humanidade. Que ele fale à consciência coletiva sobre a necessidade de se reparar os danos sofridos no passado, de se interromper as injustiças do presente e de se evitar tragédias no futuro.
Espero, sobretudo, que este dia nos convide a olhar para as novas gerações, que não podem ser hostilizadas pelos erros cometidos por seus antepassados. Devemos garantir que as crianças e jovens se desenvolvam em um ambiente onde a desconfiança mútua seja substituída pelo preceito bíblico, quando diz: “Ama teu próximo como a ti mesmo”.
Shalom. Muito obrigado.

09/11/2008 - 10:01h A noite dos cristais

Documentario preparado pela FIERJ

29/10/2008 - 15:50h Prioridade é evitar um colapso global

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Martin Wolf – Financial Times – VALOR

É preciso dar crédito a quem de direito: Nouriel Roubini, da Escola de Negócios Stern da Universidade de Nova York, estava certo. Em 20 de fevereiro de 2008, escrevi uma coluna intitulada “Apocalipse Now” (Valor de 20/02), baseada na sua análise dos 12 passos até o desastre. Infelizmente, os EUA não só deram esses passos, como também – com a ajuda de outros, incluindo o Reino Unido – arrastaram o mundo atrás de si.

Em nota mais recente, o professor Roubini prevê uma combinação de estagnação e deflação (The Coming Global Stag-Deflation [A vinda da estag-deflação global], 25 de outubro de 2008, www.rgemonitor.com). Ao fazê-lo, ele aponta, com certo júbilo, para a mais recente análise do panorama global do JPMorgan Chase, que já esteve entre os analistas mais otimistas. Agora, sob a rubrica – “Péssima semana no inferno”, o JPMorgan afirma que: “Mais uma vez, cortamos as projeções de crescimento de curto prazo para o mundo desenvolvido e provavelmente prosseguiremos com revisões adicionais para baixo para as economias emergentes nas próximas semanas. Agora mesmo, as nossas projeções indicam que o Produto Interno Bruto global se contrairá a uma taxa anual de 1% no quarto trimestre de 2008 e no primeiro trimestre de 2009″.

O JPMorgan estima o encolhimento neste trimestre a uma taxa anualizada de 4% nos EUA, 3% no Reino Unido e 2% na zona do euro. Ele está projetando crescimento global de 0,4% em 2009, com as economias avançadas encolhendo 0,5% e as emergentes, em 4,2%.

Dada a quase desintegração do sistema bancário ocidental, a fuga rumo a ativos seguros, o aperto do crédito para a economia real, o colapso nos preços das ações, turbulência nos mercados cambiais, contínuas quedas acentuadas nos preços das moradias, o veloz saque de recursos dos fundos de hedge e o colapso em andamento do chamado “sistema bancário paralelo”, essas projeções até parecem ser bem otimistas. O resultado no próximo ano poderá ser muito pior.

Se os governos ocidentais não tivessem feito intervenções para garantir e recapitalizar os sistemas bancários, a situação certamente teria sido pior. Apesar disso, mesmo isto não parou a confusão. Consideremos apenas duas estatísticas: a capitalização dos mercados acionários mundiais caiu à metade; além disso, segundo o mais recente “Relatório sobre a Estabilidade Financeira” do Banco da Inglaterra, as perdas a marcação de preços de mercado em instrumentos de dívida vulneráveis agora equivalem a imponentes US$ 2,8 trilhões (www.bankofengland.co.uk).

Então, o que deve ser feito? Alguns dirão: absolutamente nada. Existe uma opinião muito generalizada, especialmente nos EUA, de que o mundo precisa fazer uma grande purificação dos excessos do passado. As recessões, por essa linha de pensamento, são benéficas. As pessoas que detêm esta opinião também sustentam que os governos causaram todos os erros. Os mercados, eles insistem, seriam incapazes de cometer os erros que testemunhamos. Para eles, a confissão de Alan Greenspan na semana passada, de que “eu cometi um erro ao supor que o interesse próprio das organizações, especificamente de bancos e outros, era de tal ordem que eles seriam os mais capazes de proteger os seus próprios acionistas” foi tão bem-vinda quanto foi o punhal de Brutus para Cesar.

Curiosamente, o “Relatório sobre a Estabilidade Financeira” do Banco oferece algum respaldo a essa opinião: nos idos de 1900, os bancos dos EUA possuíam quatro vezes mais capital, relativo a ativos, do que detêm hoje. Igualmente, a liquidez dos ativos detidos pelos bancos do Reino Unido desmoronou ao longo do meio século que passou. Garantias implícitas e explícitas de governos realmente tornaram o sistema mais perigoso do que antes. A combinação dessas garantias com desregulamentação comprovou ser letal. O risco moral está longe de ser insignificante.

Apesar disso, a noção de que uma recessão rápida purificaria o mundo dos excessos passados é ridícula. O perigo é, ao contrário, o de ocorrer um colapso, à medida que uma montanha de dívida privada – nos EUA, igual a três vezes o PIB – desaba e se transforma em falência em massa. A espiral descendente começaria com uma deterioração adicional dos sistemas financeiros e continuaria através da desconfiança generalizada, desaparecimento do crédito, fechamento de grande número de empresas, desemprego ascendente, preços de commodities despencando, quedas progressivas nos preços das ações e despejos em alta. A globalização semearia a catástrofe por todos os lugares.

Grande parte das vítimas seria inocente dos excessos passados, ao passo que os mais culpados reteriam os seus ganhos obtidos de forma ilícita. Esta seria a receita, não para um ressurgimento to “laissez-faire” do século XIX, mas para xenofobia, nacionalismo e revolução. Nessas circunstâncias, estas conseqüências são concebíveis. Optar por arriscar um desfecho assim seria como decidir deixar uma cidade arder para punir alguém que tenha fumado na cama. Arriscar enormes prejuízos agora na esperança de diminuir o risco moral mais tarde é insano.

Todo o possível deve ser feito para evitar que a inescapável recessão se transforme em algo pior. Um grande número destas ações necessárias foi apresentado na coluna de Jeffrey Sachs, da Universidade de Colúmbia, anteontem (Valor, Finanças, 26 de outubro de 2008). Eu destacaria cinco pontos.

Primeiro, como argumenta John Muellbauer da Universidade de Oxford, a deflação é um perigo real (”The folly of the central banks of Europe” [a insensatez dos bancos centrais da Europa], 27 de outubro de 2008, www.voxeu.org). A deflação, porém, é letal para as economias endividadas. Hoje, as taxas de juros de curto prazo parecem demasiado elevadas na zona do euro e no Reino Unido. Os bancos centrais precisam reexaminar as suas economias e reduzir taxas em pelo menos um e, idealmente, em dois pontos percentuais.

Segundo, a única forma de deixar o setor privado se desalavancar, sem falências em massa e enormes quedas nos gastos, é substituindo o ativo que todos querem: dívida do governo. Ao contrário do professor Sachs, acredito que cortes de impostos são de fato parte da solução.

Terceiro, é crucial que a concessão de empréstimos seja mantida tanto dentro como entre economias. Depois de terem passado por tantos problemas para recapitalizar os bancos, os governos deveriam insistir que seus recursos sejam usados para suprir linhas de crédito aos mais propensos a permanecer solventes. Se os bancos se recusarem a fazer isso, os bancos centrais deverão substituí-los, como o Federal Reserve está fazendo agora.

Quarto, está no vital interesse próprio dos países de alta renda afetados manter as duramente castigadas economias emergentes solventes durante a crise.

Por fim, é igualmente evidente que o mundo não voltará ao equilíbrio se países em sólidas posições financeiras não ampliarem a demanda interna. O dia das bolhas habitacionais e de enormes déficits em conta corrente nos gastadores países de alta renda acabou. Aqueles que dependem de superávits em conta corrente para sustentar a demanda precisam pensar de novo.

Decisões tomadas ao longo dos próximos meses provavelmente moldarão o mundo por uma geração. A legitimidade da própria economia de livre mercado pode estar em risco. Aqueles que consideram a liquidação dos excessos passados como a solução não compreendem os riscos. O mesmo se aplica aos que sonham com novas ordens mundiais. Atravessemos primeiro essa crise. O perigo continua imenso e o tempo é curto.

25/10/2008 - 16:15h La rue et la gauche se mobilisent contre Silvio Berlusconi

LE MONDE

Manifestation d'étudiants de l'université de La Sapienza à Rome, le 23 octobre 2008.
AFP/ANDREAS SOLARO Manifestation d’étudiants de l’université de La Sapienza à Rome, le 23 octobre 2008.

ROME CORRESPONDANT

Jusqu’à présent, il a fait ce qu’il voulait ou presque. Depuis son élection à la présidence du conseil italien, Silvio Berlusconi a imposé le rythme et les thèmes de la vie politique italienne sans avoir à craindre que quiconque ne le fasse choir du piédestal où il trône, fort d’une cote de popularité à 60 %. La rue ? Muette au point que le cinéaste Nanni Moretti a parlé de “disparition de l’opinion publique”. La crise ? Traversée sans dommages pour son image, donnant des conseils boursiers aux petits actionnaires (”Ne vendez pas”) et des assurances aux banques (”L’Etat garantira l’épargne”). La gauche ? Trop faible, trop divisée pour compter.

Aujourd’hui, la rue se réveille. Depuis plusieurs jours, des dizaines de milliers de professeurs, d’étudiants, de lycéens battent quotidiennement les pavés des grandes villes contre la réforme conduite par la ministre de l’instruction, Mariastella Gelmini. Elle prévoit des coupes budgétaires de plusieurs milliards d’euros et la suppression d’environ 140 000 postes dans les prochaines années. Les manifestations ont pris un tour plus violent, illustré par des heurts avec la police, notamment à Milan.

Le “Cavaliere” a menacé de faire intervenir la police pour évacuer les contestataires qui bloquent les lycées et universités. Mais ces déclarations martiales n’ont pas convaincu les étudiants de renoncer à leur action. Au contraire : “Non seulement la mobilisation continue, mais elle augmente. C’est désormais la société dans son ensemble qui se rend compte que le gouvernement met en danger le développement économique du pays”, affirme un communiqué de l’Union des étudiants italiens (UDU). Deux grèves sont annoncées : le 30 octobre dans les écoles et les lycées ; le 14 novembre dans les universités. Jeudi 23 octobre, M. Berlusconi a démenti tout projet de recours à la force, et Mme Gelmini s’est dite prête à recevoir les syndicats et les parents d’élèves. Une première tentative de dialogue ?

A cours d’argument et craignant que cette contestation ne finisse par agir comme un acide sur ses bons sondages, M. Berlusconi s’en est pris à ses cibles habituelles : médias et centre-gauche. Aux premiers, il reproche de “diffuser l’angoisse” et des fausses nouvelles ; au second, de chercher dans la rue une revanche à son échec dans les urnes lors des élections générales d’avril.

C’est une première. Après avoir moqué son principal adversaire, le président du conseil semble lui reconnaître un rôle d’opposant qu’il refusait jusqu’alors de lui accorder. Rendu inaudible et humilié par sa défaite au scrutin d’avril, le centre paraît retrouver une visibilité et une crédibilité que les sondages ne traduisent pas encore. Walter Veltroni, secrétaire général du Parti démocrate, après nombre tâtonnements, semble avoir trouvé la voie d’une opposition résolue qui n’hypothèque pas la possibilité d’un dialogue. Ayant retrouvé son rang de premier opposant au président du conseil, M. Veltroni doit en apporter la preuve chiffrée, en rassemblant un million de personnes – objectif ambitieux qu’il s’est lui même fixé -, samedi 25 octobre, à Rome, contre la politique de M. Berlusconi. Un chiffre que les capacités de mobilisation de l’appareil et un comptage généreux devraient lui permettre d’atteindre.

UNE PREMIÈRE

Pour en arriver là, M. Veltroni a dû faire violence à sa réputation d’homme indécis. Après avoir supporté sans trop broncher les critiques de son principal allié, Antonio Di Pietro, leader du parti de l’Italie des valeurs (IDV), qui lui contestait le leadership de l’opposition au nom d’une vision plus intransigeante de l’antiberlusconisme, l’ancien maire de Rome a rompu son alliance. Une manière de clarifier la ligne du parti et de l’ancrer résolument au centre gauche. “Collaborateur”, lui a lancé M. Di Pietro.

Le succès de ce rassemblement ne signifie pas forcément la fin des contestations pour M. Veltroni. Décrit dans les médias proches du pouvoir comme un homme hésitant et peu charismatique, le secrétaire général du PD doit compter sur une opposition interne active. Certains dans le parti, dont l’autre poids lourd Massimo D’Alema, n’hésitent pas à parier sur une cuisante défaite du PD aux élections européennes, entraînant du même coup le départ de son actuel secrétaire général.

M. Berlusconi, qui connaît les ressorts humains et les arcanes de la politique italienne, le sait mieux que quiconque. La coalition des contestations – une première depuis son élection – peut encore se rompre sous la pression des divisions internes de ses opposants.
Philippe Ridet

25/10/2008 - 16:08h Centenas de miles de italianos manifestam contra Berlusconi

Fonte Le Monde


Os organizadores da manifestação dizem que reuniram mais de 2 milhões de pessoas na rua contra Berlusconi e sua política de xenofobia

18/10/2008 - 22:44h A participação da Folha na luta dos demo-tucanos contra Marta

Os jornais de amanha estão disponiveis em São Paulo hoje. Na edição de domingo da Folha o ombudsman publica uma coluna com o título “Faça o que digo, não o que faço”. Na sua coluna o ombudsman da Folha considera “um grave erro editorial” o exagero despropositado na exposição da vida pessoal do prefeito.

Pessoalmente, e contrariamente ao ombudsman, eu não penso que teve exagero da Folha e sim ação premeditada para sustentar a campanha eleitoral de Kassab após o primeiro debate na Band. A Folha decidiu agir para desviar o foco do debate eleitoral para o terreno da vida pessoal, utilizando como pretexto a leitura que a Folha fez do comercial de João Santana.

Segundo o ombudsman: “Todos os temas de políticas públicas, cerne da discussão para os eleitores decidirem seu voto, desapareceram do jornal de segunda a sexta.” A pesquisa Datafolha viria “coroar” esse esforço da Folha.

Eu já tinha alertado sobre a movimentação da Folha nessa direção, bem antes do início da campanha do segundo turno. Em nota postada aqui no blog, em 4 de outubro, concluí: “Mas a Folha abre a porta ao desencadeamento das piores manifestações de intolerância e de preconceito.” Ela já tinha descambado para falar da vida privada da Marta. (ver Trajetórias).

Para o jornal falar sobre os casamentos de Marta, insinuar traição conjugal, configurava uma questão “natural”, ao ponto de terem sido estes os destaques que o jornal deu no domingo 5 de outubro a trajetória da Marta publicada pela Folha.

Nesse dia, a Folha de São Paulo apresentou a trajetória de Marta começando com uma foto do seu casamento com Eduardo Suplicy e concluiu sua trajetória com uma foto do casamento comigo. O fato de Marta ter sido casada, posteriormente ter divorciado e casado novamente, para a Folha merecia destaque e era uma questão pertinente. A legenda da foto de nosso casamento dizia que em 2001 Marta tinha dito a sua mãe que estava apaixonada e que em 2002 tinha se separado de Eduardo. As datas da Folha eram propositalmente erradas, Marta se separou publicamente em 2001, poucos dias após ter dito a sua mãe que estava apaixonada. Para a Folha a vida privada de Marta merecia destaque, sua paixão também, sua separação idem.

Nem Clovis Rossi, nem Eliane Cantânhede, nem Janio de Freitas, nem Gilberto Dimenstein, nem Fernando de Barros, nem Kennedy Alencar, nenhum deles viu nada que merecesse comentário.

No que, poderíamos perguntar, a vida privada da Marta importava para os eleitores? Qual é a insinuação que a Folha fazia sobre a vida privada de minha esposa?

Faz  anos que a mídia trata intensamente da vida privada de Marta, de suas roupas, de seu divórcio, do que come no restaurante, do cabeleireiro, de onde passa suas férias e assim vai. Invadiram sua casa para fotografar os quartos, incitaram em permanência a xenofobia contra minha origem argentina e estrangeira.

A Folha se justificava considerando que as pessoas públicas devem aceitar uma certa “intrusão” na sua vida privada. A Folha até procurou entrevistar a mãe de meus filhos, na França,  para tentar obter detalhes sobre minha vida pessoal. Tudo em nome da informação e do direito do leitor a saber quem são as pessoas próximas das figuras públicas.

Sob pretexto de ecoar as motivações dos eleitores, quantas reportagens não traziam afirmações sobre a “família desregrada da Marta”, ou a “questão moral”. Recentemente a Folha convocou dois “cientistas políticos” para comentarem sobre o peso da “rejeição ao marido franco-argentino” e de novo “a moral”. O Estadão fez igual em artigo de Vera Rosa.

Não recebi, nem ouvi manifestação de solidariedade com a Marta, de nenhum dos que se apressaram a posar de “santos” para condenar o comercial do PT. Eu protestei com o ombudsman da Folha pela insinuação e a utilização da vida privada de Marta.  O ombudsman até concordou comigo, mas na sua coluna do domingo seguinte nada diz.

Eu escrevi um artigo aqui denunciando a campanha eleitoral da Folha. Nenhum dos que agora posam de defensores do respeito à privacidade, manifestou-se. Nenhuma carta no Painel do Leitor manifestou qualquer indignação. Nenhum dos que agora querem posar de “éticos”, incluso alguns apoiadores da Marta, manifestou-se para questionar o direito da Folha de destacar os casamentos e a vida privada da candidata Marta.

O ombudsman escreve agora na sua coluna:
“Se o jornal acha que a vida íntima do prefeito não é relevante, por que le dá tanto relevo?
Além de incentivar a degradação do ambiente político, a decisão incoerente de tornar tal caso o prioritário da campanha do segundo turno provocou desequilíbrio total no tratamento até então relativamente justo que o jornal vinha dando aos dois candidatos.
Marta Suplicy recebeu nestes cinco dias uma carga de matérias negativas absolutamente desproporcional em relação ao seu adversário.
Por exemplo, ela foi alvo de oito textos opinativos críticos; Kassab, de nenhum. Das 19 cartas publicadas, 15 foram contra Marta.”

Na sua entrevista para a mesma Folha, João Santana o responsável do marketing eleitoral da Marta, diz que seu erro “foi não ter previsto a reação que o comercial provocaria em determinados setores. Uma reação causada, na maioria dos casos, por interpretações equivocadas.” Ele acrescenta também “Já disse que errei por não ter previsto a onda que se formou. Lamento profundamente. No entanto, não posso deixar de reconhecer que houve exagero e até manipulação.
Ninguém, por exemplo, publicou o texto completo do comercial. Ele não transgride, em nenhum momento, os limites da ética e da elegância. Em pesquisa que fizemos depois -e isso foi confirmado por reportagem da Folha-, a maioria das pessoas disse não ter sentido nenhuma malícia de natureza sexual no comercial. Somente começaram a interpretar isso depois da polêmica instaurada.” 

O ombudsman diz que a Folha “nunca deveria se prestar ao trabalho sujo que outros veículos fazem com muito prazer e competência”.

Eu mostrei que a Folha foi a primeira a fazer o “trabalho sujo” contra Marta publicando “informe publicitário” atentando violentamente contra nossa privacidade, em abril de 2001 (ver A Folha e a nossa vida privada) e prosseguiu permanentemente durante estes sete anos.

O que agora fica claro é que existe um elo que une aquela primeira campanha da Folha em 2001 e a campanha de agora. Esse elo é o vínculo político estreito entre a Folha e José Serra.

O “trabalho sujo” ao qual a Folha se prestou é, em verdade, decorrente de seu engajamento político.

A democracia ganharia se esse engajamento, como nos Estados-Unidos por exemplo, fosse assumido publicamente e de forma transparente pelo jornal. Mas a Folha também prefere travestir seu engajamento partidário, em “jornalismo”.

Luis Favre

14/10/2008 - 13:59h A mídia amanheceu virgem

COMERCIAL 30”
QUEM É O KASSAB?

“- Você sabe mesmo quem é o Kassab?
Sabe de onde ele veio?
Qual a história do seu partido?
De quem foi secretário e braço direito?
De quem esteve sempre ao lado, desde que começou na política?
Se já teve problemas com a justiça?
Se melhorou de vida depois da política?
É casado? Tem filhos?
Já que ele não informa nada, não é mais prudente se informar melhor sobre ele?

Pra decidir certo,
é preciso conhecer bem.”

Este comercial provocou a maior campanha da mídia brasileira em favor do respeito a vida privada dos políticos e a maior campanha em favor da tolerância e contra o preconceito.

Nunca antes na história do Brasil a mídia reagiu com tanta ênfase para evitar que um figura pública, no caso Kassab, tivesse sua vida pessoal e sua opção sexual, respeitada.

A mídia fez bem. Mas, porque ela só faz bem quando se trata de políticos que ela defende?

Vocês imaginaram se essa mesma reação tivesse se manifestado quando os ataques violentos e diretos a vida privada, a família, aos filhos e aos irmãos, assim como contra ele mesmo, foram lançados nessa mesma mídia, contra Lula? Como o ar da política estaria mais puro.

Vocês imaginam qual seria a “rejeição” da Marta se a mídia, com o mesmo vigor e a mesma energia, tivesse defendido o respeito a nossa vida privada?

Mas, no nosso caso, foi a mídia que durante 8 anos invadiu permanentemente nossa vida privada e nossas opções pessoais.

Será que a mídia está arrependida e procura corrigir a injustiça feita com a Marta, evitando uma injustiça com Kassab?

Não. Toda a experiência do comportamento da mídia nos últimos anos mostra que as únicas vidas privadas que ela sempre “respeitou”, que sempre protegeu e que nunca explorou são a vida pessoal e privada dos representantes da direita.

A vida pessoal de Lula foi massacrada pela mídia, a de FHC não. A da Marta foi jogada as feras do preconceito, do machismo e da xenofobia, a dos “coronéis” do nordeste não. Ilustres personagens da tucanagem tem suas vidas pessoais resguardadas, enquanto outros tem as suas permanentemente expostas para explorar o ódio.

Na minha opinião o motivo pela qual a mídia decidiu falar da opção sexual, em relação ao comercial, foi para evitar que a trajetória de Kassab no que ela importa ao povo de São Paulo, fique oculta até o segundo turno da eleição.

Eles querem evitar que o povo de São Paulo se pergunte: quem é Kassab? o que ele fez por São Paulo? quais são suas idéias, seu partido, sua história?

O barulho feito sobre a vida pessoal visa a evitar que este questionamento prossiga. Por isso eles ficam repetindo uma única pergunta: no que, que ele seja casado ou tenha filhos muda o político? Para responder: “Olha a baixaria”.

E todas as outras perguntas? interferem? o povo de São Paulo deveria prestar atenção? Ou só deveria se ater ao que a propaganda diz que o homem fez? Quem ele é, não conta?

O fato da Marta ser uma pessoa transparente, não importa? É uma qualidade, quando comparada a dissimulação, ou é um defeito?

Ou essa transparência só serve para poder, sem escrúpulos, invadir em permanência sua vida privada, atacar sua imagem e a da sua família?

Eu teria preferido o comercial assim, para evitar a manipulação que a mídia tem feito.
“- Você sabe mesmo quem é o Kassab?
Sabe de onde ele veio?
Qual a história do seu partido?
De quem foi secretário e braço direito?
De quem esteve sempre ao lado, desde que começou na política?
Se já teve problemas com a justiça?
Se melhorou de vida depois da política?

Já que ele não informa nada, não é mais prudente se informar melhor sobre ele?”

Eu sempre me insurgi contra a campanha que os jornais Folha e Estadão fizeram e fazem da vida familiar, pessoal e privada de Marta. Por isso também sou contra da mídia aproveitar a pergunta sobre se Kassab é casado, tem filhos, para propagar insinuações sobre a vida privada de Kassab. Como sempre, para a mídia, o “gancho” que ela utiliza como escudo para expor a vida privada, é o erro ou a ma fé de outros. Mas a campanha é ela que faz, com a hipocrisia que a caracteriza e sua identificação política notória.

Luis Favre

Leia a seguir os argumentos que o jornal O Globo, em editorial, apresentou para tratar destas questões de vida pública e vida privada, em 1989, reproduzido pelo Blog de Azenha

O DIREITO DE SABER

 

O povo brasileiro não está acostumado a ver desnudar-se a seus olhos a vida particular dos homens públicos.

O povo brasileiro também não está acostumado à prática da Democracia.

A prática da Democracia recomenda que o povo saiba tudo o que for possível saber sobre seus homens públicos, para poder julgar melhor na hora de elegê-los.

Nos Estados Unidos, por exemplo, com freqüência homens públicos vêem truncada a carreira pela revelação de fatos desabonadores do seu comportamento privado. Não raro, a simples divulgação de tais fatos os dissuade de continuarem a pleitear a preferência do eleitor. Um nebuloso acidente de carro em que morreu uma secretária que o acompanhava barrou, provavelmente para sempre, a brilhante caminhada do senador Ted Kennedy para a Casa Branca – para lembrar apenas o mais escandaloso desses tropeços. Coisa parecida aconteceu com o senador Gary Hart; por divulgar-se uma relação que comprometia o seu casamento, ele nem sequer pôde apresentar-se à Convenção do Partido Democrata, na última eleição americana.

Na presente campanha, ninguém negará que, em todo o seu desenrolar, houve uma obsessiva preocupação dos responsáveis pelo programa do horário eleitoral gratuito da Frente Brasil Popular de esquadrinhar o passado do candidato Fernando Collor de Mello. Não apenas a sua atividade anterior em cargos públicos, mas sua infância e adolescência, suas relações de família, seus casamentos, suas amizades. Presume-se que tenham divulgado tudo de que dispunham a respeito.

O adversário vinha agindo de modo diferente. A estratégia dos propagandistas de Collor não incluía a intromissão no passado de Luís Inácio Lula da Silva nem como líder sindical nem muito menos remontou aos seus tempos de operário-torneiro, tão insistentemente lembrados pelo candidato do PT.

Até que anteontem à noite surgiu nas telas, no horário do PRN, a figura da ex-mulher de Lula, Miriam Cordeiro, acusando o candidato de ter tentado induzi-la a abortar uma  criança filha de ambos, para isso oferecendo-lhe dinheiro, e também de alimentar preconceitos contra a raça negra.

A primeira reação do público terá sido de choque, a segunda é a discussão do direito de trazer-se a público o que, quase por toda parte, se classificava imediatamente de ‘baixaria’.

É chocante mesmo, lamentável que o confronto desça a esse nível, mas nem por isso deve-se deixar de perguntar se é verdadeiro. E se for verdadeiro, cabe indagar se o eleitor deve ou não receber um testemunho que concorre para aprofundar o seu conhecimento sobre aquela personalidade que lhe pede o voto para eleger-se Presidente da República, o mais alto posto da Nação.

É de esperar que o debate desta noite não se macule por excessos no confronto democrático, e que se concentre na discussão dos problemas nacionais.

Mas a acusação está no ar. Houve distorção? Ou aconteceu tal como narra a personagem apresentada no vídeo? Não cabe submeter o caso a inquérito. A sensibilidade do eleitor poderá ajudá-lo a discernir onde está a verdade – e se ela deve influenciar-lhe o voto, domingo próximo, quando estiver consultando apenas a sua consciência.

EDITORIAL PUBLICADO EM O GLOBO NO DIA 14 DE DEZEMBRO DE 1989, QUINTA-FEIRA, DATA EM QUE LULA E COLLOR TRAVARAM O DEBATE FINAL ANTES DO SEGUNDO TURNO, EM 17/12/89

16/07/2008 - 19:14h O X da questão

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El cartel que sostiene el niño dice:

“Tu Cristo es judío
tu escritura es latina
tus números son árabes
tu democracia es griega
tu equipo de música es japónes
tu balón es de Corea
tu videoconsola es de Hong Kong
tu camisa es de Tailandia
tus estrellas futbolísticas son de Brasil
tu reloj es suizo
tu pizza es italiana

¿Y tú eres el que mira a ese trabajador inmigrante como a un despreciable extranjero?”

Esta campaña nació en España, realizada por españoles y no españoles, luego de que cientos de personas fueran deportadas en el aeoropuerto de Barajas, Madrid, cercadas por la policía de inmigración.

Y las deportaciones siguen…

Equis, esa letra medio inútil que toma vigencia en este tiempo a través de una palabra que avergüenza: xenofobia.Fonte Civilización & Barbarie

25/06/2008 - 09:53h Lula critica ‘vento frio da xenofobia’ na Europa

Para presidente, política restritiva à imigração vem do medo de países ricos de perderem ’status quo’

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Soraya Aggege – O Globo

SÃO PAULO. Diante de uma platéia formada pelos pesos-pesados dos setores financeiro e empresarial brasileiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou os países europeus de “xenofobia”, pelas políticas restritivas à imigração aprovadas na semana passada. Segundo Lula, o preconceito contra a imigração é causado pelo medo que os ricos têm de perder o “status quo” com o avanço das regiões emergentes.
Para ele, em vez de ficar com medo, os países ricos deveriam ajudar os pobres a se desenvolverem.

— O vento frio da xenofobia sopra outra vez sua falsa resposta para os desafios da economia e da sociedade. Hoje, como ontem, o desemprego, a fome e a instabilidade financeira reclamam maior coordenação entre as nações e maior solidariedade entre os povos — discursou o presidente no evento sobre responsabilidade social das empresas e os direitos humanos.

A UE decidiu, na semana passada, que imigrantes ilegais podem ser detidos por até 18 meses e impedidos de retornarem ao bloco por até cinco anos. Lula se disse perplexo com o atual estágio das relações humanas entre países, 60 anos após a assinatura da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

— Qual é o grande problema que nós temos no mundo desenvolvido hoje? É o preconceito contra a imigração. E o que é o preconceito contra a imigração? É o medo de perder seu status quo, é o medo de perder o emprego, é o medo de ter alguém ocupando o seu espaço. Isso hoje é um problema extremamente sério em toda a Europa e só há uma solução para isso: Não é proibindo os pobres de irem à Europa, é ajudando a desenvolver os países pobres.

Lula afirma que Brasil evoluiu em direitos humanos Para o presidente, o Brasil evoluiu em relação aos direitos humanos nos últimos 20 anos.
Segundo Lula, “contra os tambores do medo e da intolerância”, é preciso ainda “convocar o século XXI a defender o artigo 13oda declaração, que diz: todo ser humano tem o direito de circular e escolher livremente a sua residência no interior de um Estado”.

Par ticiparam do evento com o presidente, Roberto Setubal (Itaú); Roger Agnelli (Vale); Abílio Diniz (Grupo Pão de Açúcar); Antonio Carlos Valente (Telefônica), Fábio Barbosa (ABN-Amro), Hélio Duarte (HSBC), Hector Nuñes (Wal-Mart), entre outros.

08/06/2008 - 16:29h Milhares de ciganos protestam em Roma contra xenofobia

da France Presse, em Roma

Cerca de 3.000 ciganos protestaram neste domingo em Roma contra a xenofobia, após sérios distúrbios envolvendo essa etnia na Itália, que culminaram em incêndios de vários acampamentos.

Essa é a primeira vez que eles se manifestam na Itália, onde calcula-se que vivam 150.000 ciganos, muitos de origem romena ou da ex-Iugoslávia mas em sua maioria italianos.

Alessandro Bianchi/Reuters
Ciganos protestaram em Roma contra xenofobia
ao som de música tradicional

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Os manifestantes marcharam ao som da música tradicional e levando placas onde se podia ler “Não a xenofobia”, “os ciganos nunca foram a guerra” e “não a informação racista”.

Vários acampamentos de ciganos foram incendiados por populares em maio próximo de Nápoles, no sul.

O episódio que desencadeou os ataques foi a suposta tentativa de seqüestro de um bebê por uma jovem cigana.

Apesar da investigação sobre esse caso não ter encerrado, o jornal “Il Giornale”, do chefe de governo Silvio Berlusconi, teve como manchete de capa, no dia 19 de maio, “Como os ciganos vendem as crianças”.

A justiça da Itália não tem nenhum caso comprovado de seqüestro de crianças por ciganos.

O governo inclusive já nomeou um responsável que irá coordenar a questão cigana em Roma, Milão e outras grandes cidades, com o objetivo de acabar com os acampamentos ilegais.

O novo prefeito de Roma, o ex-neofacista Gianni Alemanno, ordenou que a polícia da capital esvaziasse na sexta-feira um acampamento instalado no bairro popular de Testaccio, próximo do centro. Seus 122 habitantes, todos italianos, foram levados para um bairro da periferia.

19/05/2008 - 08:52h Xenofobia: Antiimigrantes matam 12 na África do Sul

AFP
Desemprego alimenta ódio aos estrangeiros nos bairros pobres de Johannesburgo; polícia é incapaz de conter ataques

Zimbabuanos são principais alvos da violência; saques, linchamentos e estupros aterrorizaram estrangeiros durante o final de semana

DA REDAÇÃO – FOLHA DE SP

Ataques xenófobos em Johannesburgo, principal cidade sul-africana, mataram pelo menos 12 pessoas no final de semana. Dezenas de imigrantes foram feridos e centenas se refugiaram em igrejas e delegacias para escapar da violência.
Multidões furiosas culpam os estrangeiros -muitos deles zimbabuanos que deixaram um país em colapso econômico e crise política- pelo desemprego e pela crise habitacional na África do Sul. Embora um em cada quatro trabalhadores do país esteja desempregado, a nação mais rica da África subsaariana continua a atrair milhares de imigrantes.
O ataques tiveram início na favela de Alexandra e rapidamente atingiram outros bairros pobres. Em Cleveland, região central decadente onde vivem muitos estrangeiros, duas pessoas foram espancadas até a morte na madrugada de sábado e três morreram queimadas. Mais de cinqüenta foram feridas a bala ou esfaqueadas. Há relatos de que gangues estejam vasculhando apartamentos do bairro, rua a rua, em busca de estrangeiros.
O porta-voz da polícia, Govindsamy Mariemuthoo, informou que 200 pessoas foram presas por crimes como estupro, roubo e ataques em vias públicas. Gás lacrimogêneo foi usado para dispersar aglomerações em diversos bairros.
“[A violência] está se espalhando como um incêndio, e nem o Exército nem a polícia são capazes de controlá-la”, relata o professor zimbabuano Emmerson Ziso. Ele conta que deixou sua terra natal por temer retaliações do governo, após participar de uma greve em apoio ao Movimento pela Mudança Democrática (MDC). “Preferia estar no Zimbábue.”
O presidente da ONG Médicos Sem Fronteira na África do Sul, Eric Goemaere, afirma que há uma crise humanitária e pediu ao governo que conceda status de refugiados aos estimados 3 milhões de zimbabuanos. “Eu tratei de gente baleada, espancada, vítimas de estupro. As pessoas estão aterrorizadas”, conta Goemaere, que compara a situação em Johannesburgo ao que testemunhou em dezenas de acampamentos de refugiados no continente.
A violência afetou também comerciantes somalis e de países asiáticos, que tiveram suas lojas e casas depredadas. Segundo a Cruz Vermelha, 3.000 pessoas perderam tudo o que tinham. Organizações humanitárias distribuem cobertores e comida aos flagelados.
O presidente Thabo Mbeki disse que nomeou um grupo de especialistas para investigar os distúrbios, condenados também pelo presidente do Partido do Congresso Nacional Africano, Jacob Zuma, provável sucessor de Mbeki. Muitos dos atuais líderes sul-africanos se asilaram nos países vizinhos durante o apartheid.
Segundo o governo e polícia, grupos criminosos estão se aproveitando do sentimento antiestrangeiro para promover saques. Sede da Copa do Mundo de Futebol em 2010, a África do Sul é um dos países mais violentos do mundo.
Com agências internacionais

03/11/2007 - 16:08h Racismo: Una enfermedad social que recorre Europa

ANA CARBAJOSA - Bruselas – El País

El FC Brussels se quedó ayer sin patrocinador, después de que Matumona Zola abandonara el club de fútbol por racismo. El presidente reprendió al jugador congoleño y le advirtió de que “ya no está en su país y que debe pensar en otras cosas aparte de árboles y bananas”, según el testimonio de Zola. El de esta semana es sólo uno de los múltiples casos de racismo en Bélgica, un país cuya justicia ha decidido poner coto a esta epidemia que, alimentada por los poderosos partidos de extrema derecha, recorre buena parte del país. El Tribunal Penal de Amberes ha aplicado este mes, y por primera vez en Bélgica, el agravante de racismo al condenar a cadena perpetua al joven que hace un año asesinó a una mujer negra y al niño pequeño al que cuidaba

Bélgica no es un caso aislado. Los datos de la recién estrenada Agencia Europea de los Derechos Fundamentales muestran que al menos en ocho países europeos han aumentado los crímenes racistas en los últimos seis años. “La violencia racista y el crimen continúan siendo una enfermedad social en Europa”, dice el último informe de la Agencia, que compara la situación en los países de la Unión Europea.

El documento, publicado a finales del pasado agosto, analiza el grado de penetración del racismo y la xenofobia en Europa y hasta qué punto los Veintisiete cumplen con la directiva sobre la igualdad racial de la Unión Europea. Por un lado, destaca que la mayoría de los miembros han puesto en marcha esa ley, pero por otro indica que hay grandes diferencias en cuanto a la aplicación de sanciones y compensaciones en los casos de agresiones racistas. En cerca de la mitad de los países no se ha aplicado ninguna sanción. Además, dice el texto, “el reducido número de demandas durante 2006 hace pensar que existe una escasa conciencia [entre los ciudadanos] de que hay instituciones nacionales dedicadas a este asunto. Algunos países deberían hacer más campañas publicitarias dirigidas a las potenciales víctimas”.

Reino Unido, Alemania, Dinamarca, Francia, Eslovaquia, Francia, Polonia e Irlanda son los ocho países en los que se ha registrado un aumento de la criminalidad racista. En ese mismo periodo, República Checa, Austria y Suecia registraron un descenso. Del resto no hay datos oficiales, y ése es, según la Agencia, uno de los principales problemas, la falta de conciencia de las autoridades sobre este problema.

Al margen de los crímenes, la Agencia Europea denuncia que los Gobiernos discriminan a los inmigrantes y a las minorías étnicas como los gitanos en el acceso a la vivienda, el empleo y la educación. Por ejemplo, tener un apellido magrebí es motivo para tener más dificultades para obtener un empleo en Suecia.

En el capítulo de buenas noticias, la organización destaca la puesta en marcha de leyes antidiscriminatorias. Recientes derivas electorales como el triunfo en Suiza de Crhistop Blocher, en cuyo cartel electoral aparecían tres ovejas blancas expulsando de una patada a una oveja negra del país, dibujan sin embargo un panorama poco alentador.

03/11/2007 - 16:04h España: Un racismo de baja intensidad

La xenofobia empieza a instalarse en lugares donde se integran los inmigrantes


DANIEL BORASTEROS / JESÚS GARCÍA
– El País

España no es xenófoba. Las encuestas reflejan que la sociedad ha incorporado sin grandes sobresaltos el mayor flujo de inmigrantes que ha conocido el país. Pero algunas agresiones, las dificultades de convivencia y la competencia por servicios como las urgencias o plazas de colegio empiezan a dibujar otro panorama: el racismo de baja intensidad. Una sensación latente -y ya no tan latente en zonas con alta densidad de extranjeros- de que disminuye el pastel del Estado de bienestar.

“Este racismo se basa en la percepción del otro como alguien que te puede crear problemas. Se tiende a generalizar: el otro pasa a ser el conflictivo, el maleducado, el delincuente”, argumenta Adelas Ros, investigadora de la Universitat Oberta de Catalunya (UOC) y ex secretaria de Inmigración de la Generalitat. “Es una tontería llamar a eso racismo”, eleva el tono Riduan, de la Asociación de Inmigrantes Marroquíes. “Lo que sucede es que los españoles de clase trabajadora ven amenazados sus privilegios por una clase aún más necesitada que ellos”, subraya Riduan, que insiste: “¡Eso no es racismo!”.

Las encuestas reflejan que la inmigración ha ido creciendo como preocupación de los españoles hasta llegar al tercer puesto. Y datos como que el 59% de los españoles cree que los inmigrantes “lastran los salarios” muestran una culpabilización creciente del que viene de fuera.

“Son muchos y son maleducados”, es el resumen verbalizado de Marta P., de 34 años y dependienta de una tienda en Alcorcón (165.000 habitantes, 15% de inmigrantes). “Los que se llenan la boca con la integración viven en zonas de ricos y no conviven con ellos”, zanja Marta, hasta ahora votante del PSOE, en un discurso que ha calado en todo el espectro ideológico.

La xenofobia se dispara allí donde más inmigrantes hay y, precisamente, en algunos donde se ha hecho más esfuerzos por su integración: en Vic (40.000 habitantes), el acceso a las escuelas públicas está en el origen del ascenso del partido xenófobo Plataforma per Catalunya. Fue el segundo más votado en mayo, con el 18% de los votos. Y lo fue después de un esfuerzo del Ayuntamiento por repartir inmigrantes entre los colegios concertados para no concentrar todos en dos centros públicos. Vic tiene un 25% de inmigrantes -sobre todo magrebíes y subsaharianos-, hasta el 40% en algunos barrios.

La ascensión de Plataforma per Catalunya se explica, en buena medida, por la permanente campaña electoral de su líder, Josep Anglada, que durante años ha mantenido “una estructura de poder paralela”, en palabras del concejal Joan López. Si los vecinos tenían un problema, llamaban a Anglada y éste, convertido en una especie de padrino, les daba una solución.

No son una aparición aislada. En Talayuela, pueblo cacereño premiado por su labor de “concordia”, Iniciativa Habitable, grupo con un agresivo argumentario contra los extranjeros, obtuvo en las elecciones de mayo el 27% de los votos de esta población, con un 35% de inmigrantes censados. Y esas plataformas con un mensaje abiertamente xenófobo empiezan a proliferar en las ciudades del cinturón de Madrid. La Plataforma por Alcorcón, por ejemplo, no esconde que su principal reivindicación es que “los españoles estén por delante”. Muchos de ellos frecuentan foros comunes en Internet. De semejante corpus ideológico se nutren Vientos del Pueblo (Getafe) o Alcalá Habitable.

El sustento de este rechazo, exponen los sociólogos, está en algunas “leyendas urbanas”. Por ejemplo, que a los extranjeros no se les cobran impuestos al abrir un negocio, o que tienen más facilidades para acceder a las ayudas públicas. Es falso. Además, los inmigrantes que quieren acceder a las ayudas “deben pagar sus impuestos”. Las subvenciones de los Ayuntamientos se ciñen a asuntos como “enseñanza del español o asesoría jurídica”. Ese es el programa de Villaviciosa de Odón (26.000 habitantes, 10% inmigrantes).

La comunidad latinoamericana es una de las que ha expresado con mayor contundencia su temor a una oleada racista en España. “La agresión a la menor ecuatoriana en Cataluña es un hecho aislado, pero pone en evidencia acciones de racismo en el día a día. En el plano laboral, administrativo o social, nos topamos con actitudes xenófobas”, explica Javier Boldoni, responsable de Fedelatina, que agrupa a las asociaciones latinoamericanas en Cataluña.

“No es normal que haya enfrentamientos con los españoles”, dice María, propietaria de La Perla del Pacífico, un pequeño restaurante en el barrio madrileño de Tetuán. Sin embargo, cada comunidad tiene sus propias zonas de ocio y nunca se juntan. “Los peores son los moros, los ecuatorianos no molestan”, dice con su peculiar filosofía de vida Susana, vecina “de toda la vida del barrio”. Pero a veces sí hay problemas. Aunque sean “de baja intensidad”. A Stefani le daban crisis de ansiedad. Tiene 14 años y, según el perfil trazado por los psicólogos, “está acomplejada”. En el colegio la insultan. La llaman “gorda”. Pero no sólo eso. También le recuerdan que tiene la piel oscura y que no nació en España. En definitiva, que es ecuatoriana.

Cuando habla de “incidentes graves”, Boldoni se refiere a las agresiones físicas, que son minoritarias. Las ejecutan, habitualmente, grupos de ideología neonazi. En Madrid, abundan en el Corredor del Henares. En Cataluña, están activas en el llamado “triángulo xenófobo”, en la comarca del Vallès. Sus integrantes ni crecen ni desaparecen. “Es difícil dar el salto cualitativo de las palabras a las agresiones”, analizan los expertos.

Sin embargo, las palabras con su remoquete inicial inevitable, “yo no soy racista, pero…” sí que empiezan a calar. En el distrito de San Cristóbal de los Ángeles (40% de inmigración) aguardan en una marquesina. Dicen que están esperando “la patera”. En realidad, el autobús, pero “va lleno de moros”. Las palabras despectivas y los chistes se han vuelto algo cotidiano.

“Fuera rumanos. No al incivismo. No somos racistas”. Bajo esta pancarta salieron a la calle, en febrero, cientos de vecinos de una barriada obrera de Badalona, un municipio del área metropolitana de Barcelona. Los vecinos pretendían expulsar a 25 rumanos de etnia gitana que vivían en un piso de 60 metros cuadrados. En el origen de aquella violenta protesta -los extranjeros se marcharon- había un conflicto de convivencia: los nuevos inquilinos eran de higiene descuidada y montaban jaleo.

Pese a la insistencia de los vecinos en desmarcarse de cualquier matiz de xenofobia, los expertos ven en acciones como ésta la existencia de un racismo latente, que de forma casi inconsciente tiñe la base social. ¿Quiere decir eso que los españoles somos racistas? La respuesta, a juzgar por lo que dicen los propios interesados, es un contundente “no”. De hecho, según un estudio de 2006 del Observatorio Español del Racismo, el 65% de los españoles ve positivamente “la llegada de personas de otras razas, religiones y culturas”. Al 91% le parece bien que cobren el paro y al 85% le parece justo que traigan a su familia.

En lo que va de año, SOS Racismo ha recibido 270 denuncias. La estadística incluye los casos de racismo “de baja intensidad”, que son la mayoría -discriminación laboral o en el acceso a una vivienda-, pero también las supuestas agresiones de individuos y agentes de la policía. Hace pocos meses, Miwa Buene, congoleño, se quedó tetrapléjico tras recibir una paliza de un individuo que le gritaba “¡mono de mierda!”. Mireia, la mujer de Miwa, no tiene dudas: “Si eres negro, no vales nada”.

“El Estado de Bienestar se ha quedado corto”, concluye Ros. En Madrid, las instituciones dejan claro que “no hay discriminación. Ni positiva ni negativa”. Aunque reconocen que se dan choques culturales. Por ejemplo, en las urgencias de los hospitales. “Las urgencias son un sitio duro y la gente se pone nerviosa”, explica un trabajador del 12 de Octubre, de Madrid. “Hay bofetadas de vez en cuando”, explica. No es raro que los españoles afeen a los extranjeros hacer uso de una asistencia a la que no tienen “tanto” derecho como ellos.

03/11/2007 - 16:00h L’Italie veut expulser des milliers de Roumains

La préfecture de Milan n’a pas tardé à mettre en application, vendredi 2 novembre, le décret-loi adopté dans l’urgence mercredi 31 octobre. Quatre premiers Roumains font l’objet d’une procédure d’expulsion. Selon le préfet de Milan, Gian Valerio Lombardi, “des centaines” d’individus pourraient être éloignés de Milan dans les jours qui viennent.

Sur l’ensemble du territoire italien, ce sont des milliers de ressortissants roumains qui peuvent désormais être expulsés. Le décret-loi autorise en effet les préfets à renvoyer dans leur pays d’origine, sans procès ni recours possible, des citoyens de l’Union européenne qui “contreviennent à la dignité humaine, aux droits fondamentaux de la personne ou à la sécurité publique”. Une définition suffisamment vague pour englober le maximum de petits délinquants, avérés ou simplement suspectés. Ce tour de vis sécuritaire a été donné par le gouvernement de centre gauche conduit par Romano Prodi dans les heures qui ont suivi l’agression mortelle d’une femme par un Roumain, dans la banlieue nord de Rome.

La sauvagerie de ce fait divers et la nationalité du meurtrier présumé ont déclenché dans tout le pays une onde d’émotion, teintée de xénophobie envers une présence roumaine de plus en plus visible.

Selon les statistiques de l’immigration rendues publiques, mardi 30 octobre, par la fondation Caritas-Migrantes, les Roumains constituent la première communauté étrangère en Italie, avec près de 560 000 personnes recensées. Plus de 100 000 d’entre elles sont arrivées depuis le 1er janvier, le plus souvent installées dans des bidonvilles insalubres à la périphérie des villes.

“Rome était la capitale la plus sûre d’Europe avant l’entrée de la Roumanie dans l’Union européenne”, a tonné le maire de la cité, Walter Veltroni (élu secrétaire du nouveau Parti démocrate le 14 octobre), attribuant aux ressortissants de ce pays les trois quarts des crimes et délits commis dans l’agglomération. Le “péril roumain” évoqué par le nouvel homme fort du centre-gauche semble confirmé par les chiffres de la police : sur 10 500 arrestations effectuées dans la région depuis le début de l’année, 7 300 concernaient des étrangers, dont 6 000 des Roumains. D’après la presse, 5 000 d’entre eux répondraient aux critères d’expulsion du nouveau décret.

La police a procédé, jeudi et vendredi, à des contrôles dans les campements roms de la capitale, ainsi qu’à Florence, Milan et plusieurs villes du nord de l’Italie. “Nous ne faisons pas la chasse aux Roumains, mais aux délinquants roumains”, a nuancé le ministre de l’intérieur, Giuliano Amato. Toutefois, son ancien chef de cabinet, aujourd’hui préfet de Rome, Carlo Mosca, a confirmé la “ligne dure” des autorités “parce que face à des bêtes on ne peut répondre qu’avec la plus grande sévérité”. Les premiers arrêtés d’expulsion ont été pris dès vendredi 2 novembre, après la publication du décret-loi au Journal officiel.

Ce texte accélère l’application de mesures contenues dans un projet de loi, annoncé le 30 octobre, qui devait donner plus de pouvoirs aux maires dans la lutte contre la microcriminalité. L’Association nationale des magistrats (ANM), qui regroupe les 9 000 magistrats italiens, a approuvé son contenu. Si une instruction est en cours, le juge décidera de la poursuite de l’action judiciaire ou de la remise du prévenu aux autorités pour reconduite dans son pays. Le chef du gouvernement, Romano Prodi, ancien président de la Commission européenne, a précisé que le décret est conforme au droit communautaire.

Pour l’opposition de centre-droit, cette manifestation de fermeté est “tardive et partielle”. Gianfranco Fini, chef d’Alliance nationale (AN, droite conservatrice), exige “la destruction de tous les campements abusifs et l’expulsion des clandestins sans source de revenus”. Il est reproché à M. Prodi d’avoir levé les restrictions mises par le gouvernement Berlusconi à l’immigration venue d’Europe de l’Est : “Nous payons aujourd’hui le prix de la tolérance excessive du passé”, estime dans la presse italienne Franco Frattini, le commissaire européen chargé du dossier justice, liberté, sécurité.

Alors que les débarquements de migrants clandestins venus d’Afrique continuent en Sicile et en Calabre (plus de 300 arrivées le week-end dernier, et une cinquantaine de morts et de disparus dans des naufrages), les derniers chiffres de l’immigration concourent à une surenchère xénophobe. “Maintenant, l’Italie est aux mains des étrangers”, a titré le quotidien berlusconien Il Giornale, en commentant l’augmentation de 21 % de la population étrangère en un an.

L’immigration est “source d’insécurité” pour 48 % des Italiens, selon un sondage. Le chef de l’Etat, Giorgio Napolitano, a condamné “les remontées de racisme”, expliquant que “sans les travailleurs immigrés, le système économique serait bloqué”.

Dans un éditorial, Il Corriere della Sera met en garde contre “l’existence en Italie d’un syndrome Blocher”, du nom du leader xénophobe vainqueur des dernières législatives en Suisse. Romano Prodi vérifiera la semaine prochaine, lors du vote du budget au Sénat, si la ligne sécuritaire adoptée renforce sa majorité ou au contraire aggrave les dissensions avec la gauche radicale. Le quotidien communiste Liberazione s’interrogeait en “une”, jeudi 1er novembre : “Pourquoi restons-nous dans ce gouvernement ?”


Immigration Un décret-loi a été adopté en urgence à la suite d’une agression mortelle

Jean-Jacques Bozonnet – Le Monde

03/10/2007 - 23:55h Polícia gaúcha prende torcedores neo-nazistas do Grêmio

Jornal Nacional

RIO – A polícia gaúcha prendeu ontem (02/10/2007) dois rapazes e procura um terceiro, responsáveis pela agressão de um jovem a socos e facadas em Porto Alegre. Eles foram identificados como integrantes de um movimento neo-nazista.
No dia 16 de setembro, três jovens vestidos com camisetas do Grêmio atacaram Fábio Indrigo Jardim. Num site de relacionamentos na internet, a polícia encontrou provas que ligam o grupo a facções de torcedores do Grêmio, que se localizam atrás de um dos gols do Estádio Olímpico e fazem o movimento conhecido como avalanche quando o time marca um gol.
Os agressores vão responder por tentativa de homicídio e formação de quadrilha. Em nota oficial, o Grêmio declarou que se sente vítima destes maus torcedores e que disponibilizará todos os recursos para que as medidas legais sejam tomadas.
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Neo-nazistas continuam à solta no Brasil

Os defensores da “supremacia branca” no Brasil – sim, eles existem – estão de volta à ativa pela rede mundial de computadores. Com dois sites no ar e uma loja virtual de produtos que pregam a intolerância, os neonazistas tupiniquins voltaram a ameaçar o diretor da agência de notícias Afropress, Dojival Vieira. A agência, que segue as Resoluções da III Conferência Mundial contra o Racismo a Xenofobia e a Intolerância da ONU, denunciou em 2005 os ataques de Marcelo Vale Silveira Melo, que se escondia por trás do pseudônimo “DR0K3D, o justiceiro” para espalhar mensagens de racismo e xenofobia pela rede. A Afropress recebe, desde então, seguidas ameaças e sofre com ataques de “hackers” que tiram o site do ar. “Hoje mesmo recebi mais uma ameaça em meu email”, afirmou Dojival, em entrevista a Terra Magazine na segunda-feira.

A mensagem: “Macaco sujo, quando é que você volta para a África?”. Remetente: volta@prafloresta.org. Os emails, segundo Dojival, são freqüentes. Ameaça recebida em 2005: “Vou mostrar do que sou capaz. Você tem até o próximo sábado para tirar a agência do ar”. Outra mensagem: “Você e sua ONG são negróides que necessitam ser urgentemente exterminados. Lugar de negro é no presídio, não na Universidade. Eu sou o skinhead que vai te matar, seu crioulo de merda. Vais morrer, macaco”. Hoje, Marcelo está no banco dos réus. O Ministério Público Federal acatou denúncia contra o rapaz baseado na lei 7.716, que, em 1989, tirou o racismo da categoria de “contravenção” e o transformou em crime inafiançável. É crime, segundo o artigo 20: “Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Pena: reclusão de um a três anos e multa”.

Pelo menos dois sites que fazem apologia à “supremacia branca” e outros absurdos dos neonazistas brasileiros continuam no ar na internet. Um dos portais é o Valhalla88. O nome faz referência a um castelo da mitologia nórdica – Valhalla – para onde iriam os guerreiros mortos em combate. O número 88 é referência dos neonazistas do mundo todo para a repetição da oitava letra do alfabeto, o “H”. HH, acrônimo para “Heil Hitler”. A apresentação define o site como “O mais ativo site NS da América do Sul!”. “NS”, nacional-socialista, nazista: “Procuramos ser arianos honrados e virtuosos e, além da propaganda política, lutamos dia a dia para alcançar, pelo mérito, postos-chave na sociedade. Somos só a semente. Nosso dia chegará”. O site White Power São Paulo oferece material semelhante ao do Valhalla88. Além disso, tem uma loja virtual para vender camisetas, filmes, livros e outros itens com temática nazista.

O registro do endereço, em um servidor norte-americano, está sob o número E1C356C79CF0F0FD e em nome de um certo Richard Sammoel Schnauzer. O email e o endereço fornecidos para o registro são falsos. A loja também oferece uma assinatura do “Der Stürm”, jornal nazista em português, que tem o mesmo nome do principal periódico do III° Reich na Alemanha. Em fevereiro deste ano, o White Power São Paulo também promoveu um “concurso de cartoons anti-semitas”. A loja usa o sistema de vendas online oferecido pela osCommerce – servidor de código aberto. A reportagem de Terra Magazine perguntou ao responsável pela osCommerce sobre a venda de material nazista por meio do sistema. Quatro mensagens foram enviadas para o administrador do endereço. Não houve resposta.

Um dos supostos compradores da loja virtual neonazista é um adolescente de São João do Oeste, em Santa Catarina. Uma rápida busca na rede mostra o usuário como dono de um fotolog – site pessoal de imagens. Na página principal, uma cruz celta – símbolo de origem antiga, mas usada posteriormente por grupos de extrema direita. Uma das mensagens, datada de 18/09/2005, é encerrada com a assinatura WPWW, que pode ser o acrônimo de White Power World Wide, organização que prega supremacia branca no mundo. No site de relacionamentos Orkut, um perfil do rapaz, que comprou uma camiseta com o símbolo e os dizeres do “White Power World Wide”, está inscrito nas comunidades “Revisionismo Histórico”, “Holocausto, Judeu ou Alemão?”. A comunidade em homenagem ao rapaz pergunta: “Você gosta dele por quê?”. Uma das opções: “Porque ele é nacional-socialista”.

O jovem também faz parte das comunidades “Ervalzinho Comanda” e “Os CDF’s também Amam”. É a “Raça-Pura” tupiniquim.

A lei 7.716 também enquadra esses sites. Primeiro parágrafo do artigo 20: “Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo. Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa”. Parágrafo segundo: “Se qualquer dos crimes previstos no caput é cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza: reclusão de dois a cinco anos e multa”.

Denúncias podem e devem ser feitas aos órgãos policiais e nos seguintes endereços:

http://producao.prsp.mpf.gov.br/denuncia/denuncia.php

http://www.mp.rs.gov.br/contato

http://www.denunciar.org.br

28/08/2007 - 12:16h Argentina: Xenofobia, antisemitismo e preconceito a luz de uma pesquisa

Mais de 50% dos adolescentes entrevistados rejeitam judeus, chineses e bolivianos.

Márcia Carmo – BBC

de Buenos Aires – Uma pesquisa inédita realizada com estudantes na Argentina revelou que os brasileiros são os estrangeiros mais aceitos do país.

Segundo o estudo, feito para avaliar a xenofobia entre os estudantes, os brasileiros tiveram maior índice de aceitação (52%) e menor índice de rejeição (30%) numa lista de doze diferentes grupos de estrangeiros.

A pesquisa, que ouviu 5 mil estudantes do segundo grau de 85 escolas públicas de várias províncias do país, foi realizada pelos sociólogos argentinos Ana Lia Kornblit e Dan Adaszko, do Instituto de Investigação Gino Germani, da Universidade de Buenos Aires (UBA).

Em entrevista à BBC Brasil, Adaszko disse que os resultados da pesquisa surpreenderam pelo alto nível de “xenofobia”, com percentuais preocupantes, por exemplo, de rejeição a ciganos (67%), judeus (55%), chineses e coreanos (52%) e bolivianos (52%).

Os estudantes receberam listas com as nacionalidades e grupos e três opções de respostas – aceitação, rejeição e indiferença.

Mais de 40% dos estudantes rejeitaram os peruanos, chilenos, paraguaios, americanos e árabes.

Os brasileiros são uma exceção nesta lista, como disse Dan Adaszco: “Acreditamos que, diferente dos outros grupos de estrangeiros, citados na pesquisa, os brasileiros não são vistos como uma ameaça no mercado de trabalho local”, afirmou.

“Além disso, há a imagem positiva do carnaval, das férias nas praias brasileiras e o reflexo do que sai na imprensa argentina sobre o Brasil e os brasileiros”, completou Adaszco.

Para ele, a pesquisa confirma a fama de “xenofobia” em setores da sociedade argentina. “Nós entendemos que os adolescentes são um reflexo do mundo dos adultos e têm coragem de dizer o que os adultos não dizem”, afirmou.

Apesar da fama, Adaszko se disse surpreso com o alto grau de rejeição, de mais de 50%, em relação a ciganos, judeus, chineses e bolivianos.

Segundo o estudioso, existe um “discurso duplo” na Argentina por ser um país que abriu as portas para a imigração, mas não de forma igualitária. “Para muitos, especialmente nos grandes centros urbanos do país, o ideal e aceitável é o europeu e o branco e não o nativo da América Latina”, avaliou.

“O latino é visto aqui com desconfiança e até desprezo”. Segundo ele, a pesquisa mostrou ainda que o índice de “xenofobia” e “racismo” diminui a medida que aumenta o nível de educação dos pais. “Não é questão de classe social, mas sim que depende do nível de educação dos pais dos estudantes adolescentes”, disse.

Na Argentina, no final do século 19 e início do século 20, as principais imigrações foram italiana e espanhola. Nos anos 90, segundo dados oficiais da Direção Nacional de Migrações da Argentina, a maior imigração partiu dos países da região como Bolívia, Peru e Paraguai – os brasileiros são minoria nesse grupo.

A pesquisa de opinião recebeu o Prêmio Ibero-americano em Ciências Sociais da Universidade Nacional Autônoma do México e será premiado, nesta terça-feira, pelo Instituto Nacional contra a Discriminação, a Xenofobia e o Racismo (INADI) da Argentina.