13/11/2009 - 14:15h EUA decaem, mas China ainda não é páreo

Nova ordem: Analistas creem na emergência de um mundo multipolar, mas não na débâcle total americana

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John Plender, Financial Times – VALOR

Com o presidente Barack Obama iniciando uma viagem por capitais asiáticas, a suposição corrente no Ocidente é de que ele vai se encontrar com líderes de países tidos como parceiros inferiores aos EUA. Mas, a realidade é mais complexa. Em meio aos escombros da crise financeira, a posição dos EUA de superpotência e líder da economia mundial parece cada vez mais ameaçada.

Em especial, quando ele chegar a Pequim, no domingo, nada conseguirá disfarçar o fato de que Obama estará fazendo uma visita ao maior credor de seu país.

Aqueles que ficam satisfeitos com o desconforto dos EUA observam que esse colosso econômico global carrega o maior endividamento internacional do mundo e vem sendo abalado por uma moeda em desvalorização. É consenso geral que a China é a principal beneficiária de uma débâcle financeira e uma séria desafiante à hegemonia dos EUA.

Como o poder econômico frequentemente anda de mãos dadas com o poderio militar, essa mudança no poder econômico, juntamente com a fraqueza recente do dólar, vem sendo proclamada como um prenúncio do declínio americano. Esse clima é descrito de maneira primorosa por Fareed Zakaria em seu mais recente livro de sucesso, “The Post-American World And The Rise Of The Rest” (”O Mundo Pós-Americano”, Companhia das Letras). Assim veio a referência de Obama, em seu discurso de posse, de “um enfraquecimento da confiança em nosso país; um temor incômodo de que o declínio da América é inevitável, de que a próxima geração terá que reduzir suas esperanças”.

Paul Volcker, ex-presidente do Federal Reserve (Fed) e conselheiro do presidente, declarou em uma entrevista recente à PBS, a rede de televisão pública dos EUA, que a ascensão dos mercados emergentes é “simbólica da menor posição dominante relativa dos EUA, não só na economia, mas também na liderança intelectual e de outras formas”.

Os bancos centrais dos países em desenvolvimento estão esfregando sal nas feridas do gigante enfermo. O Reserve Bank da Índia juntou-se, na semana passada, aos bancos centrais de China, Rússia, México e Filipinas na decisão de aumentar suas reservas em ouro, em detrimento dos títulos denominados em dólar. Um verdadeiro coro de formuladores de políticas de países que estão com superávit em conta corrente declarou que a posição do dólar como moeda de reserva é insustentável.

A essa altura, é importante lembrar que já estivemos aí antes. No fim da década de 80, Paul Kennedy, da Yale University, chocou o mundo com sua afirmação, em “The Rise And Fall Of The Great Powers” (”Ascensão e Queda das Grandes Potências”, Ed. Campus), de que “a única resposta à questão cada vez mais discutida da capacidade dos EUA de preservar ou não sua atual posição é ‘não’”.

Esse veredito pessimista surgiu na época do crash do mercado de ações, em 1987, quando houve uma preocupação contínua com os déficits gêmeos dos EUA e os déficits em conta corrente. O país havia se tornado um devedor internacional pela primeira vez e dependia crescentemente da entrada de capital europeu e japonês. Um Japão extremamente confiante estava em ascensão. O sentimento de decadência chegou perto da histeria nos EUA quando empresas japonesas compraram o Rockefeller Center, em Nova York, a Columbia Pictures, em Hollywood, e o campo de golfe de Pebble Beach, na Califórnia. “Quem é o dono da América?”, exigiu saber a ABC News.

De certa forma, a tese do professor Kennedy estava certa. Com a China, a Índia e os outros mercados emergentes alcançando o mundo desenvolvido, os EUA deverão sofrer um declínio econômico relativo, na forma de uma parcela menor do PIB mundial, mesmo com o país crescendo mais do que a maioria das grandes economias desenvolvidas e ainda sendo a maior economia do mundo em termos absolutos.

A globalização e a liberalização doméstica estão dando a esses países em desenvolvimento a chance de obter uma participação no PIB mundial proporcional ao seu tamanho na história. O desempenho econômico da China antes de 1978 era, afinal de contas, uma aberração vista a partir de uma perspectiva de séculos.

Em um estudo sobre as maiores economias, Angus Maddison, da Universidade de Groningen, calcula que a a participação da China no PIB mundial em 1820, antes de a Revolução Industrial na Europa ganhar força, era de mais de 30%, o que é bem mais do que a participação atual dos EUA. Assim, um retorno a algo mais normal pode estar a caminho.

Mas a tese de Kennedy parecia errada ao sugerir que os EUA talvez tivessem ampliado demais o seu império, ao ponto de não conseguirem mais administrá-lo, como aconteceu com a Espanha no século XVII e o Reino Unido no século XX. O caso mais óbvio de incapacidade de administração da década de 80 foi na verdade a União Soviética, que entrou em colapso, enquanto os EUA foram bem-sucedidos logo depois no restabelecimento de seu equilíbrio orçamentário, durante o governo Clinton, sem um recuo integral em seus compromissos internacionais.

Enquanto isso, o desafio econômico japonês perdeu o passo com o estouro das bolhas imobiliária e acionária, e o país se viu ameaçado pela deflação. O pânico da mídia americana com a invasão japonesa se mostrou um indicador perfeito, ainda que involuntário, de um ponto de virada.

A questão agora é se a tese da incapacidade de administração do império estava errada ou era simplesmente prematura. Mesmo assim, prever os períodos de ascensão e queda de nações e economias é uma coisa notoriamente difícil. Charles Kindleberger, o falecido historiador econômico, foi um dos muitos que acreditavam que a vitalidade nacional se movimentava em um ciclo de vida. Entre as causas internas do declínio identificadas por ele, estavam o aumento do consumo, a queda da poupança, a resistência à tributação, a desigualdade, a corrupção, grandes endividamentos e as finanças se tornarem mais dominantes na economia do que a indústria.

Mesmo que isso bata com as atuais circunstâncias, é preciso observar que muitas dessas coisas também estavam presentes nos EUA em 1929, quando a crise financeira coincidiu com a longa transição da hegemonia econômica do Reino Unido para os EUA. Quando Kindleberger escreveu “World Economic Primacy 1500-1990″, em 1996, ele acreditava que os EUA estavam decaindo. Mas ele não tinha ideia de qual país provavelmente surgiria como a próxima potência econômica mundial, e tinha a China apenas como “azarão” para o posto.

O argumento mais poderoso de apoio à hipótese da decadência envolve o que o professor Kennedy chamava de “tarefa antiga de relacionar as intenções nacionais às finalidades nacionais”. Como há uma correlação significativa de longo prazo entre a capacidade produtiva e a capacidade de aumentar as receitas, e o poderio militar, muita coisa depende da sustentabilidade da política fiscal. Aqui, os prognósticos não são bons para os EUA.

Sob as pressões gêmeas da crise financeira e do problema de longo prazo do envelhecimento dos “baby boomers”, as projeções oficiais apontam para déficits orçamentários numa escala sem precedentes. O Peterson Institute for International Economics, de Washington, estima que, depois de chegar perto de US$ 1,5 trilhão no ano fiscal corrente – mais de três vezes o recorde anterior -, o déficit provavelmente ficará perto de US$ 1 trilhão ao ano até 2020 ou além.

Da perspectiva do fluxo de recursos que entra na economia, a contrapartida desses déficits será em grande parte encontrada na conta corrente do balanço de pagamentos. Aqui, o instituto calcula que o déficit em conta corrente poderá subir de um recorde anterior de 6% do PIB para surpreendentes 15% ou mais até 2030, o equivalente a mais de US$ 5 trilhões por ano. Ele avalia que a dívida externa subirá dos atuais US$ 3,5 trilhões para até US$ 50 trilhões, ou 140% do PIB, no mesmo período.

Esses números representam um desafio assustador para o governo Obama e uma ameaça evidente ao dólar, uma vez que há um volume muito grande de reservas em dólares em mãos estrangeiras. O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que, do fim de 2000 até metade de 2009, as reservas internacionais subiram de US$ 1,9 trilhão para US$ 6,8 trilhões, dos quais US$ 2,3 trilhões estão sendo mantidos pela China. Mais de 60% dessas reservas estão em dólares.

A retórica chinesa recente, que inclui um pedido para a substituição do dólar como principal moeda de reserva do mundo por direitos especiais de saque (uma unidade contábil usada pelo FMI no trato com seus membros), sugere uma perda preocupante de confiança nas políticas monetária e fiscal dos EUA. Ao mesmo tempo, Fred Bergsten, diretor do Peterson Institute, afirma que agora é interesse dos EUA reduzir o papel do dólar e encorajar um fluxo maior de reservas para o euro, o yuan e os direitos especiais de saque (SDR, na sigla em inglês).

Mesmo assim, a ameaça ao dólar pode estar sendo exagerada. A China está sacudindo as barras da gaiola que ela mesma fez, uma vez que as reservas são uma consequência da intervenção colossal para impedir a valorização de sua moeda. Na verdade, ela está presa ao equivalente econômico da aniquilação mútua descrita pelos teóricos da guerra nuclear durante Guerra Fria. Com as exportações chegando a dois quintos do PIB, convém à China ter os EUA como tomador e gastador de último instância na economia mundial. E ela não pode abandonar o dólar sem reduzir o valor de suas próprias reservas em dólar.

Quanto ao potencial da moeda chinesa de desafiar o papel do dólar de moeda de reserva, isso poderá existir no longuíssimo prazo, mas na ausência de mercados financeiros desenvolvidos e um compromisso muito mais forte de internacionalização do yuan, isso continua sendo muito remoto.

Na verdade, o elemento mais fraco do ponto de vista do declínio dos EUA pode ser as atuais estimativas elevadas da força do desafio chinês. Elas foram elegantemente apontados em um ensaio recente sobre assuntos externos de Josef Joffe, editor adjunto do jornal alemão “Die Zeit”. A China, diz ele, é um lugar onde o resto do mundo essencialmente aluga trabalhadores e espaço de trabalho a preços muito baixos e taxas de câmbio distorcidas. Sua dependência das exportações, além de ser um calcanhar-de-aquiles econômico, tem consequências políticas. Estas incluem 70 mil casos de distúrbio social todos os anos, que não são computados nas previsões lineares de crescimento de que os banqueiros de investimento tanto gostam.

A demografia da China não ajuda: Joffe afirma que a população vai crescer antes de começar a enriquecer. Pelos números do Goldman Sachs, a China terá em 2050 superado os EUA, com um PIB de US$ 45 trilhões, contra os US$ 35 trilhões dos EUA. A idade média nos EUA será, então, a menor entre todas as grandes potências mundiais com exceção da Índia. Na verdade, a população economicamente ativa dos EUA terá crescido cerca de 30%, enquanto que na China haverá queda de 3%.

Junto com a dependência das exportações, isso representa um grande desafio para as autoridades chinesas, num país que é muito pobre. Enquanto isso, os EUA ainda possuem um sistema de ensino superior e de pesquisas sem paralelos. E, em 2008, seu orçamento militar foi de US$ 607 bilhões, representando quase metade dos gastos militares totais no mundo. O orçamento militar da China, frequentemente alardeada como a próxima superpotência, é de menos de um sétimo disso.

Ninguém pode negar as conquistas extraordinárias da China na mais acelerada revolução industrial da história humana. Estamos claramente nos movimentando para um mundo multipolar e um sistema de reserva multimoedas, no qual o poder dos EUA será mais restrito. Mesmo assim, os EUA continuam sendo de longe a mais flexível das grandes economias. A história não se move sobre trilhos – exceto para os marxistas. Se as autoridades dos EUA se mostrarem à altura do desafio fiscal e se os americanos passarem e poupar mais, há todas as chances do país escapar de um declínio significativo e continuar sendo a principal economia e potência militar do mundo por muito tempo ainda.

Isso é um “se” enorme. Mas, para o prazer de muitos, a próxima geração de americanos não vai reduzir suas esperanças e ambições no curto prazo.

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Retranca

China já viveu uma decadência como império


Financial Times – VALOR

A teoria da expansão excessiva dos impérios, lançada por Paul Kennedy em “The Rise And Fall of The Great Powers”, afirma que, se uma proporção grande demais dos recursos do Estado é desviada da criação de riqueza para os gastos militares, o poder nacional vai se enfraquecer no longo prazo. A questão é se um determinado Estado pode conseguir um equilíbrio razoável entre as necessidades básicas de defesa e os recursos econômicos.

A tarefa fica ainda mais difícil quando uma nação está sofrendo um declínio econômico relativo. O professor Kennedy afirmava também que os EUA não conseguiriam preservar sua posição relativa porque “simplesmente a nenhuma sociedade é conferido o direito de continuar permanentemente à frente das outras, uma vez que isso implicaria num congelamento dos padrões diferenciados das taxas de crescimento, dos desenvolvimentos tecnológico e militar, que existem desde tempos imemoriais”.

Ele concluiu que era dever dos estadistas americanos reconhecer essa ampla tendência e administrar o país, de modo que a corrosão relativa da supremacia ocorresse lentamente e tranquilamente, em vez de implementar políticas vantajosas no curto prazo, mas que seriam prejudiciais no longo prazo.

Isso carrega um reflexo notável da observação feita por Robert Temple Armstrong, o ilustre servidor público britânico, que disse na década de 70 que “o negócio do serviço civil é a administração ordeira do declínio”.

A China, embora vista por muitos como a principal beneficiária da potencial exaustão dos EUA, já passou por uma experiência própria de declínio. Até a meta de milênio anterior, ela era tecnologicamente mais avançada que a Europa, com uma agricultura mais eficiente, e a classe dos mandarins não tinha rivais em seu profissionalismo. Mesmo depois que o Ocidente a superou, economica e tecnologicamente, entre os séculos XVI e XVIII, a economia da China ainda era a maior do mundo quando a revolução industrial começou.

No entanto, entre 1820 e 1952, quando a Europa experimentou taxas de crescimento econômico sem precedentes na história, a produtividade per capita da China caiu, enquanto sua participação no PIB mundial despencou de um terço para um vigésimo. A renda per capital caiu de um nível igual ao mundial, para um quarto de média mundial no período*.

Esse desempenho terrível tem sido atribuído a várias causas, incluindo a intervenção colonial estrangeira, distúrbios internos e a inflexibilidade da burocracia diante dos desafios apresentados pelo renascimento do Ocidente.

Todos os números foram extraídos de “Chinese Economic Performance In The Long Run”, de Angus Maddison

15/05/2009 - 15:20h O todo-poderoso yuan?

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Nouriel Roubini*, THE NEW YORK TIMES – O Estado SP

O século 19 foi dominado pelo Império Britânico, o século 20, pelos Estados Unidos. Podemos agora estar testemunhando o início do século asiático, dominado pela ascensão da China e sua moeda. Apesar de o status do dólar como principal moeda das reservas internacionais não correr o risco de desaparecer da noite para o dia, não podemos mais dar como certa a sua manutenção. Mais cedo do que pensamos, o dólar pode ser desafiado por outras moedas, principalmente pelo yuan chinês. Isso teria um custo alto para os Estados Unidos, implicando o fim da nossa capacidade de financiar os déficits orçamentário e comercial a um custo baixo.

Tradicionalmente, os impérios responsáveis por cunhar a moeda das reservas internacionais são também credores internacionais líquidos. O Império Britânico entrou em declínio – e a libra perdeu o status de principal moeda das reservas internacionais – quando a Grã-Bretanha se tornou uma devedora líquida, durante a 2ª Guerra Mundial. Hoje, os Estados Unidos estão numa posição semelhante. O país está incorrendo em déficits orçamentários e comerciais e depende da boa vontade dos inquietos credores internacionais, que começam a se sentir inseguros em relação ao acúmulo de um número ainda maior de ativos em dólar. Por isso, o declínio do dólar pode ser apenas uma questão de tempo.

Mas que moeda poderia substituir o dólar? A libra britânica, o iene japonês e o franco suíço continuam sendo moedas menores nas reservas internacionais – e esses países não são grandes potências. O ouro ainda é uma relíquia bárbara, cujo valor aumenta somente quando a inflação é alta. O euro está agrilhoado à preocupação em relação à viabilidade da União Monetária Europeia no longo prazo. Isso nos deixa o yuan (ou renminbi).

A China é um país credor com grandes superávits em conta corrente, um pequeno déficit orçamentário, uma dívida pública equivalente a uma proporção do Produto Interno Bruto (PIB) muito menor que a americana e um crescimento sólido. Além disso, o país já está adotando medidas no sentido de desafiar a supremacia do dólar. Pequim pediu a criação de uma nova moeda para as reservas internacionais de acordo com o modelo dos direitos especiais de saque do Fundo Monetário Internacional ( fundo composto por dólares, euros, libras e ienes). A China logo vai querer que a sua própria moeda seja incluída nesse fundo, além de ver o yuan sendo utilizado como forma de pagamento no comércio bilateral.

Entretanto, no momento, o yuan ainda tem um longo caminho a percorrer antes de estar pronto para o status de moeda das reservas internacionais. Primeiro, a China terá de relaxar as restrições à entrada e saída de dinheiro do país, tornar sua moeda totalmente cambiável para tais transações, dar prosseguimento às reformas financeiras domésticas e aumentar a liquidez dos seus mercados de títulos. Assim, levaria muito tempo para que o yuan se tornasse uma moeda das reservas internacionais, mas isso pode, de fato, acontecer. A China já fez uma demonstração de força ao estabelecer swaps cambiais com diversos países (entre eles Argentina, Bielo-Rússia e Indonésia) e ao permitir que as instituições de Hong Kong emitam títulos denominados em yuans, o primeiro passo no sentido da criação de um profundo mercado doméstico e internacional para a sua moeda.

Se a China e outros países tomassem a iniciativa de diversificar as reservas internacionais optando por moedas diferentes do dólar – e em algum momento isso deve acontecer -, os EUA sofreriam as consequências.

Obtivemos benefícios financeiros significativos por ser o dólar a moeda das reservas internacionais. Em especial, o forte mercado do dólar permite que os americanos paguem juros baixos pelos empréstimos que contraem. Fomos, assim, capazes de financiar déficits maiores durante mais tempo e pagando taxas de juros menores, conforme a demanda estrangeira manteve baixo o rendimento dos títulos do Tesouro. Pudemos emitir títulos de dívida na nossa própria moeda, sem ter que recorrer a uma moeda estrangeira, transmitindo para os nossos credores as perdas resultantes da queda do valor do dólar. O fato de o preço das commodities ser definido em dólar também significou que uma queda no valor do dólar não levaria a um aumento no preço das importações.

CONSEQUÊNCIAS

Imagine agora um mundo no qual a China pudesse tomar e fazer empréstimos internacionais na sua própria moeda. O yuan, em vez do dólar, poderia, afinal, se tornar uma forma de pagamento no comércio e uma unidade contábil empregada no estabelecimento do preço das importações e exportações, além de ser uma fonte de riqueza para os investidores internacionais. O preço seria pago pelos americanos.

Teríamos de gastar mais para obter os artigos que importamos e as taxas de juros aumentariam tanto na dívida pública quanto na privada. O custo privado mais alto dos empréstimos poderia levar a um enfraquecimento no consumo e no investimento e a um crescimento mais lento.

O declínio do dólar pode durar mais de uma década, mas pode ocorrer antes, se não pusermos ordem nas nossas finanças domésticas. Os EUA precisam controlar os gastos e empréstimos e buscar um crescimento que não se apoie em bolhas de crédito e ativos. Durante as duas últimas décadas, o país gastou mais que a sua renda, aumentando suas obrigações estrangeiras e incorrendo em dívidas que se tornaram insustentáveis. Um sistema no qual o dólar foi a principal moeda mundial permitiu que nós prolongássemos nossos empréstimos irresponsáveis.

Agora que a posição do dólar não se mostra mais tão sólida, precisamos alterar nossas prioridades. Isso envolve o investimento na nossa decadente infraestrutura, nas fontes energéticas alternativas e renováveis e no capital humano produtivo – em vez de moradias desnecessárias e da inovação financeira tóxica. Essa será a única maneira de desacelerar o declínio do dólar e manter a nossa capacidade de influenciar as questões globais.

*Nouriel Roubini é professor de economia na Escola de Administração Stern da Universidade de Nova York e presidente de uma empresa de consultoria econômica.

11/03/2009 - 10:34h Mercado volta a crescer na China

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Tian Ying, Bloomberg, de Pequim – VALOR

As vendas de veículos na China dispararam 25% em fevereiro, a primeira alta em quatro meses, depois que o governo reduziu os impostos sobre alguns modelos, o que contribuiu para que o país aumentasse a sua vantagem como o maior mercado de automóveis do mundo este ano.

As vendas de carros de passageiros, ônibus e caminhões cresceram para 827,6 mil unidades, informou em Pequim a Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis. O cômputo nos dois primeiros meses do ano cresceu 2,7%, para 1,56 milhão de unidades, em comparação com a queda de 39%, para 1,35 milhão de unidades, ocorrida nos EUA.

A China reduziu à metade os impostos sobre as vendas de carros de pequeno porte e tem planos de subsidiar veículos nas áreas rurais, para revitalizar a demanda, depois de as vendas de automóveis terem atingido o menor crescimento em uma década, no ano passado. Junto com o pacote de estímulo econômico do país, de 4 trilhões de yuan (US$ 585 bilhões), as políticas do governo fizeram com que a General Motors (GM) dobrasse, grosso modo, a sua projeção de crescimento das vendas de veículos na China para este ano.

“Os consumidores estão recuperando a confiança, devido ao pacote de estímulo”, disse Ricon Xia, analista do Instituto de Pesquisas Daiwa em Xangai. “Mesmo assim, as vendas de veículos deverão flutuar nos próximos meses.”

A alta nas vendas de fevereiro, a maior em 18 meses, foi ajudada pelo fato de neste ano o feriado do Ano-Novo Lunar ter caído no mês anterior. Em fevereiro de 2007, o feriado, aliado às nevascas, contribuiu para reduzir as vendas de veículos. A GM elevou a sua projeção de vendas de automóveis na China para 5% a 10%, em comparação com a projeção anterior, de menos de 3%.

02/12/2008 - 08:42h Dinamismo dos Brics é esperança para evitar o pior

BRIC Shoppers Will ‘Rescue World’ Goldman Sachs Says

By William Mellor and Le-Min Lim

Dec. 1 (Bloomberg) — The best hope to keep the global economy growing may be people like Wei Yufang. A peasant who farms a small plot beside the mud-brown Huaihe River in central China, Wei has a modest dream: to buy an air conditioner to give her family relief from the dusty heat that each summer envelops Xiaogang (Little Hill) village in Anhui province.

With economies from the U.S. to Japan in recession, Wei and the other 2.8 billion people in Brazil, Russia, India and China may provide the consumer demand needed to counter the slump.

Jim O’Neill, the Goldman Sachs Group Inc. economist who in 2001 coined the acronym BRIC from the initials of the four big emerging economies, says the faster growth investors have come to expect from these countries will survive this crisis. O’Neill, who is based in London, says the citizens of the BRIC nations are poised to spend more. “The BRIC consumer is going to rescue the world,” he says.

China’s leaders are doing their part. The massive 4 trillion yuan ($586 billion) stimulus plan they unveiled on Nov. 9 signaled their intent to spur domestic consumption to help pick up the slack left as developed economies buy fewer Chinese exports. The first-ever meeting of finance ministers from the BRIC nations, a few days earlier in Sao Paulo, charted a newly assertive role.

“The crisis revealed weakness in risk management, regulation and supervision in the financial sectors of some advanced economies,” the ministers said in a statement. It also showed the resilience of the BRIC economies, they said.

‘Global Solutions’

“This is a global crisis and demands global solutions,” says Brazilian President Luiz Ignacio Lula da Silva. “The participation of the developing world is essential.”

Chinese President Hu Jintao said at a summit in Washington on Nov. 15: “Steady and relatively fast growth in China is in itself an important contribution to international financial stability.”

Economic leadership from these nations wasn’t part of the mix in 1997 and 1998, when currency devaluations and excessive debt threw Asia and then Russia into crisis. Back then, the world looked mostly to the U.S. to spark a rebound.

China’s two-year stimulus program calls for spending on housing, roads, railways and airports; tax deductions for businesses that invest in new equipment; and subsidies for farmers.

Chinese Consumers

Equal to about 16 percent of the country’s annual gross domestic product, the plan dwarfs the $168 billion stimulus in the U.S. in the spring of 2008, which was about 1 percent of GDP. In the weeks since the Chinese effort was announced, President-elect Barack Obama has said he favors a larger stimulus for the U.S. economy; his aides have said it could top $600 billion.

While Chinese consumers, as a group, still don’t overshadow their American counterparts in total spending, their outlays are growing. China’s retail sales jumped 22 percent in October. Consumer purchases in the U.S., by contrast, dropped in the third quarter for the first time in seven years.

“Since October 2007, the Chinese shopper alone has been contributing more to global GDP growth than the American consumer,” O’Neill, 51, says.

The BRIC economies are performing better overall than O’Neill forecast when he unveiled the term in a November 2001 report. He predicted they would account for 10 percent of global economic output by 2010. Already, they comprise more than 15 percent.

‘Hit the Hardest’

Forecasters at Merrill Lynch & Co. share the enthusiasm. “Can BRICs help stabilize the global economy?” Merrill’s global economics team asked in an October report. “We think so.”

This doesn’t mean that the downdrafts being felt by the BRIC nations don’t hurt. “A year ago everyone was so optimistic about emerging markets,” says Marc Faber, who manages $300 million in Hong Kong. “Now the global economy is going into a severe recession and it is the most volatile economies — the emerging markets–that are being hit the hardest,” says Faber, publisher of the Gloom, Boom and Doom Report.

The BRIC countries’ stock markets have seen big swings. The benchmark index in Shanghai has been down as much as 70 percent from its high, while Moscow’s stock market has fallen as much as 75 percent from its peak.

At its peak in May 2008, Brazil’s Bovespa Index had quadrupled in four years. By late October, the index was down 60 percent from its May high. Brazil’s real in August and September erased two years of gains against the dollar and euro.

Mobius’s ‘Candy Shop’

The question is whether a deeper collapse is coming — or a turnaround. Mark Mobius, the Singapore-based money manager, says BRIC markets are a buying opportunity. “We’re like children in a candy shop,” says Mobius, 71, who oversees $30 billion in emerging-market equities at Templeton Asset Management Ltd.

The obstacles the BRIC nations have to negotiate include the cutoff of capital as U.S. and European banks refuse to lend. Japan and Germany are in recessions, recent economic data show, while the U.K. and U.S. economies are also shrinking. That means lower demand for products from China, services from India and energy and metals from Russia and Brazil.

China’s booming economy, which expanded by 9.9 percent a year for three decades, may slow to 7.3 percent in 2009, says China International Capital Corp., a Beijing investment bank. Growth in India may drop to 6.5 percent in 2009, from 9 percent in the year ended in March 2008, according to CLSA Asia-Pacific Markets, part of the French bank Credit Agricole SA.

Mumbai Attacks

India’s Palaniappan Chidambaram, who served for four and a half years as finance minister under Prime Minister Manmohan Singh, has said the country’s economy won’t be hobbled by the terrorist attacks that left at least 195 people dead in Mumbai last week. Chidambaram was tapped to become Home Minister after Shivraj Patil resigned because of the intelligence and security failures that led to the worst terrorist violence in India in 15 years.

Chidambaram predicted in a Nov. 28 interview that India will maintain 9 percent growth. Mobius, speaking after the attacks, said India remains a fast-growing economy and that the attacks shouldn’t color investment decisions there.

In Brazil, meanwhile, growth may slow to 2 percent or less, from about 5 percent in 2008, as vital exports of iron ore and other commodities slow, according to Morgan Stanley.

Plunging Oil Price

Growth in Russia, the world’s second-largest oil producer, after Saudi Arabia, may drop to 3 percent in 2009, according to Arkady Dvorkovich, an adviser to President Dmitry Medvedev. Growth topped 8 percent in 2007, according to the Russian government.

“The oil price is the main transmission route of the crisis to Russia,” says Vladimir Osakovsky, senior economist in Moscow for Italy’s UniCredit SpA. Crude oil is down 63 percent from its July record, trading at about $54 a barrel in London at the end of last week. The government has raised interest rates and spent foreign currency reserves to try to halt a slide in the value of the ruble. The Russian currency lost 3 percent against the euro last week. Investors have pulled $190 billion out of the country since August, according to French bank BNP Paribas SA.

BRIC bulls like O’Neill say the four countries are much better prepared for this global economic crisis than they were for the turmoil of a decade ago. Banking systems are stronger and international trade has expanded. Most important, the governments of the BRIC nations have accumulated some of the world’s largest financial reserves.

Currency Reserves

The four BRIC nations combined held 41 percent of total global foreign exchange reserves as of early November. Russia’s reserves are the third biggest, after China’s and Japan’s, though the government used about 20 percent of its hoard from August to mid-November to support the ruble. China’s $1.9 trillion stockpile helped make possible the giant November stimulus, targeted to the spending habits of citizens such as Wei Yufang.

China’s Communist government has already given people like Wei a push up the economic ladder. Changes in land ownership rules mean Wei, 41, can rent out some of her plot to another farmer, who grows grapes. She also plans to seek a bank loan against her land­holding. “My family’s already feeling richer,” Wei says. Investors worldwide should hope the feeling lasts.

To contact the reporters on this story: William Mellor in Hong Kong at wmellor@bloomberg.net; Le-Min Lim in Hong Kong at lmlim@bloomberg.net.

10/11/2008 - 11:28h China lança pacote de quase US$ 600 bilhões

http://epoca.globo.com/edic/459/china_01.jpghttp://jean-oliveira.zip.net/images/china.jpg

Governo tenta conter crise investindo em infra-estrutura e bem-estar social. Medida é saudada por G-20 e FMI

Gilberto Scofield Jr.* Correspondente – O Globo

PEQUIM e SÃO PAULO. Num comunicado breve publicado em sua página na internet e reproduzido pela agência de notícias estatal Xinhua, o Conselho de Estado da China anunciou ontem um pacote de estímulo ao setor produtivo que chegará a quatro trilhões de yuans — US$ 586 bilhões — em 2010, focado em investimentos públicos, políticas de estímulo fiscal, além do relaxamento da política monetária (com prováveis novas reduções nas taxas de juros), para garantir um crescimento da economia chinesa entre 8% e 9% a partir do ano que vem.

O pacote inclui dez programas com alvos específicos, como projetos de infra-estrutura, microcrédito e crédito para pequenas e médias empresas, construção de casas para baixa renda, infra-estrutura rural, logística, estímulo à inovação tecnológica, à adoção de tecnologias de geração de energia limpa e a aceleração na reconstrução das áreas destruídas pelo terremoto na província de Sichuan.

Mas a medida mais esperada pelos chineses será mesmo a redução das alíquotas do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) que incide sobre tudo que é fabricado e comercializado no país. A medida ainda não foi explicada, mas estima-se que, com a redução do imposto em determinados setores, a economia só para as empresas seja de 120 milhões de yuans por ano (US$ 17,5 milhões).

— A melhor maneira que a China possui de ajudar nesta crise internacional é manter o seu nível de crescimento — afirmou o presidente do Banco Popular da China, o BC do país, Zhou Xiaochuan, que prevê que as medidas ajudarão a China a crescer entre 8% e 9% a partir de 2009.

Operações de fusões e aquisições terão mais crédito Foi suspenso o teto para empréstimos dos bancos estatais para determinados projetos, como infra-estrutura rural, abertura de empresas em setores de tecnologia, fusões e aquisições e compra de equipamentos de proteção ao meio-ambiente. Os integrantes do Conselho de Estado da China, liderado pelo primeiro-ministro Wen Jiabao, esteve reunido durante todo o fim de semana elaborando o pacote.

Em São Paulo para a reunião do G-20 (grupo que reúne países ricos e emergentes), o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, afirmou que a situação fiscal da China é forte para sustentar o crescimento do país e, desta forma, ajudar o planeta a sair da espiral de crise que vem empurrando para a recessão alguns países da Europa e os EUA. Zoellick afirmou que os investimentos em infra-estrutura feitos pela China nos últimos anos foram uma decisão “muito sábia” e agora estes investimentos ajudarão o país a responder mais rapidamente ao pacote de estímulo anunciado em Pequim.

Banco central de Taiwan corta juros novamente Também presente ao fórum do G-20, o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique StraussKahn, afirmou que o pacote chinês é “uma boa notícia”.

— O FMI vinha argumentando há algum tempo que a China deveria deslocar o eixo de sua economia de um crescimento baseado em exportações para um baseado no crescimento interno. Estou muito feliz por ver que essa decisão foi tomada — disse ele, acrescentando que o pacote beneficiará não só a China, mas a economia mundial também.

David McCormick, vice-secretário do Tesouro dos EUA para Assuntos Internacionais, também festejou o pacote, afirmando em São Paulo que ajudará a Ásia a sair da crise financeira.

Na esteira de ações contra a crise, o banco central de Taiwan cortou ontem, sem aviso prévio, sua taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 2,75% ao ano. O objetivo é estimular a economia. Trata-se da quarta redução em um mês.

01/09/2008 - 09:27h Novos negócios da China

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Crescimento de uma classe média com estilo ocidental abre portas para marcas brasileiras

Eliane Oliveira – O Globo

Algoz das indústrias brasileiras de têxteis e calçados, a China pode se transformar num mercado altamente promissor para fabricantes de sapatos, confecções, produtos de higiene, cosméticos, metais e pedras preciosas do Brasil. Mas é preciso fazer um rigoroso dever de casa para aproveitar o enriquecimento dos chineses, a partir da abertura e do aquecimento do consumo no país asiático.

É o que diz um estudo inédito da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) denominado “Oportunidades de negócios para os setores de moda brasileira na China”.

Com uma participação pequena nas importações chinesas, o Brasil não atende hoje a um clube que abrange de milionários — cada vez mais sensíveis à marca e ao produto de luxo — a uma classe média de 300 milhões de consumidores, que também passaram a se interessar por produtos ocidentais que representem o status de quem os usa, principalmente grandes marcas.

“A abertura do mercado e as mudanças econômicas e demográficas provocaram alterações estruturais na China, o que afetou o estilo de vida local, especialmente nas grandes cidades. Os consumidores passam por um processo de ocidentalização, ainda que os padrões sociais e culturais, tipicamente chineses, continuem a definir o comportamento de consumo”, diz a pesquisa.

Para os próximos dez anos, uma ainda grande expansão do consumo é esperada na China, guiada pela combinação do aumento dos salários e do salário-mínimo, maiores lucros e ampliação do investimento governamental em áreas rurais. Estima-se que o número de famílias ganhando mais que US$ 5 mil por ano cresça 24%.

Osklen já está de olho nos chineses

Cerca de 5,8 milhões de famílias chinesas já possuem o estilo ocidental de consumo, com renda superior a US$ 10 mil por ano. Outro dado que chama a atenção é que, apesar das baixas taxas de juros na China, os chineses têm uma das poupanças mais altas do mundo, estimada entre 25% e 30% dos salários.

Os empresários brasileiros já estão se mexendo e usam como estratégia a promoção de seus produtos nos mercados desenvolvidos — Estados Unidos, União Européia e Japão — para depois entrarem nos emergentes. É o que revela Oskar Metsavaht, do Osklen Group: — Estamos semeando investimentos nos grandes centros para, em seguida, conquistarmos a China.

Sem poder concorrer com o luxo europeu e as marcas populares americanas, os fabricantes nacionais usam como trunfo o “jeito de ser do brasileiro”, conforme classificou o estilista Amir Slama, da grife Rosa Chá: — O que nos diferencia é o estilo de vida, o clima de verão. Nossa moda é sofisticada, mas despretensiosa. Chique e, ao mesmo tempo, despojada.

Segundo Metsavaht, a investida já apresenta resultados. Alguns grupos chineses já entraram em contato com a Osklen, que tem lojas em Milão, Roma, Tóquio, Genebra e Lisboa.

— Ainda teremos o mercado chinês.

Estamos investindo em criatividade e no posicionamento de nossas marcas no exterior — afirmou.

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Indústria têxtil ainda vê ameaças à competitividade

Depreciação do yuan e subsídios às exportações são principais obstáculos a produtos brasileiros

O diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, concorda com a avaliação do potencial do mercado chinês, mas lamenta que as relações comerciais sejam altamente desequilibradas. Ele citou exemplos de fatores que distorcem os preços no mercado internacional e torna os produtos brasileiros menos competitivos, como a alta depreciação da moeda chinesa, o yuan, frente ao dólar — o que torna as vendas do país asiático mais competitivas — e o aumento dos subsídios do governo da China às exportações, que já está em vigor.

— Hoje, a China é mais ameaça do que oportunidade — disse Pimentel.

Ao mesmo tempo, afirmou o dirigente da Abit, o empresário brasileiro enfrenta o real valorizado e a elevada carga tributária. Mesmo assim, Pimentel enfatizou que existe uma estratégia ofensiva da indústria nacional, com investimentos em roupas de marca, design e estilo.

— O que nos preocupa é o futuro — acrescentou.

Para conseguir entrar no mercado chinês — e aproveitar a ocidentalização dos hábitos de consumo e a incorporação das classes com rendas mais baixas —, são apontadas várias formas: exportação, abertura de escritório de representação comercial, instalação de uma planta de produção, licenciamento, joint venture, entre outras.

No entanto, a Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) faz algumas ressalvas que devem ser observadas pelo empresário brasileiro. A primeira delas é que a China se diferencia de outros mercados pela peculiaridade nos tempos de maturação, após a entrada e o início da expansão do negócio. A maturação leva pelo menos cinco anos e só depois vem o retorno. “As empresas bem-sucedidas no mercado local seguiram passos comuns”, diz a pesquisa da agência sobre o consumo chinês.

A compreensão da cultura chinesa e de seu marco regulatório, a análise detalhada dos riscos associados à entrada no mercado, o desenvolvimento de um planejamento flexível e a adaptação ao pragmatismo dos empresários daquele país são algumas das recomendações.

— Há um potencial imenso para o Brasil, não apenas na China, mas também em outros mercados. Afinal, temos apenas 1,4% de participação no mercado mundial. Mas é importante o empresário brasileiro aparecer, participando de desfiles e outros eventos no exterior — disse o diretor de negócios da Apex, Maurício Borges. (E.O)

11/05/2008 - 12:49h Nova lei dá direitos a operário chinês e encarece trabalho

Legislação permite que trabalhador receba indenizações e pagamentos atrasados de finais de semana e horas extras

Lei está em vigor desde 1º de janeiro deste ano; para empresários, “custo China” está crescendo, e contratar ficará mais difícil agora

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RAUL JUSTE LORES – Folha SP

DE PEQUIM

Apenas um mês depois de começar a trabalhar em uma empresa de construção, o operário Huang Yugang, 40, quebrou o braço ao cair com um tronco que carregava em um jardim do bairro mais caro de Pequim.
“O patrão disse que meu contrato de trabalho não previa nenhuma compensação por acidente de trabalho e fiquei desempregado”, disse Huang à Folha. Mas, apenas um mês depois, a central sindical estatal chinesa pressionou a empresa e conseguiu uma indenização de US$ 200 e o pagamento do tratamento de Huang.
Tal feito é novidade na China. Diversos trabalhadores estão conseguindo indenizações e pagamentos atrasados de finais de semana e horas extras nunca pagos. Uma nova legislação trabalhista, que entrou em vigor em 1º de janeiro, é considerada revolucionária no relacionamento entre patrões e empregados.
Mas a nova lei, que também determina estabilidade no emprego, depois de dois contratos temporários, foi criticada pelas câmaras de comércio da União Européia e dos Estados Unidos em Xangai. Os empresários dizem que o “custo China” está crescendo e que fazer contratações ficará mais difícil a partir de agora (leia as principais regras da nova lei no quadro).
A China precisa criar 10 milhões de empregos por ano para saciar sua população de 1,4 bilhão de habitantes. Nas últimas duas décadas, o governo chinês adotou uma permissividade quase irrestrita para atrair investimentos e empregar uma enorme massa de trabalhadores com pouca qualificação.
“A nova lei tem procedimentos que preenchem antigas brechas legais. A maioria das ações trata de ausência de contratos, pagamento por horas extras ou seguros e compensações por acidentes de trabalho”, diz o advogado chinês Jeff Ren, do escritório Deheng. “Em 90% dos casos, os empregados vencem as ações trabalhistas.”

Jornada de 70 horas
Há milhões de trabalhadores sem contrato no país. Não há férias remuneradas, greves são reprimidas e os sindicatos pertencem ao governo. Há salários mínimos regionais, comumente desrespeitados. As jornadas de trabalho podem chegar a 70 horas semanais.
Em Pequim, onde a situação é bem melhor do que no interior do país, 44% da mão-de-obra trabalha 6,9 dias por semana, em média 56 horas. Em Guangzhou, capital da mais rica província chinesa, o antigo Cantão, é comum achar funcionárias que trabalham 80 horas por semana, em turnos de até 12 horas.
Há 210 milhões de chineses nascidos no campo, mas que trabalham como migrantes nas grandes cidades chinesas, principalmente na construção e nas fábricas.
Com tamanha mão-de-obra querendo escapar da pobreza, os abusos são generalizados.
Milhares moram em alojamentos precários ao lado das obras e fábricas em que trabalham, com apenas algumas horas livres para dormir. A legislação, aprovada no ano passado, depois de dois anos de discussões, revela a preocupação do governo sobre as crescentes disparidades sociais na China.

Custos em alta
“Na teoria, as regras de mercado são as melhores, mas na China há um enorme desequilíbrio entre a força dos empregadores e a dos empregados. O governo precisava tomar responsabilidade”, diz Ren.
As queixas do empresariado contra a nova legislação coincidem com um momento considerado crítico pela indústria exportadora do país. Além da queda da demanda dos Estados Unidos, principal importador, a moeda chinesa não pára de se valorizar diante do dólar, encarecendo os custos chineses. O yuan se valorizou em 20% em apenas dois anos.
Cerca de 80 empresas coreanas mudaram parte de suas linhas de montagem no último ano para países como Vietnã e Camboja, atrás de custos de produção menores.
“A nova lei não aumenta custos trabalhistas, mas provocou uma onda de maior fiscalização das autoridades. Como muitas fábricas e construtoras não pagavam horas extras ou finais de semana, agora esse custo terá de ser acrescentado”, diz à Folha o advogado americano Steve Dickinson, de Xangai.
“Antes, sem demanda, você demitia. A nova lei dificulta isso e complica a vida de quem tem necessidades sazonais, da agricultura à construção. Depois do prédio pronto, o que se faz com o funcionário? Há regras um tanto inapropriadas para um país que muda todo dia.”

02/04/2008 - 03:56h China já se prepara para crescimento de um dígito

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Andrew Batson, The Wall Street Journal, de Pequim – VALOR

A economia chinesa está finalmente perdendo furor.

O investimento em fábricas e infra-estrutura, há muito o principal motor de crescimento do país, começou a enfraquecer. Está mais difícil conseguir financiamento. As construtoras, em particular, sentem os efeitos dos limites ao crédito impostos pelo governo no final de 2007. Algumas empresas, apertadas pela alta de preço de matérias-primas, estão divulgando lucro menor, o que as deixa com menos caixa para financiar expansão.

Esse desaquecimento das bolhas especulativa e de investimento é algo que o governo da China buscava há algum tempo, sem muito sucesso. Agora, os efeitos já aparecem nos mercados. Os preços de imóveis se estabilizaram, após os fortes ganhos do ano passado, e a Bolsa de Xangai está 46% abaixo do recorde atingido em outubro.

A modesta desaceleração que as autoridades conseguiram na economia interna ocorre num momento em que há incertezas por todo o mundo. O crescimento das exportações chinesas tem diminuído há meses, à medida que se enfraquece a economia dos Estados Unidos, e é pouco provável que as vendas ao exterior ajudem muito a expansão econômica da China de uma maneira geral neste ano.

“No total, todos esses fatores já começam a ter impacto no crescimento. Já há evidências de que as empresas menores estão sentindo bastante”, diz Qu Hongbin, economista do HSBC em Hong Kong.

Os dados econômicos da China para os primeiros dois meses deste ano mostram desaceleração tanto no lado externo (o crescimento das exportações ficou abaixo de 20% pela primeira vez nos últimos anos) quanto no interno. Embora a economia continue em forte expansão, e alguns setores estejam resistindo bem, os números ainda apontam para crescimento bem mais lento no primeiro trimestre deste ano. A magnitude da redução só ficará mais clara quando a China divulgar seu Produto Interno Bruto (PIB) do período, dia 17.

“A questão crucial é como as pessoas vão reagir”, diz Qu. “Quantas pessoas estão pensando sobre uma redução significativa do crescimento na China?”

O Banco Mundial acaba de reduzir duas previsões para a China à luz da deterioração da economia dos EUA. Agora, prevê que o crescimento de 2008 cairá para 9,4%, dois pontos percentuais abaixo do de 2007. Ainda é muito para os padrões de qualquer outra economia, mas seria um ajuste para a China, após cinco anos seguidos com ganhos de 10% ou mais.

“Uma redução do crescimento para taxas de um dígito vai chocar os mercados e pode deflagrar um recuo dos preços de combustíveis e commodities industriais”, disse Carl Weinberg, economista-chefe da High Frequency Economics nos EUA, num relatório de análise distribuído esta semana.

Parte do enfraquecimento este ano foi devido ao mau tempo. Tempestades de neve em várias regiões do país interromperam o transporte e fecharam lojas e fábricas no fim de janeiro e início de fevereiro. Acredita-se que isso tenha reduzido temporariamente o crescimento no começo do ano. Indicadores preliminares mostram alguma recuperação em março.

Mas, segundo outros indicadores, a economia chinesa pode estar freando mais do que os números oficiais indicam. Por exemplo, a medida referencial de gastos de capital, chamada investimento urbano em ativos fixos, subiu 24,3% no primeiro bimestre, em relação ao início de 2007. É uma queda pequena em relação ao crescimento de 25,8% um ano atrás. Mas os números divulgados pelo Escritório Nacional de Estatísticas não são corrigidos pela inflação, que tem subido. Levando-se em consideração a alta de custos, o investimento cresceu 18% ou menos este ano, depois de ficar entre 23% e 25% na maior parte do ano passado. Analistas culpam o enfraquecido mercado imobiliário, assim como a redução da expansão industrial por parte de exportadores às voltas com menor demanda nos EUA.

A alta das matérias-primas também pode espremer as margens de lucro das empresas. A pesquisa anual com indústrias feita pela agência de estatísticas concluiu que os lucros no primeiro bimestre de 2008 subiram 16,5% em relação a um ano atrás; mas em 2007 esse porcentual chegou a 36,7%. Entre empresas de capital aberto, tanto na indústria pesada quanto na leve, mesmo as de bom desempenho agora estão sofrendo.

A Weiqiao Textile, produtora de tecidos e linhas negociada na bolsa de Hong Kong, divulgou esta semana queda de 20% no lucro líquido de 2007. O presidente do conselho, Zhang Hongxia, culpou a queda do dólar, as mudanças na lei tributária do país e a alta das matérias-primas. A Baoshan Iron & Steel também divulgou recentemente uma queda inesperada de 2,8% no lucro líquido do ano. A maior siderúrgica chinesa já elevou preços de vários produtos este ano para tentar compensar a alta do minério de ferro e dos combustíveis.

Esses primeiros sinais de esfriamento da economia não bastaram para os líderes chineses relaxarem o combate à inflação, que no acumulado de 12 meses até fevereiro chegou a 8,7%, maior nível em dez anos. Em resposta, o Banco do Povo da China, o banco central, fez a moeda local, o yuan, subir 4,1% ante o dólar no primeiro trimestre, a maior alta desde que o atrelamento informal ao dólar foi encerrado, em 2005. O BC divulgou nota na segunda, após sua reunião trimestral, dizendo que vai manter o “aperto” monetário e alertou que pressões inflacionárias ainda são fortes e que o investimento pode voltar a crescer mais tarde.

Contudo, o premiê Wen Jiabao também tem enfatizado que acompanha atentamente a economia mundial e que o governo está preparado para mudar a política com rapidez, se necessário. Depois de um inesperado superávit fiscal em 2007, o governo tem recursos de sobra para estimular o crescimento. Muitos analistas já prevêem uma expansão dos gastos em infra-estrutura ainda este ano.

“Precisamos achar um equilíbrio entre desenvolvimento econômico e controle da inflação”, disse em março Wen, que prometeu criar 10 milhões de empregos urbanos este ano. “Precisamos manter um certo ritmo de crescimento econômico para resolver a pressão do desemprego.”

31/03/2008 - 05:46h A era do trabalho barato na China acabou

Dexter Roberts – VALOR

banner_china.jpgO empresário Tim Hsu começou a fabricar lâmpadas há mais de 20 anos em Taiwan. E como dezenas de milhares de outros donos de fábricas em Taiwan, Hong Kong e Macau, ele posteriormente transferiu suas operações para a região de Guangdong, no delta do Rio da Pérola, no sul da China. Lá ele estabeleceu sua empresa, a Shan Hsing Lighting, num rincão sonolento de arrozais e granjas de patos denominado Dongguan. De lá para cá, a região cresceu e transformou-se na maior base industrial do mundo em uma série de setores, como os de produtos eletrônicos, sapatos, brinquedos, mobiliário e iluminação. A combinação de baixos salários, regulamentação mínima e uma moeda barata era imbatível. Hsu estava tão confiante no futuro de Guangdong como “fábrica do mundo” que investiu US$ 7 milhões em instalações maiores, que começaram a operar neste ano.

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Agora, muitos dos fabricantes chineses – entre eles a Shan Hsing – estão vivendo o tipo de reestruturação que dilacerou o coração dos EUA uma geração atrás. O mercado habitacional americano, que gerou demanda por tudo o que vinha da China – de móveis modulados a louças para banheiros-, despencou. Uma nova lei trabalhista chinesa que entrou em vigor em 1º de janeiro fez subir consideravelmente os custos em um mercado de trabalho já apertado. A disparada nos preços de commodities e energia, assim como o cancelamento, por Pequim, de políticas preferenciais para exportadores, prejudicaram os industriais. A valorização da moeda chinesa já tornou mínimas as margens, levou milhares de fabricantes para a beira da falência e pôs em risco o papel da China como o maior exportador de produtos baratos.

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26/03/2008 - 13:15h China’s new intelligentsia

Despite the global interest in the rise of China, no one is paying much attention to its ideas and who produces them. Yet China has a surprisingly lively intellectual class whose ideas may prove a serious challenge to western liberal hegemony

Mark Leonard

Mark Leonard is the executive director of the European Council on Foreign Relations. His book What Does China Think? has just been published by 4th Estate

I will never forget my first visit, in 2003, to the Chinese Academy of Social Sciences (CASS) in Beijing. I was welcomed by Wang Luolin, the academy’s vice-president, whose grandfather had translated Marx’s Das Kapital into Chinese, and Huang Ping, a former Red Guard. Sitting in oversized armchairs, we sipped ceremonial tea and introduced ourselves. Wang Luolin nodded politely and smiled, then told me that his academy had 50 research centres covering 260 disciplines with 4,000 full-time researchers.

As he said this, I could feel myself shrink into the seams of my vast chair: Britain’s entire think tank community is numbered in the hundreds, Europe’s in the low thousands; even the think-tank heaven of the US cannot have more than 10,000. But here in China, a single institution—and there are another dozen or so think tanks in Beijing alone—had 4,000 researchers. Admittedly, the people at CASS think that many of the researchers are not up to scratch, but the raw figures were enough.

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10/11/2007 - 10:14h L’épargne chinoise finance l’endettement des consommateurs et de l’Etat américains

Un épargnant chinois passe devant un écran électronique montrant les cotations d'actions chinoises, à Pékin le 6 novembre 2007. L'épargne chinoise finance largement l'économie américaine et ses déficits. | AFP/PETER PARKS

AFP/PETER PARKS

Un épargnant chinois passe devant un écran électronique montrant
les cotations d’actions chinoises, à Pékin le 6 novembre 2007.
L’épargne chinoise finance largement l’économie américaine et ses déficits.

Les pays “pauvres” sont-ils devenus les nouveaux banquiers des pays “riches” ? L’accroissement spectaculaire des réserves de change des pays asiatiques (1 400 milliards de dollars pour la seule Chine à la fin de l’année 2007, soit 955 milliards d’euros), l’accumulation de pétrodollars dans les pays du Golfe et en Russie, les remboursements anticipés des dettes de l’Argentine ou du Brésil font penser que les pays en développement financent désormais les pays industrialisés.

“Sur le plan moral, cette situation est assez choquante”
, juge Dominique Plihon, professeur d’économie à Paris-XIII et président du conseil scientifique de l’association Attac. La fuite des capitaux vers les pays du Nord briderait, en effet, le développement des économies émergentes qui sont loin de disposer des capitaux nécessaires pour améliorer leurs infrastructures.

Ce paradoxe n’est que partiellement vrai. Les chiffres des investissements directs étrangers publiés par la Conférence des Nations unies sur le commerce et le développement (Cnuced) l’attestent : les pays industrialisés ont reçu 857 milliards de dollars de capitaux en 2006, mais ils en ont exporté plus encore (1 022 milliards). Pour les pays en développement, la situation est inverse : ils ont reçu plus (379 milliards de dollars) qu’ils n’ont exporté (174 milliards).

“En fait, analyse Boris Cournède, économiste à la division des politiques économiques et monétaires de l’Organisation de coopération et de développement économiques (OCDE), le déficit de la balance courante du G7 est surtout un phénomène américain. Aux Etats-Unis, le déficit atteindra 842 milliards de dollars cette année. La nouveauté est qu’il est financé par le surplus commercial de la Chine et par celui des pays pétroliers, alors qu’autrefois, les rééquilibrages se faisaient entre pays développés.”

Ce que confirme Patrick Artus, chef économiste chez Natixis, lorsqu’il passe en revue les grandes zones économiques : “L’Amérique latine et l’Union européenne à quinze sont grosso modo à l’équilibre. La première devrait être déficitaire pour financer son développement, mais le traumatisme de la crise de la dette a été si fort que les pays d’Amérique latine préfèrent ne plus avoir de dettes – au risque de ralentir leur croissanceplutôt que de revivre des plans de rigueur et le chômage qui en a résulté.”

M. Artus ajoute : “Les pays pétroliers enregistrent un excédent équivalent à 18 % de leur produit intérieur brut ; la Chine, un excédent de 8 % à 9 % ; l’Asie est à + 4 %. L’Inde est en déficit de – 3 % ; l’Europe centrale et orientale, de – 6 % et les Etats-Unis dépassent les – 6 %.”

In fine, “nous arrivons à une situation étonnante“, qui dure maintenant depuis plusieurs années, commente Xavier Musca, directeur du Trésor. Certains pays émergents, la Chine en tête, investissent massivement dans les bons du Trésor américain. En d’autres termes, la Chine finance une grande partie du déficit colossal de la première économie mondiale.

Pour le reste, elle investit désormais directement ses capitaux excédentaires dans le capital des sociétés occidentales. “D’où la création d’un fonds souverain chinois pour optimiser les placements du pays”, indique Yves Zlotoswski, économiste à la Coface. Il a fait notamment parler de lui en prenant près de 10 % de Blackstone, l’un des principaux fonds d’investissement américain.

En 2007, l’excédent commercial de la République populaire devrait atteindre 220 milliards de dollars, alors que le déficit des Etats-Unis se creusera à 750 milliards.

Le déséquilibre des relations financières entre les deux économies ne manque pas d’inquiéter. “Nous sommes en présence d’une anomalie des épargnes dans ces deux pays”, explique M. Artus. “La Chine épargne trop, car ses ménages mettent de côté pour compenser l’absence de protection sociale et ses entreprises, qui ne peuvent obtenir des prêts d’un système bancaire bloqué, aussi”, ajoute le chef économiste de Natixis.

En revanche, aux Etats-Unis, les particuliers comme l’Etat fédéral sont habitués à vivre à crédit et n’épargnent pas assez. “Les Américains vivent très largement au-dessus de leurs moyens”, insiste M. Plihon. Outre-Atlantique, l’afflux des devises en provenance de Chine ou du Golfe contribue à maintenir les taux d’intérêt à des niveaux très bas, ce qui n’encourage pas l’épargne.

Beaucoup d’économistes soulignent les effets pervers d’une croissance chinoise essentiellement tournée vers l’extérieur. Les pays du G7 estiment que l’économie tourne à plein régime grâce à la sous-évaluation du yuan, par rapport au dollar ou à l’euro.

Cette sous-évaluation “de l’ordre de 20 % à 30 %”, calcule M. Plihon, favorise les exportations au détriment des importations. Mais seule une partie de la population récolte les fruits d’une croissance de plus de 11 % l’an. “Il y a les laissés-pour-compte. Entre les villes et les campagnes, les inégalités se creusent”, indique M. Plihon.

En outre, cette politique monétaire génère de l’inflation qui est estimée à plus de 6 %. Et alimente des tensions sociales. Dans ce contexte, les ménages chinois investissent massivement dans l’immobilier ou en Bourse et contribuent à former des bulles spéculatives.

D’autre part, la multiplication des investissements chinois en Afrique est critiquée, car les pays industrialisés soupçonnent Pékin de tenter de s’approprier les matières premières du continent grâce à ses montagnes d’excédents.

Cette situation explique le rapport de force que les Etats-Unis cherchent à imposer à la Chine à laquelle ils ne cessent de réclamer une réévaluation du yuan, pensant que la faiblesse de la monnaie chinoise contribue à détruire des emplois chez eux.

Le G7 et le Fonds monétaire international ont joint leurs voix à celle de Washington pour demander au gouvernement chinois de réviser sa politique monétaire, le 19 octobre.

Alain Faujas et Claire Gatinois – Le Monde