20/07/2009 - 12:51h RS: Tarso Genro é escolhido candidato por unanimidade

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Sérgio Bueno, de Porto Alegre – VALOR

Aclamado pré-candidato ao governo do Rio Grande do Sul depois de receber o apoio dos dois adversários no encontro estadual do PT, ontem, o ministro da Justiça, Tarso Genro, ofereceu a vaga de vice ao PDT. Os petistas gaúchos também decidiram buscar a adesão do PSB e do PCdoB para recompor a chamada Frente Popular, e sepultaram de vez as esperanças da direção nacional do partido de incluir o Estado na troca de apoios com o PMDB em favor da candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República.

Para o ministro, a decisão não atrapalha os planos do PT nacional para Dilma porque o PMDB é “muito irregular” no país e em regiões como o Rio Grande do Sul é o “principal adversário” do partido. Além disso, os pemedebistas constituem o “cerne” do governo de Yeda Crusius (PSDB) e no Estado “sempre fizeram coalizões de direita” contra os petistas, explicou. Segundo ele, Dilma terá dois palanques no Estado e não há “objeção” a “qualquer partido” que queira aderir à sua candidatura.

Quando questionado se a defesa do senador José Sarney, do PMDB não poderia desgastar a candidatura da ministra, Genro afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem feito um “esforço” para garantir a “estabilidade” necessária à instituição. “Isso não significa solidariedade dele com qualquer erro que alguém tenha cometido”, disse. “Pelo contrário, a Polícia Federal está trabalhando junto com o Ministério Público e a luta contra a corrupção vai continuar, eu permanecendo ou não no ministério”, disse. Ele não fixou prazo para deixar o comando da pasta, mas disse que em 30 dias Lula deve “dar orientação” a respeito.

Genro também evitou comentar a crise que envolve o governo do Estado em diversas denúncias de corrupção, inclusive de uso de recursos de caixa 2 na campanha de 2006 em benefício pessoal da governadora, porque, na condição de ministro, mantém “relações institucionais” com o Executivo gaúcho. “Só vou fazer quando estiver oficializado como candidato”, afirmou. “Não devemos criar polêmicas que atrapalhem os programas federais aqui”.

Genro iniciou a disputa pela indicação do partido com o apoio de correntes como a Democracia Socialista, Esquerda Democrática e PT Amplo. A expectativa dele era vencer com mais de 70% dos votos, mas ontem seus dois adversários, o deputado estadual Adão Villaverde, do grupo Construindo um Novo Brasil, e o prefeito de São Leopoldo, Ary Vanazzi, da Articulação de Esquerda, decidiram apoiar o ministro.

25/05/2008 - 09:22h Tucanos enlamados

A seguir duas notas sobre o escândalo da fraude no Detran de Rio Grande do Sul, envolvendo tucanos de alta plumagem. A primeira é da Folha SP de hoje e a segunda um quadro do Zero Hora de Porto Alegre. Vários dos envolvidos na fraude foram presos e indiciados pela policia Federal.

Governadora do RS enfrenta escândalos e crise fiscal

PF apura suposto esquema de fraude no Detran gaúcho

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GRACILIANO ROCHA
DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE
Primeira mulher a governar o Rio Grande do Sul, a tucana Yeda Crusius tem conduzido seu mandato por um campo repleto de embates fiscais e políticos e denúncias de desvios.
O episódio mais recente teve início em novembro do ano passado, quando a PF deflagrou a Operação Rodin, desmantelando um suposto esquema de fraude que teria desviado R$ 44 milhões do Detran. Aliados de Yeda foram presos, entre eles o então presidente do órgão, Flávio Vaz Netto, e o tucano Lair Ferst, apontado como figura-chave do suposto esquema.
Ferst já integrou a Executiva Estadual do PSDB. O escândalo se desdobrou em uma CPI na Assembléia Legislativa. Ao depor, o deputado federal Enio Bacci (PDT), ex-secretário da Segurança, afirmou que avisara a governadora sobre irregularidades no Detran -o que foi negado pelo Palácio do Piratini.
O caso do Detran também atingiu em cheio um dos auxiliares mais próximos de Yeda, o secretário de Planejamento e Gestão, Ariosto Culau, que pediu demissão após ser filmado em um encontro com Ferst.
Yeda venceu a eleição de 2006 prometendo sanear um Estado à beira da bancarrota. O déficit fiscal fechou 2007 em R$ 1,2 bilhão, e a projeção deste ano é de R$ 600 milhões.
A estratégia da governadora para reduzir a crise financeira se baseou em um pacote fiscal que previa aumento do ICMS. Fracassou duas vezes. A primeira foi em 2006, quando pediu ao antecessor, Germano Rigotto (PMDB), que enviasse o projeto de lei à Assembléia. Houve resistência. A segunda tentativa foi em novembro. O pacote foi rejeitado por 34 a 0.
O terceiro vértice do triângulo de problemas de Yeda é o vice-governador Paulo Afonso Feijó (DEM). A relação entre os dois, que sofreu durante a campanha, azedou de vez quando Yeda articulou o pacote fiscal com Rigotto. O vice foi à Assembléia criticar a proposta.
Na terça, Feijó denunciou um esquema de contratações sem licitação e desvio no Banrisul. O presidente da estatal, Flávio Lemos, negou as acusações e chamou o vice de “irresponsável”. Procurada na sexta, Yeda não quis se pronunciar.

Resumo do jornal ZERO HORA de hoje sobre a fraude no Detran

CPI do Detran
Depoimentos
Lair Ferst
Empresário e lobista, ex-coordenador da bancada do PSDB na Assembléia. Atuou na campanha da governadora Yeda Crusius ao governo do Estado, tendo negociado contrato de aluguel de comitê. No dia 24 de abril, foi visto em companhia do então secretário estadual do Planejamento, Ariosto Culau, num shopping, provocando a demissão do amigo. Denunciado por formação de quadrilha, locupletamento em dispensa de licitação, peculato, corrupção ativa, extorsão e falsidade ideológica.
Rosane Ferst
Irmã de Ferst. Sócia da Rio del Sur, subcontratada pela Fatec. Denunciada por formação de quadrilha, locupletamento em dispensa de licitação, peculato e falsidade ideológica.
Elci Terezinha Ferst
Irmã de Ferst. Sócia da Newmark. Denunciada por formação de quadrilha, locupletamento em dispensa de licitação, peculato e falsidade ideológica
Principais requerimentos
Prorrogação da CPI por mais 30 dias
Para que sejam ouvidos:
Paulo Afonso Feijó, vice-governador
João Carlos Weber, delegado da Polícia Civil e ex-corregedor do Detran
Wilson Caignachi, ex-diretor da CEEE
Leonardo Fardim Elesbão, ex-diretor de Contratos do Detran
Carlos Dirnei Fogaça Maidana, ex-assessor do PP
Convocações:
Américo Cidade, ex-diretor do Protege
Alexandre Dornelles Barrios, advogado e denunciado no inquérito do Detran
Rogério Koff, atual diretor-presidente da Fundação de Apoio a Tecnologia e Ciência (Fateciens) – antiga Fatec
João Batista Hoffmeister, ex-diretor do Detran
Delson Martini, secretário-geral de Governo

19/05/2008 - 16:07h RS Urgente: Há um cheiro de podre no reino da Yeda

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“Lair Ferst arrecadou recursos no 2° turno da campanha de Yeda Crusius”

Garantindo estar falando em nome do vice-governador Paulo Feijó (DEM), Enio Bacci informou que Lair Ferst foi arrecadador de recursos no segundo turno da campanha de Yeda Crusius. “O vice-governador me autorizou a dizer isso”, disse o ex-secretário da Segurança. “Ele acompanhou a campanha e me disse que está disposto a vir a CPI para contar o que sabe”. Bacci sugeriu ao presidente da CPI, deputado Fabiano Pereira (PT) que faça um convite a Paulo Feijó. “Ele quer vir na CPI, reforçou o deputado pedetista.
Enio Bacci disse ainda que Paulo Feijó contou-lhe que ao ver, durante a campanha eleitoral, uma planilha de custos com o valor de R$ 6,5 milhões para pagar o marqueteiro Chico Santa Rita achou a soma exagerada e comentou o fato com o próprio Santa Rita. A resposta do publicitário surpreendeu o candidato a vice de Yeda: “Me pediram para colocar este valor, mas por R$ 1 milhão eu faço”.

Ênio Bacci acusa governadora de omissão

Em seu pronunciamento inicial na CPI do Detran, o ex-secretário da Segurança Pública Ênio Bacci (PDT) confirmou que levou ao conhecimento da governadora Yeda Crusius (PSDB) um conjunto de denúncias sobre irregularidades no Detran. Segundo ele, mais da metade dos contratos do Detran tem problemas. Entre eles, citou uma licitação para contratação de uma empresa de limpeza que trabalharia nas delegacias de polícia do Estado. Segundo ele, há fortes indícios de que a licitação foi dirigida para que a empresa Santos Alves fosse vencedora.Uma cláusula do edital de licitação estabelecia como exigência que as empresas candidatas tivessem uma declaração por escrito afirmando que conheciam todas as 700 delegacias do Estado. Curiosamente, acrescentou o ex-secretário, em 30 dias a empresa Santos Alves tinha em mãos declarações de todas as delegacias. Foi um contrato de 480 mil/mês, 6 milhões/ano. Bacci também denunciou uma “farra nas locações de veículos” no Detran, com práticas de superfaturamento e de emissão de notas falsas.O deputado federal acusou a governadora e o ex-secretário de Segurança, José Otávio Germano (PP) de omissão diante das denúncias e anunciou que está preparando uma ação civil pública para fazer com que as autoridades do Poder Executivo que não apuraram as denúncias sejam responsabilizadas, inclusive do ponto de vista da reparação dos prejuízos para os cofres públicos.
O relator da CPI, deputado Adilson Troca (PSDB), tentou defender a governadora, perguntando a Bacci se, entre as denúncias que teriam sido encaminhadas por ele à governadora, estavam os contratos do Detran com a Fatec e a Fundae, fundações universitárias acusadas de envolvimento na fraude. O ex-secretário respondeu que, enquanto esteve na secretaria, não ficou sabendo de problemas com as fundações mas salientou que alertou Yeda Crusius sobre uma série de outras irregularidades que estariam sendo praticadas pelas mesmas pessoas que, posteriormente, foram presas pela Polícia Federal. Ainda segundo Bacci, o que foi revelado pela Operação Rodin é apenas a ponta do iceberg.