07/10/2009 - 14:54h A opção do PT paulista por candidatura própria
Blog do Zé Dirceu
Algumas lideranças do PT de São Paulo…
Algumas lideranças do PT de São Paulo, apesar da resolução do seu diretório regional de não excluir o apoio a candidato de partido aliado – no caso, Ciro Gomes, do PSB – e exatamente quando o deputado cearense transferiu seu domicilio eleitoral para a capital paulista, acreditaram ser necessário reafirmar a disposição de lançar candidatura própria e apresentá-la às legendas aliadas.
Com a decisão, anunciada após reunião da Executiva regional na 2ª feira (05.10), acreditam estar expressando a vontade amplamente majoritária da militância, um universo bem diferente do eleitorado e base social do PT, nada desprezíveis em São Paulo, onde o partido já capitaliza 1/3 desse que é o maior colégio eleitoral do país.
Assim, quando se esperava um aceno ou mesmo um movimento do PT em direção ao PSB e a Ciro, o que aconteceu foi a reafirmação da candidatura própria. Pelo menos é o que se pode concluir das entrevistas de lideranças como a ex-prefeita Marta Suplicy.
O fato é que a situação no Estado não é nada boa em se tratando da base do governo Lula. O PSB, PMDB, PV e PTB, além do PPS e do DEM, apóiam o governo Serra. O PSB e o PTB, aliás, tem uma longa tradição de apoio aos tucanos, iniciada com o governo Mário Covas, passando pelo de Geraldo Alckmin e agora com José Serra.
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Petistas não aceitam PSB-SP, diz Marta
No PT paulista não faltam nomes…
No PT paulista não faltam nomes para disputar o governo do Estado, começando pelo prefeito reeleito de Osasco, Emídio de Souza e pelo deputado Antonio Palocci (SP). A ex-ministra e prefeita Marta Suplicy também é uma opção, mas hoje apóia Palocci.
Se tomarmos suas declarações como posição da direção estadual e o resultado da reunião a que me referi (leia nota acima), o partido em São Paulo não aceita a hipótese da candidatura Ciro a governador, uma possibilidade concretizada com a transferência de seu domicilio eleitoral para São Paulo.
Na prática, se as declarações de Marta expressam a posição da maioria dos dirigentes – não importam suas boas intenções ou manifestações de faz de conta – o PT de São Paulo descarta o apoio a uma provável candidatura Ciro no Estado e fortalece a tendência do deputado de optar pela disputa do Palácio do Planalto.
O PSB vive uma contradição
O partido já teve candidato à presidência da República uma vez (Anthony Garotinho, em 2002) e o deputado Ciro foi candidato ao Planalto duas vezes, em 1998 e 2002, pelo PPS, partido que trocaria pela legenda socialista em 2003. Agora, a legenda socialista tende a apoiar a decisão de Ciro de ser candidato a presidente em 2010, mas tem que compatibilizá-la com os palanques estaduais, com a eleição e reeleição de governadores que dependem da aliança com o PT e do apoio de Lula.
A opção do PSB por uma candidatura própria contraria a avaliação do presidente Lula e da direção nacional do PT que defendem uma eleição plebiscitária já no 1º turno. Mais do que isso: de acordo com a avaliação de alguns líderes petistas de São Paulo, Ciro no páreo ajudará inevitavelmente a levar o pleito presidencial para um 2º turno.
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07/10/2009 11:54
Duas táticas nunca deram certo
Como tenho escrito e repetido…Como tenho escrito e repetido o problema da candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), insisto, são os palanques estaduais e a campanha. Até quando Ciro manterá um discurso só de oposição a José Serra e como se comportará o PSB nos Estados – em vários, como SP, PB, PR, AM, AL e MA – nos quais já se aliou ou pode se aliar ao PSDB?
Ou o PT caminha para uma eleição plebiscitária ou aceita a candidatura Ciro a presidente e trabalha para resolver suas conseqüências, que serão graves. Examine-se SP, por exemplo, onde Ciro poderá ter um palanque com o presidente da FIESP, Paulo Skaf, para governador; e o vereador Gabriel Chalita (PSB) para senador.
Citei SP, mas as consequências serão ruins em toda parte. Basta ler o mapa dos palanques estaduais começando pelo CE, PE, RN, BA, SE e PI que governamos juntos (PSB-PT)
Concretizada a candidatura Ciro, o PT deve se preparar, então, para disputar o 1º turno em três frentes: contra Serra, a senadora Marina Silva (PV-AC) e Ciro. Sem ilusões, é certo que, em busca de um lugar no 2º turno, todos estarão contra Dilma e o PT.
Ciro terá, ainda, a vantagem de se apresentar – com legitimidade e razão – como governo, mesmo que não conte com o apoio do presidente Lula. Esse é o grande diferencial, mas não o impede de se apresentar como tal.
Outra tática que o PT poderia seguir, e à qual sou favorável, é disputar o apoio do PSB e convencê-lo a fechar com Dilma e a lançar Ciro candidato a governador de São Paulo. Essa é uma estratégia que exigiria uma ação conjunta das direções do PT paulista e nacional, coordenada pelo presidente Lula e pela nossa candidata, Dilma Rousseff.
Em ação, Dilma reforça seu cacife
Enquanto observamos o panorama…

Dilma Rousseff
Enquanto observamos o panorama e alternativas (leia as três nota acima), a pré-candidata do PT e ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, jantou com a direção nacional do PDT, cujo presidente, Carlos Lupi (ministro do Trabalho) reafirmou a decisão de apoiar a candidatura do PT. E mais do que isso: reiterou o apoio a uma candidatura única na base do governo para uma disputa plebiscitária no 1º turno.
O PDT encampa, assim, uma posição exatamente oposta à expressada por lideranças do PT de São Paulo após a reunião de sua direção estadual na última 2ª feira (05.10).
Já o presidente Lula reforçou sua decisão de priorizar a união com o PMDB para compor uma ampla coalizão de apoio a Dilma, sua candidata. Esta, por sua vez, iniciou uma série de reuniões e o cumprimento de agendas para consolidação de seu nome e formalização de alianças.
Nesse esforço, além da direção nacional do PDT, Dilma recebeu deputados do PRB; esteve no Rio comemorando nossa vitória como país-sede das Olimpíadas de 2016; e esteve, também, no Paraná (Londrina) e São Paulo. Uma movimentação de pré-campanha que vai a pleno vapor.Foto: Fábrio Rodrigues Pozzebom/ABr
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07/10/2009 10:38
Tucanato está com medo de Ciro Gomes
Faz tempo que o tucanato paulista…Faz tempo que o tucanato paulista está com medo do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), porque ele os conhece bem. O parlamentar foi durante muito tempo filiado ao PSDB, partido pelo qual se elegeu governador do Ceará (1991-1994). Aliás, foi o único, dentre os 27 governadores, eleito pelo PSDB em 1990.
Agora os tucanos paulistas estão apelando, levantando a tese absurda de que a transferência de domicílio eleitoral (de Fortaleza para SP) pode acarretar a perda do seu mandato de deputado porque o Ceará, com 22 representantes na Câmara ficará com 21.
A transferência de domicílio eleitoral, da mesma forma que a mudança de partido para quem não tem mandato, segundo a lei, é legal desde que feita um ano antes das eleições.
Haja casuísmo! Essa tese tucana é pura apelação! Mas, como eles não tem coragem de pedir (à Justiça eleitoral a cassação do mandato de Ciro), plantaram a notícia – e a mídia engoliu – para ver, como eles mesmo dizem, se algum eleitor do Ceará pede.
Sugestão: por que Tasso não pede a cassação?
Dou uma sugestão: a direção do PSDB pode pedir para seu senador, Tasso Jereissati (CE) pedir a cassação do mandato de Ciro. Como senador, ex-governador do Ceará e ex-presidente nacional do partido, Tasso tem todos os títulos para isso. Baixaria pura! O fato é que os tucanos começaram mal.
Pior foi o que escreveu o deputado e chefe da Casa Civil de Serra, Aloysio Nunes Ferreira Filho, pré-candidato a governador de São Paulo, no seu Twitter: “Imagine se o presidente da República resolve mudar para o Paraguai”. Uma grosseria sem tamanho!.
Temos aí os mesmos que aplaudiram a mudança de partido da senadora Marina Silva (PV-AC) e receberam de volta, de braços abertos, o tucano Flávio Arns (PR), eleito senador pelo PT em 2002 graças ao apoio de Lula e de nossa militância.