06/10/2009 - 12:56h Coluna Panorama Político do jornal O Globo
Leia a integra da coluna de Ilimar Franco com Fernanda Krakovics, no jornal O Globo

- Luis Favre
Leia a integra da coluna de Ilimar Franco com Fernanda Krakovics, no jornal O Globo


Mesmo tendo assinado documento de apoio a Yeda, o candidato José Serra quer distancia
No RS, 74% desaprovam Yeda e 62% querem saída
Segundo Ibope, 43% dos gaúchos consideram seu governo péssimo
Uma pesquisa feita pelo Ibope para o Grupo RBS mostra que a maioria dos gaúchos desaprova o desempenho da governadora Yeda Crusius (PSDB) e é favorável ao seu afastamento do cargo no momento em que ela enfrenta a maior crise política de sua conturbada gestão.
O resultado foi divulgado ontem pelo jornal Zero Hora. Os números indicam que 43% da população avalia o governo estadual como péssimo, 21% como ruim, 24% como regular, 9% como bom e 2% como ótimo.
Entre os entrevistados, 74% desaprovam o desempenho da governadora e 19% aprovam. Uma maioria de 84% diz ter conhecimento do processo de impeachment que tramita na Assembleia Legislativa. O índice de consultados favoráveis ao afastamento da Yeda é de 62%, enquanto o dos contrários é de 22% e o de indiferentes, de 8%.
Para 29%, as denúncias de envolvimento da governadora com a fraude do Detran gaúcho são verdadeiras, enquanto para 39% são mais verdadeiras do que falsas, para 12% são mais falsas que verdadeiras e para 3% são falsas.
Outra parte da mesma pesquisa foi divulgada no domingo, indicando a atual intenção de voto dos gaúchos um ano antes da eleição. O candidato do PT, Tarso Genro, lidera todas as projeções estimuladas para o primeiro turno, com índices de 37% a 40% e é seguido por José Fogaça (PMDB), com 28% em dois cenários, ou Germano Rigotto (PMDB), com 26% e 27%.
Yeda aparece em quarto lugar em dois cenários, com 5% e 4%. Em quatro das projeções para o segundo turno, a governadora fica com índices de 8% a 11%, contra adversários como Rigotto, com 48%, Beto Albuquerque (PSB), com 54%, Fogaça, com 61%, e Tarso, com 65%.
A pesquisa ouviu 812 pessoas de 52 municípios do Estado entre os dias 25 e 29 de setembro. A margem de erro é de 3 pontos porcentuais para mais ou para menos.
PROBLEMAS
No início de agosto a governadora se viu na condição de ré, com outras oito pessoas, de uma ação de improbidade administrativa na Justiça Federal. Enfrenta uma Comissão Parlamentar de Inquérito que tenta encontrar vínculos de agentes públicos com a fraude que desviou R$ 44 milhões do Detran entre 2003 e 2007. Além disso, espera que uma comissão especial de deputados negue a admissibilidade de um processo de impeachment proposto pelo Fórum de Servidores Públicos Estaduais (FSPE). Yeda nega participação em qualquer irregularidade.
Um de seus principais aliados, o deputado federal Cláudio Diaz (PSDB), admitiu que o partido avalia com preocupação os índices apurados pelo Ibope. Mas acredita que o quadro vai mudar porque a Assembleia deve rejeitar a tramitação do processo de impeachment, ainda nesta semana. Para ele, tanto a CPI como a Justiça não encontraram provas contra a governadora. Diaz afirmou que a crise política e o mau momento de Yeda nas pesquisas são resultado do esforço “denuncista e antidemocrático” que a oposição faz para “desacreditar um governo de realizações”.
O deputado Henrique Fontana (PT) refuta as acusações de Diaz. “É quase inacreditável que o PSDB pense que o Ministério Público Federal, a Polícia Federal e a Justiça Federal estejam envolvidos num complô contra o partido.”

Aécio, Alckmin, Yeda e Serra. Agora todos querem abandonar a governadora a sua própria sorte
RIO G. DO SUL
Impeachment de governadora é apoiado por 62%
Pesquisa do Ibope divulgada ontem revela que 62% dos eleitores do Rio Grande do Sul são favoráveis ao impeachment da governadora Yeda Crusius (PSDB) por causa das acusações de corrupção.
A permanência dela é defendida por 22%. A pesquisa, publicada ontem no jornal “Zero Hora”, ouviu 812 pessoas de 25 a 29 de setembro. A margem de erro é de três pontos.
Yeda é acusada pelo Ministério Público de ter recebido propina de operadores da fraude que desviou R$ 44 milhões do Detran-RS de 2003 a 2007.
As acusações geraram CPI e processo de impeachment na Assembleia, além de ação de improbidade na Justiça Federal. Yeda nega as denúncias. Ontem, no “Roda Viva”, ela disse que os números apontam que “a população quer a investigação [das denúncias] como eu quero”. Ela atribuiu a má avaliação do governo ao “mercado de escândalo que tem no RS”.
Colaborou a Reportagem Local
Raymundo Costa – VALORO presidente Lula e o PT têm razão quando afirmam que não há Plano B, apenas o Plano D de Dilma presidente para 2010. Mas não faltam candidatos ao posto. Depois de Ciro Gomes, as especulações agora giram em torno do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Enquanto D não consolida posição nas pesquisas, haverá sempre uma letra do abecedário pronta para assumir seu lugar.
O que não faltará para Dilma, até o fim do ano, é oportunidade para voltar a crescer nas pesquisas e ocupar o lugar que Lula e o PT esperam que ela ocupe. Sozinha ou a tiracolo de Lula, está nas cadeias nacionais de tevê três vezes mais que os adversários. Nas comemorações pela escolha do Rio para sediar os jogos olímpicos de 2016, lá estava ela em rede nacional – vestia uma camisa amarela.
Em dezembro, o programa nacional do PT, no rádio e na televisão, deve catapultar o nome de Dilma nas pesquisas, assim como os programas do PSB e do PV serviram para engordar os índices do deputado Ciro Gomes e da senadora verde Marina Silva, respectivamente.
Nesse aspecto, Dilma leva uma vantagem a mais sobre o adversário: o programa do PSDB será em novembro, quando os tucanos provavelmente ainda não terão decidido entre as candidaturas dos governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG).
Dilma, ao contrário, é a candidata de Lula e tem tudo para deslanchar: retomada do crescimento econômico, pré-sal, Copa do Mundo de 2014 e os jogos olímpicos de 2016. São os índices atuais da ministra nas pesquisas, abaixo daqueles esperados por Lula e o PT, que estimulam a especulação sobre o “candidato oculto” no colete ou manga da camisa do presidente.
O desempenho de Dilma, sempre abaixo ou tecnicamente empatada com Ciro Gomes, também estimula fantasias sobre o “gênio estratégico” de Lula movendo peças num tabuleiro de xadrez imaginário. Numa jogada – de mestre, é claro – move o domicílio eleitoral de Ciro Gomes para São Paulo. Em outra, posiciona Henrique Meirelles como um cavalo, no jogo de xadrez, que se move em “L” seja para um lado ou outro.
Para desabrochar como flor da pré-campanha, bastou a Meirelles ocupar lugar de destaque na delegação de Lula que celebrou a vitória do projeto olímpico Rio 2016, em Copenhague. O caminho mais simples para o presidente do BC é a disputa por uma das duas vagas que caberá a Goiás, no Senado. Ciro bem que quer ser o Plano B, o que não é plano de Lula, e se duvidar, muito menos do PSB, partido controlado pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos.
Antes de virar mito, Lula errou mais que acertou na articulação política. O pior desses erros foi subestimar o Plano Real na eleição de 1994. Sua virtude tem sido a de aprender com os próprios erros, desde os tempos de sindicalista no ABC. O presidente e seus conselheiros políticos sabem que quem tem três candidatos na verdade não tem nenhum. Para todos os efeitos, portanto, o nome é Dilma Rousseff.
Deve-se ainda ao desempenho atual da ministra Dilma nas pesquisas a queima de rojões, pelo PT, para celebrar as últimas pesquisas. Os petistas comemoram o fato de a soma dos demais pré-candidatos, nas últimas pesquisas, ter ultrapassado o total do governador de São Paulo, o tucano José Serra, o primeiro colocado em todas sondagens, com ampla margem.
O ex-deputado e ex-ministro Delfim Netto costuma dizer, com o humor rascante característico, que os números, sob tortura, confessam qualquer coisa. O PT festejou, mas não tem muito o que comemorar com a pesquisa publicada pelo jornal Zero Hora, de Porto Alegre, no domingo passado.
É bem verdade que a soma dos índices de Ciro (20%) e Dilma (19%) supera os 34% de José Serra (em quarto lugar, neste cenário, aparece Marina Silva, com 8%), no Rio Grande do Sul. Mas também é verdadeiro que, se a eleição fosse hoje, os gaúchos mandariam Serra e Ciro para o segundo turno.
O que o ex-ministro José Dirceu, em seu site na internet, considera um “quadro preocupante” para José Serra e todos os tucanos, pode também ter outra leitura: o mais provável candidato do PSDB segura o primeiro lugar, com vantagem, num Estado, o Rio Grande do Sul, onde uma filiada ao partido, a governadora Yeda Crusius, bate recorde de impopularidade.
Yeda é uma espécie de Lula às avessas, desaprovada por 74% da população, segundo pesquisa Ibope. E nem por isso tem a reeleição inteiramente descartada, nos cálculos dos políticos gaúchos. Se Yeda é recuperável, imagine-se a candidata da máquina.
Raymundo Costa é repórter especial de Política, em Brasília. Escreve às terças-feiras
E-mail: raymundo.costa@valor.com.br

Comissão com 36 dos 55 deputados terá dez dias para decidir sobre continuidade de ação
Pedido foi feito em julho por fórum que reúne sindicatos ligados à CUT e que fazem oposição a ela; governadora tem 33 deputados na base
GRACILIANO ROCHA – FOLHA SP
DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE
O presidente da Assembleia Legislativa gaúcha, Ivar Pavan (PT), anunciou ontem a abertura de processo de impeachment contra a governadora Yeda Crusius (PSDB).
A base do processo de impeachment, o primeiro aberto contra um governador do Estado, é um conjunto de indícios segundo os quais a governadora sabia e teria se beneficiado do desvio de R$ 44 milhões no Detran-RS (Departamento Estadual de Trânsito do RS).
As evidências foram colhidas pela Polícia Federal, que desmontou a fraude do Detran em 2007, e pelo Ministério Público Federal, que denunciou Yeda e outras oito pessoas em ação de improbidade administrativa por ligações com a fraude do órgão em agosto deste ano. A tucana nega as acusações.
O pedido de impedimento de Yeda foi apresentado em julho pelo Fórum dos Servidores Públicos Estaduais, que reúne sindicatos ligados à CUT (Central Única dos Trabalhadores), opositores do governo da tucana.
Ao anunciar que o pedido de impeachment tramitaria na Assembleia, Pavan disse que realizou uma análise de documentos liberados pela Justiça Federal de Santa Maria (RS).
“Não há dúvida de que um grande esquema criminoso se organizou no Rio Grande do Sul para desviar recursos públicos. Diante do pedido de impeachment, da minha parte cabe analisar unicamente se há indícios da relação entre a governadora e este esquema criminoso”, disse o petista.
Entre grampos telefônicos de acusados da fraude, depoimentos e conclusões de investigações feitas pela Procuradoria e pela Polícia Federal, segundo o presidente da Assembleia, “há 26 situações que revelam fortes indícios da relação da governadora com o esquema”.
Tramitação
Com a decisão de Pavan, uma comissão especial será formada por 36 dos 55 deputados que integram a Assembleia, conforme a composição das bancadas. A governadora tucana tem maioria na Casa -sua base é composta de 33 deputados.
Dez dias depois da constituição da comissão, o relator deverá apresentar parecer sobre a “admissibilidade” do processo, isto é, se há elementos suficientes para a tramitação do pedido de impeachment. O relatório será votado pelo plenário.
Se o processo for rejeitado, o pedido é arquivado. Se for aceito, só então a comissão começará a analisar o mérito das acusações, e Yeda será notificada para apresentar sua defesa.
Acusações de corrupção contra a governadora já são objeto de CPI na Assembleia. Com maioria governista, a comissão ainda não aprovou nenhum requerimento para depoimentos. Como não consegue aprovar convocações, a oposição pretende convidar para depor espontaneamente o empresário Lair Ferst, réu em ação penal.
Ferst, ex-tucano que coordenou a campanha de Yeda em 2006, disse ao MPF que a tucana sabia e se beneficiava da corrupção no Detran. Ela nega.

PSDB teme prejuízo na eleição presidencial
Estratégia da cúpula tucana é evitar que problemas no RS ganhem dimensão nacional
Julia Duailibi – O Estado SP
Apreensiva com o desgaste que a crise política no Rio Grande do Sul pode causar nos planos do partido na eleição presidencial de 2010, a cúpula do PSDB fará a defesa “pro forma” da governadora gaúcha, Yeda Crusius. O objetivo é evitar que os problemas no Estado ganhem dimensão nacional e atinjam o núcleo partidário tucano. O discurso oficial se prenderá à tese de que o processo de impeachment é resultado exclusivo de disputa política com o PT local.
Líderes tucanos culpam a governadora, acusada de ter uma personalidade bastante “difícil”, por ter se lançado prematuramente à reeleição, sem buscar uma costura política sólida com partidos aliados. Também dizem que, dada a situação de Yeda no Estado, o ideal seria fazer uma aliança com o PMDB gaúcho, a fim de criar um palanque sólido para o candidato tucano que disputará a Presidência em 2010. Entusiastas da candidatura do governador de São Paulo, José Serra, possível nome do PSDB para a eleição presidencial, defendem lançar para o governo gaúcho o prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (PMDB).
Na próxima quinta-feira, a cúpula do PSDB do Rio Grande do Sul se reunirá no Palácio dos Bandeirantes com Serra para expor a situação política no Estado. Vão apresentar argumentos contra a aliança com o PMDB gaúcho e pedir o apoio do partido em torno do projeto de reeleição de Yeda.
Na última semana de agosto, a governadora foi até Brasília se encontrar com parlamentares e integrantes da Executiva Nacional do PSDB para tratar de sua situação no partido. Disse que sua candidatura à reeleição é um fato consumado. Ouviu uma mensagem dura da cúpula: o projeto eleitoral do Rio Grande do Sul deve ser submetido ao projeto nacional. E o partido vai agir de acordo com o que avaliar ser o melhor caminho para a candidatura presidencial. E hoje, dizem os líderes partidários tucanos, o melhor caminho passa pela aliança com o PMDB gaúcho.
Um dos maiores defensores da governadora na cúpula nacional, o líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP), relaciona a crise política no Estado ao “sinistro da Justiça”, numa referência ao ministro Tarso Genro, que já se lançou candidato ao governo do Rio Grande do Sul pelo PT.
“Querem demonizar a Yeda, quando ela diz ser candidata à reeleição. Mas temos defendido a governadora. Toda semana um parlamentar vai ao Estado prestar apoio”, disse Aníbal.
Enquanto líderes nacionais fazem vista grossa ao processo de resgate político de Yeda, tucanos do Rio Grande do Sul acreditam que a governadora, por ter maioria na Assembleia, passará pela crise. “O PSDB está fechado em torno da candidatura da governadora. Há apenas vozes isoladas contra. Houve um desgaste, mas há muito tempo para ela se recuperar”, disse o deputado Ruy Pauletti. Os tucanos gaúchos apostam na aliança com o PP no Estado.
Yeda avisou a cúpula do partido que pretende mudar sua estratégia de comunicação, dando maior divulgação aos atos positivos de sua gestão. Também afirmou que pretende circular mais pelo Estado, visitando cidades do interior, como forma de preparar sua candidatura.
Elton Brum da Silva foi morto com um tiro de escopeta quando Brigada Militar chegou a uma fazenda ocupada, em São Gabriel
MST afirma que os sem-terra estavam desarmados e culpa governadora pela violência dos policiais; Yeda diz que haverá investigação rigorosa
GRACILIANO ROCHA DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE
Uma operação de despejo de sem-terra executada pela Brigada Militar do Rio Grande do Sul terminou com a morte de um trabalhador rural e pelo menos 13 pessoas feridas ontem no município de São Gabriel (321 km de Porto Alegre).
O sem-terra Elton Brum da Silva, 44, foi morto com um tiro de escopeta quando a Brigada Militar chegou à fazenda Southall, invadida desde o dia 12, para cumprir um mandado de reintegração de posse.
Cerca de 300 policiais participaram da operação de despejo de 550 integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).
As circunstâncias da morte ainda não estão esclarecidas. O MST afirma que os sem-terra estavam desarmados e que os policiais chegaram ao acampamento atirando e lançando bombas. Segundo o movimento, não houve resistência.
“Eles cercaram o acampamento e dispararam os tiros. Um dos tiros acertou o companheiro. Eles usaram cachorros e cavalos e bateram em todo mundo”, disse a acampada Luciana da Rosa, pelo telefone.
Após ser atingido, Brum foi levado pelos policiais para a Santa Casa de São Gabriel, a 18 km do local do confronto, mas morreu no caminho.
Conforme o médico Ricardo Coirolo, estilhaços de chumbo foram encontrados no tórax e na região lombar de Brum, que foi atingido pelas costas.
A Brigada Militar afirma que os policiais foram atacados com bombas caseiras e pedradas.
“Foi tentada uma negociação. Eles [sem-terra] usaram barricadas. Usamos granadas de luz e som e munição não letal. Munição letal também é usada como último recurso, mas a circunstância [da morte] vai ser determinada pelo inquérito policial”, disse o coronel Hildebrando Sanfelice, chefe do estado-maior da Brigada.
Segundo ele, ainda não foi identificado o autor do disparo. Quinze escopetas calibre 12 usadas pelos policiais na operação serão submetidas a exames de balística. O inquérito será conduzido pela Polícia Civil de São Gabriel.
Tensão
A morte do sem-terra tornou mais agudo o clima de tensão existente entre o governo da tucana Yeda Crusius e os movimentos de sem-terra. Em nota, o MST responsabilizou ontem a governadora pela violência.
“O uso de armas de fogo no tratamento dos movimentos sociais revela que a violência é parte da política deste Estado”, diz trecho da nota.
Em viagem a Santa Maria, no centro do Estado, Yeda disse que haverá uma investigação rigorosa. “Lamento muito o acontecimento de uma morte, ela é desnecessária.” O MST marcou para hoje protestos contra a morte de Brum em São Gabriel e Canguçu, cidade onde ele será sepultado.
A fazenda Southall é palco de conflitos desde os anos 1990. No ano passado, o governo federal desapropriou 5.000 dos 13,2 mil hectares para assentar agricultores. O MST, que estava acampado na área não desapropriada, reivindica a desapropriação do restante das terras.
Folha
Complicou-se o drama político da governadora gaúcha Yeda Crusius (PSDB).
Reuniu-se nesta segunda (18) a direção do DEM no Rio Grande do Sul.
Embora integre a gestão Yeda, o DEM decidiu aderir à CPI contra a governadora.
A bancada ‘demo’ aguarda apenas pela definição do PDT local.
Dono de uma tropa de seis deputados estaduais, o PDT pende para o apoio à CPI.
Dois dos seis integrantes do PDT hesitam em assinar o pedido de CPI.
Mas os outros quatro mostram-se dispostos a apoiar o pedido, formulado pelo PT.
No momento, o pedido de CPI conta com 12 assinaturas. São necessárias 19.
Confirmando-se a adesão do PDT –total ou parcial—chega-se perto desse número.
Daí a importância da decisão tomada pelo DEM.
O deputado Paulo Borges, líder do DEM na Assembléia, não deixou dúvidas quanto à posição a ser adotada pelo partido:
“Vamos aguardar a movimentação do PDT, que é o maior partido e tem pelo menos quatro assinaturas…”
“…Se obtivermos essas assinaturas, estaremos assinando junto, sem dúvida nenhuma”.
O vice-governador de Yeda é o ‘demo’ Paulo Feijó (na foto lá do alto). Está brigado com Yeda.
Desde o ano passado, Feijó fustiga o governo de que participa com denúncias.
Uma de suas iniciativas foi a organização de um dossiê.
O calhamaço incluiu papéis que reforçam a suspeita de que as arcas eleitorais de Yeda foram borrifadas, em 2006, com verbas de má origem.
O repórter Igor Paulin trouxe à luz um dos documentos colecionados por Paulo Feijó.
Foi exposto nas páginas da última edição de Veja (só assinantes). Trata-se de um e-mail que Feijó enviou a Rubens Bordini.
Quem é Bordini? Hoje, responde pela vice-presidência do Banrisul.
Na época da campanha era o tesoureiro oficial do comitê de Yeda Crusius.
Na mensagem eletrônica endereçada a Bordini (veja reprodução abaixo), Feijó dá notícia da coleta de R$ 25 mil.
Veja/Reprodução

O dinheiro foi doado à campanha de Yeda pela Simpala, uma concessionária da General Motors.
Para desassossego de Yeda, essa doação não consta da prestação de contas da campanha dela.
No e-mail de setembro de 2006, Feijó anotou: “Recebi R$ 25 000 em cash da simpala (sic)”.
Bordini respondeu: “Que sorte que o pacote não estava bem feito e tiveste que reforçá-lo. Agradeço os brindes que são de muito bom gosto e muito úteis”.
Instado a se explicar, o ex-tesoureiro Bordini nega que tenha recebido os R$ 25 mil.
Pior: insinua que Feijó conduziu, durante a campanha, uma coleta “paralela”.
Abespinhado, o vice-governador emitiu, nesta segunda (18), uma nota.
No texto, Feijó reconhece que auxiliou na captação de verbas eleitorais.
Sustenta, contudo, que “Bordini era o responsável pela gestão financeira na campanha”.
Afirma que “cabia a ele a prestação de contas dos recursos captados e a conseqüente emissão dos recibos eleitorais”.
Ao partido, Feijó informou que dispõe de outros documentos que, se divulgados, aumentarão as labaredas que ardem sob Yeda.
O DEM deliberou que Feijó deve manter-se distante dos jornalistas.
A “munição” será guardada para utilização na CPI cuja criação parece cada vez mais iminente.
Rodrigo Maia (RJ), presidente nacional do DEM, disse ao blog que não vai interferir na posição a ser adotada pelo diretório gaúcho da legenda.
Disse ter liberado a seccional gaúcha para tomar a atitude que lhe parecer mais apropriada.
Fez apenas uma recomendação: “Peço que o partido não sirva, no Rio Grande do Sul, de trampolim para a candidatura de Tarso Genro”.
Ministro de Lula, Genro é o nome mais cotado do PT para a sucessão de Yeda. Deve medir forças com José Fogaça, do PMDB.
Feijó, o vice-problema de Yeda, tenta empinar sua própria candidatura. O mais provável, porém, é que o DEM se alie ao PMDB de Fogaça.
O PSDB se encaminha para a mesma solução. Em privado, a cúpula do tucanato reconhece que Yeda perdeu as condições políicas de disputar a reeleição.
Escrito por Josias de Souza às 21h00

FÁBIO GUIBU da Agência Folha, em João Pessoa (PB)
O PSDB já prepara um “plano B” eleitoral para o caso de o governo de Yeda Crusius (PSDB-RS) naufragar em meio às denúncias do seu envolvimento e de assessores importantes com a suposta utilização de caixa dois na campanha.
A Folha apurou que, se as denúncias inviabilizarem eleitoralmente uma eventual tentativa de reeleição de Crusius, os tucanos poderão apoiar o prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (PMDB).
Fogaça faz parte do grupo dos chamados “autênticos” do PMDB. Ele chegou a integrar o PPS, mas retornou à legenda em 2007 para disputar a eleição municipal. Sua ficha foi abonada pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS), outro peemedebista “histórico”.
O eventual apoio ao prefeito teria o apoio do grupo ligado ao governador de São Paulo, José Serra, e atenderia ainda a outro objetivo do PSDB, que é o de formar alianças regionais com o PMDB para fortalecer seu candidato à Presidência nos Estados e diminuir o palanque governista, mesmo na hipótese de uma aliança formal nacional entre PT e PMDB.
Reunidos ontem em João Pessoa para discutir as políticas sociais do atual governo, lideranças do PSDB e do DEM mantiveram o discurso de apoio a Yeda.
“O PSDB vai exigir, vai acompanhar o processo e as investigações. Vamos tomar uma posição a partir disso. Não vamos prejulgar nada”, disse o presidente nacional do partido, senador Sérgio Guerra (PSDB-PE). “Acho que ela está fazendo um governo muito corajoso.”
Guerra disse que soube da existência das novas denúncias contra Crusius na sexta-feira, por meio de um telefonema da própria governadora.
Segundo a revista “Veja”, gravações feitas pelo empresário Lair Ferst, um dos coordenadores de campanha estadual do PSDB, em 2006, mostrariam que as empresas de fumo Alliance One e CTA-Continental entregaram R$ 400 mil “por fora” no segundo turno, o que elas negam.
Para o presidente nacional do DEM, deputado federal Rodrigo Maia (RJ), o caso Yeda “tem muita espuma”. “Todo cuidado é pouco”, disse ele, sobre a possibilidade de deputados estaduais do partido apoiarem a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar as denúncias.
“A decisão é da bancada estadual, dos deputados, mas eu alerto que não podemos fazer nenhum tipo de ação que sirva de escada para o PT”, declarou.
“Não podemos ser trampolim para o PT nem sermos instrumentos de Tarso Genro [PT]“, afirmou Maia –o ministro da Justiça declarou ser pré-candidato do partido ao governo gaúcho no ano que vem.
Convidado especial ao seminário tucano, Aécio Neves, governador mineiro e pré-candidato à Presidência, disse: “O que vejo no Rio Grande do Sul, infelizmente, é que a radicalização tem prevalecido sobre a busca de um convívio entre governo e oposição um pouco mais equilibrado”.
Aécio foi recebido em clima de campanha eleitoral no evento, o primeiro promovido pelo partido para debater prioridades de ação num eventual governo tucano. Serra foi representado pelo secretário da Educação de São Paulo, Paulo Renato Souza.
| Ruy Baron/Valor – 6/3/2008 |
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| Rigotto: PMDB gaúcho fecha portas para negociações em torno de um palanque aliado para a candidatura Dilma |
Sérgio Bueno, de Porto Alegre – VALOR
As articulações do PT para formar palanques únicos com o PMDB nos Estados para a campanha da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República devem ir por água abaixo no Rio Grande do Sul diante da determinação dos pemedebistas gaúchos de bancar a candidatura própria ao governo estadual. Segundo o ex-governador Germano Rigotto, que junto com o prefeito reeleito de Porto Alegre, José Fogaça, é um dos mais cotados para a disputa, o PMDB gaúcho não vai cometer o mesmo “erro” do partido em nível nacional, de ficar “a reboque” do PT ou do PSDB em nome dos interesses de uma “cúpula totalmente distanciada da base e que se preocupa muito mais em obter favores e espaços” no governo federal.
Incansável defensor da candidatura própria do PMDB à Presidência, Rigotto não exclui terminantemente a possibilidade de ser o candidato ao governo, mas prefere concorrer a senador em uma chapa com Fogaça para governador e ainda com o PTB e o PDT, que indicariam os candidatos a vice e à segunda vaga ao Senado – “E isso não significa que não devemos buscar outros partidos, como o PP, o PPS e o DEM”. Dos três senadores gaúchos, dois (Paulo Paim, do PT, e Sérgio Zambiasi, do PTB) encerram seus mandatos em 2010, enquanto Pedro Simon (PMDB) terá mais quatro anos pela frente.
Rigotto reconhece que Fogaça age certo em não assumir agora a candidatura ao governo, para não se expor poucos meses após a reeleição à prefeitura. Mas, além de facilitar a coligação com o PTB, que participa do governo municipal, e do PDT, que tem a vice-prefeitura e assumiria a administração em caso de vitória da chapa, o prefeito está presente na memória dos eleitores por conta da eleição passada e tem níveis de popularidade melhores do que no primeiro mandato. Segundo pesquisa do instituto Datafolha divulgada dia 22 de março, Fogaça estaria em segundo lugar na disputa pelo governo estadual, com 27% das intenções de voto, apenas três pontos atrás do provável candidato do PT, o ministro da Justiça, Tarso Genro.
“É uma candidatura para ganhar”, afirma Rigotto, que na mesma pesquisa do Datafolha aparece com 18% contra 32% de Tarso. Ao mesmo tempo, uma eventual eleição para o Senado daria ao ex-governador mais visibilidade e condições de influenciar as decisões da cúpula nacional do partido e se apresentar, aí sim, como alternativa em 2014 para o Planalto. “Se eu tivesse vencido a eleição no Rio Grande do Sul ninguém me tiraria a candidatura à Presidência hoje”, diz o ex-governador. Em 2006, ele também chegou a disputar prévia contra o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, mas depois o PMDB optou por não sair com candidato próprio.
Agora, diz, urge recuperar-se da derrota de 2006 com a candidatura ao Senado – “Em Brasília posso influir na agenda nacional, nas reformas estruturais e nas mudanças pelas quais o PMDB precisa passar”. Um eventual retorno ao governo, diz, retardaria esse processo.
Se os planos de Rigotto para a composição da chapa à eleição estadual forem bem sucedidos, o Rio Grande do Sul seria um laboratório para o papel de “terceira via” entre o PT e o PSDB que ele defende para o PMDB. Segundo ele, o partido deve deixar os cargos que ocupa na administração da governadora tucana Yeda Crusius até setembro. Na pesquisa do Datafolha, Yeda aparece apenas em terceiro lugar, com 8% ou 9% das intenções de voto, dependendo do cenário apresentado.
O ex-governador sabe que a tese da candidatura própria do PMDB para a Presidência em 2010 não vai prosperar e que os líderes do partido, inclusive no Rio Grande do Sul, vão se dividir entre Dilma e o candidato do PSDB, possivelmente o governador de São Paulo, José Serra. Mesmo assim, e ainda que não passasse do primeiro turno, ele acredita que um eventual candidato pemedebista movimentaria o partido e o ajudaria a se descolar do rótulo fisiologista adquirido ao longo dos anos.
Rigotto cita como bons nomes para a disputa à Presidência o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e os governadores Sérgio Cabral (RJ), Paulo Hartung (ES), Luiz Henrique da Silveira (SC), Roberto Requião (PR) e Eduardo Braga (AM). Todos têm visibilidade e condições de crescer no processo eleitoral, mas o problema é que ninguém se apresenta porque sabe que não terá a sustentação efetiva da cúpula partidária, admite o ex-governador gaúcho.

Planilha mostra mapa da propina no RS, diz denúncia
Procuradoria cita lista de empresas e valores como evidência de subornos no caso Detran
Arquivo mostra distribuição dos R$ 2,2 milhões por mês que fundação recebia do Detran; o esquema teria desviado R$ 44 milhões
GRACILIANO ROCHA
DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE
Uma planilha apreendida pela Polícia Federal na Operação Rodin, em novembro, detalha o destino do dinheiro da fase final da fraude no Detran (Departamento Estadual de Trânsito) do Rio Grande do Sul.
Na denúncia do Ministério Público Federal, a que a Folha teve acesso, a lista é mencionada como evidência do pagamento de subornos. Seria uma espécie de mapa da propina paga a funcionários do governo que ajudaram a montar um esquema de fraude a partir do superfaturamento de 40% dos valores cobrados para avaliar os candidatos a motorista.
O esquema no Detran, que jogou o governo da tucana Yeda Crusius em uma crise política e gerou uma CPI na Assembléia, teria desviado R$ 44 milhões entre 2003 e 2007. Hoje, são 40 os réus na Justiça.
A planilha estava em poder de José Antônio Fernandes, dono da Pensant Consultores e acusado de ser o mentor do desvio por meio de um esquema envolvendo duas fundações ligadas à UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), que repassavam dinheiro recebido do Detran para empresas subcontratadas irregularmente.
Essas empresas, segundo a Procuradoria, pagavam suborno a servidores e a operadores políticos. Além disso, parte do dinheiro desviado, diz a denúncia, serviu para o enriquecimento dos donos de empresas.
Elaborada possivelmente em setembro, a planilha mostra como foram distribuídos os R$ 2,2 milhões por mês que a Fundae (Fundação para o Desenvolvimento e o Aperfeiçoamento da Educação e da Cultura) recebia do Detran nos três meses que antecederam a operação da PF. A lista relaciona os nomes de empresas com valores em reais. Ao lado da coluna de valores aparece outra com o título “Desp. Op.” As “despesas operacionais”, diz a Procuradoria, são os valores com que cada empresa “contribuía para a formação da propina”. Variam de R$ 450 mil a R$ 472 mil mensais entre agosto e outubro.
Das empresas citadas, quatro pertencem a Fernandes ou a seus familiares -Pensant, IGPL, GCPlan e Natchigall Luz Advogados Associados. Segundo a denúncia, tratava-se da “espinha dorsal” da fraude. Em agosto e setembro, as empresas receberam R$ 1,06 milhão e empregaram R$ 510 mil nas “despesas operacionais”.
Quando foi preso, Rubem Hoher, dono da Doctus Consultoria, listada na planilha, disse à PF que o dinheiro circulava em malas. Também na lista, a Carlos Rosa Advogados Associados recebeu até agosto R$ 132 mil, que teriam sido repassados à propina, diz a denúncia. A lista mostra que a Fundae repassou verba à Fatec.
Rosana de Oliveira do jornal ZERO HORA de POA
“A interatividade proporcionada pela comunicação moderna já indicava alto índice de aprovação ao vice-governador Paulo Feijó, por ter gravado e divulgado uma conversa que teve no dia 26 de maio com o então chefe da Casa Civil, Cézar Busatto. Eram torpedos, mensagens, cartas, palpites em programas de rádio e TV, mas faltava a pesquisa com base científica e amostra representativa do universo de eleitores gaúchos. Não falta mais: a sondagem encomendada pelo Grupo RBS à Fato está dissecada nas páginas 4 e 5 desta edição (ver aqui no Blog). Poucas vezes se viram resultados tão arrasadores para um governo.
Ela mostra que 61,8% dos eleitores aprovam a atitude de Feijó de gravar a conversa, ato definido por Busatto como covarde, traiçoeiro, revelador de falta de caráter. É quase o mesmo percentual (59,6%) dos que consideram legítimas a gravação e a divulgação da conversa. Bem maior é o índice dos que definem as declarações de Busatto como muito comprometedoras para o ex-secretário e para o governo: 75,5%.
Somente um terço dos entrevistados compartilha a tese corrente no Palácio Piratini de que a motivação de Feijó é “forçar Yeda a sair para assumir como governador em seu lugar”. O percentual de 44,7% dos que sugerem a Feijó deixar o cargo para fazer oposição a Yeda fora do governo comporta duas leituras: uma, de que ele está sendo desleal ao atacar o governo do qual participa; outra, de que deve se afastar para não ser contaminado pela impopularidade.
Passados 18 meses desde a posse, 62,2% desaprovam o governo de Yeda. Em uma pergunta sobre a atuação da governadora em relação ao escândalo do Detran tem-se uma medida mais precisa do desgaste provocado pela crise: 16,4% disseram que é boa ou ótima e 43,1% que é ruim ou péssima.”
“Um vice precisa cooperar, precisa ser leal”, foi nesses termos que Kassab condenou a atitude do vice de Yeda Crusius, Paulo Feijó, que gravou uma conversa com o chefe da Casa Cívil do governo gaúcho, César Busatto, falando de corrupção no governo tucano e procurando “comprar” o silêncio de Feijó. O vice-governador de Rio Grande do Sul, Paulo Feijó, é do mesmo partido que Kassab, mas aparentemente não compartilha da idéia da omertà, na qual precisaria cooperar e ser leal com corrupção.
O DEM parece pensar como Kassab e quer expulsar ou sancionar o vice-governador Feijó. O PSDB, como hábito, disse que a “culpa é do PT” e vergonhosamente soltou nota de apoio ao governo tucano de Rio Grande do Sul.
A população de Rio Grande do Sul não parece concordar com a filosofia demo-tucana, nem com a “lealdade” que defende Kassab.
Vejam o que pensa de tudo isto o povo gaúcho, segundo pesquisa feita pela RBS afiliada a Globo com o instituto Fato:
61,8% aprovam o fato de o vice Feijó ter gravado e divulgado a conversa que levou à demissão o chefe da Casa Civil Cezar Busatto. Só 23,9% desaprovam o gesto;
59,6% acham que a atitude de Feijó foi legítima e que ele fez o que deveria fazer. Apenas 33,3% tacham o procedimento do vice de “antiético”;
75,5% consideraram “muito graves” os comentários feitos por Cezar Busatto no diálogo gravado. Acham que o teor da conversa compromete Busatto e o governo Yeda Crusius. Escassos 6,5% dos entrevistados acharam que o conteúdo da gravação não é grave;
62,2% dos gaúchos ouvidos desaprovam a gestão tucana de Yeda Crusius, iniciada em janeiro de 2006. Aprovam a gestão da governadora 23,9%;
16,4% acham que a ação de Yeda diante da crise que rói as entranhas de sua administração é ótima (3%) ou boa (13,4%). Para 36,8% dos entrevistados, a forma como a governadora vem lidando com a crise é regular. Para 20,7% é ruim. E para 22,4% é péssima;
44,7% dos entrevistados acham que Paulo Feijó deveria deixar o cargo de vice-governador para fazer oposição a Yeda fora do governo. Outros 31,7% avaliam que ele deve se manter no cargo mesmo fazendo oposição à governadora. Outros 10,1% dizem que ele só deve ficar no cargo se parar de fustigar a titular do governo.
79,7% dos gaúchos “concordam muito” (22,2%) ou “concordam” (57,5%) com a seguinte frase: “A CPI [que investiga desvios de verbas públicas no Detran-RS] causou muito desgaste para governo e poderá causar muito mais.”
Os dados da pesquisa são reproduzidos do Blog de Josias

do ex-Blog de César Maia (DEM)
A EMPÁFIA E A CRISE GOVERNAMENTAL NO RIO GRANDE DO SUL!
1. O governo do estado do Rio Grande do Sul, enfrenta uma crise financeira estrutural há muitos governos. As medidas adotadas têm sido paliativas e resolvido episodicamente os problemas. Por ele passaram o PDT, PT, PMDB, PSDB, e a volatilidade não mudou. Nenhum dos governos -desde 1983- conseguiu equacionar a crise financeira. E lá se vão 25 anos.
2. No inicio do atual governo do PSDB, numa reunião no Palácio Laranjeiras a convite do Governador do RJ, com os governadores de SP e Espírito Santo, o Prefeito do Rio, propôs um alivio de caixa imediato ao governo do Rio Grande do Sul, por ação de todos, a Prefeitura do Rio incluída, de forma a dar tempo à Governadora, para que adotasse as medidas que se fizessem necessárias.
3. Lembrou que um fracasso da Governadora eleita, seria o retorno da oposição do governo em 2010. E arrematou dizendo que uma crise financeira, além dos desdobramentos políticos, tem desdobramentos administrativos, “abrindo-se” para ter governabilidade com as conseqüências, que aliás, estamos vendo.
4. Nos dias seguintes, com o vazamento da proposta por alguém presente, vieram as críticas e ironias, em notas e matérias na imprensa, impulsionadas, entre outros e principalmente pela governadora. O tempo mostrou que a empáfia e o amadorismo ao tratar da proposta de se antecipar, transformaram a gestão em desmonte e que dois anos e meio antes do prazo, o governo do Rio Grande do Sul desintegrou.
do ex-Blog de César Maia
Toda Mídia
NELSON DE SÁ – nelsondesa@folhasp.com.br
Brics e a crise do Ocidente Jim O’Neill falou novamente. Dias atrás, à Folha, deu o Brasil como seu Bric favorito. Ontem, em fórum na Rússia, o criador do acrônimo declarou às agências que a crise financeira “definitivamente permite aos Brics se desenvolverem mais rápido“. Afinal, “esta é uma crise do Ocidente”, que ele entende apenas por EUA e Europa, “e a maior parte dos seis bilhões de pessoas do mundo não será afetada por ela”.
Sobre o clube Bric que Brasil, Rússia, Índia e China lançaram dias atrás, em encontro na mesma Rússia, opinou o economista do Goldman Sachs: “Espero que os líderes do Ocidente tenham prestado atenção àquele encontro e comecem a acelerar sua inclusão no G8 e no FMI… Penso que a falta de avanço do G8 e dos líderes ocidentais na mudança é realmente ruim e um dos maiores problemas no mundo, hoje”.
O FUNDO, AFINAL
O “Financial Times” publica hoje e já destacava ontem, no alto da home, entrevista em que Guido Mantega anuncia o fundo soberano do país, a ser enviado ao Congresso. Deve “começar pequeno”, mas crescer rapidamente para “US$ 200 bilhões ou US$ 300 bilhões em três a cinco anos” conforme “o petróleo começar a entrar”, referência a Tupi e os outros campos.
Sexta, no dia de recorde do petróleo, o Market Watch voltou a se aprofundar na “série de descobertas do Brasil”.
ADMIRADORES ETC.
De um lado, o “FT” adiantou ontem e publica hoje uma longa reportagem sobre como “o novo status do Brasil”, com o grau de investimento, “ganha admiradores”. Entrevista nos EUA uma série de fundos institucionais para retratar tais admiradores e as apostas de aplicação por aqui.
De outro, o site do mesmo “FT” posta nota de outro correspondente, dizendo que “um consultor de São Paulo” não identificado aposta que a valorização da moeda do país já teria atingido seu pico.
AGORA, A ESTRADA
Jornais britânicos ecoaram no fim de semana a multa que o Ibama aplicou em Johan Eliasch, o sueco “consultor de Gordon Brown” e dono de terras na Amazônia. Uma “fonte próxima” sem identificação disse à AFP que as provas do Ibama são “falsas, politicamente motivadas”.
Enquanto isso, um artigo ontem no “New York Times” abriu outra frente, apelando às fotos da tribo “isolada” do Acre para questionar “uma nova estrada” no Estado.
UM MÊS DEPOIS
jornalnacional.globo.com![]() |
William Bonner, ao noticiar o caso Alstom
Por qualquer razão, o “Jornal Nacional” deu o caso Alstom na sexta, exatamente um mês depois de sair em manchete no “Wall Street Journal”. Citou por fonte “a bancada do PT”. E nada de mencionar PSDB ou o governo paulista, só o Metrô, “sob suspeita” por um “contrato de 1994″. Não entrou na escalada de manchetes.
Sábado, mais Metrô. Fora da escalada e sem citar governo, o “JN” deu que o IPT culpa “sucessão de erros” pelas mortes na Linha Amarela.
“YEDA, DO PSDB”
Também o escândalo no Rio Grande do Sul chegou ao “JN”, enfim, no sábado. No caso, com escalada e menção a “Yeda, do PSDB” e seu vice “do Democratas”. Mas nada do PPS do chefe da Casa Civil, flagrado no áudio falando do financiamento de legendas via estatais gaúchas.
RS URGENTE
Nada, também, da oferta de “uma coisa concreta” ao vice, feita na mesma gravação. Para tanto, era preciso acompanhar o blog gaúcho RS Urgente, de Marco Aurélio Weissheimer, que dá o escândalo desde seus primeiros passos, ainda no ano passado. Está lá a oferta, em podcast.
APARÊNCIAS
O blog de José Dirceu, dado por todo lado como próximo das duas fontes das denúncias contra Dilma Rousseff, os petistas José Aparecido e Denise Abreu, citou pela primeira vez o caso Varig. Postou que “a Casa Civil” não perdoou a dívida da empresa, como noticiado, pois “não havia sucessão das dívidas”. Na aparência, defendeu Dilma.
O “ato falho” do Jornal do Brasil (JB) é significativo, como diria Freud. O desejo de uma parte da mídia é tão forte que acaba forçando a mão. Ou a força de procurar ocultar o escândalo tucano de Rio Grande do Sul, o responsável do JB não sabia nem a cor política da governadora Yeda Crusius. Errar é humano e o escândalo de corrupção é tucano.
Reproduzo a seguir duas fotos com o único intuito de refrescar a memória dos veículos de comunicação. As fotos são da governadora Yeda Crusius durante a campanha eleitoral, na primeira ela está só e na segunda acompanhada por Alckmin, Serra e Aécio. Na próxima, ela estará seguramente sozinha de novo, vista a pouca manifestação de solidariedade dos homens da foto para com a governadora tucana.
No dia 26 de maio, o chefe da Casa Civil do governo Yeda Crusius (PSDB), Cézar Busatto (PPS), foi conversar com o vice-governador Paulo Feijó (PFL). O objetivo da conversa: tentar convencer Feijó a parar com as denúncias sobre irregularidades no Banrisul. Busatto tenta comprar a posição de Feijó:“…Se pudéssemos encontrar um modus vivendi que nos permitisse tu não romper com tuas convicções….para tu estar dizendo pra ti mesmo, pra tua consciência…qual é o custo disso? Eu não sei, de repente o Fernando (o presidente do Banrisul chama-se Fernando Lemos) faz um gesto concreto pra ti, não quero pensar alto porque isso não tá no horizonte…uma coisa concreta que pudesse permitir ou outra coisa, quem sabe?
Além de fazer essa oferta, Busatto, didaticamente explica a Feijó que o Banrisul é fonte de financiamento das campanhas do PMDB e o Detran e o Daer do PP.
BLOG RS
A seguir artigo da Folha
Crise derruba parte do secretariado de Yeda
Governadora demitiu três membros do primeiro escalão da administração e o comandante-geral da Brigada Militar
A mudança é uma resposta à crise política agravada pela divulgação, por parte do vice-governador, de diálogo com o ex-chefe da Casa Civil
GRACILIANO ROCHA – FOLHA DE SÃO PAULO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE
Em mais um capítulo da maior crise política de sua gestão, a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), anunciou ontem a demissão de três membros do primeiro escalão do governo e do comandante-geral da Brigada Militar (a PM gaúcha).
Segundo a tucana, as cartas de demissão do chefe da Casa Civil, Cézar Busatto, do secretário-geral de Governo, Delson Martini, do chefe do escritório do Estado em Brasília, Marcelo Cavalcante, e do comandante-geral da Brigada Militar, coronel Nilson Bueno, foram apresentadas na noite de sexta.
A mudança -a maior no primeiro escalão desde a posse de Yeda, em 2007- veio como resposta à crise política agravada na semana passada com a divulgação de grampos telefônicos feitos pela Polícia Federal e de conversa gravada pelo vice-governador e inimigo político de Yeda, Paulo Feijó (DEM), em que Busatto reconhece o uso de estatais no financiamento de campanhas eleitorais.
O ex-chefe da Casa Civil, que não sabia que sua conversa com Feijó estava sendo gravada, menciona o PP e o PMDB -os maiores partidos da base de Yeda- como beneficiários da prática em órgãos estatais que comandam, o Banrisul (Banco do Estado do Rio Grande do Sul) e o Detran (Departamento Estadual de Trânsito). Depois, Busatto disse que se referia a contribuições de servidores filiados aos partidos.
Os 18 deputados estaduais das duas siglas pressionaram Yeda pela demissão.
Ela classificou o comportamento do vice como “indigno” e “insólito”. Disse que a gravação “não tem valor ético ou moral”. “Quando alguém não sabe que estava sendo gravado, quem estava gravando pôde fazer o teatro que bem quis.” Feijó não se manifestou ontem.
Relação com Ferst
A governadora negou ter tomado conhecimento da carta enviada pelo empresário tucano Lair Ferst, apontado pela PF como um dos pivôs do desvio de R$ 44 milhões no Detran. Na carta, recebida por Cavalcante, Ferst fala do funcionamento da fraude e cita sua participação na campanha de Yeda em 2006.
A governadora defendeu Cavalcante. Afirmou que a carta não trazia provas da existência do esquema no Detran. Sustentou que sua relação com Ferst é partidária. “Lair é militante do PSDB. Hoje está afastado, esteve presente em todos os momentos como militante.”
Yeda afirmou que a crise não abalou o relacionamento com os aliados nem a confiança da população no governo. “Mostrem que o povo gaúcho não confia no meu governo.”
A mudança no secretariado, disse Yeda, não vai alterar seu modelo de gestão “baseado em resultados”, mesmo com a saída de Delson Martini, que coordenava projetos prioritários do governo e foi acusado de participar da fraude do Detran.
Bueno, da Brigada Militar, pediu demissão após ter sido denunciado pelo Ministério Público Militar por uso irregular de diárias.
Em pronunciamento veiculado ontem à noite em rádios e TVs gaúchas, a tucana defendeu sua gestão e disse, na única menção à crise, que “o desenvolvimento do Rio Grande do Sul não será afetado por ataques desleais”.
BLOG RS

No dia 26 de maio, o chefe da Casa Civil do governo Yeda Crusius (PSDB), Cézar Busatto (PPS), foi conversar com o vice-governador Paulo Feijó (PFL). O objetivo da conversa: tentar convencer Feijó a parar com as denúncias sobre irregularidades no Banrisul. Busatto tenta comprar a posição de Feijó:“…Se pudéssemos encontrar um modus vivendi que nos permitisse tu não romper com tuas convicções….para tu estar dizendo pra ti mesmo, pra tua consciência…qual é o custo disso? Eu não sei, de repente o Fernando (o presidente do Banrisul chama-se Fernando Lemos) faz um gesto concreto pra ti, não quero pensar alto porque isso não tá no horizonte…uma coisa concreta que pudesse permitir ou outra coisa, quem sabe?
Além de fazer essa oferta, Busatto, didaticamente explica a Feijó que o Banrisul é fonte de financiamento das campanhas do PMDB e o Detran e o Daer do PP.
Alguma dúvida? Clique AQUI para ouvir a íntegra da conversa de Busatto com Feijó.
Postado por Marco Aurélio Weissheimer
O governo Yeda Crusius é uma vergonha

O governo Yeda Crusius é uma vergonha para o Estado do Rio Grande do Sul. A inacreditável sucessão de escândalos e denúncias a que o povo gaúcho assiste nos últimos meses revela um governo fraco moral e politicamente.É um governo onde a governadora não fala com o vice-governador.
É um governo onde o chefe da Casa Civil tenta comprar a posição do vice-governador.
É um governo onde o vice-governador grava uma conversa com o chefe da Casa Civil para denunciá-lo.
É um governo onde o chefe da Casa Civil chama o vice de canalha e mau-caráter.
É um governo onde aliados da governadora a chamam de sem-vergonha. E nada acontece.
É um governo onde secretários de Estado negociam, combinam festas e tomam chopp com acusados de integrar uma quadrilha que roubou mais de R$ 40 milhões dos cofres públicos.
É um governo onde os partidos de sustentação da governadora, nas palavras do chefe da Casa Civil, utilizam empresas públicas para financiar campanhas eleitorais e para comprar maioria no Parlamento.
É um governo que, diante de graves denúncias de corrupção, com provas materiais eloqüentes, emudece, se esconde e, através de seu patético porta-voz, afirma não existirem fatos relevantes.
É um governo onde a governadora foge da imprensa e do povo.
É um governo onde a governadora não tem coragem de prestar contas sobre seus atos e de seus aliados, mas tem coragem de fechar escolas, demitir funcionários públicos e mandar a polícia bater em manifestantes.
É um governo que privatiza o meio ambiente e hipoteca o futuro.
É um governo onde seus aliados e padrinhos (como o inacreditável senador Pedro Simon, que foi incapaz de pronunciar uma palavra sobre todos esses escândalos) não tem mais coragem de defendê-lo e abandonam o navio em número cada vez maior.
É um governo cujo modus vivendi é a dissimulação e a covardia.
É um governo que chegou ao fim.
Marco Aurélio Weissheimer BLOG RS
Agora entendi porque Alckmin e Serra são contra uma CPI de Alstom em São Paulo. Em Rio Grande do Sul a CPI do Detran destampou o ninho tucano gaúcho e o que aparece não é flor que se cheire.
Blog de Josias
A governadora gaúcha Yeda Crusius (PSDB) considera a hipótese de demitir o secretário-geral de sua gestão, Delson Martini.
Martini é um dos principais auxiliares de Yeda. Passou a balançar no cargo há dois dias, quando se descobriu que o nome dele é mencionado em grampo da PF.
As escutas telefônicas contêm diálogos de personagens envolvidos no caso do Detran-RS. Escândalo que produziu desvios estimados em R$ 44 milhões entre 2003 e 2007.
O nome de Martini veio à tona na CPI do Detran, instalada na Assembléia Legislativa gaúcha. Os deputados ouviram, em sessão pública, um lote de 34 escutas.
Numa delas, dois servidores denunciados pelo Ministério Público à Justiça discorrem sobre Martini. “parceiro na desgraça, na alegria e na bonança.”
Na manhã desta sexta-feira (6), a governadora reuniu-se com parte de sua equipe para discutir o futuro de Martini. A avaliação preponderante é de que a saída dele tornou-se inevitável.
Escrito por Josias de Souza
Segundo Procuradoria, R$ 9 milhões foram usados na compra de casa e apartamentosA fraude no órgão estadual teria desviado R$ 44 milhões entre 2003 e 2007, quando a PF deu início à Operação Rodin, diz Ministério Público
GRACILIANO ROCHA DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE
A compra de imóveis de luxo foi um dos destinos do dinheiro desviado do Detran (Departamento Estadual de Trânsito) do Rio Grande do Sul, segundo o Ministério Público Federal.
A Rio Del Sur Ltda., que recebeu, em valores atualizados, em torno de R$ 9 milhões de uma fundação contratada pelo Detran entre 2003 e 2007, adquiriu uma casa e dois apartamentos em bairros nobres de Porto Alegre e de Gramado -município da serra gaúcha. Os imóveis, avaliados em R$ 2,7 milhões, foram comprados entre setembro de 2004 e março de 2006.
A empresa pertence a familiares do empresário tucano Lair Ferst, que atuou na campanha da governadora Yeda Crusius (PSDB) e é réu com outras 39 pessoas em ação penal que tramita na Justiça Federal.
As compras da Rio Del Sur foram detectadas na quebra dos sigilos bancário e fiscal da companhia e também em mensagens de e-mail trocadas por Ferst com imobiliárias.
Na capital gaúcha, a empresa comprou uma casa de 740 m2 em um condomínio fechado no bairro Boa Vista (R$ 1,3 milhão) e um apartamento com 493 m2 no bairro Mont’serrat (R$ 1,1 milhão). Em Gramado, o investimento foi de R$ 330 mil na compra de um apartamento. Os bens estão bloqueados pela Justiça.
Segundo a Procuradoria, a Rio Del Sur era uma empresa “de fachada”, que existia para “remunerar indevidamente” Ferst, enquanto a Newmark Tecnologia, outra empresa da família que recebeu cerca de R$ 12 milhões, era utilizada para “pagamento de propina a dirigentes do órgão”. A fraude teria desviado R$ 44 milhões entre julho de 2003 e novembro de 2007, quando a PF deflagrou a Operação Rodin.
Nem Ferst nem seu advogado foram localizados para comentar a compra dos imóveis. O porta-voz do governo, Paulo Fona, não quis comentar o caso alegando que Ferst “não tem relações com o governo”.
Em Santa Maria (a 286 km de Porto Alegre), um grupo de 80 estudantes universitários invadiu durante sete horas a sede da Fundae -fundação que recebia dinheiro do Detran e depois o repassava para empresas do suposto esquema. No final da tarde, os estudantes deixaram o prédio por determinação judicial.
Zero Hora
Adriana Irion | adriana.irion@zerohora.com

O Ministério Público Estadual investiga se valores repassados pela Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados (Fenaseg) para pagar serviços autorizados pela presidência do Detran foram desviados para abastecer caixa 2 de campanhas eleitorais.
Além de indícios de pagamentos irregulares feitos desde 2003, há serviços listados que não se aplicam dentro do que deveria ser o objeto do convênio entre Detran e Fenaseg — os valores repassados pela federação deveriam ser investidos em projetos de campanha de educação no trânsito.
A principal suspeita é de que altos valores pagos a gráficas, serviços, bufês e aluguel de carros tenha servido para abastecer campanhas eleitorais.
Em 2006, ano eleitoral, esses pagamentos tiveram acréscimo substancial, e esse é um dos focos da investigação que desencadeou ontem buscas em quatro locais, inclusive na sede da Fenaseg, no Rio de Janeiro. Entre 2003 e 2005, os valores repassados pela Fenaseg variavam de R$ 1,2 milhões a R$ 1,7 milhões. Em 2006, saltaram para R$ 3,3 milhões.
Na lista de valores pagos consta também que receberam o advogado Alexandre Barrios, que assessorou o Detran e é réu no processo da Rodin, e as empresas Rio Del Sur e Newmark, também investigadas na fraude do Detran.
ZERO HORA

Depoimento durou quase 10 horas Foto: Marcos Nagelstein
Quando revelar hoje contra quais suspeitos da fraude milionária do Detran tiveram aceita a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), a juíza Simone Barbisan Fortes estará falando de pessoas que foram classificadas pelos procuradores da República como integrantes de um grupo que operou para praticar crimes de colarinho branco. Conforme autoridades que tiveram acesso à denúncia, um documento de 242 páginas, essa é uma das expressões definidoras da quadrilha, articulada nos bastidores acadêmicos e políticos do Estado.
Sobre as características do grupo, o documento produzido por cinco procuradores da república afirma que a atuação dos envolvidos foi típica de organização criminosa e destaca que o esquema foi arquitetado por pessoas com boa formação e reconhecimento profissional. A quadrilha contava com os serviços de pelo menos 10 advogados, cinco profissionais da área de contabilidade, dois economistas, uma psicóloga, administradores de empresas e engenheiros.
A atuação dos chamados operadores do direito ganha destaque nas páginas do documento, segundo autoridades, já que argumentos que deveriam ser aplicados em defesa da lei foram utilizados para justificar ilegalidades. O material confeccionado durante dois meses de trabalho pelo MPF destaca a terminologia utilizada pelo grupo: empresas subcontratadas eram tidas como “empresas de suporte”, propina era traduzida como “pressão de governo” e recursos públicos eram referidos como “recursos públicos apropriados por entidade privada e, portanto, não sujeitos à fiscalização”.
Ao enquadrar os envolvidos por núcleos, a denúncia também revela como o esquema criminoso nasceu. Segundo os procuradores da República, a família Fernandes, dona da empresa Pensant Consultores, ofereceu vantagens aos gestores públicos que tinham poder de decisão em contratações, como no caso investigado, a dirigentes do Detran. No começo da fraude, em 2003, a proposta da Pensant foi articulada e concretizada com a participação direta do lobista e consultor de empresas Lair Ferst e do advogado Carlos Dahlem da Rosa, segundo a denúncia. No relatório de investigação, a Polícia Federal afirmou que a Pensant “elevou a criminalidade a patamar industrial”.
Para autoridades, Ferst tem bens em nome de empresas
Ainda em relação ao denunciado que prestou depoimento ontem à CPI do Detran, Ferst, os procuradores afirmaram que as empresas ligadas a ele não superfaturavam os serviços porque, na realidade, não prestaram serviço algum, tendo apenas simulado algumas atividades na tentativa de justificar os ganhos. A denúncia confirma, assim como já era dito pela Polícia Federal, que as empresas Newmark Tecnologia e Rio del Sur são de propriedade de Ferst, que usa familiares para dissimular os negócios. Quanto a imóveis dos quais Ferst nega ser dono, a apuração federal concluiu que ele mantém bens em nome da empresa Rio del Sur como forma de blindar o patrimônio.
Segundo autoridades, a troca de fundações no contrato com o Detran teve Ferst como pivô. A manutenção da organização criminosa teria sido ameaçada pelo fato de Ferst não ter habilidade em comprovar que as duas empresas exerciam atividades relevantes que justificassem o que recebiam. Com o afastamento de Ferst do contrato, o novo presidente do Detran, Flavio Vaz Netto, ganhou destaque no comando do esquema, segundo os procuradores descrevem. Tanto que exigia aumento de propina.
Em outro momento de definição de como o esquema funcionou, os procuradores disseram que tudo era feito de forma a propiciar o funcionamento do “grande esquema criminoso e dirigido ao escoamento do dinheiro público e o enriquecimento particular da grande maioria dos denunciados.”
FONTE ZERO HORA
RIO GRANDE DO SUL
Yeda Crusius e Lair Ferst
DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE
O Ministério Público Federal apontou os empresários Lair Ferst e José Antônio Fernandes como principais operadores de uma “superestrutura criminosa” que desviou R$ 44 milhões do Detran do Rio Grande do Sul.
Os dois são suspeitos dos crimes de peculato, corrupção ativa, falsidade ideológica, locupletamento em dispensa de licitação e formação de quadrilha. Ferst, que também foi denunciado por extorsão, é filiado ao PSDB e atuou na campanha da governadora Yeda Crusius.
Da denúncia apresentada ontem à Justiça Federal de Santa Maria (RS) constam ainda os nomes de diretores do Detran, servidores da Universidade Federal de Santa Maria e empresários. A Folha não conseguiu localizar Ferst e Fernandes. O porta-voz do governo gaúcho disse que Yeda abriu sindicâncias para apurar o caso.
Entre os denunciados estão Carlos Ubiratan dos Santos, que presidiu o Detran no governo de Germano Rigotto, e Flávio Vaz Neto, que ocupou o cargo sob Yeda. Eles não foram encontrados ontem. (GRACILIANO ROCHA)


Leandro Fortes, de Porto Alegre – CARTA CAPITAL
A vida da governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, do PSDB, não tem sido fácil. Dona de um estilo político duro, aristocrático e em nada carismático, a tucana vive um misto de inferno pessoal e administrativo em que se incluem dívidas estaduais impagáveis, atrasos no pagamento de salários de servidores, popularidade em franca queda, dependência de uma bancada governista para lá de suspeita e, agora, uma CPI capaz de enlamear os portais do Palácio Piratini, sede do governo gaúcho.
Até o fim de 2007, Yeda Crusius reclamava apenas de uma herança maldita dos governos anteriores do PT e do PMDB: a dívida estrutural do estado, origem de todos os problemas políticos enfrentados por ela até ali. Apenas com precatórios (títulos de dívidas judiciais do governo), o rombo do Rio Grande do Sul chega a quase 5 bilhões de reais. Isso porque, nos últimos dez anos, o estado conseguiu pagar menos de 400 milhões de reais – valor inferior à correção da dívida de um único ano.
Para enfrentar o problema, antes mesmo de tomar posse, a governadora anunciou um pacote com aumento de impostos e congelamento de salários, um tal “jeito novo de governar”, cantarolado na campanha de 2006, mas transformado em imensa dor de cabeça política para ela e o PSDB. Dois secretários estaduais renunciaram antes de assumir, o vice-governador, Paulo Afonso Feijó, do ex-PFL, foi para a oposição e, seis meses depois, 60% dos gaúchos desaprovavam o governo Yeda Crusius, segundo pesquisa do Instituto Dataulbra, da Universidade Luterana do Brasil.
Mas foi a Operação Rodin, da Polícia Federal, deflagrada em novembro do ano passado, que colocou o governo em outro patamar, o da corrupção endêmica. Trata-se de uma ação criminosa herdada da gestão anterior, do peemedebista Germano Rigotto, e aperfeiçoada no governo tucano, depois da nomeação, pela governadora, de Flávio Vaz Netto para o Departamento Estadual de Trânsito (Detran). Em vez de apurar e denunciar a bandalha instalada no órgão pela turma do PMDB, Netto, indicado pelo PP, decidiu se inserir e dominar o esquema. Acabou preso e indiciado, como os demais comparsas envolvidos nas fraudes.
A ação policial desmontou uma quadrilha ligada a fundações de apoio vinculadas à Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, para prática de diversos crimes, especialmente contra licitações, no Detran gaúcho. No rastro da operação, a oposição a ela, capitaneada pelo PT, emplacou a CPI do Detran e se apegou, sem provas, a uma denúncia de suposta utilização de 400 mil reais de sobras de campanha, por parte da governadora, para a compra mal explicada de uma casa num bairro nobre de Porto Alegre, logo depois das eleições de 2006.
No epicentro do esquema criminoso investigado pela PF está o empresário e lobista Lair Ferst, figurinha carimbada do PSDB gaúcho, apontado sem ressalvas, por gente do governo e da oposição, como principal operador da engrenagem de arrecadação de fundos da campanha tucana de 2006 no estado. Hoje, a luta de Yeda Crusius é basicamente descolar-se do nome e da má sina de Ferst, um dos 13 quadrilheiros presos na operação e figura proeminente entre os 39 indiciados pela Polícia Federal.
Na base do escândalo estão a Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência (Fatec) e a Fundação Educacional e Cultural para o Desenvolvimento e o Aperfeiçoamento da Educação e da Cultura (Fundae), ambas da Universidade Federal de Santa Maria. A fraude, de acordo com as investigações da PF, do Ministério Público Federal e do Ministério Especial do Tribunal de Contas do Estado (TCE), pode ter custado 40 milhões de reais aos cofres públicos do Rio Grande do Sul. Para ajudar no caso, a Receita Federal e o Coaf, ligado ao Ministério da Fazenda, foram convocados para garantir acesso a sigilos fiscal e bancário dos indiciados até agora.
Até 2003, o Detran do Rio Grande do Sul realizava os exames práticos e teóricos de direção por meio de um contrato com a Fundação Carlos Chagas (FCC). Ao assumir, o então governador do estado Germano Rigotto nomeou como secretário de Segurança Pública o deputado federal José Otávio Germano, do PP, a quem o Detran ficou subordinado. O secretário Germano não abriu nova licitação e encerrou o contrato com a FCC. Nomeou, então, para o cargo de presidente do Detran um aliado, Carlos Ubiratan dos Santos, e para diretor-financeiro do órgão, Hermínio Gomes Junior. Ambos decidiram contratar, em caráter emergencial, a Fatec, embora houvesse tempo hábil para licitar o processo. Mais tarde, a Fundação acabou contratada sem licitação e tornou-se um quartel-general onde se planejavam os desvios de dinheiro e a distribuição de propinas entre os participantes das fraudes.
De acordo com a investigação da PF, a intermediação do contrato foi feita pelo então reitor da UFSM Paulo Jorge Sarkis, com a ajuda do lobista José Antônio Fernandes e do tucano Lair Ferst. Os delegados do inquérito não hesitam em colocar Ferst como o curinga de toda esta história, baseados nas informações apuradas pelos agentes federais, após seis meses de investigação, inclusive com a gravação de quase 20 mil horas feitas por escutas telefônicas autorizadas pela Justiça Federal de Santa Maria, no interior do estado.
Chamado de “companheiro” por Yeda Crusius, Ferst é também politicamente ligado a Carlos Ubiratan, ex-presidente do Detran. Ele é apontado como o responsável pela engenharia de subcontratações feitas pela Fatec, até o fim de 2007, junto a empresas de consultoria (designadas de “sistemistas”) formadas por parentes, correligionários e “laranjas”. Uma delas, a Newmark, tem como sócios Elci Terezinha Ferst, irmã de Lair, e o cunhado, Alfredo Pinto Telles. Outra, a Rio Del Sur, abriga duas irmãs do lobista tucano, Rosana Cristina Ferst e Cenira Maria Ferst Ferreira. Para a PF, Ferst é o verdadeiro dono das empresas.
Também por intermédio de Ferst, o outro lobista do esquema, José Antônio Fernandes, conseguiu emplacar entre as empresas “sistemistas” a Pensant Consultores, da qual é sócio com dois filhos, Ferdinando e Fernando Fernandes. A quarta subcontratada, a Carlos Rosa Advogados Associados, foi indicação direta de Ubiratan. Entre os sócios do escritório estão Carlos Dahlem da Rosa e Luiz Paulo Germano, conhecido como “Buti”, irmão do então secretário de Segurança Pública José Otávio Germano – a quem o Detran estava subordinado.
De acordo com o levantamento feito pela Polícia Federal, as quatro “sistemistas” subcontratadas pela Fatec receberam, juntas, 31 milhões de reais entre 2003 e 2006. Por meio da Fundação, acreditam os investigadores, estabeleceu-se um propinoduto fixado bem no meio das gestões de Germano Rigotto e Yeda Crusius, desvendado graças a uma denúncia anônima, feita no fim de 2007, no Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul, por um professor da universidade.
Ao se debruçar sobre as atividades de Ferst, a PF descobriu, ainda, que o lobista do PSDB gaúcho também agregou ao grupo criminoso a empresa NT Pereira, administrada por Patrícia Jonara dos Santos, mulher de – sempre ele – Carlos Ubiratan. Em 2006, a firma efetivou um empréstimo, sem garantias, ao mesmo Ubiratan, no valor de 500 mil reais. A operação, de acordo com a investigação policial, teria servido para lavar dinheiro desviado e, posteriormente, utilizado para o pagamento de propinas e formação de caixa 2.
O ex-reitor da UFSM Paulo Jorge Sarkis também conseguiu que uma empresa da família, montada em nome da mulher e dos filhos, acabasse subcontratada por uma das subcontratadas da Fatec, a Pensant, do lobista José Antônio Fernandes. Entre 2004 e 2005, a Sarkis Engenharia Estrutural recebeu da Pensant 74 mil reais por serviços de consultoria. A Polícia Federal investiga, ainda, a participação de outra empresa da família Sarkis, a World Travel Turismo, nas fraudes contra o Detran.
No início de 2007, o esquema sofreria uma ruptura importante com a mudança na reitoria da Universidade Federal de Santa Maria, mas também por conta dos riscos provocados pela alta exposição dos negócios de Ferst. Entre os tucanos temiam-se, com razão, futuros problemas políticos para a governadora. Arrumou-se, então, um detalhe técnico para tirar a Fatec da jogada. Sob o argumento de aumento nos custos da prestação de serviço, a fundação exigiu mais dinheiro do Detran.
O pedido foi indeferido pelo novo presidente do órgão, Flávio Vaz Netto, recém-nomeado por Yeda Crusius, e, exatamente um dia depois da decisão, a Fundae, também ligada à UFSM, foi contratada. Mas era só espuma. Imediatamente, a Fatec foi subcontratada para prestar parte dos serviços que fazia antes como cabeça do sistema, e com os mesmos executivos. Foi uma forma de manter a quadrilha unida e evitar ressentimentos capazes de expor os movimentos do bando.
Não adiantou muito. Indiciado pela PF, Vaz Netto não aceita ser responsabilizado sozinho pelos crimes e nem ser largado à própria sorte. Nos dias 7 e 14 de abril, ele enviou dois e-mails para o secretário de governo de Yeda Crusius, Delson Martini, com quem tentou marcar uma audiência por 15 dias, sem sucesso. Nas mensagens, interceptadas pela polícia, ele ameaça fazer um “retorno voluntário” à CPI, onde depôs logo depois de ser preso, para falar de “imputações” feitas a ele “cujos pontos são de inteiro conhecimento do governo”.
A mudança na rotina de fraudes e desvios no Detran ocorreu porque o novo reitor da UFSM, Clóvis Silva Lima, colocou-se contra a atuação das “sistemistas” e recusou-se a assinar documentos da Fatec, enquanto o esquema de Ferst não fosse desmontado. Por esta razão, Vaz Netto optou por contratar a Fundae, entidade sem ligações administrativas com a reitoria. Sem a Fatec, o lobista Fernandes, dono da Pensant, e Sarkis, ex-reitor da UFSM, perderam influência na quadrilha. Assim como Ubiratan, ao deixar o Detran. Iniciou-se, então, um movimento para afastar Ferst do esquema e deixar os contratos das “sistemistas” nas mãos apenas do novo presidente do Detran. O lobista, é claro, reagiu.
De acordo com informações levadas à CPI do Detran pela Polícia Federal, para sair do esquema, Ferst teria pedido 6% do faturamento mensal dos pagamentos feitos às empresas sistemistas, inclusive à Fatec, o equivalente a 120 mil reais mensais. O dinheiro seria entregue por Rubem Höher, coordenador do Projeto Detran junto à Fundae e sócio da Doctus, nova “sistemista” integrada ao esquema de prestação de serviços do órgão pela fundação, administrada pelo filho dele, Ricardo Höher. Ferst teria recebido os pagamentos por seis meses (720 mil reais), segundo depoimento de Rubem Höher à PF.
Sob o comando de Vaz Netto, o esquema fraudulento do Detran assumiu uma nova configuração. As empresas ligadas à Ferst (Newmark e Rio Del Sur) foram excluídas, mas no lugar delas entraram a Doctus (subcontratada pela Fatec), da família Höher, e a IGPL (subcontratada pela Fundae), também ligada ao lobista José Antônio Fernandes, o mesmo da Pensant. E mais: outro escritório de advocacia entrou na farra, o Nachtigall Advogados Associados, do qual é sócia Denise Nachtigall Luz, esposa de Ferdinando Fernandes – ele mesmo, filho de José Fernandes, da Pensant.
Como em uma disputa de máfias, a família Fernandes se sobrepôs ao poder da família Ferst no esquema de fraudes do Detran, a partir do segundo semestre de 2007. Isso porque, de um lado, a Pensant, conforme contrato firmado com a Fundae, passou a abocanhar 14% do faturamento da prestação de serviço no órgão (em torno de 2,5 milhões de reais por mês). De outro, aumentou a participação com o ingresso da IGPL e do escritório Nachtigall. As investigações tocadas pelo Ministério Público Especial do TCE, no entanto, obrigaram o Detran a rever essas contratações. À frente da autarquia, Vaz Netto fez novas adequações contratuais e realizou reuniões para tratar, também, de troca de linhas telefônicas por conta de uma preocupação flagrante com escutas.
Mais adiante, Vaz Netto optou, ainda, por se livrar da família Fernandes. Para tal, rescindiu os contratos com a IGPL e a Nachtingall, firmados pela Fatec (esta, é bom lembrar, subcontratada pela Fundae), mas permitiu a entrada de outra empresa, a Pakt. Curiosamente, a nova “sistemista” tinha como sócios quatro funcionários da Fatec – Luciana Carneiro, Marilei de Fátima Brandão Leal, Damiana Machado de Almeida e Fernando Osvaldo Oliveira Júnior. Mais estranho ainda, apurou a PF, é o fato de Luciana Carneiro ser secretária-executiva do Projeto Detran na Fatec e responsável pela proposta de rompimento do contrato com a IGPL. Na mesma investigação, a PF descobriu, por meio de interceptação de e-mails, o plano de contratação de outro escritório de advocacia, o Höher & Cioccari Advogados, da família Höher, dona da “sistemista” Doctus. Ou seja, a quadrilha criou uma espécie de rodízio criminoso para se perpetuar no esquema.
Em um dos momentos mais tensos da crise, na semana passada, o delegado Luiz Fernando Tubino, ex-chefe da Polícia Civil no governo do petista Olívio Dutra, depôs na CPI do Detran e acusou Yeda Crusius de ter recebido 400 mil reais de Ferst para comprar uma casa em Porto Alegre. O dinheiro seria sobra de campanha da eleição de 2006, arrecadado em esquema de caixa 2. Tubino, na verdade, verbalizou uma fofoca antiga nos meios políticos gaúchos. O delegado costuma atirar para todo lado. Ainda no governo do PT, ele chegou a acusar Dutra de se beneficiar com dinheiro da máfia do jogo do bicho no estado.
Assessor de imprensa da governadora tucana, o jornalista Paulo Fona não vê sentido algum na acusação de compra da casa. “Isso é uma politização absurda”, diz Fona. De fato, ele tem um argumento poderoso: um documento da Polícia Federal no qual é negada a existência de qualquer investigação sobre a casa da governadora. No papel, o superintendente da Polícia Federal no Rio Grande do Sul, Ildo Gasparetto, apoiado em ofícios dos delegados responsáveis pela Operação Rodin, Sérgio Busato e Gustavo Schneider, afirma desconhecer a origem das declarações feitas pelo delegado Tubino na CPI do Detran. Yeda Crusius, no entanto, ainda não se livrou da suspeita de ter se beneficiado com dinheiro de caixa 2 arrecadado pela quadrilha do Detran, base das acusações feitas pela oposição na CPI do Detran. A PF só analisou, até agora, 20% das escutas telefônicas autorizadas pela Justiça.
A informação do delegado sobre a casa de Yeda Crusius ganhou força por agradar a oposição, mas também por conta de um acontecimento paralelo. No mesmo dia do depoimento de Tubino, o secretário estadual de Planejamento e Gestão, Ariosto Culau, foi flagrado por repórteres do jornal Zero Hora, de Porto Alegre, enquanto tomava chope em um shopping com Ferst. Segundo diálogo reproduzido pelo jornal, Culau foi ao lobista para acalmar e dar apoio ao aliado tucano. O secretário foi demitido. Para o presidente da CPI do Detran, o deputado estadual Fabiano Pereira (PT), a intenção era mesmo a de manter Ferst sob controle. “Foi um deboche”, afirma.
Fabiano Pereira também não está numa cruzada fácil. Dos 55 deputados da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, 35 votam com Yeda Crusius. A base governista é formada por parlamentares do PSDB, PTB, PP e PMDB. A oposição conta uma base flutuante de 19 a 20 deputados, a depender do tema de votação, porque um dos parlamentares, do PDT, costuma fechar também com o governo estadual. E há três deputados do ex-PFL, ligados ao vice-governador, instados a votar, eventualmente, contra a governadora. É uma confusão e tanto.
Na CPI, o equilíbrio de forças também é precário. Dos 12 integrantes, cinco estão, normalmente, com a oposição, e sete com o governo. Mas quando há empate, vale o voto de Minerva do presidente da comissão, que é do PT. Não tem sido fácil, portanto, vencer os governistas. Por duas vezes, o plenário da CPI refutou a tentativa do deputado Fabiano Pereira de prorrogar os trabalhos da comissão. Sem essa prorrogação, dificilmente a oposição vai ter fôlego para dar conseqüência às denúncias do Detran. “Não queremos que isso seja uma guerra entre oposição e governo”, afirma Pereira. “Estamos divididos entre os que querem e os que não querem investigar o caso.”
Blog RS URGENTE

Lançado em 2006, o Pacto pelo Rio Grande nasceu com a promessa de construir “uma agenda mínima de ações/soluções voltadas para o enfrentamento da crise estrutural do Rio Grande do Sul”. Coordenado pelo deputado Cezar Busatto (PPS), atual chefe da Casa Civil do Governo Yeda Crusius (PSDB), o Pacto contratou uma equipe de 21 consultores, vários deles ligados à Pensant e a Fundae, empresa e fundação acusadas de envolvimento na fraude do Detran que lesou os cofres públicos em, pelo menos, R$ 40 milhões.Na noite desta segunda-feira, na CPI do Detran, a advogada Denise Nachtigall Luz, esposa de Ferdinando Fernandes (da Pensant), admitiu que também trabalhou como consultora do Pacto. E reclamou que até hoje não recebeu os honorários pelo serviço. Indagada pelo deputado Fabiano Pereira (PT) sobre quem a havia contratado, por quanto e para fazer o que, a advogada (também indiciada pela Polícia Federal) se deu conta de que tinha falado demais, gaguejou e calou-se.O deputado Paulo Azeredo (PDT) afirmou que dos 21 consultores que trabalharam no Pacto, pelo menos 8 deles já foram indiciados pela Polícia Federal na Operação Rodin. O principal resultado concreto do Pacto foi o lançamento de um livro, no dia 13 de novembro de 2006. Intitulado “Pacto – Compromisso de todos – Jogo da Verdade – Crise estrutural e governabilidade do Rio Grande”, o livro foi assinado por Cezar Busatto e pelo jornalista José Barrionuevo.

Na noite do lançamento, Barrionuevo deu o seguinte autógrafo para José Fernandes, dono da Pensant, também indiciado pela Polícia Federal: “Prezado José Fernandes, meu bruxo: este livro e o Pacto não existiriam sem o teu apoio e as tuas luzes. Vamos juntos nesta caminhada. Viva a Pensant!”. O atual chefe da Casa Civil do governo gaúcho também fez uma dedicatória especial ao dono da Pensant: “Caríssimo José Fernandes, o Pacto tem uma marca indelével da tua competência, sabedoria, compromisso público! Obrigado por tudo! Vamos continuar trabalhando juntos pelas boas causas! Forte abraço, Cezar Busatto”. O site da Fundae continha um rasgado elogio ao livro de José Barrionuevo e Cezar Busatto. Depois da Operação Rodin, o elogio foi apagado e, mais tarde, toda o site foi tirado do ar.
Algumas questões permanecem sem resposta neste episódio: Quem contratou a Pensant e a Fundae para trabalhar no Pacto? O que elas faziam exatamente? Quanto foi pago e quem pagou? Com a palavra o chefe da Casa Civil.
Marco Aurélio Weissheimer

Num shopping da Capital, Ferst (E) e Ariosto tomaram chope na noite de ontem, em clima de aparente tranqüilidade Foto: Marcos Nagelstein
Caso Detran – Zero Hora
Setenta e duas horas depois de ser flagrado tomando chope com um dos principais suspeitos de fraudar o Detran, o secretário do Planejamento e Gestão, Ariosto Culau, pediu demissão e entregou uma carta à governadora Yeda Crusius no início da noite de ontem.
Às 22h, ficou acertado que a secretária-adjunta da pasta, Ana Severo, assumirá o cargo até o novo titular ser escolhido. Hoje, ela acompanhará a governadora em Brasília. O substituto de Ariosto deve ser remanejado de outra secretaria, já que o cargo exige conhecimento técnico e intimidade com o plano de governo.
A noite de ontem foi agitada na ala residencial do Palácio Piratini. Por volta das 18h30, os secretários Delson Martini (Governo), Daniel Andrade (Infra-estrutura), Cézar Busatto (Casa Civil) e o porta-voz do governo, Paulo Fona, conversavam com Yeda Crusius quando Ariosto Culau chegou às 19h. Trazia consigo a carta de demissão de duas páginas.
A governadora pediu que os secretários saíssem e ficou frente a frente com o auxiliar demissionário. Ele reafirmou que seu encontro com o suposto lobista Lair Ferst foi pessoal. Constrangido, pediu desculpas pelo transtorno. No texto, relatou que sempre se pautou pela ética. A governadora aceitou o pedido de exoneração quarenta minutos depois.
- Vivemos dois dias muito tensos. Depois de rejeitar a demissão na sexta-feira, Yeda demonstrou sensibilidade política ao ouvir a base e aceitar a exoneração. Ela amadureceu a idéia de que a situação era insustentável – disse o chefe da Casa Civil, Cézar Busatto.
Desde sexta-feira, Ariosto estava inclinado a abandonar o primeiro escalão. Diante da insistência de Yeda, o secretário acertou com ela que pensaria sobre o assunto no final de semana. Durante os dois dias, consultou familiares, colegas de governo e do PSDB antes de decidir se permaneceria no Executivo.
Segundo um aliado, Ariosto chegou a ir a São Paulo para conversar com pessoas próximas. Na madrugada de ontem, ele encontrou com os secretários Aod Cunha (Fazenda), Daniel Andrade (Infra-Estrutura), Carlos Brenner de Moraes (Meio Ambiente) e Fernando Záchia (Desenvolvimento), no aeroporto de Guarulhos. Todos retornavam de missão oficial em Dubai e voltaram com Ariosto no mesmo avião até Porto Alegre. Eles aproveitaram o tempo para discutir a repercussão.
Tucanos cobraram saída de secretário
Em telefonemas, aliados aumentaram a pressão sobre o governo no final de semana para demitir Ariosto. Secretários estratégicos e até mesmo integrantes do PSDB, sigla da governadora, cobraram a exoneração.
A executiva do partido, deputados estaduais e federais estavam divididos. Candidato a prefeito de Porto Alegre pelo PSDB, o deputado estadual Nelson Marchezan Júnior exigia que Ariosto desse uma explicação à sociedade por meio de uma entrevista coletiva, um depoimento voluntário na CPI do Detran ou numa comissão da Assembléia Legislativa.
- Não adianta explicar só à governadora. O fato nu e cru é motivo de demissão. O chope é um problema grave. Como secretário, ele não podia se dar ao luxo de sair com um indiciado e causar um prejuízo enorme ao governo – afirmou Marchezan.
Desde que o escândalo estourou, na madrugada de sexta-feira, o deputado estadual Pedro Pereira (PSDB) pregava a exoneração do correligionário:
- Não tenho nada contra Ariosto. Mas, por inocência ou inexperiência, ele gerou uma situação muito constrangedora. Era a hora de estarmos faturando notícias boas, e o secretário pisa feio na bola.
Escândalo do Detran atinge secretário no RS
Integrante do primeiro escalão do governo gaúcho é flagrado com suspeito de desvio de verbas

Num shopping da Capital, Ferst (E) e Ariosto tomaram chope na noite de ontem, em clima de aparente tranqüilidadeFoto: Marcos Nagelstein
Elder Ogliari – O Estado de São Paulo
Um encontro de cerca de meia hora do secretário do Planejamento do Rio Grande do Sul, Ariosto Culau, com o empresário Lair Ferst, na noite de quinta-feira, constrangeu o governo de Yeda Crusius (PSDB). Ferst foi um dos 14 presos pela Operação Rodin da Polícia Federal, em novembro do ano passado, e um dos 39 indiciados ao final do inquérito, em março deste ano, por suposta participação em um desvio de R$ 40 milhões do Departamento Estadual de Trânsito (Detran).
Informados de que o secretário e o empresário tomaram chope na praça de alimentação de um shopping, deputados da oposição e até aliados pediram a exoneração de Culau ainda durante a madrugada de ontem. A governadora não atendeu aos pedidos. “Ele é uma pessoa qualificada e íntegra e não está na minha linha de ação demitir um secretário porque ele tomou um chope com um amigo”, justificou Yeda.
O episódio dá mais munição à oposição na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o desvio Detran. A fraude consistia na contratação, pelo órgão, da Fundação de Apoio à Ciência e Tecnologia (Fatec), vinculada à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), sem licitação. A fundação terceirizava os serviços de elaboração e aplicação de testes para emissão de carteiras de motorista para empresas, entre as quais duas de familiares de Ferst. As empresas superfaturavam os serviços e repassavam parte de seus ganhos a diretores do Detran.
Desde a instalação da CPI, em fevereiro, a oposição faz de Ferst um alvo, porque ele atuou na linha de frente na campanha política de Yeda em 2006. Culau, por sua vez, comandou uma força-tarefa que estudou a situação jurídica do Detran e participou do anúncio da rescisão do contrato com a Fundação para o Desenvolvimento e Aperfeiçoamento da Educação e da Cultura (Fundae), substituta da Fatec desde abril do ano passado.
A decisão colocaria o governo na ofensiva, mas o encontro com Ferst, poucas horas depois do anúncio, deu novas armas à oposição.
CASA DE YEDA
Ao explicar o episódio, Culau disse que estava esperando por amigos no shopping quando recebeu um telefonema de Ferst e aceitou tomar um chope com ele. O encontro foi flagrado pela reportagem do jornal Zero Hora. “Foi uma ingenuidade política minha”, disse.
Outro tema polêmico voltou à CPI durante a madrugada. Em depoimento à comissão, o delegado de Polícia Civil Luiz Fernando Tubino disse ter recebido a informação, da quebra de sigilos pela Polícia Federal, de que Lair Ferst teria pago R$ 400 mil do custo da casa adquirida por Yeda no final de 2006. Sem apresentar provas, sugeriu que cabe à CPI buscar as informações. A casa foi comprada por R$ 750 mil.
Na quarta-feira Yeda já havia anunciado que processaria o deputado Fabiano Pereira (PT) por ele insinuar que os dados da aquisição não fecham com a declaração de bens da governadora em 2006 .
A governadora sustenta que reuniu o dinheiro com a venda de um automóvel e dois apartamentos, além de um financiamento bancário. O depoimento de Tubino foi qualificado como “grosseira mentira” pelo porta-voz do governo gaúcho, Paulo Fona. “No momento certo a governadora vai demonstrar cabalmente como comprou a casa dela”, prometeu.